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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Triclosan...

E não é que finalmente o assunto aparece em sites "populares"? Artigo sobre o Triclosan, nosso velho conhecido... http://www.jornalciencia.com/saude/corpo/4281-substancia-usada-na-pasta-de-dente-colgate-total-para-combater-doencas-da-gengiva-tem-potencial-cancerigeno-diz-pesquisa

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Bisfenol S é seguro?

Um grupo da Universidade de Toulouse, liderados pelo Dr. Héliès Toussent, conduziu um estudo sobre os efeitos do Bisfenol S, candidato a substituto do Bisfenol A no mercado Europeu,nas células hepáticas e na obesidade. Os autores observaram (estudo in vitro) que tanto o BPA como o BPS induziram um aumento no conteúdo lipídico nas células adiposas 3T3-L1 e mais moderadamente nos hepatócitos Hep G2. Observaram também uma diminuição na lipólise, na produção de leptina e na modulação dos genes envolvidos no metabolismo lipídico e no balanço energético, talvez ligados à modulação do SREBP-1c, PPARγ, aP2 e ERRα e genes γ após exposição ao BPA enquanto o BPS parece atingir o PGC1α e os genes ERRγ. Isto leva os autores a sugerirem que tanto o BPA como o BPS podem ser interferentes envolvidos na obesidade e na esteatose hepática através de duas vias metabólicas diferentes. Para saber mais: Héliès-Toussaint C1, Peyre L2, Costanzo C3, Chagnon MC4, Rahmani R2. Toxicol Appl Pharmacol. 2014 Aug 8. pii: S0041-008X(14)00291-9. doi: 10.1016/j.taap.2014.07.025. Is bisphenol S a safe substitute for bisphenol A in terms of metabolic function? An in vitro study.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Seria o consumo de soja industrializada uma causa de Mal de Alzheimer?

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Adelaide levantou esta hipótese em um artigo publicado no Medical Hypotheses(Med Hypotheses. 2014 Mar;82(3):250-4.) baseado na interferência da soja nas funções da tiróide. Os autores lembram o aumento da incidência desta afecção e a sua importância epidemiológica, uma vez que estima-se que 25% da população americana em 2031 será portadora desta patologia. A maioria dos pesquisadores da demência relacionam a etiologia a viroses, obesidade, sedentarismo, diabetes, depressão, hipertensão arterial, inflamações frequentes, contaminação ambiental ou doméstica por agentes tóxicos, fatores genéticos. Alzheimer é uma degeneração de partes das vias neurais no cérebro, e pode de fato estar ligada a agentes tóxicos que passem a barreira hemato-encefálica. Assim, os autores consideram importante avaliar o que for abundante no ambiente, e em particular as fontes alimentares. Entre estes, os produtos não fermentados de soja, que possuem atividades anti-tireoide e são interferentes hormonais, poderiam ser deletérios. Para saber mais: Roccisano D, Henneberg M, Saniotis A. A possible cause of Alzheimer's dementia - industrial soy foods. Med Hypotheses. 2014 Mar;82(3):250-4

sexta-feira, 23 de março de 2012

Interferentes hormonais, uma revisão de 15 anos de pesquisa.

Em 1991, em Wildspread, um grupo de pesquisadores concluiram pela primeira vez que os agentes ambientais introduzidos pela atividade humana, poderiam ter efeitos danosos sobre a saúde dos seres vivos. Literalmente: “Many compounds introduced into the environment by human activity are capable of disrupting the endocrine system of animals, including fish, wildlife, and humans. Endocrine disruption can be profound because of the crucial role hormones play in controlling development.”
Quinze anos se passaram e cada vez mais o volume de evidências tem aumentado ao longo do tempo, além do reconhecimento de cada vez maior número de agentes implicados nos diversos mecanismos de interferência endócrina.
Sugiro a leitura da revisão: "Fifteen Years after “Wingspread”—Environmental Endocrine Disrupters and Human and Wildlife Health: Where We are Today and Where We Need to Go", disponível gratuitamente no endereço: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2721670/?tool=pubmed

Boa leitura!

Para saber mais:
Hotchkiss AK et alli
Fifteen Years after “Wingspread”—Environmental Endocrine Disrupters and Human and Wildlife Health: Where We are Today and Where We Need to Go
Toxicol Sci. 2008 October; 105(2): 235–259.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Obesidade, um problema ambiental? Obesógenos

Nos últimos anos a obesidade vem se tornando um sério problema de saúde pública.
Nos EUA, mais de 35% dos adultos e 17% das crianças entre 2 e 19 anos são obesas, mas este fenômeno não se restringe apenas aos países ricos. Os países em desenvolvimento estão conhecendo uma expansão rápida desta patologia. Mas mesmo os animais, entre eles os ratos que vivem nas cidades, animais de laboratório e de estimação, vem aumentando o peso corporal médio nas últimas décadas, o que faz supor que isto nada tenha a ver com a dieta ou com exercício, mas sim com um fator ambiental desencadeante.
Embora muitos profissionais ainda atribuam a causa da obesidade à dieta errada e a falta de exercício exclusivamente, pesquisadores começam a reunir evidências suficientes de obesógenos químicos, ou seja, compostos dietéticos, farmacêuticos e industriais que podem alterar os processos metabólicos fisiológicos e assim predispor os sujeitos a um aumento de peso.
A exposição pode ocorrer mesmo no período do desenvolvimento fetal, o que leva a uma alteração por toda a vida do metabolismo, ou mesmo já na fase adulta.
O papel dos contaminantes ambientais com propriedades obesógenas, foi reconhecido recentemente pela Presidential Task Force on Childhood Obesity e pelo National Institutes of Health (NIH) Strategic Plan for Obesity Research. Isto devido a um constante aumento de trabalhos e publicações científicas corroborando este efeito tanto em animais como em seres humanos. Em 2011 o NIH iniciou um ciclo de 3 anos de pesquisa no papel da exposição ambiental na obesidade, na diabetes do tipo II e na síndrome metabólica.
Antigamente o papel das células de gordura no corpo era somente o de depósito de energia, mas agora sabe-se que seu papel vai muito além disso, pois o tecido gorduroso funciona como uma unidade endócrina, secretando hormônios relacionados ao apetite e ao metabolismo. Assim, os obesógenos podem ter diferentes mecanismos de ação, seja no número de células de gordura, seja no tamanho destas células, ou ainda como interferentes hormonais na regulação da saciedade, do apetite, das preferências alimentares ou do metabolismo energético.
Existe ainda a possibilidade de que estes efeitos passem de uma geração para a outra, através de mecanismos epigenéticos, através de modificações na expressão do DNA e das histonas (sem que o gene em si tenha sido alterado).
Já há cerca de 20 agentes químicos identificados como causadores de ganho de peso, a maioria relacionada a exposição durante o desenvolvimento fetal, porém em adultos, muitos estudos mostraram que agentes que ativem os receptores PPARy (peroxisome proliferator–activated receptor gamma). Se você ativa o PPARy em um pré-adipócito, ele se torna uma célula adiposa. O PPARy causa uma diferenciação seletiva nas células tronco para ossos ou gordura. assim, alguns obesógenos, como os Obesotins, fariam um desvio a favor da linhagem dos adipócitos em detrimento da linhagem óssea.
Pesticidas na água e nos alimentos, em especial a Atrazina e o DDE(dichlorodiphenyldichloroethylene, um subproduto do DDT) aumentam o índice de massa corpórea (BMI) em crianças e a resistência insulínica em roedores.
Alguns fármacos, como a rosiglitazona (*Avandia, foi retirada do mercado brasileiro), têm sido relacionados com o ganho de peso em humanos e animais. A Genisteína, um fitoestrógeno presente na soja, e o Glutamato monossódico (realçador de sabor), presentes em muitas mesas, também são obesógenos.
Muitos obesógenos conhecidos ou suspeitos são interferentes hormonais e são ubíquos.
Ftalatos, nossos velhos conhecidos plasticizantes e não só estão relacionados a obesidade em humanos e ocorrem em muitos objetos feitos de PVC e em fragrâncias, desodorantes ambientais, sabões, detergentes, amaciantes, produtos de higiene pessoal e cosméticos.
O fumo de cigarros durante o desenvolvimento fetal também exerce papel importante, pois embora os bebês nasçam com baixo peso, acabam compensando isto na infância com um mecanismo de maior ganho. Lembrem-se também dos fumantes de segunda e terceira mão.
O diethylstilbestrol (DES), um estrógeno sintético usado dos anos 30 até os anos 70 para evitar abortos também tem este efeito "compensador". A droga causou diversos efeitos colaterais e sérias complicações nos filhos destas mães que a usaram, tais como anormalidades no aparelho reprodutivo, câncer vaginal na adolescência, câncer de mama na fase adulta. Em baixas doses ele altera a expressão dos gens relacionados à obesidade e causa modificação nos níveis hormonais.
Outro nosso velho conhecido, o Bisfenol A(BPA), presente em latas e plásticos, reduz o número de células adiposas, mas em compensação faz com que elas armazenem mais gordura, aumentando de tamanho, aumentando a gordura abdominal e a intolerância à glicose.
Outro obesógeno muito comum nas casas é o ácido perfluorooctanoico (PFOA), sabido agonista PPARy e suspeito interferente endócrino. O alarmante é que as crianças estão mais contaminadas com este agente que os adultos. PFOA é um surfactante, usado em panelas não aderentes e para reduzir a fricção, em roupas impermeáveis, impermeabilizantes (Scotchgard™ ), carpetes, colchões, utensílios para microondas e mobiliário.
Como hoje é dia da água, vamos lembrar que a Du Pont, em 2005, perdeu uma causa no valor de 107.6 milhões de dólares por ter contaminado com PFOA a água potável próxima a uma sua indústria em Parkesburg, EUA. Em dezembro de 2011 foi encontrado o primeiro vínculo provável entre hipertensão gestacional e PFOA.
PFOA possui uma longa meia vida e pode persistir durante a lactação e ser transmitida aos bebês pelo leite, que, por sua vez, quando se tornarem adultos, terão um maior peso corporal. Há também uma maior secreção de leptina, hormônio produzido pelas células adiposas que reduziria o apetite, mas que nestes casos suspeita-se que o cérebro crie uma "resistência" a seus efeitos, tornando-a ineficaz. Embora os pesquisadores não tenham observado o mesmo efeito em adultos expostos ao PFOA, foram encontradas anormalidades no útero e nas glândulas mamárias dos sujeitos expostos.


Para saber mais:
Holtcamp W 2012. Obesogens: An Environmental Link to Obesity. Environ Health Perspect 120:a62-a68. http://dx.doi.org/10.1289/ehp.120-a62

segunda-feira, 16 de maio de 2011

No EHP um resumo sobre efeitos dos poluentes na infância

AQ publicação Environmental Health Perspectives lançou a coletânea de referências artigos de 2010 sobre a infância em uma única publicação.
Quem quiser descarregar o arquivo em forma pdf vai encontrar neste endereço:

http://ehp03.niehs.nih.gov/static/pdf/EHP_Child_Collection2010.pdf

O volume aborda asma, autismo, leucemia, distúrbios de comportamento,câncer, imunopatias e distúrbios no desenvolvimento fetal além de interferência hormonal.
Boa leitura!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Uma email que recebi.

Salve o Jeca Tatu!
Por Tatiana Achcar
Frutas frescas, sucos naturais, legumes, verduras e cereais, ingredientes de uma alimentação saudável, certo? Nem sempre. No suco de laranja, na salada de alface e tomate e até no básico arroz com feijão, o brasileiro ingere cinco quilos de veneno por ano.

Pela segunda vez consecutiva, estamos no topo do ranking dos países que mais consomem agrotóxicos no mundo, que é vendido, da fábrica ao campo e do campo ao prato, como a salvação da lavoura, capaz de exterminar pragas, garantir alimentos de qualidade e em grande quantidade para abastecer o mercado e ainda sanar a fome do mundo. Alguém viu algum faminto por aí? O que fica escondido é o preço bem caro que todo mundo paga para manter esse modelo falido de produzir o pão nosso de cada dia.

Em primeiro lugar, tem a alta recorde dos alimentos. Quem compra comida já notou que o bolso ficou mais vazio ou a sacola está mais leve. O custo da produção de alimentos vem acompanhando de perto o preço do petróleo, matéria prima dos defensivos agrícolas e fertilizantes. As revoltas na Tunísia e no Egito foram parcialmente vinculadas à insatisfação com a alta dos preços da comida. Onde não tem prato feito, tem guerra.

Depois, vêm os danos à saúde, causados pelos agrotóxicos e deflagrados constantemente por pesquisas científicas, mas que governo nenhum ousa enfrentar. Depressão, alergias, desenvolvimento sexual precoce, disfunções hormonais, problemas neurológicos, má formação do feto, fraqueza dos rins, enjôo, diarréia. Leite materno contaminado!

Até agora, o sistema de saúde foi incapaz de notificar os problemas de saúde relacionados ao uso de agrotóxicos. O Ministério da Saúde tem se mostrado omisso em identificar intoxicações na saúde do trabalhador e no ambiente e difundir informação sobre os riscos desse veneno. Por que não faz uma campanha de amplo alcance, como fez sobre a Aids? Hoje em dia, o único setor que faz propaganda é o próprio agronegócio. Vai mal!

A bancada ruralista quer alterar a legislação para isentar o agrotóxico de impostos. Quer também mudar o Código Florestal para derrubar mais florestas e avançar sobre as fontes de água limpa. Quem está por trás das duas articulações? O agronegócio. Com o preço do petróleo nas alturas, eles estão pedindo arrego ao governo enquanto a população adoece e sobrecarrega o sistema saúde.

A pressão para alterar o Código Florestal tem efeito rebote. Aumentar a área de desmatamento em margens dos rios e nascentes, hoje protegidas por lei, significa expô-las à contaminação da água pelos próprios agrotóxicos, comprometendo a biodiversidade a qualidade do recuso mais vital e valioso para a vida no planeta. Por falar em água, a agricultura é o maior consumidor de água potável do mundo, pois usa sistemas de produção e irrigação obsoletos e fertilizantes que empobrecem e desertificam o solo, demandando mais água.

Um relatório [http://www2.ohchr.org/english/issues/food/docs/A-HRC-16-49.pdf ] da Comissão de Direitos Humanos da ONU, publicado em dezembro passado, revela que muitos agricultores de países em desenvolvimento podem dobrar sua produção de alimentos no prazo de uma década se deixarem de usar pesticidas e fertilizantes químicos e aderirem à agricultura ecológica. O método também torna o campo mais resistente ao impacto projetado pelas mudanças climáticas – enchentes, secas e alta no nível dos mares, que já deixou a água doce perto de alguns litorais salgada demais para poder ser usada na irrigação.

De acordo com o relatório, até agora, projetos de agricultura ecológica em 57 países trouxeram ganhos médios de 80% nas safras, usando métodos naturais para enriquecer o solo e proteger a plantação contra pragas. Coisas simples, como colocar patos para comer ervas daninhas em arrozais em Bangladesh, descobrir uma planta do Quênia que captura inseto, plantar árvores altas para sombrear cafezais e intensificar o uso de adubos naturais, feitos com sobras de alimentos e podas de jardim.

Enquanto a industrialização centralizou-se, a zona rural empobreceu e as cidades incharam, os Jecas Tatu de todo o globo desenvolveram tecnologias que podem salvar a lavoura. Está na hora de olhar pro campo.

Fonte: http://colunistas.yahoo.net/posts/10179.html

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Quanto vale uma vida contaminada.

Campinas (SP), 05/04/2011 - O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
negou recurso impetrado pelas empresas Shell do Brasil e Basf S/A contra decisão
em primeira instância que condena as multinacionais ao custeio de tratamento de
saúde de ex-funcionários e ao pagamento de uma indenização bilionária por danos
morais.

O acórdão proferido pelo TRT mantém a sentença da Vara do Trabalho de Paulínia,
que também abrange filhos de empregados que nasceram durante ou após a prestação

de serviços, autônomos e terceirizados.

A cobertura médica deve abranger consultas, exames e todo o tipo de tratamento
médico, nutricional, psicológico, fisioterapêutico e terapêutico, além de
internações.

Fica mantido que cada ex-trabalhador e cada filho de ex-trabalhador nascido
durante ou depois da prestação de serviços deverá receber o montante individual
de R$ 64.500, indenização que se refere à protelação do processo pelas empresas,
no período compreendido entre a data da propositura da ação, em 2007, até 30 de
setembro de 2010. Este
valor será acrescido de juros e correção monetária a partir da sentença e de
mais R$ 1.500 por mês caso não seja feito o reembolso mensal das despesas nos
meses seguintes.

Após a publicação da sentença, os trabalhadores terão prazo de 90 dias para
apresentar documentos comprovando a condição de ex-empregados das empresas
Shell, Cyanamid ou Basf (sucessora da Cyanamid), ou de terceirizados ou
autônomos que trabalharam na unidade fabril de Paulínia, independente do
trânsito em julgado. Embora possam ser
cadastrados trabalhadores de todo o país, o atendimento à saúde foi restringido
à Região Metropolitana de Campinas e à cidade de São Paulo.

As empresas devem constituir um comitê gestor do pagamento da assistência
médica, o qual, segundo ex-trabalhadores, está em vias de ser estabelecido. Se
descumprir a obrigação, as empresas devem pagar multa diária no valor de R$ 100
mil.

As empresas também foram condenadas ao pagamento de indenização por danos morais
causados à coletividade no valor de R$ 761 milhões, reversível ao Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT).

De acordo com o juízo, as empresas deverão arcar, no total, com um custo
aproximado de R$ 1 bilhão e 100 milhões de reais.

Mais de 1 mil ex-trabalhadores das empresas foram beneficiados com a sentença,
além de outras centenas de familiares, também suscetíveis à contaminação. De
todos os trabalhadores que tentam provar que foram expostos a substâncias
contaminantes, ao menos 100 possuem ações individuais em trâmite na Justiça.

A exposição de seres humanos aos contaminantes presentes no local da fábrica é
há anos estudada e está vastamente documentada nos autos da ação civil pública
ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em 2007, juntamente com
Associação de Combate aos Poluentes (ACPO), Associação dos Trabalhadores
Expostos a Substâncias Químicas (Atesq) e Instituto Barão de Mauá de Defesa de
Vítimas e Consumidores Contra Entes Poluidores e Maus Fornecedores.

O material foi produzido por instituições como Unicamp, MPT, Centro de Apoio
Operacional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente, Ministério da Saúde,
Cut, Cedec, Dieese, Unitrabalho e pela empresa holandesa Haskoning/IWACO – a
pedido da própria Shell.

Em razão de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado perante o
Ministério Público do Trabalho, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador
(Cerest) de Campinas examinou 69 ex-trabalhadores da Shell/Cyanamid/Basf e
enviou um relatório, que foi juntado aos autos do inquérito, sobre os
atendimentos realizados, cujo resultado apontou
uma média de 6 diagnósticos por indivíduo analisado.

Dos 17 casos diagnosticados, 10, ou seja, 58,8% foram de neoplasia maligna,
chamando atenção os cânceres de próstata e os de tireóide. Houve ainda um caso
de síndrome mielodisplásica. Quanto às doenças endócrinas, o Cerest verificou
que 67,9% dos diagnósticos foram dislipedimias somadas às doenças da glândula
tireóide.

Dos 34 casos de doenças do aparelho circulatório, 21 foram casos de doenças
hipertensivas. Dentre as doenças do aparelho digestivo, destacaram-se as doenças
do fígado, além da ocorrência de casos de doença diverticular do cólon e um caso
de metaplasia intestinal em esôfago. Em 30 casos houve predominância de Lesões
por Esforços Repetitivos (LER), enquanto que 56 ex-trabalhadores apresentaram
problemas sérios no aparelho gênito-urinário, com afecções da próstata,
alterações de fertilidade e impotência sexual. Ainda houve
exames em que o diagnóstico final não foi comprovado, mas apresentaram
alterações.

A Shell e a Basf podem recorrer da decisão no Tribunal Superior do Trabalho
(TST), em Brasília.


CONHEÇA O CASO


No final da década de 70 a Shell instalou uma indústria química nas
adjacências do bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia. Em 1992, ao
vender os seus ativos para a multinacional Cyanamid, começou a ser
discutida a contaminação ambiental produzida pela empresa na
localidade, até que, por exigência da empresa compradora, a Shell
contratou consultoria ambiental internacional que apurou a existência
de contaminação do solo e dos lençóis freáticos de sua planta em
Paulínia.


A Shell foi obrigada a realizar uma auto-denúncia da situação à
Curadoria do Meio Ambiente de Paulínia, da qual resultou um termo de
ajuste de conduta. No documento a empresa reconhece a contaminação do
solo e das águas subterrâneas por produtos denominados aldrin, endrin
e dieldrin, compostos por substâncias altamente cancerígenas – ainda
foram levantadas contaminações por cromo, vanádio, zinco e óleo
mineral em quantidades significativas.


Após os resultados toxicológicos, a agência ambiental entendeu que a
água das proximidades da indústria não poderia mais ser utilizada, o
que levou a Shell a adquirir todas as plantações de legumes e verduras
das chácaras do entorno e a passar a fornecer água potável para as
populações vizinhas, que utilizavam poços artesianos contaminados.


Mesmo nas áreas residenciais no entorno da empresa foram verificadas
concentrações de metais pesados e pesticidas clorados (DDT e drins) no
solo e em amostras de água subterrâneas. Constatou-se que os “drins”
causam hepatotoxicidade e anomalias no sistema nervoso central.


Ademais, a Cyanamid foi adquirida pela Basf, que assumiu integralmente
as atividades no complexo industrial de Paulínia e manteve a exposição
dos trabalhadores aos riscos de contaminação até 2002, ano em que os
auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
interditaram o local, de acordo com decisão tomada em audiência na
sede do MPT. Apesar do recurso impetrado pela Basf, a interdição foi
confirmada em decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª
Região.


Em 2005, o Ministério da Saúde concluiu a avaliação das informações
sobre a exposição aos trabalhadores das empresas Shell, Cyanamid e
Basf a compostos químicos em Paulínia. O relatório final indicou o
risco adicional aos expostos ao desenvolvimento de diversos tipos de
doença. No ano de 2007, o MPT ingressou com ação civil pública para
garantir os direitos dos ex-trabalhadores ao custeio de tratamento de
saúde, juntamente com uma indenização milionária.


Fonte: Ministério Público do Trabalho em Campinas

quinta-feira, 3 de março de 2011

Artigo em português

Trago o link para um artigo de revisão em contaminantes ambientais e interferentes hormonais em português (para quem tiver dificuldade de leitura na língua inglesa), bastante interessante, escrito pelo grupo do Serviço de Endocrinologia e Diabetes da Universidade Federal do Ceará, liderados pela Dra.Eveline Gadelha Pereira Fontenele.

Eveline Gadelha Pereira Fontenele, Manoel Ricardo Alves Martins,
Ana Rosa Pinto Quidute, Renan Magalhães Montenegro Júnior
Contaminantes ambientais e os interferentes endócrinos
Arq Bras Endocrinol Metab. 2010;54/1

http://www.scielo.br/pdf/abem/v54n1/v54n1a03.pdf

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Será que você sabia?

Você sabia que o Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo? Com significativos 16% do mercado mundial de defensivos agrícolas ocupamos mais este primado no cenário mundial. Me maravilha que ninguém no horário político cite este detalhe, só o fantástico crescimento do campo, como se tudo fosse uma maravilha.
Só em 2009 a indústria de defensivos faturou algo como 8 bilhões de dólares pelas 780 mil toneladas de agrotóxicos vendidos no Brasil. Um mercado assim promissor, faz sim que as empresas mais importantes do setor concentrem suas vendas por estas plagas.
De recente, a ANVISA propôs-se a atualizar as avaliações de 13 agentes, boa parte deles já proibidos em lugares mais ou menos civilizados, da UE à Nigéria.
Estes agentes, em nosso meio, são a causa de morte de muitos trabalhadores rurais, sem falar em outras patologias crônicas sub-notificadas e sub-diagnosticadas relacionadas à esta exposição.
Frente à disposição da Anvisa de reavaliar produtos como Gramoxone, Paraquat, Tamaron, Mancozeb, Monocrotfos, Folidol, Malation e Decis, o Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas recorreu ao Judiciário, solicitando que não sejam publicados os resultados das reavaliações. Houveram também tentativas de proibir os estudos da Anvisa que verificavam a segurança destas substâncias e suas formulações comerciais.
O próprio Ministério da Agricultura inclusive, opôs-se ao papel fiscalizador e normativo da Vigilância Sanitária, pretendendo ser o único responsável pelo registro (e avaliação de segurança) destes produtos sem nem sequer levar em consideração o conflito de interesses evidente.
O que ninguém leva em conta é que os resíduos destes agentes contaminantes acabam no prato do consumidor, na água, enfim, acabam em nós.
Já escrevemos várias vezes sobre os efeitos destas substâncias neste blog. Quem tiver curiosidade, por favor, veja no índice na barra ao lado.
Desde o início do Programa de Fiscalização de Resíduos nos Alimentos iniciado no início da década, sempre encontrou-se um percentual bastante elevado de resíduos de agrotóxicos nos alimentos, e em cerca de pouco mais de 17% deles, índices de resíduos acima do permitido, em especial nas culturas de tomate, morango e alface, mas também na batata, brócolis, amendoim, couves, feijão, pimentão, repolho, melão, amendoim, entre outras.
Assim, da próxima vez que você comer a sua saladinha, ou hortaliças, ou cereais, pensando estar fazendo algo de bom para a sua saúde, lembre-se de cobrar uma posição dos orgãos normativos. Algo que se comprometa seriamente com a saúde de todos, em especial, com a de nossos filhos.

E enquanto isto não acontece, arrume um cantinho para fazer sua horta orgânica.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Dicas para a escolha de um protetor solar

Esta é parte de uma resposta que dei para a Silvia Chiros sobre proteção solar (filtros). Achei que merecia destaque, pois muita gente não sabe o que procurar nos rótulos.
Existem dois tipos de produtos: os protetores químicos, chamados filtros solares, que podem bloquear os raios UVB, UVA ou ambos (dependendo da substância), com nomes químicos bem complicados, e os bloqueadores solares (físicos), que bloqueiam literalmente os raios e que você pode reconhecer pois são basicamente dois: Óxido de Zinco e Dióxido de Titânio.

Para ajudar vou dar uma listinha de nomes que você vai achar nos rótulos e que deve evitar, se possível:

benzofenona 3 (benzophenone 3),
octilmetoxicinamato (OMC ou octyl-methoxycinnamate),
oxibenzona (oxybenzone),
parabenos (qualquer um deles: metil, butil, etc...),
nanopartículas ( às vezes chamada de micro, ultrafinas, microfinas, etc...) e
cânforas (terminam em canfor).

Dê preferência aos produtos destinados a bebês, pois dos 6 meses aos 2 anos eles só devem usar bloqueadores físicos e não filtros químicos. Mas atenção, quanto mais transparente for o bloqueador, mais provável a presença de nanopartículas.
Já aviso, não vai ser fácil encontrar no mercado, mas considere que o risco de câncer de pele é muito alto em nosso meio por conta da altíssima radiação ao qual nos expomos. Assim, se você tiver que se expor ao sol e não tiver fatores de risco em seu histórico familiar, então use um protetor talvez menos ideal, mas que possa diminuir os riscos da sua exposição.
Use o bom senso, escolha os melhores horários e não fique "fritando" por horas e horas. Procure um bom guarda-sol, de tecido espesso, que possa servir como escudo e curta suas férias.

PS: Não esqueça de proteger os olhos, pois a radiação UV aumenta muito a incidência de catarata, assim, use um bom par de óculos escuros. Lembre-se que a areia, superfícies cimentadas, neve e etc, REFLETEM estes raios.
Bastam 10 minutos diários de exposição à luz solar para obter todos os benefícios para o seu corpo. Não necessariamente nas horas de pico e não necessariamente de uma vez. Então, usufruam do sol com critério.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Bom senso FPS 100!

Como sabemos, vivemos em um país onde a incidência de radiação solar é alta e a exposição também. A Sociedade Brasileira de Dermatologia sugere o uso continuado de filtros solares no intuito de diminuir a incidência de tumores de pele, frequentes em nosso meio.
Portanto a escolha do filtro é de grande importância e assim a relevância destas informações para a melhor escolha do produto ideal.
Estudo do grupo da Divisão de Toxicologia Molecular do Dep. de Ciências Farmacêuticas da Universidade da Basileia (Swiss Center for Applied Human Toxicology) tem o intuito de fornecer uma elemento a mais para a triagem de potenciais agentes com atividade endócrina em etapas cruciais do desenvolvimento.
O grupo suiço observa que tem havido um aumento na prevalência de desordens reprodutivas e cânceres testiculares na população masculina e pelo fato da exposição a interferentes endócrinos estar associada a estes distúrbios, é de grande importância a identificação destes agentes e seus alvos.
Eles elaboraram um banco de dados estrutural em 3D, para facilitar a identificação dos interferentes.
Depois eles usaram farmacóforos da 17beta-hidroxiesteróide desidrogenase tipo 3(17beta-HSD3), que cataliza a última etapa da síntese da testosterona nas células de Leydig no testículo (etapa importantíssima no desenvolvimento sexual masculino) para triagem deste banco de dados.
Entre outras substâncias, os filtros UV do tipo benzofenona, foram antecipados como inibidores potenciais da 17beta-HSD3.
Análises biológicas revelaram que a (2,4 dihidroxifenil)-fenilmetanona, também conhecida como benzofenona 1 ou BP1 demonstrou-se um inibidor da 17 beta-HSD3 humana e também um bloqueador eficaz da androstenediona para testosterona em roedores em ensaios enzimáticos.
Além disto, a BP-1 antagonizou a ativação dos receptores androgênicos dependentes de testosterona, mostrando uma atividade sinérgica aos efeitos anti-androgênicos da BP1 inibindo a produção de testosterona por bloqueio da ativação do receptor.
A análise de diversos filtros comumente utilizados sobre as enzimas metabolizadoras do 17beta-HSD mostraram que a 3-benzilideno cânfora (3-BC) e a $-metilbenzilideno cânfora (4-MBC) são inibidores da 17beta-HSD em doses micromolares.
Os autores concluem que a triagem da estrutura química de substâncias suspeitas de possuir atividade endócrina, pode facilitar sua identificação. Eles sugerem que os achados em relação aos filtros solares relatados e estudados necessitam de estudos complementares e devem ser considerados no que diz respeito à segurança destas substâncias químicas.

Para saber mais:

Nashev LG, Schuster D, Laggner C, Sodha S, Langer T, Wolber G, Odermatt A.
The UV-filter benzophenone-1 inhibits 17beta-hydroxysteroid dehydrogenase type 3: Virtual screening as a strategy to identify potential endocrine disrupting chemicals.
Biochem Pharmacol. 2009 Dec 11

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

No Journal of Alzheimer’s Disease, um artigo de Ming Tong e colaboradores do Dep. de Neuropatologia da Warren Alpert Medical School-Brown University sobre os efeitos das nitrosaminas sobre a resistência insulínica me chamou bastante a atenção.
Como se sabe, recentemente estamos diante de uma sorte de "epidemia" de doenças relacionadas à resistência insulínica: Diabetes melitus do tipo 2 (DM2), Esteato-hepatite não alcoólica (NASH), e também Doença de Alzheimer (DA). Os autores afirmam que a exposição às nitrosaminas seriam uma causa de resistência insulínica.
A Estreptozotocina, uma molécula relacionada às nitrosaminas, já havia sido investigada pelo grupo que concluiu que causava resistência insulínica inclusive neurodegeneração do tipo Alzheimer. Os autores então hipotizaram que a exposição crônica às nitrosaminas poderia contribuir para a patogênese destas três síndromes e para isto expuseram ratos a um tratamento com N-nitrosodietilamina (NDEA) e após 2-4 semanas estes animais foram avaliados para disfunção cognitiva e motora, resistência insulínica e degeneração neural usando abordagem comportamental, bioquímica e molecular. Os ratos tratados apresentaram deficits na função motora e no aprendizado espacial, peroxidação lipídica, perda celular, níveis aumentados de proteína precursora de amiloide-β, amiloide-β fosfo-tau e imunoreatividade da ubiquitina, alteração da expressão (upregulation) das citocinas pró-inflamatórias e dos genes pró-ceramidas, que juntos levam à resistência insulínica. O tratamento causou diabetes do tipo 2 e esteatose hepática.
Em base a estes resultados, os autores concluiram que a exposição ambiental às fontes dietéticas ou não de nitrosaminas são um fator crítico para a patogênese destas síndromes e que uma maior detecção, e consequentemente prevenção, poderia ser útil no combate a esta epidemia.

*Nitrosaminas são encontradas facilmente em alimentos processados e também em cosméticos. São também produzidas em nossos corpos (suco gástrico).
Fontes comuns de nitrosaminas:
Alimentos: bacon frito, cerveja, leite em pó, salames, salsichas, alimentos curados.
Exposição ocupacional: produtos derivados do tabaco, do látex, indústria da borracha, metalúrgicas, pesticidas, indústrias químicas, cosméticos.

O que procurar e evitar nos rótulos de cosméticos (INCI):
Bronopol (2-bromo-2-nitropropane-1,3-diol)
Brononitrodioxane
Cocamidopropil betaíne
DEA (e condensados)
DEA-sodium lauryl sulfate
Morpholine
Padimate-O (octyl dimethyl PABA)
Quaterniums
TEA


Para ler o artigo:
Tong M, Neusner A, Longato L, Lawton M, Wands JR, de la Monte SM.
Nitrosamine Exposure Causes Insulin Resistance Diseases: Relevance to Type 2 Diabetes Mellitus, Non-Alcoholic Steatohepatitis, and Alzheimer's Disease.
J Alzheimers Dis. 2009 Jun 19.

* "Mamãe passou açúcar em mim", Copyright: S. Goraieb,2006

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tireoide plastificada

Um grupo de pesquisadores do Key Laboratory of Reproductive Medicine, Institute of Toxicology, Nanjing Medical University, na China, nos traz um trabalho publicado na Toxicology Letters sobre os efeitos in vitro dos ftalatos.
Os autores avaliaram a atividade hormonal do dibutil ftalato (DBP), mono-n-butil ftalato (MBP) and di-2-etilhexil ftalato (DEHP) através de ensaios do gene reporter da luciferase.
Os resultados mostraram que DBP, MBP e DEHP, não somente exibiam uma potente atividade antiandrogênica como também possuiam atividade androgênica. Os autores observaram também que todos os três possuiam atividade antagonista do receptor tireoideo (TR) e que nenhum deles possuia atividade agonista, o que sugere que os receptores tireoideos sejam o alvo destas substâncias químicas industriais.
Nos ensaios do gene reporter do receptor estrogênico mediado, o DBP demonstrou-se fracamente estrogênico na concentração de 1.0x10(-4)M.
Segundo os autores os resultados demonstram que os três ftalatos poderiam simultâneamente interferir na função de um ou mais receptores hormonais, e assim estes compostos deveriam ser considerados nos paineis de risco para a saúde humana.

Para saber mais:

Shen O, Du G, Sun H, Wu W, Jiang Y, Song L, Wang X.
Comparison of in vitro hormone activities of selected phthalates using reporter gene assays.
Toxicol Lett. 2009 Jul 28.

e leia também:

Chin Jia Lin, Angela Silva Barbosa
Técnicas de Análise da Regulação da Transcrição Gênica e suas Aplicações na
Endocrinologia Molecular - REVISÃO, disponível no Scielo (grátis):http://www.scielo.br/pdf/abem/v46n4/12788.pdf

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Genisteína, efeitos no desenvolvimento embrionário

A Genisteina (GNT), uma isoflavona natural, composto encontrado em produtos derivados da soja, afeta várias funções celulares, incluindo proliferação, diferenciação e morte celular.
Pesquisadores da Chung Yuan Christian University de Formosa, particularmente do Bioscience Technology and Center for Nanotechnology, emcabeçados por Wen-Hsiung Chan, vem elucidando aspectos não tão brilhantes da exposição a este composto.
Já em um estudo anterior, eles haviam assinalado os efeitos citotóxicos da genisteína nos blastocistos de camundongos e sua associação com defeitos no seu desenvolvimento in vitro. Em um novo artigo, apenas publicado, eles investigaram os efeitos da GNT na maturação do oocito e subsequentemente o desenvolvimento pré e pós implantação, tanto in vitro como in vivo.
Os pesquisadores observaram que a genisteína induziu a uma redução significante na taxa de maturação dos oocitos, de fertilização e de desenvolvimento embrionário in vitro. A exposição de oocitos à genisteína durante a maturação in vitro (IVM) levava a um aumento na reabsorção dos embriões pós-implantados e uma diminuição do peso fetal e placentário.
Em um modelo in vivo (camundongo), os pesquisadores demonstraram que o consumo de água contendo genisteína levou a uma diminuição da maturação e da fertilização in vitro, como também lesões precoces de desenvolvimento. Eles acreditam, em base a seus achados, que tenha acontecido uma inibição seletiva dos receptores do ácido retinóico nos blastocitos tratados com genisteína durante a maturação do oocito.
O artigo foi publicado na Reproductive Toxicology de Julho.

Para ler mais:

Chan WH.
Impact of genistein on maturation of mouse oocytes, fertilization, and fetal development.
Reprod Toxicol. 2009 Jul;28(1):52-8.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009



No vídeo o Dr. Robert M. Carey, presidente da "Endocrine Society", anuncia o primeira declaração científica da Sociedade em relação aos interferentes hormonais e em seguida o Dr. Hugh Taylor, professor, pesquisador e endocrinologista reprodutivo na Yale University, dá uma entrevista sobre conselhos em relação ao bisfenol A.
O som não é esplêndido, infelizmente e o vídeo é em inglês, mas representa uma importante tomada de posição.

Para saber mais: http://www.endo-society.org/

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Efeitos de longo prazo sobre o comportamento e a fisiologia reprodutiva por interferentes hormonais

Este é o título do artigo de duas pesquisadoras do North Carolina State University em Raleigh, as Dr.as Heather B. Patisaul e Heather B. Adewale, publicado no "Frontiers in Behavioral Neurosciences" de Junho.
As autoras abordam a interferência endócrina e seus efeitos sobre o feto, cujas manifestações podem levar décadas para serem evidenciadas além de abordar a influência destas experiências precoces no comportamento e na fisiologia reprodutiva através de mecanismos epigenéticos (tais como acetilação de histonas e metilação do DNA, por exemplo).

Para os fãs da soja na alimentação infantil, vale dar uma olhadinha (ver genisteína).

Para saber mais, o artigo (em inglês) está disponível gratuitamente em: http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=2706654&blobtype=pdf.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Santo de casa.

Me chamou a atenção o artigo "Components of plastic: experimental studies in
animals and relevance for human health" publicado pela Philosophical Transactions of the Royal Society - B onde dois co-autores são brasileiros. Um deles da Universidade Federal do Paraná e o outro da Fiocruz. O artigo é bem escrito e aborda vários agentes tais como ftalatos, bisfenol, retardantes de chama,...
A referência é:

Talsness CE, Andrade AJ, Kuriyama SN, Taylor JA, vom Saal FS
Components of plastic: experimental studies in animals and relevance for human health.
Philos Trans R Soc Lond B Biol Sci. 2009 Jul 27;364(1526):2079-96

Finalmente alguém por aqui resolve publicar sobre o tema.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Inseticidas e Leucemia

Trabalho realizado por pesquisadores de diversas instituições americanas, entre elas a Division of Cancer Epidemiology and Genetics do National Cancer Institute, National Institutes of Health, Department of Health and Human Services; da School of Public Health da University of California–Berkeley; Northern California Cancer Center; Children’s Hospital of Central California de Madera e do Battelle Memorial Institute de Columbus, investiga as relações entre a exposição residencial a inseticidas e o risco de leucemia na infância.
Os autores justificaram o estudo por conta do aumento significativo da incidência de casos de leucemia em países desenvolvidos entre 1975 e 2004 cujas causas não foram claramente estabelecidas.
Eles usaram pó de carpetes como indicador de exposição para examinar o risco de leucemia na infância em relação à exposição residencial a substâncias químicas organocloradas, entre estas seis PCBs (Polifenois biclorados) e os pesticidas alfa e gama clordane, p,p′-DDT (diclorodifeniltricloroetano) , p,p′-DDE (diclorodifenildicloroetileno) , metoxiclor e pentaclorofenol.
O estudo foi realizado em 35 regiões da California setentrional e central durante os anos de 2001 a 2006 e incluiu 184 casos de Leucemia Linfocítica Aguda (LLA) na idade de 0 a 7 anos.
Os autores observaram que a detecção de qualquer PCB na poeira dos carpetes nas salas onde as crianças passavam a maior parte do tempo, aumentou em 2 vezes o risco de LLA (OR= 1,97; CI 95%), 1.22-3.17) Comparado com aqueles no quartil mais baixo de PCBs totais, o quartil mais alto foi associado a cerca 3 vezes maior risco (OR = 2.78 ; 95% CI, 1.41–5.48). A tendência positiva foi estatísticamente significativa (p = 0.017). A tendência foi evidente para o aumento das concentrações de PCBs, em especial os congêneres 118, 138 e 153, mas não para clordane, DDT, DDE, metoxiclor ou pentaclorofenol.
Em base aos resultados, os autores concluem que os pesticidas Polifenois biclorados, que são considerados prováveis carcinógenos e causam interferência no sistema imunitário, podem representar um risco previamente não reconhecido para a incidência de leucemia na infância.
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Para saber mais:

Mary H. Ward, Joanne S. Colt, Catherine Metayer, Robert B. Gunier, Jay Lubin, Vonda Crouse, Marcia G. Nishioka, Peggy Reynolds, and Patricia A. Buffler
Residential Exposure to Polychlorinated Biphenyls and Organochlorine Pesticides and Risk of Childhood Leukemia
Environmental Health Perspectives Volume 117, Number 6, June 2009

http://www.ehponline.org/members/2009/0900583/0900583.pdf

terça-feira, 16 de junho de 2009

Mais uma sobre o Bisfenol A

Muitos artigos na literatura indicavam a toxicidade do Bisfenol A (BPA) sobre o aparato reprodutor feminino, mas faltavam evidências de efeitos carcinogênicos do BPA neste caso, uma vez que os estudos disponíveis diziam respeito apenas às mamas e à próstata. No entanto uma nova pesquisa de cientistas do NIEHS (National Institute of Environmental Health Sciences, National Institute of Health) capitaneada pela Dr.a Retha Newbold, indica que a exposição a baixas doses de BPA (em camundongos) pode causar alterações potencialmente carcinogênicas nos tecidos do aparelho reprodutor feminino.
As autoras usaram baixas doses de BPA (0,1, 1, 10, 100 ou 1000 microgramas/kg/dia) consideradas dentro de padrões ambientalmente relevantes na janela entre os dia 9 e 16 da gestação e observaram os filhotes na fase adulta tardia (16-18 meses) avaliando seus orgãos reprodutores.
As autoras observaram a incidência de cistos ovarianos benignos foi de 67% naqueles que receberam doses de 1 micrograma/kg/dia e naqueles expostos a doses maiores apresentaram lesões ovarianas mais severas como cistoadenomas, ausentes no grupo controle. Foram também observadas metaplasia esquamosa do Utero, remanescência proeminente mesonéfrica (Wolff), e adenose vaginal, embora não estatísticamente significativa. Outras patologias presentes no grupo tratado com BPA incluiram hiperplasia atípica e polipos estromais uterinos, sarcona de cérvix, e adenocarcinoma mamário que não foram observadas no grupo controle.

Para ler mais:

Retha R. Newbold, Wendy N. Jefferson, and Elizabeth Padilla-Banks
Prenatal Exposure to Bisphenol A at Environmentally Relevant Doses Adversely Affects the Murine Female Reproductive Tract Later in Life.
Environmental Health Perspectives Volume 117, Number 6, June 2009
O artigo em pdf está disponível gratuitamente em:
http://www.ehponline.org/members/2009/0800045/0800045.pdf