Salve o Jeca Tatu!
Por Tatiana Achcar
Frutas frescas, sucos naturais, legumes, verduras e cereais, ingredientes de uma alimentação saudável, certo? Nem sempre. No suco de laranja, na salada de alface e tomate e até no básico arroz com feijão, o brasileiro ingere cinco quilos de veneno por ano.
Pela segunda vez consecutiva, estamos no topo do ranking dos países que mais consomem agrotóxicos no mundo, que é vendido, da fábrica ao campo e do campo ao prato, como a salvação da lavoura, capaz de exterminar pragas, garantir alimentos de qualidade e em grande quantidade para abastecer o mercado e ainda sanar a fome do mundo. Alguém viu algum faminto por aí? O que fica escondido é o preço bem caro que todo mundo paga para manter esse modelo falido de produzir o pão nosso de cada dia.
Em primeiro lugar, tem a alta recorde dos alimentos. Quem compra comida já notou que o bolso ficou mais vazio ou a sacola está mais leve. O custo da produção de alimentos vem acompanhando de perto o preço do petróleo, matéria prima dos defensivos agrícolas e fertilizantes. As revoltas na Tunísia e no Egito foram parcialmente vinculadas à insatisfação com a alta dos preços da comida. Onde não tem prato feito, tem guerra.
Depois, vêm os danos à saúde, causados pelos agrotóxicos e deflagrados constantemente por pesquisas científicas, mas que governo nenhum ousa enfrentar. Depressão, alergias, desenvolvimento sexual precoce, disfunções hormonais, problemas neurológicos, má formação do feto, fraqueza dos rins, enjôo, diarréia. Leite materno contaminado!
Até agora, o sistema de saúde foi incapaz de notificar os problemas de saúde relacionados ao uso de agrotóxicos. O Ministério da Saúde tem se mostrado omisso em identificar intoxicações na saúde do trabalhador e no ambiente e difundir informação sobre os riscos desse veneno. Por que não faz uma campanha de amplo alcance, como fez sobre a Aids? Hoje em dia, o único setor que faz propaganda é o próprio agronegócio. Vai mal!
A bancada ruralista quer alterar a legislação para isentar o agrotóxico de impostos. Quer também mudar o Código Florestal para derrubar mais florestas e avançar sobre as fontes de água limpa. Quem está por trás das duas articulações? O agronegócio. Com o preço do petróleo nas alturas, eles estão pedindo arrego ao governo enquanto a população adoece e sobrecarrega o sistema saúde.
A pressão para alterar o Código Florestal tem efeito rebote. Aumentar a área de desmatamento em margens dos rios e nascentes, hoje protegidas por lei, significa expô-las à contaminação da água pelos próprios agrotóxicos, comprometendo a biodiversidade a qualidade do recuso mais vital e valioso para a vida no planeta. Por falar em água, a agricultura é o maior consumidor de água potável do mundo, pois usa sistemas de produção e irrigação obsoletos e fertilizantes que empobrecem e desertificam o solo, demandando mais água.
Um relatório [http://www2.ohchr.org/english/issues/food/docs/A-HRC-16-49.pdf ] da Comissão de Direitos Humanos da ONU, publicado em dezembro passado, revela que muitos agricultores de países em desenvolvimento podem dobrar sua produção de alimentos no prazo de uma década se deixarem de usar pesticidas e fertilizantes químicos e aderirem à agricultura ecológica. O método também torna o campo mais resistente ao impacto projetado pelas mudanças climáticas – enchentes, secas e alta no nível dos mares, que já deixou a água doce perto de alguns litorais salgada demais para poder ser usada na irrigação.
De acordo com o relatório, até agora, projetos de agricultura ecológica em 57 países trouxeram ganhos médios de 80% nas safras, usando métodos naturais para enriquecer o solo e proteger a plantação contra pragas. Coisas simples, como colocar patos para comer ervas daninhas em arrozais em Bangladesh, descobrir uma planta do Quênia que captura inseto, plantar árvores altas para sombrear cafezais e intensificar o uso de adubos naturais, feitos com sobras de alimentos e podas de jardim.
Enquanto a industrialização centralizou-se, a zona rural empobreceu e as cidades incharam, os Jecas Tatu de todo o globo desenvolveram tecnologias que podem salvar a lavoura. Está na hora de olhar pro campo.
Fonte: http://colunistas.yahoo.net/posts/10179.html
Para discutir "body burden", disruptores hormonais, contaminação química ambiental e outras "cositas más"... Para desabafar, falar da vida, de qualidade de vida, de sobrevivência. Para falar de beleza, de limpeza,de saúde, de futuro com quem realmente se importa.
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sexta-feira, 15 de abril de 2011
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Será que você sabia?
Você sabia que o Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo? Com significativos 16% do mercado mundial de defensivos agrícolas ocupamos mais este primado no cenário mundial. Me maravilha que ninguém no horário político cite este detalhe, só o fantástico crescimento do campo, como se tudo fosse uma maravilha.
Só em 2009 a indústria de defensivos faturou algo como 8 bilhões de dólares pelas 780 mil toneladas de agrotóxicos vendidos no Brasil. Um mercado assim promissor, faz sim que as empresas mais importantes do setor concentrem suas vendas por estas plagas.
De recente, a ANVISA propôs-se a atualizar as avaliações de 13 agentes, boa parte deles já proibidos em lugares mais ou menos civilizados, da UE à Nigéria.
Estes agentes, em nosso meio, são a causa de morte de muitos trabalhadores rurais, sem falar em outras patologias crônicas sub-notificadas e sub-diagnosticadas relacionadas à esta exposição.
Frente à disposição da Anvisa de reavaliar produtos como Gramoxone, Paraquat, Tamaron, Mancozeb, Monocrotfos, Folidol, Malation e Decis, o Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas recorreu ao Judiciário, solicitando que não sejam publicados os resultados das reavaliações. Houveram também tentativas de proibir os estudos da Anvisa que verificavam a segurança destas substâncias e suas formulações comerciais.
O próprio Ministério da Agricultura inclusive, opôs-se ao papel fiscalizador e normativo da Vigilância Sanitária, pretendendo ser o único responsável pelo registro (e avaliação de segurança) destes produtos sem nem sequer levar em consideração o conflito de interesses evidente.
O que ninguém leva em conta é que os resíduos destes agentes contaminantes acabam no prato do consumidor, na água, enfim, acabam em nós.
Já escrevemos várias vezes sobre os efeitos destas substâncias neste blog. Quem tiver curiosidade, por favor, veja no índice na barra ao lado.
Desde o início do Programa de Fiscalização de Resíduos nos Alimentos iniciado no início da década, sempre encontrou-se um percentual bastante elevado de resíduos de agrotóxicos nos alimentos, e em cerca de pouco mais de 17% deles, índices de resíduos acima do permitido, em especial nas culturas de tomate, morango e alface, mas também na batata, brócolis, amendoim, couves, feijão, pimentão, repolho, melão, amendoim, entre outras.
Assim, da próxima vez que você comer a sua saladinha, ou hortaliças, ou cereais, pensando estar fazendo algo de bom para a sua saúde, lembre-se de cobrar uma posição dos orgãos normativos. Algo que se comprometa seriamente com a saúde de todos, em especial, com a de nossos filhos.
E enquanto isto não acontece, arrume um cantinho para fazer sua horta orgânica.
Só em 2009 a indústria de defensivos faturou algo como 8 bilhões de dólares pelas 780 mil toneladas de agrotóxicos vendidos no Brasil. Um mercado assim promissor, faz sim que as empresas mais importantes do setor concentrem suas vendas por estas plagas.
De recente, a ANVISA propôs-se a atualizar as avaliações de 13 agentes, boa parte deles já proibidos em lugares mais ou menos civilizados, da UE à Nigéria.
Estes agentes, em nosso meio, são a causa de morte de muitos trabalhadores rurais, sem falar em outras patologias crônicas sub-notificadas e sub-diagnosticadas relacionadas à esta exposição.
Frente à disposição da Anvisa de reavaliar produtos como Gramoxone, Paraquat, Tamaron, Mancozeb, Monocrotfos, Folidol, Malation e Decis, o Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas recorreu ao Judiciário, solicitando que não sejam publicados os resultados das reavaliações. Houveram também tentativas de proibir os estudos da Anvisa que verificavam a segurança destas substâncias e suas formulações comerciais.
O próprio Ministério da Agricultura inclusive, opôs-se ao papel fiscalizador e normativo da Vigilância Sanitária, pretendendo ser o único responsável pelo registro (e avaliação de segurança) destes produtos sem nem sequer levar em consideração o conflito de interesses evidente.
O que ninguém leva em conta é que os resíduos destes agentes contaminantes acabam no prato do consumidor, na água, enfim, acabam em nós.
Já escrevemos várias vezes sobre os efeitos destas substâncias neste blog. Quem tiver curiosidade, por favor, veja no índice na barra ao lado.
Desde o início do Programa de Fiscalização de Resíduos nos Alimentos iniciado no início da década, sempre encontrou-se um percentual bastante elevado de resíduos de agrotóxicos nos alimentos, e em cerca de pouco mais de 17% deles, índices de resíduos acima do permitido, em especial nas culturas de tomate, morango e alface, mas também na batata, brócolis, amendoim, couves, feijão, pimentão, repolho, melão, amendoim, entre outras.
Assim, da próxima vez que você comer a sua saladinha, ou hortaliças, ou cereais, pensando estar fazendo algo de bom para a sua saúde, lembre-se de cobrar uma posição dos orgãos normativos. Algo que se comprometa seriamente com a saúde de todos, em especial, com a de nossos filhos.
E enquanto isto não acontece, arrume um cantinho para fazer sua horta orgânica.
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segunda-feira, 4 de maio de 2009
Muito além da sua dieta... (sensibilidade insulínica)
Fatores genéticos e ambientais influenciam a sensibilidade à Insulina (SI) durante a nossa vida. Na verdade, o ambiente uterino já pode afetar a SI no nascimento e tardiamente na vida. Em particular a associação entre várias substâncias exógenas tóxicas acopladas a predisposição genética podem influenciar a regulação do eixo hipotálamo-hipofise-adrenal e a produção e atividade da insulina, incretinas cerebrais, citocinas proinflamatórias e hormônios placentários.
A reação a agentes xenobióticos tóxicos pode causar diminuição do desenvolvimento fetal, tanto no seu crescimento como no desenvolvimento e modulação do sistema endócrino, levando a alterações no peso fetal (aumento ou diminuição) ou prematuridade. O crescimento diminuído na fase inicial da vida está relacionado a resistência insulínica e pode permanecer silente por anos e se manifestar na fase adulta dos indivíduos predispostos.
Fatores relacionados ao estilo de vida como dieta inadequada na infância e adolescência e sedentarismo foram associados ao aumento da incidência de diabetes do tipo 2 e obesidade durante a última década. Evidencias recentes sugerem que o polimorfismo da Pro12Ala do gene do Receptor Ativado dos Peroxissomas (PPAR) e do polimorfismo do gene da Enzima Conversora da Angiotensina (ECA) I/D combinado aos fatores ambientais, como Ftalatos interferindo na ação da insulina pós receptor, alteram a sensibilidade ao hormônio nos tecidos alvo.
Assim sendo, a sensibilidade insulínica resultante de uma delicada combinação dos fatores genéticos e dos contaminantes ambientais pode se modificar ao longo da vida e depende de um controle metabólico prévio, algo como uma memória metabólica.
Para saber mais:
Latini G, Loredana Marcovecchio M, Del Vecchio A, Gallo F, Bertino E, Chiarelli F.
Influence of environment on insulin sensitivity.
Environ Int. 2009 Apr 22.
A reação a agentes xenobióticos tóxicos pode causar diminuição do desenvolvimento fetal, tanto no seu crescimento como no desenvolvimento e modulação do sistema endócrino, levando a alterações no peso fetal (aumento ou diminuição) ou prematuridade. O crescimento diminuído na fase inicial da vida está relacionado a resistência insulínica e pode permanecer silente por anos e se manifestar na fase adulta dos indivíduos predispostos.
Fatores relacionados ao estilo de vida como dieta inadequada na infância e adolescência e sedentarismo foram associados ao aumento da incidência de diabetes do tipo 2 e obesidade durante a última década. Evidencias recentes sugerem que o polimorfismo da Pro12Ala do gene do Receptor Ativado dos Peroxissomas (PPAR) e do polimorfismo do gene da Enzima Conversora da Angiotensina (ECA) I/D combinado aos fatores ambientais, como Ftalatos interferindo na ação da insulina pós receptor, alteram a sensibilidade ao hormônio nos tecidos alvo.
Assim sendo, a sensibilidade insulínica resultante de uma delicada combinação dos fatores genéticos e dos contaminantes ambientais pode se modificar ao longo da vida e depende de um controle metabólico prévio, algo como uma memória metabólica.
Para saber mais:
Latini G, Loredana Marcovecchio M, Del Vecchio A, Gallo F, Bertino E, Chiarelli F.
Influence of environment on insulin sensitivity.
Environ Int. 2009 Apr 22.
terça-feira, 31 de março de 2009
Peixe com o quê?
Não é pirão, nem é farofa. Nem batata, mandioca ou arroz. Não é disso que falamos hoje.
São dos resíduos de tantos remédios (fármacos) e outras substâncias de produtos de cuidados pessoais que não são removidos nas estações de tratamento de esgotos e que retornam às fontes de captação de água.
Na Environmental Toxicology and Chemistry (on line) deste mês, saiu um artigo detalhando as principais substâncias destes dois grupos em peixes de várias regiões dos EUA.
Leve-se em consideração que o tratamento de esgotos no Brasil é ainda (infelizmente) muito incipiente (e insipiente também), com a maioria dos municípios despejando nos nossos rios esgotos sem nenhum tratamento.
Outra premissa interessante é o despejo de metais pesados de garimpos clandestinos em rios aparentemente insuspeitáveis da Amazônia ampliada. Sem falar nos peixes marinhos de grande porte, como o atum, contaminados por mercúrio.
Assim o leitor poderá ter uma vaga idéia do que ele ingere junto com o belíssimo filé de peixe "alla mugnaia".
Vamos então ao artigo: "Occurrence of pharmaceuticals and personal care products (PPCPs) in fish: Results of a national pilot study in the U.S.".
Os autores introduzem dizendo que muitas substâncias químicas já foram assinaladas em diversas fontes biológicas, inclusive tecidos de peixes, mas que não havia sido nunca realizado um estudo abrangente incluindo várias regiões geográficas. Um estudo piloto incluindo peixes provenientes de cinco diferentes efluentes que recebem descarga direta de tratamentos de esgoto em Chicago, Dallas, Orlando, Phoenix e West Chester (Pensilvânia) foi então iniciado. Os controles vieram do rio Gila, no Novo México, por serem espécimens expostas minimamente ao impacto humano.
As amostras foram tratadas através de Espectrofotometria de massa e Cromatografia líquida de alta performance (HPLC-MS/MS). Observou-se a presença dos seguintes fármacos: norfluoxetina, sertralina (ambos antidepressivos), difenidramina (anti-histamínico H1), diltiazem (benzotiazepina, bloq. canal de cálcio, antihipertensivo), carbamazepina (antiepilético, antipsicótico) em nanogramas/g em filés. A presença adicional de fluoxetina e gemfibrozil foi confirmada em tecidos hepáticos. A Sertralina foi detectada em concentrações de 19 e 545 nos filés e nos fígados, respectivamente.
A presença de ingredientes de produtos de higiene pessoal nas amostras revelou nos filés a presença de galaxolide e tonalide (notas baixas em perfumes, musks sintéticos) em concentrações máximas de 2100 e 290 ng/g respectivamente e traços de triclosan (conservante e antibacteriano).
Em geral, as drogas foram detectadas em maior concentração nos fígados que nos filés e os autores excluem que o maior conteúdo graxo do fígado seja a causa desta discrepância, pois não houve correlações positivas entre as concentrações farmacêuticas acumuladas e o conteúdo lipídico de cada tipo de amostra analisada. No entanto os resíduos de produtos de higiene pessoal, galaxolide e tonalide fopram significativamente relacionadas ao conteúdo lipídico das amostras de tecido analisadas. Os autores concluem que os achados são dependentes do tipo de tratamento empregado nas estações de esgoto.
Ter a noção de que aquilo que usamos não se restringe aos efeitos colaterais em nós mas que abrangem uma cadeia inteira de eventos após, é importantíssimo. O remédio que tomamos para uma patologia qualquer é excretado total ou parcialmente metabolizado, mas seus efeitos podem ainda ser efetivos em outras espécies no ambiente.
O creminho e o shampoo, o sabonete e o perfume que usamos em nossas peles, vem absorvidos e metabolizados e o restante é lavado e carreado para os sistemas de esgoto. E raramente são eliminados pelo tratamento aplicado nas estações.
Cada ação humana implica em uma cadeia de eventos anterior e posterior a ela.
Pensem nisso.
Para saber mais:
Ramirez AJ, Brain RA, Usenko S, Mottaleb MA, O'Donnell JG, Stahl LL, Wathen JB, Snyder BD, Pitt JL, Perez-Hurtado P, Dobbins LL, Brooks BW, Chambliss CK.
Occurrence of pharmaceuticals and personal care products (PPCPs) in fish: Results of a national pilot study in the U.S.
Environ Toxicol Chem. 2009 Mar 25:1.
São dos resíduos de tantos remédios (fármacos) e outras substâncias de produtos de cuidados pessoais que não são removidos nas estações de tratamento de esgotos e que retornam às fontes de captação de água.
Na Environmental Toxicology and Chemistry (on line) deste mês, saiu um artigo detalhando as principais substâncias destes dois grupos em peixes de várias regiões dos EUA.
Leve-se em consideração que o tratamento de esgotos no Brasil é ainda (infelizmente) muito incipiente (e insipiente também), com a maioria dos municípios despejando nos nossos rios esgotos sem nenhum tratamento.
Outra premissa interessante é o despejo de metais pesados de garimpos clandestinos em rios aparentemente insuspeitáveis da Amazônia ampliada. Sem falar nos peixes marinhos de grande porte, como o atum, contaminados por mercúrio.
Assim o leitor poderá ter uma vaga idéia do que ele ingere junto com o belíssimo filé de peixe "alla mugnaia".
Vamos então ao artigo: "Occurrence of pharmaceuticals and personal care products (PPCPs) in fish: Results of a national pilot study in the U.S.".
Os autores introduzem dizendo que muitas substâncias químicas já foram assinaladas em diversas fontes biológicas, inclusive tecidos de peixes, mas que não havia sido nunca realizado um estudo abrangente incluindo várias regiões geográficas. Um estudo piloto incluindo peixes provenientes de cinco diferentes efluentes que recebem descarga direta de tratamentos de esgoto em Chicago, Dallas, Orlando, Phoenix e West Chester (Pensilvânia) foi então iniciado. Os controles vieram do rio Gila, no Novo México, por serem espécimens expostas minimamente ao impacto humano.
As amostras foram tratadas através de Espectrofotometria de massa e Cromatografia líquida de alta performance (HPLC-MS/MS). Observou-se a presença dos seguintes fármacos: norfluoxetina, sertralina (ambos antidepressivos), difenidramina (anti-histamínico H1), diltiazem (benzotiazepina, bloq. canal de cálcio, antihipertensivo), carbamazepina (antiepilético, antipsicótico) em nanogramas/g em filés. A presença adicional de fluoxetina e gemfibrozil foi confirmada em tecidos hepáticos. A Sertralina foi detectada em concentrações de 19 e 545 nos filés e nos fígados, respectivamente.
A presença de ingredientes de produtos de higiene pessoal nas amostras revelou nos filés a presença de galaxolide e tonalide (notas baixas em perfumes, musks sintéticos) em concentrações máximas de 2100 e 290 ng/g respectivamente e traços de triclosan (conservante e antibacteriano).
Em geral, as drogas foram detectadas em maior concentração nos fígados que nos filés e os autores excluem que o maior conteúdo graxo do fígado seja a causa desta discrepância, pois não houve correlações positivas entre as concentrações farmacêuticas acumuladas e o conteúdo lipídico de cada tipo de amostra analisada. No entanto os resíduos de produtos de higiene pessoal, galaxolide e tonalide fopram significativamente relacionadas ao conteúdo lipídico das amostras de tecido analisadas. Os autores concluem que os achados são dependentes do tipo de tratamento empregado nas estações de esgoto.
Ter a noção de que aquilo que usamos não se restringe aos efeitos colaterais em nós mas que abrangem uma cadeia inteira de eventos após, é importantíssimo. O remédio que tomamos para uma patologia qualquer é excretado total ou parcialmente metabolizado, mas seus efeitos podem ainda ser efetivos em outras espécies no ambiente.
O creminho e o shampoo, o sabonete e o perfume que usamos em nossas peles, vem absorvidos e metabolizados e o restante é lavado e carreado para os sistemas de esgoto. E raramente são eliminados pelo tratamento aplicado nas estações.
Cada ação humana implica em uma cadeia de eventos anterior e posterior a ela.
Pensem nisso.
Para saber mais:
Ramirez AJ, Brain RA, Usenko S, Mottaleb MA, O'Donnell JG, Stahl LL, Wathen JB, Snyder BD, Pitt JL, Perez-Hurtado P, Dobbins LL, Brooks BW, Chambliss CK.
Occurrence of pharmaceuticals and personal care products (PPCPs) in fish: Results of a national pilot study in the U.S.
Environ Toxicol Chem. 2009 Mar 25:1.
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sábado, 15 de novembro de 2008
Uns filminhos pra vocês (ou a aulinha de inglês do feriado)
Umas coisinhas para vocês treinarem o ouvido (e as conexões a seguir também).
Dr. Paul Erhlich (biólogo, Stanford) fala sobre a poluição ambiental por agentes interferentes hormonais, parte da aula sobre "O Animal dominante":
Dr Tyrone Hayes, que já apareceu por aqui em uma aulinha sobre Atrazine e seus efeitos no ambiente, traz um comentário sobre a persistência dos efeitos dos interferentes hormonais ao longo das gerações além de comentários sobre o body burden.
Os vídeos são parte do acervo do FORA.TV, site bem legal que vou colocar na barra de links ao lado. Lá os temas são desenvolvidos mais amplamente, mas a duração dos vídeos é bem maior, então vou deixar em aberto para vocês visitarem se acharem interessante.
A aula do Dr. Erhlich está no link: http://fora.tv/2008/06/27/Paul_Ehrlich_The_Dominant_Animal
Dr. Paul Erhlich (biólogo, Stanford) fala sobre a poluição ambiental por agentes interferentes hormonais, parte da aula sobre "O Animal dominante":
Dr Tyrone Hayes, que já apareceu por aqui em uma aulinha sobre Atrazine e seus efeitos no ambiente, traz um comentário sobre a persistência dos efeitos dos interferentes hormonais ao longo das gerações além de comentários sobre o body burden.
Os vídeos são parte do acervo do FORA.TV, site bem legal que vou colocar na barra de links ao lado. Lá os temas são desenvolvidos mais amplamente, mas a duração dos vídeos é bem maior, então vou deixar em aberto para vocês visitarem se acharem interessante.
A aula do Dr. Erhlich está no link: http://fora.tv/2008/06/27/Paul_Ehrlich_The_Dominant_Animal
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quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Generation R, um estudo em Rotterdam
Em Rotterdam, na Holanda, existe em curso um estudo denominado "Generation R". Ele avalia cerca 10.000 crianças com foco principal nas seguintes áreas:
1. crescimento e desenvolvimento
2. desenvolvimento cognitivo e comportamental
3. doenças na infância
4. Saúde e sistema sanitário
O objetivo é otimizar o atendimento às gestantes e às crianças, com um olhar mais atento às reais necessidades destes grupos.
Dentro deste estudo, um grupo bastante significativo de instituições americanas(Epidemiology Branch, National Institute of Environmental Health Sciences-NIEHS, National Institutes of Health-NIH, Department of Health and Human Services-DHHS) em colaboração, acaba de publicar artigo interessante sobre a exposição total a interferentes endócrinos ambientais (bisfenol, ftalatos e organoclorados) medidos a partir de seus metabólitos urinários nesta população.
Os autores analisaram 6 dialquilfosfatos, um metabólito específico (3,5,6-tricloro-2-piridinol, TCPy), o bisfenol e mais 14 metabólitos de ftalatos na urina de 100 gestantes participantes do projeto Generation R.
De modo geral, após comparação com outros grupos verificou-se que os resultados de metabólitos do BPA era similar entre os grupos, mas a exposição aos metabólitos dos pesticidas e dos ftalatos eram relativamente mais altos no grupo das gestantes.
Os autores, a partir dos resultados sugerem que existe um ampla distribuição da exposição aos contaminantes selecionados e que as razões para isto e os possíveis efeitos sobre a saúde necessitam maior atenção e investigação.
Este estudo é interessante pois compara uma população de risco (gestantes) com grupos variados e se observa a presença em níveis superiores aos desejáveis de contaminantes potencialmente danosos para a sinalização androgênica nos fetos masculinos, para o correto funcionamento tireoideo e desenvolvimento cognitivo(como já visto em outros artigos neste blog). Curioso o achado de concentrações mais elevadas que na população geral.
Para saber mais:
Ye X, Pierik FH, Hauser R, Duty S, Angerer J, Park MM, Burdorf A, Hofman A, Jaddoe VW, Mackenbach JP, Steegers EA, Tiemeier H, Longnecker MP.
Urinary metabolite concentrations of organophosphorous pesticides, bisphenol A, and phthalates among pregnant women in Rotterdam, the Netherlands: The Generation R study.
Environ Res. 2008 Sep 4.(disponível na versão on-line da publicação).
http://www.generationr.nl/index.php?option=com_frontpage
1. crescimento e desenvolvimento
2. desenvolvimento cognitivo e comportamental
3. doenças na infância
4. Saúde e sistema sanitário
O objetivo é otimizar o atendimento às gestantes e às crianças, com um olhar mais atento às reais necessidades destes grupos.
Dentro deste estudo, um grupo bastante significativo de instituições americanas(Epidemiology Branch, National Institute of Environmental Health Sciences-NIEHS, National Institutes of Health-NIH, Department of Health and Human Services-DHHS) em colaboração, acaba de publicar artigo interessante sobre a exposição total a interferentes endócrinos ambientais (bisfenol, ftalatos e organoclorados) medidos a partir de seus metabólitos urinários nesta população.
Os autores analisaram 6 dialquilfosfatos, um metabólito específico (3,5,6-tricloro-2-piridinol, TCPy), o bisfenol e mais 14 metabólitos de ftalatos na urina de 100 gestantes participantes do projeto Generation R.
De modo geral, após comparação com outros grupos verificou-se que os resultados de metabólitos do BPA era similar entre os grupos, mas a exposição aos metabólitos dos pesticidas e dos ftalatos eram relativamente mais altos no grupo das gestantes.
Os autores, a partir dos resultados sugerem que existe um ampla distribuição da exposição aos contaminantes selecionados e que as razões para isto e os possíveis efeitos sobre a saúde necessitam maior atenção e investigação.
Este estudo é interessante pois compara uma população de risco (gestantes) com grupos variados e se observa a presença em níveis superiores aos desejáveis de contaminantes potencialmente danosos para a sinalização androgênica nos fetos masculinos, para o correto funcionamento tireoideo e desenvolvimento cognitivo(como já visto em outros artigos neste blog). Curioso o achado de concentrações mais elevadas que na população geral.
Para saber mais:
Ye X, Pierik FH, Hauser R, Duty S, Angerer J, Park MM, Burdorf A, Hofman A, Jaddoe VW, Mackenbach JP, Steegers EA, Tiemeier H, Longnecker MP.
Urinary metabolite concentrations of organophosphorous pesticides, bisphenol A, and phthalates among pregnant women in Rotterdam, the Netherlands: The Generation R study.
Environ Res. 2008 Sep 4.(disponível na versão on-line da publicação).
http://www.generationr.nl/index.php?option=com_frontpage
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gravidez,
pesticidas
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Florianópolis e a história da água com alumínio
Hoje na UOL leio uma notícia que me chama a atenção: "Ministério Público investiga excesso de alumínio na água consumida em Florianópolis", artigo de Luiz Nunes.
O caso é o seguinte: um condomínio de Floripa mandou analisar a água em um laboratório particular e encontrou 5 vezes mais do que o limite de alumínio determinado pela ANVISA no mês de Julho e nesta semana a água ainda se apresentava com valores de 0,5%, quando o limite é de 0,2%.
O caso foi parar na promotoria pública para averiguação pois a água foi coletada antes do condomínio o que faz supor que estava sendo distribuída a pelo menos uma parte da população da grande Florianópolis.
A empresa de distribuição e tratamento nega que os valores sejam os encontrados pelo laboratório contratado pelo condomínio e o único laboratório público capaz de realizar os exames está em reformas. As análises neste período foram realizadas dentro da própria empresa porém, segundo o artigo, com maior frequência.
Esperamos que os fatos sejam esclarecidos e que as responsabilidades sejam apuradas.
O caso é o seguinte: um condomínio de Floripa mandou analisar a água em um laboratório particular e encontrou 5 vezes mais do que o limite de alumínio determinado pela ANVISA no mês de Julho e nesta semana a água ainda se apresentava com valores de 0,5%, quando o limite é de 0,2%.
O caso foi parar na promotoria pública para averiguação pois a água foi coletada antes do condomínio o que faz supor que estava sendo distribuída a pelo menos uma parte da população da grande Florianópolis.
A empresa de distribuição e tratamento nega que os valores sejam os encontrados pelo laboratório contratado pelo condomínio e o único laboratório público capaz de realizar os exames está em reformas. As análises neste período foram realizadas dentro da própria empresa porém, segundo o artigo, com maior frequência.
Esperamos que os fatos sejam esclarecidos e que as responsabilidades sejam apuradas.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Poluentes ambientais no leite materno e criptorquidia
A revista Gynécologie Obstétrique & Fertilité de Agosto traz um artigo de Françoise Brucker-Davis e seu grupo sobre a incidência de criptorquidia* correlacionada a poluentes ambientais no leite materno.
(*Para quem não sabe, criptorquidia é a retenção dos testículos dentro da cavidade abdominal nos meninos. É um fenômeno evolutivo relacionado à sinalização andrógena no feto masculino.)
O grupo pesquisou 15 contaminantes ambientais do leite materno conhecidos por sua ação anti-androgênica ou anti-estrogênica, inclusive diclorodifeniltricloro etileno (DDE), bifenis policlorados (PCBs), dibutilftalato (DBP) e seu metabólito monobutilftalato MBP, hexaclorobenzeno (HCB).
Os resultados mostraram contaminação universal do leite com interferentes endócrinos nas mães francesas (mas que podem ser facilmente transpostos para nossa realidade urbana) e suportam a associação entre criptorquidia e exposição fetal a PCBs e possivelmente DDE sozinhos ou em associação com os outros compostos.
Apesar destes achados, gostaria de deixar claro que o leite materno, apesar de toda a contaminação ambiental, é ainda o melhor leite para os nossos bebês, por conta do seu componente imunitário, que vai além das qualidades nutricionais e que nenhuma fórmula no mundo é capaz de dar.
Para saber mais:
Gynecol Obstet Fertil. 2008 Aug 14. (artigo em francês disponível no site)
[Environmental pollutants in maternal milk and cryptorchidism.]
Brucker-Davis F, Ducot B, Wagner-Mahler K, Tommasi C, Ferrari P, Pacini P, Boda-Buccino M, Bongain A, Azuar P, Fénichel P.
Service d'endocrinologie-diabétologie-médecine de la reproduction, pôle Gore, hôpital l'Archet 1, CHU de Nice, 151, route de Saint-Antoine-de-Ginestière, 06200 Nice, France; Inserm, unité 895, 06200 Nice, France.
(*Para quem não sabe, criptorquidia é a retenção dos testículos dentro da cavidade abdominal nos meninos. É um fenômeno evolutivo relacionado à sinalização andrógena no feto masculino.)
O grupo pesquisou 15 contaminantes ambientais do leite materno conhecidos por sua ação anti-androgênica ou anti-estrogênica, inclusive diclorodifeniltricloro etileno (DDE), bifenis policlorados (PCBs), dibutilftalato (DBP) e seu metabólito monobutilftalato MBP, hexaclorobenzeno (HCB).
Os resultados mostraram contaminação universal do leite com interferentes endócrinos nas mães francesas (mas que podem ser facilmente transpostos para nossa realidade urbana) e suportam a associação entre criptorquidia e exposição fetal a PCBs e possivelmente DDE sozinhos ou em associação com os outros compostos.
Apesar destes achados, gostaria de deixar claro que o leite materno, apesar de toda a contaminação ambiental, é ainda o melhor leite para os nossos bebês, por conta do seu componente imunitário, que vai além das qualidades nutricionais e que nenhuma fórmula no mundo é capaz de dar.
Para saber mais:
Gynecol Obstet Fertil. 2008 Aug 14. (artigo em francês disponível no site)
[Environmental pollutants in maternal milk and cryptorchidism.]
Brucker-Davis F, Ducot B, Wagner-Mahler K, Tommasi C, Ferrari P, Pacini P, Boda-Buccino M, Bongain A, Azuar P, Fénichel P.
Service d'endocrinologie-diabétologie-médecine de la reproduction, pôle Gore, hôpital l'Archet 1, CHU de Nice, 151, route de Saint-Antoine-de-Ginestière, 06200 Nice, France; Inserm, unité 895, 06200 Nice, France.
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sábado, 23 de agosto de 2008
Uma notícia da Folha de São Paulo
Brasil importa agrotóxico vetado no exterior
Até julho, país importou mais de 6.000 toneladas de substâncias que foram proibidas nos próprios países onde são produzidas.
Segundo a OMS, esses produtos podem causar problemas no sistema nervoso, câncer e danos ao sistema reprodutivo
por ANGELA PINHO, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA ...
Esta é uma péssima notícia.
Estamos usando nas nossas lavouras e consequentemente estamos ingerindo, substâncias que foram proibidas (inclusive nos países de origem) por serem causadoras de câncer, de interferência hormonal no aparelho reprodutor, na tireoide, de deficit intelectivo em crianças e neurotoxicidade.
Não tenho autorização de reproduzir o artigo aqui, mas é deste dia 23 de agosto. Quem puder, leia.
Já foram 6000 toneladas de produtos proibidos até agora.
A ANVISA havia solicitado a revisão de alguns registros mas foi impedida pela justiça por uma ação do Sindicato das Indústrias dos Defensivos Agrícolas, segundo a autora do artigo.
É uma vergonha e uma pena que a agência que tem o dever de defender os interesses da saúde dos cidadãos brasileiros não tenha plena autonomia para fazê-lo.
E somos nós e nossos filhos que ficamos expostos aos interesses de quem da nossa saúde, se importa bem pouco.
Até julho, país importou mais de 6.000 toneladas de substâncias que foram proibidas nos próprios países onde são produzidas.
Segundo a OMS, esses produtos podem causar problemas no sistema nervoso, câncer e danos ao sistema reprodutivo
por ANGELA PINHO, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA ...
Esta é uma péssima notícia.
Estamos usando nas nossas lavouras e consequentemente estamos ingerindo, substâncias que foram proibidas (inclusive nos países de origem) por serem causadoras de câncer, de interferência hormonal no aparelho reprodutor, na tireoide, de deficit intelectivo em crianças e neurotoxicidade.
Não tenho autorização de reproduzir o artigo aqui, mas é deste dia 23 de agosto. Quem puder, leia.
Já foram 6000 toneladas de produtos proibidos até agora.
A ANVISA havia solicitado a revisão de alguns registros mas foi impedida pela justiça por uma ação do Sindicato das Indústrias dos Defensivos Agrícolas, segundo a autora do artigo.
É uma vergonha e uma pena que a agência que tem o dever de defender os interesses da saúde dos cidadãos brasileiros não tenha plena autonomia para fazê-lo.
E somos nós e nossos filhos que ficamos expostos aos interesses de quem da nossa saúde, se importa bem pouco.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Panelas antiaderentes e PFOA (ácido perfluorooctanoico)
Hoje no UOL (http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/2008/08/19/ult4477u905.jhtm) uma interessante notícia sobre panelas anti-aderentes escrita por Marina Almeida traz as opiniões de um professor de Química e de um executivo da DuPont.
Ñinguém se maravilha que as opiniões não coincidam exatamente.
A coisa é colocada de certa forma bastante edulcorada pela indústria e bastante elementar pelo professor, o que era o esperado.
Na verdade a questão é a seguinte: até agora supunha-se que o principal mecanismo pelo qual os PFOA (o que no artigo vem denominado fluoropolímeros) agiriam seria através de receptores ativados de peroxissomas. Isto foi provado em animais de laboratório (ratos). Sua relevância em seres humanos, no entanto, seria estatísticamente não significativa.
Mas a má notícia é que agora outros autores encontraram em estudos em trutas, um novo mecanismo para a ação destas substâncias, completamente independentes do mecanismo descrito anteriormente e que envolvem sinalização estrogênica.
Isto começa a ser mais relevante, pois se a coisa não depende exclusivamente de uma única via, e envolve vias alternativas, talvez seja efetivamente mais sábio passar a usar panelas e utensílios de aço inox.
Para saber mais (o artigo é gratuito, basta seguir o link abaixo):
Tilton SC, Orner GA, Benninghoff AD, Carpenter HM, Hendricks JD, Pereira CB, Williams DE.
Genomic Profiling Reveals an Alternate Mechanism for Hepatic Tumor Promotion by Perfluorooctanoic Acid in Rainbow Trout. Environ Health Perspect. 2008 Aug;116(8):1047-55.
http://www.ehponline.org/members/2008/11190/11190.pdf
Ñinguém se maravilha que as opiniões não coincidam exatamente.
A coisa é colocada de certa forma bastante edulcorada pela indústria e bastante elementar pelo professor, o que era o esperado.
Na verdade a questão é a seguinte: até agora supunha-se que o principal mecanismo pelo qual os PFOA (o que no artigo vem denominado fluoropolímeros) agiriam seria através de receptores ativados de peroxissomas. Isto foi provado em animais de laboratório (ratos). Sua relevância em seres humanos, no entanto, seria estatísticamente não significativa.
Mas a má notícia é que agora outros autores encontraram em estudos em trutas, um novo mecanismo para a ação destas substâncias, completamente independentes do mecanismo descrito anteriormente e que envolvem sinalização estrogênica.
Isto começa a ser mais relevante, pois se a coisa não depende exclusivamente de uma única via, e envolve vias alternativas, talvez seja efetivamente mais sábio passar a usar panelas e utensílios de aço inox.
Para saber mais (o artigo é gratuito, basta seguir o link abaixo):
Tilton SC, Orner GA, Benninghoff AD, Carpenter HM, Hendricks JD, Pereira CB, Williams DE.
Genomic Profiling Reveals an Alternate Mechanism for Hepatic Tumor Promotion by Perfluorooctanoic Acid in Rainbow Trout. Environ Health Perspect. 2008 Aug;116(8):1047-55.
http://www.ehponline.org/members/2008/11190/11190.pdf
Onde há fumaça há fogo
Quando se fala de risco, efetivamente é o câncer a coisa que vem em mente em primeiro lugar. As pessoas normalmente se perguntam: -“Ah, esta coisa é de risco para minha saúde, então essa coisa dá câncer?” Por muitos anos esta também foi a pergunta da comunidade científica sobre o risco de uma substância: provoca câncer? É cancerígeno?
Além disso outros questionamentos também eram feitos, coisas como: “Provoca mudanças no DNA da célula ou na síntese protêica, é mutagênico, é genotóxico?” ou “Pode causar dano ao feto em formação, é teratogênico?”...
De recente mais uma pergunta passou a ser levada em consideração: “Esta substância pode causar efeitos sobre o equilibrio hormonal do indivíduo, é interferente hormonal?”.
Então, como a coisa é complexa, vamos começar com a preocupação mais comum, mais intuitiva: o câncer.
Mas como se determina o risco de câncer? Existem dois métodos para determinação de risco de câncer por exposição à contaminantes químicos: o epidemiológico e o experimental.
O método experimental se baseia em estudos feitos em animais de laboratório, geralmente realizados por institutos oficiais e controlados. Os resultados destes testes são aceitos como presuntivos de risco para seres humanos por organizações como a OMS (Organização Mundial da Saúde, WHO). Através da Agência Internacional para a Pesquisa em Câncer (IARC), estes dados são analisados e o consenso derivado deles é utilizado como base para normativas e aspectos técnicos legislativos.
A maioria das substâncias identificadas como cancerígenas em humanos foram detectadas inicialmente em estudos animais, especialmente em ratos e camundongos, e depois confirmadas tais por estudos epidemiológicos.
Muitas empresas alegam em sua defesa quando fazem uso de substâncias de risco, que qualquer substância em doses muito elevadas poderia ser carcinogênica e que tudo seria somente uma questão de dose. Mas esta tese não é verdadeira. Nem tudo é carcinogênico para ratos, por exemplo. Atualmente somente menos de 700 substâncias.
Os estudos de caráter epidemiológico são realizados a partir da observação de uma população exposta a um particular tipo de carcinógeno ou carcinógenos, e depois comparadas a uma população controle não exposta no que diz respeito a incidência destas patologias.
Estudos epidemiológicos de larga escala já foram realizados, por exemplo, o que relaciona o fumo de cigarros e a aumentada incidência de tumores. Mesmo em larga escala é possível dividir claramente o grupo de fumantes e o de não fumantes.
Estudos epidemiológicos com cosméticos e produtos de cuidados pessoais, além de serem de larga escala, são difíceis de serem realizados, pois os grupos não ficam bem definidos uma vez que os agentes comprometidos estão incluídos em várias formulações de utilização diferente, tornando muito difícil em termos práticos a seleção de um grupo controle. Por este motivo existem poucos estudos epidemiológicos com produtos de cuidados pessoais. Exceções são grupos específicos de produtos (como as tintas de cabelo, talco) e grupos profissionais como cabeleireiros e esteticistas.
Mas quão realística é a afirmação que produtos de cuidados pessoais podem conter substâncias cancerígenas?
Existem várias fontes sérias que avaliaram o problema, por exemplo, o IARC (nas suas monografias, quase 90 publicações detalhando diferentes classes de agentes químicos) e o National Toxicology Program que publica os 600 relatórios do National Institute of Health Technical Report Series (baseado em estudos em roedores) e seu relatório denominado “Report on Carcinogens” atualmente na sua 11º edição.
Nenhuma entidade governamental deste porte investiria tempo e dinheiro em pesquisa se o assunto não fosse relevante.
(Este texto é parte integrante do livro "Mamãe passou açúcar em mim", e é protegido por copyright. Para autorizações, favor consultar a autora)
NA: Já publiquei no blog antigo posts sobre agentes neoplásicos presentes em cosméticos. As datas são:
05 de março de 2007, 07 de março de 2007,
31 de março de 2007
Deixo aqui os links para eles:
http://leiaorotulo.zip.net/arch2007-03-04_2007-03-10.html
http://leiaorotulo.zip.net/arch2007-03-25_2007-03-31.html
Além disso outros questionamentos também eram feitos, coisas como: “Provoca mudanças no DNA da célula ou na síntese protêica, é mutagênico, é genotóxico?” ou “Pode causar dano ao feto em formação, é teratogênico?”...
De recente mais uma pergunta passou a ser levada em consideração: “Esta substância pode causar efeitos sobre o equilibrio hormonal do indivíduo, é interferente hormonal?”.
Então, como a coisa é complexa, vamos começar com a preocupação mais comum, mais intuitiva: o câncer.
Mas como se determina o risco de câncer? Existem dois métodos para determinação de risco de câncer por exposição à contaminantes químicos: o epidemiológico e o experimental.
O método experimental se baseia em estudos feitos em animais de laboratório, geralmente realizados por institutos oficiais e controlados. Os resultados destes testes são aceitos como presuntivos de risco para seres humanos por organizações como a OMS (Organização Mundial da Saúde, WHO). Através da Agência Internacional para a Pesquisa em Câncer (IARC), estes dados são analisados e o consenso derivado deles é utilizado como base para normativas e aspectos técnicos legislativos.
A maioria das substâncias identificadas como cancerígenas em humanos foram detectadas inicialmente em estudos animais, especialmente em ratos e camundongos, e depois confirmadas tais por estudos epidemiológicos.
Muitas empresas alegam em sua defesa quando fazem uso de substâncias de risco, que qualquer substância em doses muito elevadas poderia ser carcinogênica e que tudo seria somente uma questão de dose. Mas esta tese não é verdadeira. Nem tudo é carcinogênico para ratos, por exemplo. Atualmente somente menos de 700 substâncias.
Os estudos de caráter epidemiológico são realizados a partir da observação de uma população exposta a um particular tipo de carcinógeno ou carcinógenos, e depois comparadas a uma população controle não exposta no que diz respeito a incidência destas patologias.
Estudos epidemiológicos de larga escala já foram realizados, por exemplo, o que relaciona o fumo de cigarros e a aumentada incidência de tumores. Mesmo em larga escala é possível dividir claramente o grupo de fumantes e o de não fumantes.
Estudos epidemiológicos com cosméticos e produtos de cuidados pessoais, além de serem de larga escala, são difíceis de serem realizados, pois os grupos não ficam bem definidos uma vez que os agentes comprometidos estão incluídos em várias formulações de utilização diferente, tornando muito difícil em termos práticos a seleção de um grupo controle. Por este motivo existem poucos estudos epidemiológicos com produtos de cuidados pessoais. Exceções são grupos específicos de produtos (como as tintas de cabelo, talco) e grupos profissionais como cabeleireiros e esteticistas.
Mas quão realística é a afirmação que produtos de cuidados pessoais podem conter substâncias cancerígenas?
Existem várias fontes sérias que avaliaram o problema, por exemplo, o IARC (nas suas monografias, quase 90 publicações detalhando diferentes classes de agentes químicos) e o National Toxicology Program que publica os 600 relatórios do National Institute of Health Technical Report Series (baseado em estudos em roedores) e seu relatório denominado “Report on Carcinogens” atualmente na sua 11º edição.
Nenhuma entidade governamental deste porte investiria tempo e dinheiro em pesquisa se o assunto não fosse relevante.
(Este texto é parte integrante do livro "Mamãe passou açúcar em mim", e é protegido por copyright. Para autorizações, favor consultar a autora)
NA: Já publiquei no blog antigo posts sobre agentes neoplásicos presentes em cosméticos. As datas são:
05 de março de 2007, 07 de março de 2007,
31 de março de 2007
Deixo aqui os links para eles:
http://leiaorotulo.zip.net/arch2007-03-04_2007-03-10.html
http://leiaorotulo.zip.net/arch2007-03-25_2007-03-31.html
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Vivendo em um mundo de risco
O dano potencial da exposição a agentes tóxicos depende de vários fatores. Entre estes é necessário considerar se a exposição é única, múltipla ou contínua, de uma única fonte ou de múltiplas fontes.
Em alguns casos torna-se difícil estimar o grau de exposição quando estão implicados contaminantes difusos ou agentes químicos que possam persistir ou acumular-se no ambiente.
Gostaria de deixar claro que pessoas expostas aos agentes de risco em baixas doses por longos períodos de tempo na maioria dos casos não apresentarão sintomas de intoxicação aguda. As pessoas apresentarão, em sua maioria sintomas genéricos, não bem definidos, típicos de patologias crônicas ou mesmo sintomas subclínicos. Afrimar que um determinado agente tóxico não tenha causado uma doença reconhecível no homem não significa que ele não exerça um efeito fisiológico. Ou seja, o fato de não acontecer uma doença imediatamente não exclui efeitos indesejáveis destas substâncias, mesmo inaparentes.
Os agentes potencialmente tóxicos são indutores do sistema microssomal enzimático no fígado. Este sistema exerce um papel crítico para o metabolismo de drogas e venenos provenientes do meio externo.
A transformação de substâncias químicas orgânicas ocorre através de dois sistemas enzimáticos: as reações de fase I e fase II. As enzimas envolvidas nestes processos são conhecidas como enzimas de conjugação. Em todos os mamíferos a desintoxicação de poluentes orgânicos ocorre predominantemente no fígado, pois é ali, entre todos os órgãos do corpo, que estas enzimas existem em maior concentração.
As reações de fase I são processos metabólicos que fracionam moléculas complexas em moléculas mais simples. Isto se chama catabolismo. Estas reações também adicionam à molecula um grupo funcional com uma carga elétrica (polarização). Isto se dá através de uma adição enzimática controlada de oxigênio (oxidação), criando assim um intermediário mais reativo. As principais enzimas envolvidas nesta fase de catalização são as mono-oxigenases, em especial as da flavoproteina e as do citocromo P450 (também conhecido como sistema de oxigenase de função mista, MFO). Após a oxidação pelo sistema MFO, as reações de fase II conjugam o intermediário com moléculas hidrossolúveis como a glutadiona, através de reações catabólicas ou pela síntese mediada por enzimas de moléculas complexas denominada biossíntese. Os produtos da reação virão eliminados na bile ou na urina. Quando a desintoxicação não ocorre em modo suficiente resultará em um efeito tóxico que será percebido como toxicidade aguda, genotoxicidade (dano ao material genético) ou intoxicação crônica com efeitos prolongados no organismo.
Bem, todos estes nomes complicados servem para dizer que dentro de você existe um sistema de “tratamento químico” destas substâncias tóxicas e que se ele funcionar de maneira adequada muitas substâncias tóxicas poderão ser elaboradas e eliminadas do seu corpo. É importante, no entanto, saber que este mecanismo não é ilimitado e infalível e que certas substâncias são sempre tóxicas para o nosso organismo.
Outra coisa importante é ter em mente que a atividade do sistema enzimático microssomal é mínima ao nascimento e no início da vida, devido a sua imaturidade e que aumenta progressivamente com a vida adulta.
Supõe-se que o desenvolvimento da capacidade enzimática seja um reflexo da exposição do indivíduo aos agentes químicos ambientais. A atividade do sistema, uma vez induzida por um agente, pode ser válida também para outros. Então, quando mais de uma substância é introduzida no organismo simultaneamente, a disposição metabólica de uma das substâncias pode ser alterada pela presença ou características indutoras da outra. A este ajuste se dá o nome de sistema adaptativo hepático.
Normalmente os sistemas corporais são programados para atingir um estado de equilíbrio chamado homeostase. Muitos sistemas em nosso corpo funcionam continuamente, sem nehuma pausa, somente para manter esta homeostase sem algum dano. Mas para o correto funcionamento de alguns destes sistemas, ou seja, os que se utilizam de síntese protéica, faz-se necessária uma maior disponibilidade de precursores destas proteínas. Isso implicaria em um relativo “custo fisiológico”, pois haveria um “desvio” destes precursores de suas normais utilizações. Então, para cada reação adaptativa haveria um custo para os demais processos. Quando a ativação do sistema tem origem no meio externo, como no caso do sistema microssomal hepático, o contínuo e longo comprometimento com uma série de estímulos químicos poderia levar a um “custo fisiológico” que poderia se verificar deletério ao organismo.
Em nenhum outro tempo os seres humanos estiveram expostos a uma miríade tão ampla de substâncias químicas e, de fato, os efeitos de muitas delas ainda não estão perfeitamente claros no ser humano.
Este texto é parte integrante do livro "Mamãe passou açúcar em mim" e protegido por direitos de copyright. Para reproduções, favor entrar em contato com a autora.
Em alguns casos torna-se difícil estimar o grau de exposição quando estão implicados contaminantes difusos ou agentes químicos que possam persistir ou acumular-se no ambiente.
Gostaria de deixar claro que pessoas expostas aos agentes de risco em baixas doses por longos períodos de tempo na maioria dos casos não apresentarão sintomas de intoxicação aguda. As pessoas apresentarão, em sua maioria sintomas genéricos, não bem definidos, típicos de patologias crônicas ou mesmo sintomas subclínicos. Afrimar que um determinado agente tóxico não tenha causado uma doença reconhecível no homem não significa que ele não exerça um efeito fisiológico. Ou seja, o fato de não acontecer uma doença imediatamente não exclui efeitos indesejáveis destas substâncias, mesmo inaparentes.
Os agentes potencialmente tóxicos são indutores do sistema microssomal enzimático no fígado. Este sistema exerce um papel crítico para o metabolismo de drogas e venenos provenientes do meio externo.
A transformação de substâncias químicas orgânicas ocorre através de dois sistemas enzimáticos: as reações de fase I e fase II. As enzimas envolvidas nestes processos são conhecidas como enzimas de conjugação. Em todos os mamíferos a desintoxicação de poluentes orgânicos ocorre predominantemente no fígado, pois é ali, entre todos os órgãos do corpo, que estas enzimas existem em maior concentração.
As reações de fase I são processos metabólicos que fracionam moléculas complexas em moléculas mais simples. Isto se chama catabolismo. Estas reações também adicionam à molecula um grupo funcional com uma carga elétrica (polarização). Isto se dá através de uma adição enzimática controlada de oxigênio (oxidação), criando assim um intermediário mais reativo. As principais enzimas envolvidas nesta fase de catalização são as mono-oxigenases, em especial as da flavoproteina e as do citocromo P450 (também conhecido como sistema de oxigenase de função mista, MFO). Após a oxidação pelo sistema MFO, as reações de fase II conjugam o intermediário com moléculas hidrossolúveis como a glutadiona, através de reações catabólicas ou pela síntese mediada por enzimas de moléculas complexas denominada biossíntese. Os produtos da reação virão eliminados na bile ou na urina. Quando a desintoxicação não ocorre em modo suficiente resultará em um efeito tóxico que será percebido como toxicidade aguda, genotoxicidade (dano ao material genético) ou intoxicação crônica com efeitos prolongados no organismo.
Bem, todos estes nomes complicados servem para dizer que dentro de você existe um sistema de “tratamento químico” destas substâncias tóxicas e que se ele funcionar de maneira adequada muitas substâncias tóxicas poderão ser elaboradas e eliminadas do seu corpo. É importante, no entanto, saber que este mecanismo não é ilimitado e infalível e que certas substâncias são sempre tóxicas para o nosso organismo.
Outra coisa importante é ter em mente que a atividade do sistema enzimático microssomal é mínima ao nascimento e no início da vida, devido a sua imaturidade e que aumenta progressivamente com a vida adulta.
Supõe-se que o desenvolvimento da capacidade enzimática seja um reflexo da exposição do indivíduo aos agentes químicos ambientais. A atividade do sistema, uma vez induzida por um agente, pode ser válida também para outros. Então, quando mais de uma substância é introduzida no organismo simultaneamente, a disposição metabólica de uma das substâncias pode ser alterada pela presença ou características indutoras da outra. A este ajuste se dá o nome de sistema adaptativo hepático.
Normalmente os sistemas corporais são programados para atingir um estado de equilíbrio chamado homeostase. Muitos sistemas em nosso corpo funcionam continuamente, sem nehuma pausa, somente para manter esta homeostase sem algum dano. Mas para o correto funcionamento de alguns destes sistemas, ou seja, os que se utilizam de síntese protéica, faz-se necessária uma maior disponibilidade de precursores destas proteínas. Isso implicaria em um relativo “custo fisiológico”, pois haveria um “desvio” destes precursores de suas normais utilizações. Então, para cada reação adaptativa haveria um custo para os demais processos. Quando a ativação do sistema tem origem no meio externo, como no caso do sistema microssomal hepático, o contínuo e longo comprometimento com uma série de estímulos químicos poderia levar a um “custo fisiológico” que poderia se verificar deletério ao organismo.
Em nenhum outro tempo os seres humanos estiveram expostos a uma miríade tão ampla de substâncias químicas e, de fato, os efeitos de muitas delas ainda não estão perfeitamente claros no ser humano.
Este texto é parte integrante do livro "Mamãe passou açúcar em mim" e protegido por direitos de copyright. Para reproduções, favor entrar em contato com a autora.
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
Interferentes Hormonais e risco de Câncer de Próstata
Na Endocrine Related Cancer, revista publicada pela Society for Endocrinology e uma publicação oficial da European Society of Endocrinology, encontrei artigo bem interessante da Dra. Gail S. Prins, PhD e professora de Fisiologia do Departamento de Urologia da Universidade de Illinois em Chicago além de diretora do Laboratório de Andrologia da mesma universidade.
A Dra. Prins, em seu artigo, observa o aumento da evidência tanto de estudos epidemiológicos, como daqueles experimentais, que alguns agentes "disruptores hormonais" podem influenciar o desenvolvimento e ou a progressão de cânceres de próstata. Isto se daria por sinalação estrogênica ou por alteração do metabolismo dos esteróides. Em seres humanos, a evidência epidemiológica já está bem estabelecida para pesticidas, PCBs ( perclorobifenilas), e arsênico inorgânico e o aumento do risco para cânceres prostáticos. Já em estudos experimentais, demonstrou-se também a implicação de outros agentes tais como cadmium, filtros UV em bloqueadores solares e bisfenol A.
A autora chama bastante a atenção para o período crítico desta exposição, ou seja o período das janelas de desenvolvimento incluindo o período intra-útero e o neonatal, como também a adolescência e a puberdade. Isto criaria uma população de risco aumentado entre os bebês e as crianças expostas a estes agentes, que no futuro, poderiam apresentar estes tumores com maior frequência.
Para saber mais:
Prins G. Endocrine Disruptors and Prostate Cancer Risk. Endocr Relat Cancer. 2008 Jun 4. (o artigo está disponível na versão on-line da revista: http://erc.endocrinology-journals.org/cgi/reprint/ERC-08-0043v1)
A Dra. Prins, em seu artigo, observa o aumento da evidência tanto de estudos epidemiológicos, como daqueles experimentais, que alguns agentes "disruptores hormonais" podem influenciar o desenvolvimento e ou a progressão de cânceres de próstata. Isto se daria por sinalação estrogênica ou por alteração do metabolismo dos esteróides. Em seres humanos, a evidência epidemiológica já está bem estabelecida para pesticidas, PCBs ( perclorobifenilas), e arsênico inorgânico e o aumento do risco para cânceres prostáticos. Já em estudos experimentais, demonstrou-se também a implicação de outros agentes tais como cadmium, filtros UV em bloqueadores solares e bisfenol A.
A autora chama bastante a atenção para o período crítico desta exposição, ou seja o período das janelas de desenvolvimento incluindo o período intra-útero e o neonatal, como também a adolescência e a puberdade. Isto criaria uma população de risco aumentado entre os bebês e as crianças expostas a estes agentes, que no futuro, poderiam apresentar estes tumores com maior frequência.
Para saber mais:
Prins G. Endocrine Disruptors and Prostate Cancer Risk. Endocr Relat Cancer. 2008 Jun 4. (o artigo está disponível na versão on-line da revista: http://erc.endocrinology-journals.org/cgi/reprint/ERC-08-0043v1)
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segunda-feira, 16 de junho de 2008
Interferentes endócrinos na Europa
Deixo o endereço do site da União Européia em pesquisas sobre interferentes endócrinos:
http://ec.europa.eu/research/endocrine/index_en.html
O site oferece uma série de links interessantes.
Vale uma olhadinha.
http://ec.europa.eu/research/endocrine/index_en.html
O site oferece uma série de links interessantes.
Vale uma olhadinha.
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quarta-feira, 4 de junho de 2008
Paraben(o)s, hoje é o seu dia.
Para que uma substância tenha algum efeito sobre uma determinada população (pessoas, animais, vegetais,...) é importante que esta substância seja capaz de permear as barreiras de proteção desta forma de vida.
Por este motivo o potencial de absorção e de retenção de uma substância possui uma significativa importância do ponto de vista de sua toxicidade. Quanto maior a absorção e quanto maior a capacidade de permanecer dentro do organismo, maior a chance de que seus efeitos possam ser observados.
Este preâmbulo diz respeito ao que vamos tratar hoje, que é a capacidade de absorver e de reter parabenos em nosso organismo.
Como dissemos anteriormente a família dos parabenos é usada como conservantes e agentes antimicrobianos em formulações cosméticas (e não só). É a família de compostos mais utilizadas para este fim, interessando cerca de 95% do mercado cosmético. Ela vem apresentada comumente nas formas butil, etil, propil, isobutil e metilparabeno. Você pode facilmente verificar, basta ler o rótulo dos produtos cosméticos que você tiver em casa ou na bolsa.
São substâncias eficazes, de custo moderado, porém possuem atividade de sensibilização e de interferência endócrina (estrogênica) considerável. As consequências desta atividade já foram discutidas anteriormente neste mesmo blog.
Assim, nos parece válido observar o quanto este potencial tóxico pode efetivamente ser relevante focando sobre a capacidade de absorção destas substâncias através da pele e sua retenção nos extratos cutâneos.
Segundo a literatura médica disponível¹,², a capacidade de penetração (absorção) dos parabenos depende mais de sua liposolubilidade que da formulação onde este conservante se encontra. Ou seja: quanto maior a liposolubilidade, menor a capacidade de penetração através da pele.
No caso específico, o potencial absortivo do metilparabeno é superior ao do etilparabeno que por sua vez é superior ao propil e ao butil.
Após 8 horas de contato com a pele, 60% do metilparabeno, 40% do etilparabeno e 20% do propilparabeno pode ser encontrado através da pele exposta. Já a retenção pela pele dependeria não apenas das características do parabeno, mas também da composição da emulsão onde o mesmo se encontra aplicado.
Observou-se também que mesmo após 36hs da exposição ainda era possível observar estes compostos nos extratos cutâneos.
Isto nos faz pensar nos efeitos cumulativos derivados desta retenção e confirma o potencial tóxico destes agentes.
Para saber mais:
1) S. Pedersen, F. Marra, S. Nicoli, P. Santi (2007) In vitro skin permeation and retention of parabens from cosmetic formulations. International Journal of Cosmetic Science 29 (5) , 361–367
2) Sawsan El Hussein, Patrice Muret, Michel Berard, Safwat Makki, Philippe Humbert (2007) Assessment of principal parabens used in cosmetics after their passage through human epidermis-dermis layers (ex-vivo study). Experimental Dermatology 16 (10) , 830–836
Por este motivo o potencial de absorção e de retenção de uma substância possui uma significativa importância do ponto de vista de sua toxicidade. Quanto maior a absorção e quanto maior a capacidade de permanecer dentro do organismo, maior a chance de que seus efeitos possam ser observados.
Este preâmbulo diz respeito ao que vamos tratar hoje, que é a capacidade de absorver e de reter parabenos em nosso organismo.
Como dissemos anteriormente a família dos parabenos é usada como conservantes e agentes antimicrobianos em formulações cosméticas (e não só). É a família de compostos mais utilizadas para este fim, interessando cerca de 95% do mercado cosmético. Ela vem apresentada comumente nas formas butil, etil, propil, isobutil e metilparabeno. Você pode facilmente verificar, basta ler o rótulo dos produtos cosméticos que você tiver em casa ou na bolsa.
São substâncias eficazes, de custo moderado, porém possuem atividade de sensibilização e de interferência endócrina (estrogênica) considerável. As consequências desta atividade já foram discutidas anteriormente neste mesmo blog.
Assim, nos parece válido observar o quanto este potencial tóxico pode efetivamente ser relevante focando sobre a capacidade de absorção destas substâncias através da pele e sua retenção nos extratos cutâneos.
Segundo a literatura médica disponível¹,², a capacidade de penetração (absorção) dos parabenos depende mais de sua liposolubilidade que da formulação onde este conservante se encontra. Ou seja: quanto maior a liposolubilidade, menor a capacidade de penetração através da pele.
No caso específico, o potencial absortivo do metilparabeno é superior ao do etilparabeno que por sua vez é superior ao propil e ao butil.
Após 8 horas de contato com a pele, 60% do metilparabeno, 40% do etilparabeno e 20% do propilparabeno pode ser encontrado através da pele exposta. Já a retenção pela pele dependeria não apenas das características do parabeno, mas também da composição da emulsão onde o mesmo se encontra aplicado.
Observou-se também que mesmo após 36hs da exposição ainda era possível observar estes compostos nos extratos cutâneos.
Isto nos faz pensar nos efeitos cumulativos derivados desta retenção e confirma o potencial tóxico destes agentes.
Para saber mais:
1) S. Pedersen, F. Marra, S. Nicoli, P. Santi (2007) In vitro skin permeation and retention of parabens from cosmetic formulations. International Journal of Cosmetic Science 29 (5) , 361–367
2) Sawsan El Hussein, Patrice Muret, Michel Berard, Safwat Makki, Philippe Humbert (2007) Assessment of principal parabens used in cosmetics after their passage through human epidermis-dermis layers (ex-vivo study). Experimental Dermatology 16 (10) , 830–836
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quarta-feira, 14 de maio de 2008
Benefícios do aleitamento materno
Os benefícios do aleitamento materno superam muitas vezes o que se é esperado se se olha do ponto de vista meramente nutricional. Cada vez mais se reconhece a importância do leite humano para os bebês por suas propriedades imunitárias. Apesar da contaminação química também presente, é ainda a mais importante e a melhor fonte de nutrientes e de defesa para o bebê.Recentemente tem-se observado que os benefícios não se restringem somente ao bebê, mas se extendem à mãe. Uma maior proteção contra tumores de mama já foi bem estabelecida naquelas que aleitam por mais de 6 meses, mas poucas pessoas sabem de mais um benefício do aleitamento: a proteção contra artrite. Revisando a literatura encontrei um grupo da Universidade de Harvard que afirma que 12 meses de aleitamento diminuem o risco de artrite reumatoide (Karlson EW, Mandl LA, Hankinson SE, Grodstein F. Do breast-feeding and other reproductive factors influence future risk of rheumatoid arthritis? Results from the Nurses’ Health Study.Arthritis Rheum. 2004 Nov;50(11):3458-67.). Existe também mais um artigo recente da Universidade de Oslo que reafirma o já dito além da proteção contra cancer de ovário e diabetes do tipo II (Løland BF, Baerug AB, Nylander G. [Human milk, immune responses and health effects]Tidsskr Nor Laegeforen. 2007 Sep 20;127(18):2395-8.), isto sem deixar de mencionar o arrtigo de revisão de Rea no Jornal de Pediatria do Rio de Janeiro em 2004.
O artigo abaixo é do Jornal da Tarde e foi publicado no site de Saúde da uol:
Aleitamento reduz risco de artrite na mãe, indica estudoSão Paulo - Um estudo de especialistas da Universidade de Malmo, na Suécia, sugere que mulheres que amamentam por mais de um ano têm reduzidas pela metade as chances de desenvolver artrite reumatóide. Na pesquisa, os cientistas compararam 136 mulheres com artrite com 544 sem o problema.
Eles perceberam que as que haviam amamentado por 13 meses ou mais tinham metade das chances de desenvolver a doença em relação às que nunca haviam praticado o aleitamento materno. As mulheres que haviam amamentado durante um ano tiveram 25% menos riscos de desenvolver artrite, acrescentaram os especialistas. A artrite é doença auto-imune que ocorre quando o corpo ataca as articulações, confundindo-as com corpos estranhos. O problema afeta mais mulheres do que homens.
Segundo os cientistas, a amamentação libera grande quantidade do hormônio oxitocina, que pode reduzir os níveis de estresse, controlar a pressão sanguínea e proporcionar sensações de bem-estar. Os pesquisadores afirmam que estudos anteriores mostraram que as mulheres têm mais chances de desenvolver artrite logo após dar à luz e, diante dos últimos resultados, acreditam que os riscos são reduzidos com a prática da amamentação e o passar do tempo.
Os cientistas não souberam, no entanto, apontar as razões para essas conclusões. “Uma explicação poderia ser de que as mulheres que amamentam levam vidas mais saudáveis. Mas ainda não sabemos com certeza os mecanismos que explicam os benefícios da amamentação a longo prazo contra a artrite”, disseram os especialistas. As informações são do Jornal da Tarde
O artigo abaixo é do Jornal da Tarde e foi publicado no site de Saúde da uol:
Aleitamento reduz risco de artrite na mãe, indica estudoSão Paulo - Um estudo de especialistas da Universidade de Malmo, na Suécia, sugere que mulheres que amamentam por mais de um ano têm reduzidas pela metade as chances de desenvolver artrite reumatóide. Na pesquisa, os cientistas compararam 136 mulheres com artrite com 544 sem o problema.
Eles perceberam que as que haviam amamentado por 13 meses ou mais tinham metade das chances de desenvolver a doença em relação às que nunca haviam praticado o aleitamento materno. As mulheres que haviam amamentado durante um ano tiveram 25% menos riscos de desenvolver artrite, acrescentaram os especialistas. A artrite é doença auto-imune que ocorre quando o corpo ataca as articulações, confundindo-as com corpos estranhos. O problema afeta mais mulheres do que homens.
Segundo os cientistas, a amamentação libera grande quantidade do hormônio oxitocina, que pode reduzir os níveis de estresse, controlar a pressão sanguínea e proporcionar sensações de bem-estar. Os pesquisadores afirmam que estudos anteriores mostraram que as mulheres têm mais chances de desenvolver artrite logo após dar à luz e, diante dos últimos resultados, acreditam que os riscos são reduzidos com a prática da amamentação e o passar do tempo.
Os cientistas não souberam, no entanto, apontar as razões para essas conclusões. “Uma explicação poderia ser de que as mulheres que amamentam levam vidas mais saudáveis. Mas ainda não sabemos com certeza os mecanismos que explicam os benefícios da amamentação a longo prazo contra a artrite”, disseram os especialistas. As informações são do Jornal da Tarde
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Vejam o filme, leiam o artigo...
Postei um video longo sobre uma palestra do Dr. Tyrone B. Hayes sobre os efeitos endócrinos do Atrazine.
Trago aqui o abstract mais recente sobre o assunto. O artigo pode ser descarregado gratuitamente no site do PUBMED.
Environ Health Perspect. 2007 May;115(5):720-7.
Atrazine-induced aromatase expression is SF-1 dependent: implications for endocrine disruption in wildlife and reproductive cancers in humans.
Fan W, Yanase T, Morinaga H, Gondo S, Okabe T, Nomura M, Komatsu T, Morohashi K, Hayes TB, Takayanagi R, Nawata H.
Department of Medicine and Bioregulatory Science, Graduate School of Medical Science, Kyushu University, Fukuoka, Japan.
BACKGROUND: Atrazine is a potent endocrine disruptor that increases aromatase expression in some human cancer cell lines. The mechanism involves the inhibition of phosphodiesterase and subsequent elevation of cAMP.
METHODS: We compared steroidogenic factor 1 (SF-1) expression in atrazine responsive and non-responsive cell lines and transfected SF-1 into nonresponsive cell lines to assess SF-1's role in atrazine-induced aromatase. We used a luciferase reporter driven by the SF-1-dependent aromatase promoter (ArPII) to examine activation of this promoter by atrazine and the related simazine. We mutated the SF-1 binding site to confirm the role of SF-1. We also examined effects of 55 other chemicals. Finally, we examined the ability of atrazine and simazine to bind to SF-1 and enhance SF-1 binding to ArPII.
RESULTS: Atrazine-responsive adrenal carcinoma cells (H295R) expressed 54 times more SF-1 than nonresponsive ovarian granulosa KGN cells. Exogenous SF-1 conveyed atrazine-responsiveness to otherwise nonresponsive KGN and NIH/3T3 cells. Atrazine induced binding of SF-1 to chromatin and mutation of the SF-1 binding site in ArPII eliminated SF-1 binding and atrazine-responsiveness in H295R cells. Out of 55 chemicals examined, only atrazine, simazine, and benzopyrene induced luciferase via ArPII. Atrazine bound directly to SF-1, showing that atrazine is a ligand for this "orphan" receptor.
CONCLUSION: The current findings are consistent with atrazine's endocrine-disrupting effects in fish, amphibians, and reptiles; the induction of mammary and prostate cancer in laboratory rodents; and correlations between atrazine and similar reproductive cancers in humans. This study highlights the importance of atrazine as a risk factor in endocrine disruption in wildlife and reproductive cancers in laboratory rodents and humans.
Trago aqui o abstract mais recente sobre o assunto. O artigo pode ser descarregado gratuitamente no site do PUBMED.
Environ Health Perspect. 2007 May;115(5):720-7.
Atrazine-induced aromatase expression is SF-1 dependent: implications for endocrine disruption in wildlife and reproductive cancers in humans.
Fan W, Yanase T, Morinaga H, Gondo S, Okabe T, Nomura M, Komatsu T, Morohashi K, Hayes TB, Takayanagi R, Nawata H.
Department of Medicine and Bioregulatory Science, Graduate School of Medical Science, Kyushu University, Fukuoka, Japan.
BACKGROUND: Atrazine is a potent endocrine disruptor that increases aromatase expression in some human cancer cell lines. The mechanism involves the inhibition of phosphodiesterase and subsequent elevation of cAMP.
METHODS: We compared steroidogenic factor 1 (SF-1) expression in atrazine responsive and non-responsive cell lines and transfected SF-1 into nonresponsive cell lines to assess SF-1's role in atrazine-induced aromatase. We used a luciferase reporter driven by the SF-1-dependent aromatase promoter (ArPII) to examine activation of this promoter by atrazine and the related simazine. We mutated the SF-1 binding site to confirm the role of SF-1. We also examined effects of 55 other chemicals. Finally, we examined the ability of atrazine and simazine to bind to SF-1 and enhance SF-1 binding to ArPII.
RESULTS: Atrazine-responsive adrenal carcinoma cells (H295R) expressed 54 times more SF-1 than nonresponsive ovarian granulosa KGN cells. Exogenous SF-1 conveyed atrazine-responsiveness to otherwise nonresponsive KGN and NIH/3T3 cells. Atrazine induced binding of SF-1 to chromatin and mutation of the SF-1 binding site in ArPII eliminated SF-1 binding and atrazine-responsiveness in H295R cells. Out of 55 chemicals examined, only atrazine, simazine, and benzopyrene induced luciferase via ArPII. Atrazine bound directly to SF-1, showing that atrazine is a ligand for this "orphan" receptor.
CONCLUSION: The current findings are consistent with atrazine's endocrine-disrupting effects in fish, amphibians, and reptiles; the induction of mammary and prostate cancer in laboratory rodents; and correlations between atrazine and similar reproductive cancers in humans. This study highlights the importance of atrazine as a risk factor in endocrine disruption in wildlife and reproductive cancers in laboratory rodents and humans.
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terça-feira, 2 de outubro de 2007
Mais do mesmo...
Artigo interessante, fresquinho do PUBMED:
•Int J Hyg Environ Health. 2007 Sep 20
•Phthalates: Toxicology and exposure.
•Heudorf U, Mersch-Sundermann V, Angerer J.
•Public Health Department of the City of Frankfurt, Germany.
•Phthalates are used as plasticizers in PVC plastics. As the phthalate plasticizers are not chemically bound to PVC, they can leach, migrate or evaporate into indoor air and atmosphere, foodstuff, other materials, etc. Consumer products containing phthalates can result in human exposure through direct contact and use, indirectly through leaching into other products, or general environmental contamination. Humans are exposed through ingestion, inhalation, and dermal exposure during their whole lifetime, including intrauterine development. This paper presents an overview on current risk assessments done by expert panels as well as on exposure assessment data, based on ambient and on current human biomonitoring results. Some phthalates are reproductive and developmental toxicants in animals and suspected endocrine disruptors in humans. Exposure assessment via modelling ambient data give hints that the exposure of children to phthalates exceeds that in adults. Current human biomonitoring data prove that the tolerable intake of children is exceeded to a considerable degree, in some instances up to 20-fold. Very high exposures to phthalates can occur via medical treatment, i.e. via use of medical devices containing DEHP or medicaments containing DBP phthalate in their coating. Because of their chemical properties exposure to phthalates does not result in bioaccumulation. However, health concern is raised regarding the developmental and/or reproductive toxicity of phthalates, even in environmental concentrations.
O abstract acima chama a atenção para o fato que as crianças são muito mais expostas do que os adultos aos ftalatos, cerca 20 vezes mais! O alerta é válido pois é justamente esta população, além das gestantes, o público mais susceptível aos efeitos dos ftalatos. Outra observação importante é que apesar de não possuirem propriedades bioacumulativas a presença maciça de produtos contendo ftalatos em nossas vidas é suficiente para causar preocupação quanto aos danos sobre o desenvolvimento e sobre a reprodução humanas.
(E isto sem falar da atividade sobre a tireoide, sobre o receptor de pregnana, sobre o DNA.)
Coisa para refletir...
•Int J Hyg Environ Health. 2007 Sep 20
•Phthalates: Toxicology and exposure.
•Heudorf U, Mersch-Sundermann V, Angerer J.
•Public Health Department of the City of Frankfurt, Germany.
•Phthalates are used as plasticizers in PVC plastics. As the phthalate plasticizers are not chemically bound to PVC, they can leach, migrate or evaporate into indoor air and atmosphere, foodstuff, other materials, etc. Consumer products containing phthalates can result in human exposure through direct contact and use, indirectly through leaching into other products, or general environmental contamination. Humans are exposed through ingestion, inhalation, and dermal exposure during their whole lifetime, including intrauterine development. This paper presents an overview on current risk assessments done by expert panels as well as on exposure assessment data, based on ambient and on current human biomonitoring results. Some phthalates are reproductive and developmental toxicants in animals and suspected endocrine disruptors in humans. Exposure assessment via modelling ambient data give hints that the exposure of children to phthalates exceeds that in adults. Current human biomonitoring data prove that the tolerable intake of children is exceeded to a considerable degree, in some instances up to 20-fold. Very high exposures to phthalates can occur via medical treatment, i.e. via use of medical devices containing DEHP or medicaments containing DBP phthalate in their coating. Because of their chemical properties exposure to phthalates does not result in bioaccumulation. However, health concern is raised regarding the developmental and/or reproductive toxicity of phthalates, even in environmental concentrations.
O abstract acima chama a atenção para o fato que as crianças são muito mais expostas do que os adultos aos ftalatos, cerca 20 vezes mais! O alerta é válido pois é justamente esta população, além das gestantes, o público mais susceptível aos efeitos dos ftalatos. Outra observação importante é que apesar de não possuirem propriedades bioacumulativas a presença maciça de produtos contendo ftalatos em nossas vidas é suficiente para causar preocupação quanto aos danos sobre o desenvolvimento e sobre a reprodução humanas.
(E isto sem falar da atividade sobre a tireoide, sobre o receptor de pregnana, sobre o DNA.)
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quarta-feira, 20 de junho de 2007
Agente Laranja ainda causa mortes no Vietnam
Está no "El País" a notícia de Yolanda Monge sobre grupo de civis vietnamitas que procuraram o tribunal de N.York para solicitar danos pelo uso de agente laranja na guerra do Vietnam pelas tropas americanas nos anos 60 e 70.
É parte do relatório oficial que 3181 aldeias foram pulverizadas com o herbicida e que cinco milhões de pessoas foram expostas a mais de 11 milhões de litros de napalm. Apesar de todo este tempo, mais de 40 anos, a dioxina resultante desta arma química ainda é ativa biologicamente. É alarmante o fato que as concentrações encontradas ATUALMENTE na região superem de 400 vezes o limiar de toxicidade, como foi evidenciado pela Canada Hatfield Consultants que analisou a zona costeira da cidade de Da Nang.
Em Janeiro de 2004 a Associação de Vítimas do Agente Laranja do Vietnam apresentou uma denúncia a um Juizado Federal de N.Y. contra 37 empresas privadas, entre elas a Monsanto e a Dow Chemical, porém em março de 2005 a moção foi recusada pelo juiz Weinstein que alegou que os EUA não violaram nenhum acordo ou tratado internacional por terem usado herbicidas no Vietnam. Então houve a apelação da sentença, onde os vietnamitas se uniram aos próprios militares americanos que solicitavam as mesmas indenizações.
Quatro gerações já foram contaminadas pela DIOXINA. As consequências são tumores de diversos aparelhos.
Alarmante é pensar que, como postei recentemente, pessoas criminosas usem o mesmo produto em território brasileiro nos estados de Mato Grosso e Goiás, sem o menor critério, contaminado por décadas o solo e a água de uma inteira região (vide também Blog do Planeta e http://leiaorotulo.zip.net de 16/05/2007).
Em Janeiro de 2004 a Associação de Vítimas do Agente Laranja do Vietnam apresentou uma denúncia a um Juizado Federal de N.Y. contra 37 empresas privadas, entre elas a Monsanto e a Dow Chemical, porém em março de 2005 a moção foi recusada pelo juiz Weinstein que alegou que os EUA não violaram nenhum acordo ou tratado internacional por terem usado herbicidas no Vietnam. Então houve a apelação da sentença, onde os vietnamitas se uniram aos próprios militares americanos que solicitavam as mesmas indenizações.
Quatro gerações já foram contaminadas pela DIOXINA. As consequências são tumores de diversos aparelhos.
Alarmante é pensar que, como postei recentemente, pessoas criminosas usem o mesmo produto em território brasileiro nos estados de Mato Grosso e Goiás, sem o menor critério, contaminado por décadas o solo e a água de uma inteira região (vide também Blog do Planeta e http://leiaorotulo.zip.net de 16/05/2007).
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quinta-feira, 3 de maio de 2007
Agrotóxicos em alimentos
Anvisa divulga resultado do monitoramento de agrotóxico em alimentos
O morango e a alface foram os alimentos que apresentaram maiores índices de contaminação por agrotóxico no ano passado, de acordo com os dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para). O resultado das análises foi apresentado em Brasília nessa quinta-feira (26). O Para monitorou em 2006 os níveis de agrotóxicos presentes em seis alimentos consumidos pela população brasileira: alface, batata, laranja, maçã, morango e tomate. Desde 2002, foram realizadas 561.200 análises de 92 princípios ativos de agrotóxicos em cada uma das amostras coletadas nos 16 estados que integram o programa. O Para recebeu um investimento de R$ 10 milhões durante todo o período.O Gerente de Avaliação de Riscos da área de Toxicologia da Anvisa e coordenador do Para, Ricardo Velloso, explica que o programa busca identificar a quantidade de resíduos de agrotóxicos nas amostras de cada alimento monitorado. O estudo avalia, ainda, se os níveis estão de acordo com os estabelecidos por lei e se o agrotóxico é autorizado para aquelas culturas. ResultadosDe acordo com o Gerente-geral de Toxicologia da Anvisa, Luiz Claudio Meirelles, os dados do Para apontam um índice geral de 14% de irregularidades nas culturas analisadas. Esse número evidencia a necessidade de desenvolver estratégias para a redução do nível de contaminação nos alimentos.“Os resultados do Para vão auxiliar as vigilâncias sanitárias de estados e municípios a estruturar ações de rastreabilidade de controle dos eventos que geraram a contaminação. Com isso, será possível chegar até o produtor, identificar e, em muitos casos, resolver o problema”, relata Meirelles. Os números divulgados indicam que o morango é a cultura com o maior índice de irregularidades em 2006 (37,68%). Mas os resultados apontam uma redução de cerca de 20% dos problemas em comparação com os dados de 2002, quando os desvios foram de 46,04%. Em 2003, esse índice foi de 54,55% e, em 2004, 39,07%. Em 2005, não houve coleta de amostras. O segundo vilão nos dados divulgados pelo Para é a alface, com 28,68% das análises irregulares. Ao contrário do morango, a alface vem obtendo índices de desvios crescentes. Na primeira análise, em 2002, apresentou 8,64% de irregularidades. A maçã é uma cultura que mantém índices baixos, mas constantes de resíduos de agrotóxicos. Já o tomate apresentou redução das irregularidades: de 26,1% em 2002 para 2,01% no ano passado. A batata e a laranja são as únicas culturas cujas amostras deram resultados satisfatórios em 2006. O Para não coletou amostras de banana, mamão e cenoura no último ano. Apesar disso, pode-se observar que os resultados das análises da banana e do mamão reduziram no decorrer do monitoramento. A banana obteve 6,53% de inconformidades em 2002 e, em 2005, baixou para 3,65%. Já o mamão – que na primeira análise teve 19,5% – em 2005 não apresentou problemas.As amostras de cenoura estavam de acordo com os limites estabelecidos por lei em 2002 e 2003. No entanto, em 2005, a análise desse produto apresentou 11,3% de irregularidades.
O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de agrotóxicos do mundo. O uso abusivo de agrotóxicos, entretanto, ameaça a saúde do consumidor e do trabalhador rural, além de contaminar o meio-ambiente.
O morango e a alface foram os alimentos que apresentaram maiores índices de contaminação por agrotóxico no ano passado, de acordo com os dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para). O resultado das análises foi apresentado em Brasília nessa quinta-feira (26). O Para monitorou em 2006 os níveis de agrotóxicos presentes em seis alimentos consumidos pela população brasileira: alface, batata, laranja, maçã, morango e tomate. Desde 2002, foram realizadas 561.200 análises de 92 princípios ativos de agrotóxicos em cada uma das amostras coletadas nos 16 estados que integram o programa. O Para recebeu um investimento de R$ 10 milhões durante todo o período.O Gerente de Avaliação de Riscos da área de Toxicologia da Anvisa e coordenador do Para, Ricardo Velloso, explica que o programa busca identificar a quantidade de resíduos de agrotóxicos nas amostras de cada alimento monitorado. O estudo avalia, ainda, se os níveis estão de acordo com os estabelecidos por lei e se o agrotóxico é autorizado para aquelas culturas. ResultadosDe acordo com o Gerente-geral de Toxicologia da Anvisa, Luiz Claudio Meirelles, os dados do Para apontam um índice geral de 14% de irregularidades nas culturas analisadas. Esse número evidencia a necessidade de desenvolver estratégias para a redução do nível de contaminação nos alimentos.“Os resultados do Para vão auxiliar as vigilâncias sanitárias de estados e municípios a estruturar ações de rastreabilidade de controle dos eventos que geraram a contaminação. Com isso, será possível chegar até o produtor, identificar e, em muitos casos, resolver o problema”, relata Meirelles. Os números divulgados indicam que o morango é a cultura com o maior índice de irregularidades em 2006 (37,68%). Mas os resultados apontam uma redução de cerca de 20% dos problemas em comparação com os dados de 2002, quando os desvios foram de 46,04%. Em 2003, esse índice foi de 54,55% e, em 2004, 39,07%. Em 2005, não houve coleta de amostras. O segundo vilão nos dados divulgados pelo Para é a alface, com 28,68% das análises irregulares. Ao contrário do morango, a alface vem obtendo índices de desvios crescentes. Na primeira análise, em 2002, apresentou 8,64% de irregularidades. A maçã é uma cultura que mantém índices baixos, mas constantes de resíduos de agrotóxicos. Já o tomate apresentou redução das irregularidades: de 26,1% em 2002 para 2,01% no ano passado. A batata e a laranja são as únicas culturas cujas amostras deram resultados satisfatórios em 2006. O Para não coletou amostras de banana, mamão e cenoura no último ano. Apesar disso, pode-se observar que os resultados das análises da banana e do mamão reduziram no decorrer do monitoramento. A banana obteve 6,53% de inconformidades em 2002 e, em 2005, baixou para 3,65%. Já o mamão – que na primeira análise teve 19,5% – em 2005 não apresentou problemas.As amostras de cenoura estavam de acordo com os limites estabelecidos por lei em 2002 e 2003. No entanto, em 2005, a análise desse produto apresentou 11,3% de irregularidades.
O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de agrotóxicos do mundo. O uso abusivo de agrotóxicos, entretanto, ameaça a saúde do consumidor e do trabalhador rural, além de contaminar o meio-ambiente.
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