quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Termômetros e lâmpadas

Acabo de ler que a partir de 3 de abril os termômetros de mercúrio, aqueles clássicos, serão proibidos na União Europeia. Entrará em vigor um decreto ministerial de 30 de julho de 2008, que visa evitar que estes instrumentos acabem no lixo, contaminando o ambiente e colocando em risco a saúde de todos.
A coisa não diz respeito aos termômetros que as pessoas já possuam. Elas não deverão descartá-los (e quando o fizerem deverão entregá-los nos postos de coleta nas farmácias). É uma medida que diz respeito aos produtos novos, que, por sua vez, já vêm utilizando alternativas como uma liga de Gálio, Índio e Estanho, capaz de medir a temperatura em cerca 3 minutos, mas atóxica para o ambiente.
O Mercúrio é um metal pesado, líquido, contaminante comum em regiões de garimpo e presente em lâmpadas fluorescentes, em moldes industriais e nas células de eletrólise do sal para a produção de cloro e também nos termômetros, barômetros, etc...
Portanto, atenção na hora de jogar suas lâmpadas fora! Isto diz respeito às lâmpadas ditas "econômicas", eco-amigáveis, enfim.
Nos EUA existe a obrigatoriedade de rotular as lâmpadas com o símbolo Hg (mercúrio), mas aqui não. Então atenção redobrada. Todas as lâmpadas fluorescentes no mercado brasileiro contém mercúrio e não deveriam ser jogadas no lixo comum.
Elas deveriam ser cuidadosamente descartadas, evitando que se quebrassem e tratadas como lixo "perigoso" e encaminhadas para empresas especializadas na sua reciclagem. Já existem algumas no Brasil (ver lista ao fim deste post).
Embora as lâmpadas fluorescentes e halogenadas sejam consideradas uma medida ecológica por sua economia energética e emissão de gases (inclusive mercúrio) permanece o risco ambiental do mercúrio que elas contém.

Os seguintes tipos de lâmpadas contém mercúrio:
a)Fluorescentes, fluorescentes compactas, luzes negras.
b)High intensity discharge bulbs (HID). Elas lâmpadas são usadas em iluminação de armazéns, ambientes industriais e comerciais, na iluminação de segurança e outdoors. Elas são as lâmpadas a vapor de mercúrio, de metal-halido e sódio de alta pressão.
Estas lâmpadas também são utilizadas em veículos (luzes azuladas).
c)ultravioletas
d)neon

obs: Lâmpadas halogenadas não contém mercúrio.

No Brasil são consumidas cerca de 100 milhões de lâmpadas fluorescentes por ano. Desse total, 94% são descartadas em aterros sanitários, sem nenhum tipo de tratamento, contaminando o solo e a água com metais pesados. Por este motivo a conscientização da importância da reciclagem deste lixo se torna tão importante.


A intoxicação aguda por Mercúrio apresenta náuseas, vômito, glossite, estomatite, gengivite, perda dos dentes, forte dor abdominal e eventual diarréia com sangue, por seus efeitos corrosivos sobre as mucosas e na pele. O Mercúrio é nefrotóxico, hepatotóxico e neurotóxico e pode levar à morte em poucos dias. O tratamento requer suporte intensivo em UTI.
A intoxicação crônica apresenta vários sintomas neurológicos como tremores, vertigens, irritabilidade e depressão; associados à salivação, estomatite e diarréia; descoordenação motora progressiva, perda de visão e audição, autismo e deterioração mental. Ocorre a chamada Neuroencefalopatia tóxica, interessando cérebro e córtex cerebelar. Pode ocorrer dano genético. A terapia médica se faz com quelantes.

Além de reciclar, é importante prevenir. A inclusão de castanhas na dieta, por ser uma fonte de selênio, pode diminuir a biodisponibilidade do mercúrio por efeito quelante natural (os íons se ligam e o mercúrio vem "desativado" pelo selênio).O consumo de alho (alicina e ácido succínico)também é uma boa opção natural de quelante para o mercúrio. Não vai tratar uma intoxicação patológica, mas pode ajudar na prevenção.

E para quem ainda não conhece, recomendo a leitura do texto do Dr. Moacyr Scliar para a Clínica Literária chamado "Minamata, a cidade onde os gatos dançavam (e as pessoas morriam)" disponível no link http://www.conversanopier.com.br/minamata.htm#scliar ou clicando sobre o título deste post.

Empresas que reciclam lâmpadas fluorescentes:

Apliquim
(11) 3722-5478
www.apliquim.com.br

Rodrigues & Almeida Moagem de Vidros
(19) 9649-6867

Tramppo
(11) 3039-8382
www.tramppo.com.br

Naturalis Brasil
(11) 4496-6323 e 4591-3093
www.naturalisbrasil.com.br

Em Santa Catarina

Brasil Recicle
(47) 3333-5055
www.brasilrecicle.com.br

No Paraná

Bulbox
(41) 3357-0778
www.bulbox.com.br

Mega Reciclagem
(41) 3268-6030 e 3268-6031
www.megareciclagem.com.br

No Rio Grande do Sul

Sílex
(51) 3421-3300 e 3484-5059
www.silex.com.br

Em Minas Gerais

Recitec
(31) 3213-0898 e 3274-5614
www.recitecmg.com.br

HG Descontaminação
(31) 3581-8725
www.hgmg.com.br
25 / 06 / 2008


Para saber mais sobre MERCÚRIO e sua toxicidade: http://www.toxnet.com.br/t-metais_mercurio.php

PS: A Anary contribuiu com um comentário bem legal, uma matéria no site: http://empresas.globo.com/Empresasenegocios/0,19125,ERA1696949-2991,00.html

6 comentários:

Morrocoy disse...

Que ótima informação! Como sempre, Sandra abrindo os olhos da gente.
Já estou procurando mais informação sobre como reciclar, pois aqui em casa usamos bastante essas lâmpadas.
Um abraço!

Anary disse...

Seu Blog é ótimo!
Adoro suas informações super relevantes e claro, com a credibilidade de profissional.
Agora que conheço a gravidade desse assunto, me pergunto:
Porque não existe um aviso, um alerta destacado, nas embalagens desse produtos?
A gente tem medo que as crianças cheguem perto de lâmpadas, pelo risco do corte, mas o perigo vai além disso e eu nem imaginava.
Chego a pensar que é falta de responsabilidade dos fabricantes com o consumidor e com o ambiente.
Obrigada!

Silvia disse...

E o mercúrio nas vacinas, Sandra...?

Sandra Goraieb disse...

É Silvia, é um problema sim. Tenho uma amiga italiana, médica legal, que estuda o risco vacinal há anos. A questão na vacinação é sempre a relação risco x benefício, assim como na administração de qualquer fármaco ou procedimento médico. Por este motivo a relação médico-paciente deveria ser individual e ad hoc, ou seja o que serve para um nem sempre serve para o outro. No entanto, as questões referentes à Saúde Pública têm que atender as necessidades de uma inteira população. Uma vez me perguntaram sobre bloqueadores solares. Eu disse se era uma pergunta genérica ou não. A pessoa me disse se fazia diferença. Eu disse que sim. Genericamente o uso de bloqueadores solares é uma obrigação, uma metódica comprovada na redução de tumores de pele, mas individualmente seria necessária uma anamnese completa e detalhada do indivíduo para ver se haveria alguma contraindicação para o seu uso. Dê uma olhadinha no Vaccine Ethics na barra de links. Abraços!

Anary, obrigada. Não sei porque não tem um aviso em letras garrafais sobre a presença de mercúrio nas lâmpadas. Deveria mesmo. E mais ainda, deveriam ser orientadas para a percepção que lixo não é igual. Lixo pode ser bom e ruim, pode ser fonte de renda e energia, pode ser um problema sério ou um recurso. Depende de como é tratado.

Sandra Goraieb disse...

Ah, esqueci de dizer, após analisar bem os riscos, eu vacinei minha filha.

Anary disse...

Olá Sandra, hoje saiu uma matéria sobre uma empresa que recicla justamente Lâmpadas Fluorescentes e com muito sucesso:
http://empresas.globo.com/Empresasenegocios/0,19125,ERA1696949-2991,00.html
Achei interessante postar aqui.
beijos!