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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tireoide plastificada

Um grupo de pesquisadores do Key Laboratory of Reproductive Medicine, Institute of Toxicology, Nanjing Medical University, na China, nos traz um trabalho publicado na Toxicology Letters sobre os efeitos in vitro dos ftalatos.
Os autores avaliaram a atividade hormonal do dibutil ftalato (DBP), mono-n-butil ftalato (MBP) and di-2-etilhexil ftalato (DEHP) através de ensaios do gene reporter da luciferase.
Os resultados mostraram que DBP, MBP e DEHP, não somente exibiam uma potente atividade antiandrogênica como também possuiam atividade androgênica. Os autores observaram também que todos os três possuiam atividade antagonista do receptor tireoideo (TR) e que nenhum deles possuia atividade agonista, o que sugere que os receptores tireoideos sejam o alvo destas substâncias químicas industriais.
Nos ensaios do gene reporter do receptor estrogênico mediado, o DBP demonstrou-se fracamente estrogênico na concentração de 1.0x10(-4)M.
Segundo os autores os resultados demonstram que os três ftalatos poderiam simultâneamente interferir na função de um ou mais receptores hormonais, e assim estes compostos deveriam ser considerados nos paineis de risco para a saúde humana.

Para saber mais:

Shen O, Du G, Sun H, Wu W, Jiang Y, Song L, Wang X.
Comparison of in vitro hormone activities of selected phthalates using reporter gene assays.
Toxicol Lett. 2009 Jul 28.

e leia também:

Chin Jia Lin, Angela Silva Barbosa
Técnicas de Análise da Regulação da Transcrição Gênica e suas Aplicações na
Endocrinologia Molecular - REVISÃO, disponível no Scielo (grátis):http://www.scielo.br/pdf/abem/v46n4/12788.pdf

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Você é o que você come.

Estive vendo umas coisinhas sobre a relação entre a dieta materna e as doenças que o feto pode desenvolver na sua vida adulta, incluindo doença coronária e resistência insulínica. Interessante a hipótese que se possa programar a qualidade de vida de uma pessoa a partir do útero. Em animais observou-se que a subnutrição intra-uterina leva a danos renais, cerebrais e cardíacos, aparentemente devidos ao remodelamento do desenvolvimento associado com a diferenciação e proliferação celular. Mesmo variações menores no status nutricional materno são capazes de causar desvios importantes no ambiente fetal que poderiam levar a alteração na expressão de genes chave, responsáveis pela remodelação tissular e o futuro risco associado às várias doenças.
Os fatores nutricionais poderiam também levar a estes processos por alterar a fisiologia placentária, incluindo as trocas materno-fetais além da regulação epigenética da expressão genética.
Na verdade a gente acabaria sendo reflexo daquilo que a gente come, ou o que nossas mães comeram quando éramos fetos. E nossos "achaques" e "condores" da idade adulta, consequência tardia de um estilo de vida precoce.
Aí, pensei nas imensas quantidades de glutamato monossódico que as pessoas ingerem diariamente, inclusive as gestantes sem uma correta orientação, e nas possibilidades patológicas que estas substâncias poderiam trazer aos fetos a longo prazo.
O Glutamato de sódio causa inflamação nas células hepáticas, esteatose não alcoólica, hepatite, lesões pré-cancerosas, obesidade central e diabetes do tipo 2 em animais de experimentação, não diferentes das observadas em seres humanos.
Coisa para se pensar e levar a sério (e não à boca).


Para saber mais:

Langley-Evans SC.
Nutritional programming of disease: unravelling the mechanism.
J Anat. 2008 Oct 8.

Nakanishi Y, Tsuneyama K, Fujimoto M, Salunga TL, Nomoto K, An JL, Takano Y, Iizuka S, Nagata M, Suzuki W, Shimada T, Aburada M, Nakano M, Selmi C, Gershwin ME.
Monosodium glutamate (MSG): a villain and promoter of liver inflammation and dysplasia.
J Autoimmun. 2008 Feb-Mar;30(1-2):42-50

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Escrita no DNA

Na Nature Genetics, dois trabalhos dos grupos dos Drs Axel Hillmer (Universidade de Bonn) e J. Brent Richards (King's College de Londres) tratam das questões genéticas relativas à calvície androgênica. Segundo os pesquisadores se tratam de duas mutações genéticas no cromossomo 20p11. É a primeira associação a um cromossoma não sexual.
Até agora sabía-se do papel do cromossomo X (materno) para a transmissão da calvície que atinge um terço dos homens acima dos 45 anos. Os autores isolaram duas regiões do DNA intimamente ligadas a chance de desenvolver calvície e concluíram que uma das mutações é associada a um gene para o receptor androgênico, enquanto a outra ainda não está clara e necessita de maior aprofundamento e estudos complementares. Para os portadores de ambas as mutações, ou seja, um a cada sete homens, o risco de calvície seria de sete vezes superior ao da população geral.

Para saber mais:
http://www.nature.com/ng/journal/vaop/ncurrent/abs/ng.228.html
http://www.nature.com/ng/journal/vaop/ncurrent/abs/ng.255.html

Meninos, não se deseperem. Existem coisas muito mais interessantes (e belas, e porque não, sexies) que cabelos na cabeça masculina.E hoje é o DIA DO PROFESSOR!!!! Gente, para quem trabalha ensinando algo a alguém, meus parabéns sinceros.

sábado, 13 de setembro de 2008

Notícias do mundo: Pílola e ferormônio.

Direto da Universidade de Liverpool, pesquisa do Dr. Craig Roberts nos traz uma interessante notícia: o uso da pílola, ou melhor, a sua suspensão, pode fazer com que o casal se separe por perda de interesse no parceiro.
O pesquisador, especialista em genes do MHC (major histocompatibility complex) associado a escolha do parceiro em vertebrados, afirma que o uso da pilola anticoncepcional modifica a percepção olfativa da mulher fazendo com que a sinalização do MHC seja "enganada".
Homens e mulheres escolhem seus parceiros através do olfato, pelo odor corporal que vem indiretamente determinado pela interação dos genes do complexo de histocompatibilidade (MHC, que produzem proteínas do nosso sistema imune) com as bactérias que vivem em nossa pele. Este mecanismo garante a diversidade genética, uma vez que somos naturalmente atraídos por quem possui um DNA diferente do nosso, o que garante uma prole mais sadia, menor risco de aborto, um sistema imunitário mais resistente.
Acontece que, no experimento conduzido pelo grupo, observou-se que as mulheres que tomam pilula anticoncepcional se sentem atraídas por homens com odores geneticamente similares a elas mesmas, o que pode causar infertilidade no casal, e até mesmo perda do interesse no parceiro quando a pílula vem suspensa, uma vez que o cheiro é um fator primordial na escolha do parceiro (ferormonio).
Resumo: os hormônios sintéticos presentes no anticoncepcional podem modificar não apenas os ferormônios femininos na mulher, mas também a percepção dos ferormônios masculinos, deslocando o interesse dos parceiros. Se os dados forem confirmados poderiam justificar a perda do interesse sexual em cerca 1/5 das mulheres que tomam pílula.

Para saber mais:
http://www.liv.ac.uk/evolpsyc/roberts.html
http://journals.royalsociety.org/content/102024/

NA: Nos parece óbvio, no entanto, que um casal possui outros bons motivos para estar juntos além da atração sexual. Esta notícia, no entanto é bastante curiosa e muitas vezes subavaliamos a influência dos hormônios em nosso comportamento, porém, lhes garanto que são muito potentes e que muitas das percepções da realidade que temos dependem de nosso equilibrio hormonal.
Bom final de semana!

terça-feira, 1 de abril de 2008

Epigenômica e outros palavrões

Epigenômica é uma modificação da expressão do gene por meios diversos do dano direto ao DNA, basicamente na transcrição/translação DNA/RNA e envolvendo reações de metilação e modificação das histonas. Achou esquisito? Bom, para fazer a coisa mais simples é um modo de mudar certas características no indivíduo por interferência nas normais formas de manifestação genética.

E o que isto tem a ver com este blog? Bem, o ambiente, a dieta e outros fatores podem causar efeitos epigenômicos.
Um elegante artigo da Dr.a Dana Dolinoy da Universidade de Duke, introduz bastante bem o assunto ( Dolinoy DC, Jirtle RL. Environmental epigenomics in human health and disease.Environ Mol Mutagen. 2008 Jan;49(1):4-8.).

Para quem quiser ler um outro artigo inteiro da autora (grátis), a referência e o link são os seguintes: Dolinoy DC, Huang D, Jirtle RL. Maternal nutrient supplementation counteracts bisphenol A-induced DNA hypomethylation in early development.Proc Natl Acad Sci U S A. 2007 Aug 7;104(32):13056-61.
(http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=1941790&blobtype=pdf)

Neste último, os autores descrevem as ações epigenéticas do Bisfenol A (um nosso velho desafeto) e como seus efeitos podem ser contrabalançados por doadores de metil na dieta das gestantes.

Menos mal! E dá-lhe ácido fólico!