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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Uma email que recebi.

Salve o Jeca Tatu!
Por Tatiana Achcar
Frutas frescas, sucos naturais, legumes, verduras e cereais, ingredientes de uma alimentação saudável, certo? Nem sempre. No suco de laranja, na salada de alface e tomate e até no básico arroz com feijão, o brasileiro ingere cinco quilos de veneno por ano.

Pela segunda vez consecutiva, estamos no topo do ranking dos países que mais consomem agrotóxicos no mundo, que é vendido, da fábrica ao campo e do campo ao prato, como a salvação da lavoura, capaz de exterminar pragas, garantir alimentos de qualidade e em grande quantidade para abastecer o mercado e ainda sanar a fome do mundo. Alguém viu algum faminto por aí? O que fica escondido é o preço bem caro que todo mundo paga para manter esse modelo falido de produzir o pão nosso de cada dia.

Em primeiro lugar, tem a alta recorde dos alimentos. Quem compra comida já notou que o bolso ficou mais vazio ou a sacola está mais leve. O custo da produção de alimentos vem acompanhando de perto o preço do petróleo, matéria prima dos defensivos agrícolas e fertilizantes. As revoltas na Tunísia e no Egito foram parcialmente vinculadas à insatisfação com a alta dos preços da comida. Onde não tem prato feito, tem guerra.

Depois, vêm os danos à saúde, causados pelos agrotóxicos e deflagrados constantemente por pesquisas científicas, mas que governo nenhum ousa enfrentar. Depressão, alergias, desenvolvimento sexual precoce, disfunções hormonais, problemas neurológicos, má formação do feto, fraqueza dos rins, enjôo, diarréia. Leite materno contaminado!

Até agora, o sistema de saúde foi incapaz de notificar os problemas de saúde relacionados ao uso de agrotóxicos. O Ministério da Saúde tem se mostrado omisso em identificar intoxicações na saúde do trabalhador e no ambiente e difundir informação sobre os riscos desse veneno. Por que não faz uma campanha de amplo alcance, como fez sobre a Aids? Hoje em dia, o único setor que faz propaganda é o próprio agronegócio. Vai mal!

A bancada ruralista quer alterar a legislação para isentar o agrotóxico de impostos. Quer também mudar o Código Florestal para derrubar mais florestas e avançar sobre as fontes de água limpa. Quem está por trás das duas articulações? O agronegócio. Com o preço do petróleo nas alturas, eles estão pedindo arrego ao governo enquanto a população adoece e sobrecarrega o sistema saúde.

A pressão para alterar o Código Florestal tem efeito rebote. Aumentar a área de desmatamento em margens dos rios e nascentes, hoje protegidas por lei, significa expô-las à contaminação da água pelos próprios agrotóxicos, comprometendo a biodiversidade a qualidade do recuso mais vital e valioso para a vida no planeta. Por falar em água, a agricultura é o maior consumidor de água potável do mundo, pois usa sistemas de produção e irrigação obsoletos e fertilizantes que empobrecem e desertificam o solo, demandando mais água.

Um relatório [http://www2.ohchr.org/english/issues/food/docs/A-HRC-16-49.pdf ] da Comissão de Direitos Humanos da ONU, publicado em dezembro passado, revela que muitos agricultores de países em desenvolvimento podem dobrar sua produção de alimentos no prazo de uma década se deixarem de usar pesticidas e fertilizantes químicos e aderirem à agricultura ecológica. O método também torna o campo mais resistente ao impacto projetado pelas mudanças climáticas – enchentes, secas e alta no nível dos mares, que já deixou a água doce perto de alguns litorais salgada demais para poder ser usada na irrigação.

De acordo com o relatório, até agora, projetos de agricultura ecológica em 57 países trouxeram ganhos médios de 80% nas safras, usando métodos naturais para enriquecer o solo e proteger a plantação contra pragas. Coisas simples, como colocar patos para comer ervas daninhas em arrozais em Bangladesh, descobrir uma planta do Quênia que captura inseto, plantar árvores altas para sombrear cafezais e intensificar o uso de adubos naturais, feitos com sobras de alimentos e podas de jardim.

Enquanto a industrialização centralizou-se, a zona rural empobreceu e as cidades incharam, os Jecas Tatu de todo o globo desenvolveram tecnologias que podem salvar a lavoura. Está na hora de olhar pro campo.

Fonte: http://colunistas.yahoo.net/posts/10179.html

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Muito além da sua dieta... (sensibilidade insulínica)

Fatores genéticos e ambientais influenciam a sensibilidade à Insulina (SI) durante a nossa vida. Na verdade, o ambiente uterino já pode afetar a SI no nascimento e tardiamente na vida. Em particular a associação entre várias substâncias exógenas tóxicas acopladas a predisposição genética podem influenciar a regulação do eixo hipotálamo-hipofise-adrenal e a produção e atividade da insulina, incretinas cerebrais, citocinas proinflamatórias e hormônios placentários.
A reação a agentes xenobióticos tóxicos pode causar diminuição do desenvolvimento fetal, tanto no seu crescimento como no desenvolvimento e modulação do sistema endócrino, levando a alterações no peso fetal (aumento ou diminuição) ou prematuridade. O crescimento diminuído na fase inicial da vida está relacionado a resistência insulínica e pode permanecer silente por anos e se manifestar na fase adulta dos indivíduos predispostos.
Fatores relacionados ao estilo de vida como dieta inadequada na infância e adolescência e sedentarismo foram associados ao aumento da incidência de diabetes do tipo 2 e obesidade durante a última década. Evidencias recentes sugerem que o polimorfismo da Pro12Ala do gene do Receptor Ativado dos Peroxissomas (PPAR) e do polimorfismo do gene da Enzima Conversora da Angiotensina (ECA) I/D combinado aos fatores ambientais, como Ftalatos interferindo na ação da insulina pós receptor, alteram a sensibilidade ao hormônio nos tecidos alvo.
Assim sendo, a sensibilidade insulínica resultante de uma delicada combinação dos fatores genéticos e dos contaminantes ambientais pode se modificar ao longo da vida e depende de um controle metabólico prévio, algo como uma memória metabólica.

Para saber mais:
Latini G, Loredana Marcovecchio M, Del Vecchio A, Gallo F, Bertino E, Chiarelli F.
Influence of environment on insulin sensitivity.
Environ Int. 2009 Apr 22.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Citrus paradisi: um coquetel tóxico.

Grapefruit, toranja, pomelo.
Aqui se vê pouco. Suco, então, é raro.
Mas é um dos suco de cítricos mais consumido no mundo, com cerca 14% da população nos EUA que o ingerem pelo menos um vez por semana. Na Italia também se bebe muito. Meu marido adora, tanto o suco como o fruto "in natura". É refrescante, um tanto amargo, adstringente.
Mas atrás da inocente fruta e do seu suco, existe um problema: eles inibem a isoenzima CYP3A4 do citocromo P450, envolvida no metabolismo de cerca 60% dos fármacos. Isto pode ocasionar uma alteração nos perfis de segurança e toxicidade destas drogas.
Foi relatado o caso de grave intoxicação por Verapamil associado à ingestão de suco da fruta.
Esta isoenzima é fundamental na oxidação de xenobióticos e a sua inibição aumenta a biodisponibilidade da substância podendo levar à intoxicação mesmo em baixas doses.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A influência dos interferentes hormonais no início da puberdade

Para começar o ano falando de coisas importantes, acaba de sair um artigo de revisão na Current Opinion in Endocrinology Diabetes and Obesity (edição de fevereiro, disponível on-line) sobre a influência dos intereferentes ambientais no início da puberdade.
As autoras, do Departamento de Endocrinologia Pediátrica da New York State University são as Dras. Elka Jacobson-Dickman e Mary M. Lee. Elas, em sua revisão afirmam que estudos epidemiológicos em humanos confirmam a importância dos interferentes hormonais no início da puberdade (já demonstrados em estudos experimentais em animais). Elas também chamam a atenção para as diferenças de comportamento entre os agentes. Chumbo, dioxinas e fitoestrógenos atrasam a puberdade enquanto ftalatos e PCBs (bifenilas policlorinadas) antecipam o desenvolvimento das mamas e a menarca respectivamente.
As autoras recordam também as dificuldades no desenho de estudos sobre estas exposições, pelas difrentes fontes e diferentes compostos aos quais os indivíduos estão expostos e que podem ter ações antagônicas no eixo reprodutivo.
No entanto, elas confirmam que agentes ambientias possuem influência sobre o eixo reprodutivo humano e que o início da puberdade é influenciado por eles.

Me chama a atenção a frequência de pesquisadoras mulheres envolvidas com este tema. Uma grande maioria de quem publica sobre este assunto é de mulheres. Curioso, pois os agentes mais vulneráveis na espécie humana são os meninos.
Talvez por serem mães, talvez...

Para saber mais:

Jacobson-Dickman E, Lee MM.
The influence of endocrine disruptors on pubertal timing.
Curr Opin Endocrinol Diabetes Obes. 2009 Feb;16(1):25-30.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O álcool nosso de cada dia...

Hoje trago para vocês o resumo do artigo do Dr. Dirk W Lachenmeyer sobre a segurança do uso do etanol em aplicações tópicas. O autor é químico alimentar e toxicologista, professor e pesquisador em Karlsruhe, Baden Wurttenberg, Alemanha.

O etanol é largamente usado em vários tipos de produtos com exposição direta da pele humana. Está presente em desinfetantes, em cosméticos (colutórios, laquês,...) em fórmulas farmacêuticas e produtos de limpeza.
Na literatura médica a segurança deste ingrediente tão comum é bastante controversa. O seu uso em preparações orais e produtos que vão em direto contato com a pele e mucosas não foi claramente estabelecida.
A primeira preocupação com o uso tópico do etanol em saúde pública são seus efeitos carcinógenos, uma vez que foi claramente determinado seu papel como agente carcinógeno quando ingerido oralmente na forma de bebidas alcoolicas. Mas até o momento existe uma falta de estudos que esclareçam a associação do uso de álcool tópico e tumores de pele. Existe alguma evidência, ainda que limitada e conflitante na associação entre o álcool presente em enxaguadores bucais e câncer oral. Alguns estudos apontaram para um aumento do risco de câncer da mucosa oral devido a produção de acetaldeído, similar ao mecanismo carcinogênico da ingestão de bebidas.
Além disso o álcool aplicado tópicamente age como uma potencializador de penetração podendo facilitar a absorção de xenobióticos (contaminantes carcinógenos em formulações cosméticas).
O uso de etanol está associado a fenômenos irritativos e dermatites de contato em especial nos indivíduos que sofram de deficiência na enzima aldeído desidrogenase. Quando utilizado frequentemente sobre a pele é possível detectar níveis plasmáticos baixos de etanol e de acetaldeído, mas obviamente abaixo de níveis para toxicidade aguda. Em crianças, no entanto, especialmente se houver laceração cutânea, a toxicidade aguda pode ocorrer por via percutânea.
O autor sugere que muitos estudos patrocinados pela indústria possam ter desvios em seus resultados e a pequena quantidade de estudos independentes possam ser um bom motivo para que a toxicidade tópica do etanol seja revista e estudada, principalmente no que concerne a toxicidade crônica (seja do etanol que do acetaldeído) em especial na população pediátrica e indivíduos mais susceptíveis (como os deficientes enzimáticos do metabolismo do etanol).

Lachenmeier DW.
Safety evaluation of topical applications of ethanol on the skin and inside the oral cavity.
J Occup Med Toxicol. 2008 Nov 13;3(1):26.

Food Chem Toxicol. 2008 Aug;46(8):2903-11. Epub 2008 Jun 6. Links
The role of acetaldehyde outside ethanol metabolism in the carcinogenicity of alcoholic beverages: evidence from a large chemical survey.Lachenmeier DW, Sohnius EM.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Autismo e xenobióticos

A imunotoxicidade induzida por agentes xenobióticos em fases precoces da vida são fatores importantes no desenvolvimento de doenças crônicas na infância e na idade adulta.
Vários fatores estão ligados a produção destas agressões e entre eles encontram-se a exposição aos xenobióticos, infecções maternas além de outros estressantes pré e neonatais.
A sensibilidade aumentada aos insultos imunitários nesta fase se deve a aumentada vulnerabilidade do sistema imunitário imaturo à interferência exercecida pelos xenobióticos em uma fase crítica de seu desenvolvimento e maturação. Os riscos resultantes, vão além das doenças infecciosas, câncer e doenças auto-imunes e incluem patologias neurológicas, reprodutivas e endócrinas.
Estas interferências podem levar a uma desregulação das celulas inflamatórias mileomonocíticas residentes em tecidos como o cérebro, com uma preocupação particular no que concerne as patologias pré e neonatais e deficits neurocomportamentais.
A dupla de professores Rodney e Janice Dietert do Dep. de Microbiologia e Imunologia da Universidade de Cornell, publicaram recentemente uma artigo que correlaciona estes insultos precoces ao desenvolvimento de autismo.
O Autismo (e ASD - autism sprectrum disorder, uma interpretação mais alargada) é uma deficiência que vem apresentando tendência de aumento e que pode estar relacionada a fatores ambientais e disfunção imunitária infantil embora ainda não seja claro se está diretamente ligada à patologia cerebral ou se isto representa uma condição secundária.

Para saber mais:
Dietert RR, Dietert JM.
Potential for early-life immune insult including developmental immunotoxicity in autism and autism spectrum disorders: focus on critical windows of immune vulnerability.
J Toxicol Environ Health B Crit Rev. 2008 Oct;11(8):660-80.