Eu sempre fui curiosa sobre perfumes, sobre o que são, como são feitos.
Perfumaria é uma arte e uma ciência que esteve sempre presente nas civilizações ao longo da história. Talvez nem sempre segura, mas sem dúvida encantadora.
É difícil encontrar material didático sobre este tema. Principalmente quando você não é químico e nem trabalha para nenhuma das grandes casas perfumísticas, que em nosso meio é a única formação neste sentido.
Trouxe então este vídeo do Dr. Luca Turin, explicando sua teoria "vibracional" dos cheiros. É no mínimo interessante.
Para discutir "body burden", disruptores hormonais, contaminação química ambiental e outras "cositas más"... Para desabafar, falar da vida, de qualidade de vida, de sobrevivência. Para falar de beleza, de limpeza,de saúde, de futuro com quem realmente se importa.
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Rapidinha sobre óleos essenciais e alergias
Alguém me perguntou sobre se perfumes "naturais" e cosméticos "orgânicos" podem causar alergia e sensibilização.
Infelizmente a resposta é sim.
Alguns dos mais importantes alergenos dos perfumes são absolutamente naturais e ocorrem com frequência em óleos essenciais e em alimentos. Mesmo que estes tenham sido obtidos de plantas cultivadas sem agrotóxicos.
Portanto o rótulo "natural" ou "orgânico" * não garante este tipo de segurança.
A melhor forma de comportar-se é, com ajuda de um Alergologista, identificar qual é exatamente o alergeno e evitá-lo.
Uma vez individualizado, é possível questionar as empresas fabricantes sobre a presença ou não do alergeno no produto.
E em caso de dúvida, evitem qualquer substância perfumada, mesmo as mais inocentes.
Para saber mais sobre os componentes dos óleos essenciais e sobre a arte dos aromas recomendo o livro da Eng. Sonia Corazza: "Aromacologia, uma ciência de muitos cheiros".
(http://books.google.com.br/books?id=hcwRwdUYeGoC&dq=aromacologia&printsec=frontcover&source=bn&hl=pt-BR&ei=DqsBSrS1JOeElAeL3vTmBw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4)
Infelizmente a resposta é sim.
Alguns dos mais importantes alergenos dos perfumes são absolutamente naturais e ocorrem com frequência em óleos essenciais e em alimentos. Mesmo que estes tenham sido obtidos de plantas cultivadas sem agrotóxicos.
Portanto o rótulo "natural" ou "orgânico" * não garante este tipo de segurança.
A melhor forma de comportar-se é, com ajuda de um Alergologista, identificar qual é exatamente o alergeno e evitá-lo.
Uma vez individualizado, é possível questionar as empresas fabricantes sobre a presença ou não do alergeno no produto.
E em caso de dúvida, evitem qualquer substância perfumada, mesmo as mais inocentes.
Para saber mais sobre os componentes dos óleos essenciais e sobre a arte dos aromas recomendo o livro da Eng. Sonia Corazza: "Aromacologia, uma ciência de muitos cheiros".
(http://books.google.com.br/books?id=hcwRwdUYeGoC&dq=aromacologia&printsec=frontcover&source=bn&hl=pt-BR&ei=DqsBSrS1JOeElAeL3vTmBw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4)
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terça-feira, 31 de março de 2009
Peixe com o quê?
Não é pirão, nem é farofa. Nem batata, mandioca ou arroz. Não é disso que falamos hoje.
São dos resíduos de tantos remédios (fármacos) e outras substâncias de produtos de cuidados pessoais que não são removidos nas estações de tratamento de esgotos e que retornam às fontes de captação de água.
Na Environmental Toxicology and Chemistry (on line) deste mês, saiu um artigo detalhando as principais substâncias destes dois grupos em peixes de várias regiões dos EUA.
Leve-se em consideração que o tratamento de esgotos no Brasil é ainda (infelizmente) muito incipiente (e insipiente também), com a maioria dos municípios despejando nos nossos rios esgotos sem nenhum tratamento.
Outra premissa interessante é o despejo de metais pesados de garimpos clandestinos em rios aparentemente insuspeitáveis da Amazônia ampliada. Sem falar nos peixes marinhos de grande porte, como o atum, contaminados por mercúrio.
Assim o leitor poderá ter uma vaga idéia do que ele ingere junto com o belíssimo filé de peixe "alla mugnaia".
Vamos então ao artigo: "Occurrence of pharmaceuticals and personal care products (PPCPs) in fish: Results of a national pilot study in the U.S.".
Os autores introduzem dizendo que muitas substâncias químicas já foram assinaladas em diversas fontes biológicas, inclusive tecidos de peixes, mas que não havia sido nunca realizado um estudo abrangente incluindo várias regiões geográficas. Um estudo piloto incluindo peixes provenientes de cinco diferentes efluentes que recebem descarga direta de tratamentos de esgoto em Chicago, Dallas, Orlando, Phoenix e West Chester (Pensilvânia) foi então iniciado. Os controles vieram do rio Gila, no Novo México, por serem espécimens expostas minimamente ao impacto humano.
As amostras foram tratadas através de Espectrofotometria de massa e Cromatografia líquida de alta performance (HPLC-MS/MS). Observou-se a presença dos seguintes fármacos: norfluoxetina, sertralina (ambos antidepressivos), difenidramina (anti-histamínico H1), diltiazem (benzotiazepina, bloq. canal de cálcio, antihipertensivo), carbamazepina (antiepilético, antipsicótico) em nanogramas/g em filés. A presença adicional de fluoxetina e gemfibrozil foi confirmada em tecidos hepáticos. A Sertralina foi detectada em concentrações de 19 e 545 nos filés e nos fígados, respectivamente.
A presença de ingredientes de produtos de higiene pessoal nas amostras revelou nos filés a presença de galaxolide e tonalide (notas baixas em perfumes, musks sintéticos) em concentrações máximas de 2100 e 290 ng/g respectivamente e traços de triclosan (conservante e antibacteriano).
Em geral, as drogas foram detectadas em maior concentração nos fígados que nos filés e os autores excluem que o maior conteúdo graxo do fígado seja a causa desta discrepância, pois não houve correlações positivas entre as concentrações farmacêuticas acumuladas e o conteúdo lipídico de cada tipo de amostra analisada. No entanto os resíduos de produtos de higiene pessoal, galaxolide e tonalide fopram significativamente relacionadas ao conteúdo lipídico das amostras de tecido analisadas. Os autores concluem que os achados são dependentes do tipo de tratamento empregado nas estações de esgoto.
Ter a noção de que aquilo que usamos não se restringe aos efeitos colaterais em nós mas que abrangem uma cadeia inteira de eventos após, é importantíssimo. O remédio que tomamos para uma patologia qualquer é excretado total ou parcialmente metabolizado, mas seus efeitos podem ainda ser efetivos em outras espécies no ambiente.
O creminho e o shampoo, o sabonete e o perfume que usamos em nossas peles, vem absorvidos e metabolizados e o restante é lavado e carreado para os sistemas de esgoto. E raramente são eliminados pelo tratamento aplicado nas estações.
Cada ação humana implica em uma cadeia de eventos anterior e posterior a ela.
Pensem nisso.
Para saber mais:
Ramirez AJ, Brain RA, Usenko S, Mottaleb MA, O'Donnell JG, Stahl LL, Wathen JB, Snyder BD, Pitt JL, Perez-Hurtado P, Dobbins LL, Brooks BW, Chambliss CK.
Occurrence of pharmaceuticals and personal care products (PPCPs) in fish: Results of a national pilot study in the U.S.
Environ Toxicol Chem. 2009 Mar 25:1.
São dos resíduos de tantos remédios (fármacos) e outras substâncias de produtos de cuidados pessoais que não são removidos nas estações de tratamento de esgotos e que retornam às fontes de captação de água.
Na Environmental Toxicology and Chemistry (on line) deste mês, saiu um artigo detalhando as principais substâncias destes dois grupos em peixes de várias regiões dos EUA.
Leve-se em consideração que o tratamento de esgotos no Brasil é ainda (infelizmente) muito incipiente (e insipiente também), com a maioria dos municípios despejando nos nossos rios esgotos sem nenhum tratamento.
Outra premissa interessante é o despejo de metais pesados de garimpos clandestinos em rios aparentemente insuspeitáveis da Amazônia ampliada. Sem falar nos peixes marinhos de grande porte, como o atum, contaminados por mercúrio.
Assim o leitor poderá ter uma vaga idéia do que ele ingere junto com o belíssimo filé de peixe "alla mugnaia".
Vamos então ao artigo: "Occurrence of pharmaceuticals and personal care products (PPCPs) in fish: Results of a national pilot study in the U.S.".
Os autores introduzem dizendo que muitas substâncias químicas já foram assinaladas em diversas fontes biológicas, inclusive tecidos de peixes, mas que não havia sido nunca realizado um estudo abrangente incluindo várias regiões geográficas. Um estudo piloto incluindo peixes provenientes de cinco diferentes efluentes que recebem descarga direta de tratamentos de esgoto em Chicago, Dallas, Orlando, Phoenix e West Chester (Pensilvânia) foi então iniciado. Os controles vieram do rio Gila, no Novo México, por serem espécimens expostas minimamente ao impacto humano.
As amostras foram tratadas através de Espectrofotometria de massa e Cromatografia líquida de alta performance (HPLC-MS/MS). Observou-se a presença dos seguintes fármacos: norfluoxetina, sertralina (ambos antidepressivos), difenidramina (anti-histamínico H1), diltiazem (benzotiazepina, bloq. canal de cálcio, antihipertensivo), carbamazepina (antiepilético, antipsicótico) em nanogramas/g em filés. A presença adicional de fluoxetina e gemfibrozil foi confirmada em tecidos hepáticos. A Sertralina foi detectada em concentrações de 19 e 545 nos filés e nos fígados, respectivamente.
A presença de ingredientes de produtos de higiene pessoal nas amostras revelou nos filés a presença de galaxolide e tonalide (notas baixas em perfumes, musks sintéticos) em concentrações máximas de 2100 e 290 ng/g respectivamente e traços de triclosan (conservante e antibacteriano).
Em geral, as drogas foram detectadas em maior concentração nos fígados que nos filés e os autores excluem que o maior conteúdo graxo do fígado seja a causa desta discrepância, pois não houve correlações positivas entre as concentrações farmacêuticas acumuladas e o conteúdo lipídico de cada tipo de amostra analisada. No entanto os resíduos de produtos de higiene pessoal, galaxolide e tonalide fopram significativamente relacionadas ao conteúdo lipídico das amostras de tecido analisadas. Os autores concluem que os achados são dependentes do tipo de tratamento empregado nas estações de esgoto.
Ter a noção de que aquilo que usamos não se restringe aos efeitos colaterais em nós mas que abrangem uma cadeia inteira de eventos após, é importantíssimo. O remédio que tomamos para uma patologia qualquer é excretado total ou parcialmente metabolizado, mas seus efeitos podem ainda ser efetivos em outras espécies no ambiente.
O creminho e o shampoo, o sabonete e o perfume que usamos em nossas peles, vem absorvidos e metabolizados e o restante é lavado e carreado para os sistemas de esgoto. E raramente são eliminados pelo tratamento aplicado nas estações.
Cada ação humana implica em uma cadeia de eventos anterior e posterior a ela.
Pensem nisso.
Para saber mais:
Ramirez AJ, Brain RA, Usenko S, Mottaleb MA, O'Donnell JG, Stahl LL, Wathen JB, Snyder BD, Pitt JL, Perez-Hurtado P, Dobbins LL, Brooks BW, Chambliss CK.
Occurrence of pharmaceuticals and personal care products (PPCPs) in fish: Results of a national pilot study in the U.S.
Environ Toxicol Chem. 2009 Mar 25:1.
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terça-feira, 10 de março de 2009
Era uma vez no pais das Maravilhas ou histórias para boi dormir...

Vou lhes contar uma história (ou será que é uma estória?) da multiplicação do Linalol a partir do Pau Rosa (Aniba roseodora Ducke).
Era uma vez, no pais das Maravilhas, em uma floresta cerrada, uma planta chamada Pau Rosa. Dela se extraía um precioso óleo, usado em perfumes para reis e rainhas, de Bollywood a Hollywood, de França, Europa e Bahia. Coisa importante, para gente que conta.
Então naquela floresta, a maior e a mais importante do reino, o tal Pau Rosa começou a ser cortado e cortado, até que percebeu-se que ele estava se esgotando. Quase não havia mais Pau Rosa no intorno da cidade e do porto, e então começou-se a cortar mais longe, mais longe, até que quase não havia mais Pau Rosa em lugar nenhum.
O rei do pais das Maravilhas, em um ímpeto de bom senso, resolveu proibir o uso do Pau Rosa, impedindo seu uso e seu corte. E assim baixou-se uma lei e no país das Maravilhas não seria mais permitido cortar Pau Rosa de jeito nenhum desde o ano 91.
Mas os reis dos outros reinos, alguns nobres ali também, não queriam abrir mão da essência preferida. O substituto sintético feito pelos alquimistas da corte não era a mesma coisa e só contentaram a plebe. Bom mesmo era o original, o verdadeiro componente do óleo genuíno, uma coisa chamada Linalol natural.
E foi aí que aconteceu o milagre da multiplicação. Por uma curiosa via paralela, no Ministério de Proteção dos Bosques e Florestas Reais existia uma espécie de autorização para o uso das áreas protegidas, onde havia uma espécie de compromisso entre quem usava o terreno, comprometendo-se a manter uma parte dele intacto.
E assim, de forma autorizada, começou-se a cortar de novo o Pau Rosa, aqueles poucos que existiam.
A multiplicação acontecia pois alguns daqueles que moravam por ali cortavam também Pau Rosa em áreas não autorizadas e faziam passar por produto da área autorizada.
E assim as quantidades de óleo de Pau Rosa continuaram suprindo o mercado. Apesar da proibição do rei. Apesar do bom-senso.
E assim é que acabou-se com o Pau Rosa.
Uma linda árvore da família das Lauráceas.
Mas outros bravos magos descobriram que existem outras fontes renováveis de Linalol, o manjericão por exemplo. Fácil de plantar, fácil de colher, ciclo de 90 a 100 dias, contra os anos de uma árvore de Pau Rosa suficientemente grande para poder ser considerada produtiva. Ou mesmo através da extração do óleo obtido das folhas da árvore ao invés da madeira.
Linalol natural de alta qualidade e pureza.
Mas como Cassandra, estes nem sequer foram ouvidos...mas esta é uma outra história.
Fim.
Para saber mais acesse:
http://www.inova.unicamp.br/inventabrasil/paurosa.htm
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008
O cheiro da felicidade
As teorias clássicas sobre por que motivo um cheiro nos é agradável, diziam que era parte de um comportamento inato, que somos predispostos para certos cheiros. Porém nos últimos anos têm-se sobressaído uma nova perspectiva que afirma que os cheiros preferenciais são aprendidos. Ou seja, aprendemos a gostar de um cheiro e de desgostar de outros e os vínculos afetivos ligados às experiências que fazemos ao longo de nossas vidas são muito importantes na construção de nossas preferências.
O aprendizado associativo emocional também explica as diferenças entre as preferências individuais por um odor ou outro. Existem preferências baseadas em conceitos culturais, como o "cheiro de casa" que pode variar de uma cultura para outra, além de outras variáveis como a idade, o sexo, e as próprias preferências genéticas (veja o post sobre ferormônios).
As preferências não são estáticas e podem mudar ao longo da vida, em especial em relação àqueles odores que não estão claramente definidos como os que alguém ama ou detesta, estes já mais difíceis de sofrerem mudanças ao longo da vida.
Como se vê, a composição de uma preferência olfativa é múltipla, complexa e dinâmica.
Uma vez fui a um curso de perfumaria e me lembro de uma história que um perfumista francês, professor no curso, contou na ocasião. Ele trabalhava, ainda no início de sua carreira para uma grande empresa multinacional de fragrâncias, e foi contatado por seu (então) chefe que lhe passou a solicitação de um emir beduíno. Ele desejava a fragrância exclusiva de cabras molhadas pela chuva. Ele não entendeu nada. Na cabeça do jovem perfumista ficou remoendo a pergunta de por que cargas d'agua um indivíduo poderia querer um perfume que cheirasse cabras molhadas? Então, numa entrevista posterior, o tal emir lhe disse que na infância, quando eles ainda migravam no deserto, o momento de grande felicidade era quando chovia e as cabras do rebanho se molhavam com a chuva. Era motivo de festa para toda a comunidade, inclusive para ele. Na verdade ele queria o cheiro da felicidade de sua infância.
O Cheiro da Felicidade da Infância... acho que todo mundo tem um. É bastante compreensível que alguém deseje recuperar este cheiro. Qual é o seu cheiro de felicidade?
Pense nos perfumes que você gosta. Entenda porque eles representam isto para você. É uma boa análise e exercício de auto-conhecimento.
PS: eu adoro a família Hesperidata, todos os cítricos... a foto é da Wikipedia.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti.
Hoje o assunto é Perfume!
Perfumes são muito mais do que uma poção cheirosa.
Expressam estados de espírito, emoções, desejos, identificam os indivíduos.
É inegavelmente um objeto de luxo sensorial.
Particularmente considero os perfumistas verdadeiros artistas. É necessária uma grande sensibilidade para reconhecer e arranjar as fragrâncias. É uma antiga profissão e está presente na Bíblia, no capítulo 30 do livro do Êxodo.
O olfato é o mais primário e antigo dos sentidos. É através dele que criamos identidade para uma infinidade de estímulos provenientes do mundo externo e que pode expressar desde grande prazer como ser um sinal de alerta para grandes perigos. Apesar de ser pouco desenvolvido no ser humano, somos capazes de sentir 10 mil cheiros diferentes. O interessante é que ninguém percebe o cheiro de forma idêntica. Duas pessoas que cheiram a mesma coisa terão percepções diferentes sobre ela. É um sentido que vem acoplado a funções básicas para a sobrevivência, que são a própria respiração e a escolha do alimento.
Impossível não respirar, e todas as vezes que respiramos “cheiramos”.
Além disso, a percepção do gosto, o sabor do que comemos, depende muito do olfato. Especula-se que até o desenvolvimento da linguagem passe através do olfato. Portanto os cheiros são uma das mais importantes pontes entre nós e o mundo.
As mães respondem aos cheiros dos próprios filhos recém nascidos liberando um hormônio denominado cortisol. Porque isto acontece, não é ainda claro. Porém sabe-se que o neonato reconhece o cheiro de sua própria mãe e que o complexo aprendizado olfatório associativo foi comprovado na literatura científica já nas primeiras 48 horas do nascimento.
Como qualquer outro sentido pode ser treinado e aprimorado através da experiência. É interessante tentar reconhecer os cheiros que nos circundam e torná-los conscientes. É um excelente exercício de concentração e auto-conhecimento.
A palavra perfume tem significado literal “através da fumaça”, pois no início se referia aos incensos. A história dos perfumes ao longo dos séculos é muito bela e vale a pena ser conhecida. Um bom livro onde você pode conhecer um pouco da ciência dos aromas é: “Aromacologia, uma ciência de muitos cheiros” da Eng.a Sonia Corazza.
Flores, folhas, especiarias e resinas aromáticas foram usadas por séculos como fonte de essências perfumadas. Alguns ingredientes animais também fazem parte deste arsenal como o almíscar por exemplo. Substâncias naturais são mais caras que as sintéticas, pois para a extração de pequenas quantidades de essência são necessárias toneladas de flores ou folhas. Por este motivo e também para que certas espécies fossem preservadas, houve a necessidade de desenvolver substâncias sintéticas, às vezes cópias moleculares da substância natural, às vezes substitutos para estas moléculas.
Para melhor conhecer um perfume é importante conhecer as suas principais características, e portanto, para fins didáticos as substâncias aromáticas foram classificadas por famílias.
As principais famílias de perfumes são: cítrica, floral, chipre e oriental para mulheres; e herbal, cítrica, oriental e amadeirados para homens.
Além disso, as fragrâncias não são iguais ao longo do tempo, e apresentam-se estruturalmente em três fases olfativas: as notas altas ou de cabeça, que se caracterizam por serem mais voláteis, geralmente frescas e são a primeira impressão que alguém tem de um perfume; as notas médias ou de corpo, de volatilidade intermediária, que duram algumas horas; e as notas de fundo ou de base, frequentemente resinas e almíscares, de maior permanência, e popularmente chamadas, de forma inadequada, de fixadores.
Algumas casas perfumísticas especializadas criaram uma espécie de pirâmide olfativa, onde as características de cada fragrância vêm apresentadas como uma configuração gráfica, sendo o pico da pirâmide constituído das notas mais voláteis, de cabeça e a base das notas de fundo.
Perfumes são compostos complexos, ricos de nuances, que às vezes envolvem centenas de ingredientes.
Famílias olfativas segundo o Comitê Francês do Perfume:
Hesperidata ou cítrica
Se entende por “hesperidata” a família dos óleos essenciais obtidos da bergamota, laranja, lima, pomelo, mandarino e limão. Também conhecidos como cítricos. Neste grupo se encontram as primeiras águas de colônia. Podem ser utilizados seja por homens como por mulheres. São notas frescas, adequadas aos climas quentes.
Nesta família existem:
Hesperidata
Hesperidata Floral Chypre Este subgrupo representa colônias que combinam além das notas cítricas outras notas frescas que apresentam uma nota de corpo floral ou jasmim e uma nota de base amadeirada.
Hesperidata Especiada Na estrutura cítrica se adicionam notas especiadas como canela, nós moscada, pimenta ou cravo da índia.
Hesperidata Amadeirada Mantém sempre as notas cítricas porém menos acentuadas. Possui geralmente um corpo floral e uma base marcante de madeiras e polverosas.
Hesperidata Aromática Mantém a estrutura cítrica que se modifica através de notas aromáticas como o timo, a mangerona,o mangericão, o alecrim e a menta.
Floral
Família importante e agrupa os perfumes cujo tema principal são uma ou mais flores: Jasmim, rosas, violeta tuberosa, narciso, etc...
Soliflor Uma única nota floral: uma rosa, um lilás, um muguet, um jasmim, uma violeta, uma angélica,...
Soliflor Lavanda Foi uma das primeiras "Eau de Toilette" destinadas aos homens. O óleo essencial de lavanda compõe cerca de 50% deste tipo de formulação. É típica e de fácil reconhecimento. Formulações mais modernas mantém a nota dominante de lavanda porém são mais elaboradas.
Bouquet Floral Se compõe de múltiplas notas florais, como em um buquê. É mais complexa como formulação pois usa várias matérias primas.
Floral Verde É uma classe recente de perfumes. Se adiciona a um complexo floral uma nota fresca e sobretudo verde. Isso vem percebido como um maior frescor. O gálbano (Ferula galbaniflua) é um exemplo de matéria prima empregada nesta categoria.
Floral Aldeídico Se compõe de um buquê floral prolongado através de notas animais, polverosas e ligeiramente amadeiradas. Possui um “brilho” metálico. A nota alta se faz através de aldeídos aromáticos em associação com notas cítricas e florais.
Floral Amadeirado A nota floral é muito incisiva nesta categoria. As notas altas podem ser diversas: cítricas ou herbáceas em particular. As notas de base se constituem de notas polverosas, baunilha e madeiras.
Floral Amadeirado Frutado Como o anterior adicionado de notas frutadas: abricot, ameixa, maçãs ou pêssegos.
Fougère
São composições frescas, com componentes herbais e amadeirados leves, tubérculos e raízes. Geralmente realizados com notas de lavanda, resinas amadeiradas, bergamota, cumarina, líquens. Este nome deseja transmitir a impressão de feno recém cortado, de forragem, de grama.
Fougère
Fougère Ambrado Doce São clássicos com notas de cumarina, baunilha, centeio bem acentuadas.
Fougère Floral Ambrado A mesma estrutura do anterior com uma nota floral bem marcante.
Fougère Especiado Se caracterizam pela presença de notas florais e sobretudo de notas especiadas como a Pimenta e o Cravo da Índia.
Fougère Aromático Sempre um Fougère mas associado a notas cítricas e herbáceas, utilizando-se de aromas como timo, coentro, alecrim, podendo também utilizar-se de algumas notas especiadas discretas.
Chypre
São um grupo de perfumes que apresentam em sua composição patchouli, bergamota, musgo de carvalho e cisto labdano em combinação. Foi elaborado por François Coty em 1917 e desde então se tornou uma tendência, uma categoria em perfumaria
Chypre
Chypre Floral Em uma estrutura tipicamente Chypre se adicionam notas florais como muguet, rosa, jasmim,...
Chypre Floral Aldeídico É um Chypre floral adicionado da nota aldeídica, mais brilhante.
Chypre Frutado É um Chypre acrescido de notas frutais como pêssego, frutas exóticas, ameixa,...
Chypre Verde neste caso existe um contraste interessante entre a nota alta fresca e verde (ervas e folhas) e uma base quente.
Chypre Aromático Chypre geralmente floral (principalmente lavanda) acrescido de notas aromáticas como coentro, timo, artemísia, junípero.
Chypre Couro Neste caso se acrescentam notas de couro, de fumo, de madeira queimada, notas animais que vem equilibradas na maioria das vezes por uma nota cítrica.
Amadeirados
São notas quentes e opulentas como Sândalo e Patchouly ou em alguns casos secas como Cedro e Vetiver com a nota alta geralmente cítrica ou lavanda.
Amadeirado
Amadeirado conífera hesperidata Aqui a essência de Pinho é acentuada e associada a uma nota alta cítrica.
Amadeirado aromático Os acordes de madeiras são fundamentais nesta composição onde se encontram geralmente notas de lavanda, às vezes notas verdes, com uma nota alta aromática de timo, artemísia, mirto, alecrim, salvia.
Amadeirado especiado Um amadeirado quente e doce, com notas mais comuns de pimenta noz moscada cravo e canela.
Amadeirado especiado couro À estrutura anterior se acrescenta notas de couro.
Amadeirado ambrado As notas de fundo se constituem de aromas ricos e quentes como baunilha, cumarina (Tonka), cisto labdano, sândalo, patchouly e cevada.
Ambrados ou Orientais
Sob a denominação “ambrados” ou “orientais” se agrupam as notas doces, polverosas, abaunilhadas, cisto labdano e notas animais bem marcadas. A composição mais típica deste grupo se observa nas ambradas doces.
Ambrado floral amadeirado a característica amadeirada é bem marcante com uma nota alta floral variável.
Ambrado floral especiado Sob um acorde ambrado se percebe uma nota especiada e uma nota floral.
Ambrado doce Se distinguem pela sua douçura e seu calor. São os clássicos representantes desta categoria.
Ambrado doce floral Esta categoria possui um carater floral e sua nota alta cítrica é bem marcante.
Meio-ambrado floral Uma proporção mais equilibrada de notas ambradas em uma combinação olfativa potente. As notas dominantes: florais, frescas, especiadas que se compõe em um bouquet integrado.
Couros
Representa uma nota diferente das habituais e inclui notas secas, às vezes muito secas, na tentativa de reproduzir o odor característico de couro (fumos, madeiras queimadas, tabaco com notas altas de inflexão floral
Couro
Couro floral São notas lineares, sem agressividade, equilibradas a notas florais como violeta, íris ou outras.
Couro Tabaco A nota de couro é temperada com acordes amadeirados, mel, cevada que darão a caracterização de tabaco claro, adocicado.
Algumas outras classificações incluem as famílias denominadas Watery ou Ozone, com uma característica nota marinha e um toque de melão e melancia, a família Powdery com características polverosas e farináceas e as Animais, que podem ser subdivididas em Musks, Civet e Ambar gris.
O prazer de um perfume está ligado a nossa memória, às experiências que vivemos e aos cheiros que sentimos quando experimentamos prazer e alegria. São estes pequenos detalhes que tornam um aroma mais agradável para uns que para outros. É esta complexidade e esta riqueza que fazem da perfumaria uma arte.
Para saber mais: http://www.senseofsmell.org/index.php
NA: Este texto é protegido por Copyright e é parte integrante do livro Mamãe passou açúcar em mim, S. Goraieb, 2006. Para reproduções, consulte a autora.
Perfumes são muito mais do que uma poção cheirosa.
Expressam estados de espírito, emoções, desejos, identificam os indivíduos.
É inegavelmente um objeto de luxo sensorial.
Particularmente considero os perfumistas verdadeiros artistas. É necessária uma grande sensibilidade para reconhecer e arranjar as fragrâncias. É uma antiga profissão e está presente na Bíblia, no capítulo 30 do livro do Êxodo.
O olfato é o mais primário e antigo dos sentidos. É através dele que criamos identidade para uma infinidade de estímulos provenientes do mundo externo e que pode expressar desde grande prazer como ser um sinal de alerta para grandes perigos. Apesar de ser pouco desenvolvido no ser humano, somos capazes de sentir 10 mil cheiros diferentes. O interessante é que ninguém percebe o cheiro de forma idêntica. Duas pessoas que cheiram a mesma coisa terão percepções diferentes sobre ela. É um sentido que vem acoplado a funções básicas para a sobrevivência, que são a própria respiração e a escolha do alimento.
Impossível não respirar, e todas as vezes que respiramos “cheiramos”.
Além disso, a percepção do gosto, o sabor do que comemos, depende muito do olfato. Especula-se que até o desenvolvimento da linguagem passe através do olfato. Portanto os cheiros são uma das mais importantes pontes entre nós e o mundo.
As mães respondem aos cheiros dos próprios filhos recém nascidos liberando um hormônio denominado cortisol. Porque isto acontece, não é ainda claro. Porém sabe-se que o neonato reconhece o cheiro de sua própria mãe e que o complexo aprendizado olfatório associativo foi comprovado na literatura científica já nas primeiras 48 horas do nascimento.
Como qualquer outro sentido pode ser treinado e aprimorado através da experiência. É interessante tentar reconhecer os cheiros que nos circundam e torná-los conscientes. É um excelente exercício de concentração e auto-conhecimento.
A palavra perfume tem significado literal “através da fumaça”, pois no início se referia aos incensos. A história dos perfumes ao longo dos séculos é muito bela e vale a pena ser conhecida. Um bom livro onde você pode conhecer um pouco da ciência dos aromas é: “Aromacologia, uma ciência de muitos cheiros” da Eng.a Sonia Corazza.
Flores, folhas, especiarias e resinas aromáticas foram usadas por séculos como fonte de essências perfumadas. Alguns ingredientes animais também fazem parte deste arsenal como o almíscar por exemplo. Substâncias naturais são mais caras que as sintéticas, pois para a extração de pequenas quantidades de essência são necessárias toneladas de flores ou folhas. Por este motivo e também para que certas espécies fossem preservadas, houve a necessidade de desenvolver substâncias sintéticas, às vezes cópias moleculares da substância natural, às vezes substitutos para estas moléculas.
Para melhor conhecer um perfume é importante conhecer as suas principais características, e portanto, para fins didáticos as substâncias aromáticas foram classificadas por famílias.
As principais famílias de perfumes são: cítrica, floral, chipre e oriental para mulheres; e herbal, cítrica, oriental e amadeirados para homens.
Além disso, as fragrâncias não são iguais ao longo do tempo, e apresentam-se estruturalmente em três fases olfativas: as notas altas ou de cabeça, que se caracterizam por serem mais voláteis, geralmente frescas e são a primeira impressão que alguém tem de um perfume; as notas médias ou de corpo, de volatilidade intermediária, que duram algumas horas; e as notas de fundo ou de base, frequentemente resinas e almíscares, de maior permanência, e popularmente chamadas, de forma inadequada, de fixadores.
Algumas casas perfumísticas especializadas criaram uma espécie de pirâmide olfativa, onde as características de cada fragrância vêm apresentadas como uma configuração gráfica, sendo o pico da pirâmide constituído das notas mais voláteis, de cabeça e a base das notas de fundo.
Perfumes são compostos complexos, ricos de nuances, que às vezes envolvem centenas de ingredientes.
Famílias olfativas segundo o Comitê Francês do Perfume:
Hesperidata ou cítrica
Se entende por “hesperidata” a família dos óleos essenciais obtidos da bergamota, laranja, lima, pomelo, mandarino e limão. Também conhecidos como cítricos. Neste grupo se encontram as primeiras águas de colônia. Podem ser utilizados seja por homens como por mulheres. São notas frescas, adequadas aos climas quentes.
Nesta família existem:
Hesperidata
Hesperidata Floral Chypre Este subgrupo representa colônias que combinam além das notas cítricas outras notas frescas que apresentam uma nota de corpo floral ou jasmim e uma nota de base amadeirada.
Hesperidata Especiada Na estrutura cítrica se adicionam notas especiadas como canela, nós moscada, pimenta ou cravo da índia.
Hesperidata Amadeirada Mantém sempre as notas cítricas porém menos acentuadas. Possui geralmente um corpo floral e uma base marcante de madeiras e polverosas.
Hesperidata Aromática Mantém a estrutura cítrica que se modifica através de notas aromáticas como o timo, a mangerona,o mangericão, o alecrim e a menta.
Floral
Família importante e agrupa os perfumes cujo tema principal são uma ou mais flores: Jasmim, rosas, violeta tuberosa, narciso, etc...
Soliflor Uma única nota floral: uma rosa, um lilás, um muguet, um jasmim, uma violeta, uma angélica,...
Soliflor Lavanda Foi uma das primeiras "Eau de Toilette" destinadas aos homens. O óleo essencial de lavanda compõe cerca de 50% deste tipo de formulação. É típica e de fácil reconhecimento. Formulações mais modernas mantém a nota dominante de lavanda porém são mais elaboradas.
Bouquet Floral Se compõe de múltiplas notas florais, como em um buquê. É mais complexa como formulação pois usa várias matérias primas.
Floral Verde É uma classe recente de perfumes. Se adiciona a um complexo floral uma nota fresca e sobretudo verde. Isso vem percebido como um maior frescor. O gálbano (Ferula galbaniflua) é um exemplo de matéria prima empregada nesta categoria.
Floral Aldeídico Se compõe de um buquê floral prolongado através de notas animais, polverosas e ligeiramente amadeiradas. Possui um “brilho” metálico. A nota alta se faz através de aldeídos aromáticos em associação com notas cítricas e florais.
Floral Amadeirado A nota floral é muito incisiva nesta categoria. As notas altas podem ser diversas: cítricas ou herbáceas em particular. As notas de base se constituem de notas polverosas, baunilha e madeiras.
Floral Amadeirado Frutado Como o anterior adicionado de notas frutadas: abricot, ameixa, maçãs ou pêssegos.
Fougère
São composições frescas, com componentes herbais e amadeirados leves, tubérculos e raízes. Geralmente realizados com notas de lavanda, resinas amadeiradas, bergamota, cumarina, líquens. Este nome deseja transmitir a impressão de feno recém cortado, de forragem, de grama.
Fougère
Fougère Ambrado Doce São clássicos com notas de cumarina, baunilha, centeio bem acentuadas.
Fougère Floral Ambrado A mesma estrutura do anterior com uma nota floral bem marcante.
Fougère Especiado Se caracterizam pela presença de notas florais e sobretudo de notas especiadas como a Pimenta e o Cravo da Índia.
Fougère Aromático Sempre um Fougère mas associado a notas cítricas e herbáceas, utilizando-se de aromas como timo, coentro, alecrim, podendo também utilizar-se de algumas notas especiadas discretas.
Chypre
São um grupo de perfumes que apresentam em sua composição patchouli, bergamota, musgo de carvalho e cisto labdano em combinação. Foi elaborado por François Coty em 1917 e desde então se tornou uma tendência, uma categoria em perfumaria
Chypre
Chypre Floral Em uma estrutura tipicamente Chypre se adicionam notas florais como muguet, rosa, jasmim,...
Chypre Floral Aldeídico É um Chypre floral adicionado da nota aldeídica, mais brilhante.
Chypre Frutado É um Chypre acrescido de notas frutais como pêssego, frutas exóticas, ameixa,...
Chypre Verde neste caso existe um contraste interessante entre a nota alta fresca e verde (ervas e folhas) e uma base quente.
Chypre Aromático Chypre geralmente floral (principalmente lavanda) acrescido de notas aromáticas como coentro, timo, artemísia, junípero.
Chypre Couro Neste caso se acrescentam notas de couro, de fumo, de madeira queimada, notas animais que vem equilibradas na maioria das vezes por uma nota cítrica.
Amadeirados
São notas quentes e opulentas como Sândalo e Patchouly ou em alguns casos secas como Cedro e Vetiver com a nota alta geralmente cítrica ou lavanda.
Amadeirado
Amadeirado conífera hesperidata Aqui a essência de Pinho é acentuada e associada a uma nota alta cítrica.
Amadeirado aromático Os acordes de madeiras são fundamentais nesta composição onde se encontram geralmente notas de lavanda, às vezes notas verdes, com uma nota alta aromática de timo, artemísia, mirto, alecrim, salvia.
Amadeirado especiado Um amadeirado quente e doce, com notas mais comuns de pimenta noz moscada cravo e canela.
Amadeirado especiado couro À estrutura anterior se acrescenta notas de couro.
Amadeirado ambrado As notas de fundo se constituem de aromas ricos e quentes como baunilha, cumarina (Tonka), cisto labdano, sândalo, patchouly e cevada.
Ambrados ou Orientais
Sob a denominação “ambrados” ou “orientais” se agrupam as notas doces, polverosas, abaunilhadas, cisto labdano e notas animais bem marcadas. A composição mais típica deste grupo se observa nas ambradas doces.
Ambrado floral amadeirado a característica amadeirada é bem marcante com uma nota alta floral variável.
Ambrado floral especiado Sob um acorde ambrado se percebe uma nota especiada e uma nota floral.
Ambrado doce Se distinguem pela sua douçura e seu calor. São os clássicos representantes desta categoria.
Ambrado doce floral Esta categoria possui um carater floral e sua nota alta cítrica é bem marcante.
Meio-ambrado floral Uma proporção mais equilibrada de notas ambradas em uma combinação olfativa potente. As notas dominantes: florais, frescas, especiadas que se compõe em um bouquet integrado.
Couros
Representa uma nota diferente das habituais e inclui notas secas, às vezes muito secas, na tentativa de reproduzir o odor característico de couro (fumos, madeiras queimadas, tabaco com notas altas de inflexão floral
Couro
Couro floral São notas lineares, sem agressividade, equilibradas a notas florais como violeta, íris ou outras.
Couro Tabaco A nota de couro é temperada com acordes amadeirados, mel, cevada que darão a caracterização de tabaco claro, adocicado.
Algumas outras classificações incluem as famílias denominadas Watery ou Ozone, com uma característica nota marinha e um toque de melão e melancia, a família Powdery com características polverosas e farináceas e as Animais, que podem ser subdivididas em Musks, Civet e Ambar gris.
O prazer de um perfume está ligado a nossa memória, às experiências que vivemos e aos cheiros que sentimos quando experimentamos prazer e alegria. São estes pequenos detalhes que tornam um aroma mais agradável para uns que para outros. É esta complexidade e esta riqueza que fazem da perfumaria uma arte.
Para saber mais: http://www.senseofsmell.org/index.php
NA: Este texto é protegido por Copyright e é parte integrante do livro Mamãe passou açúcar em mim, S. Goraieb, 2006. Para reproduções, consulte a autora.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Alergias aos perfumes
Trouxe este fragmento de meu livro "Mamãe Passou Açúcar em Mim" pois tive muitas e-mails de pessoas me questionando sobre substâncias alérgicas em cosmética.
Em princípio, qualquer substância protêica é capaz de ter atividade alergênica, mas de forma geral os maiores vilões são efetivamente os perfumes. Em cosmética são também os agentes mais comumente associados com reações de intolerância. Acho importante dizer que reações alérgicas verdadeiras são raras e que a maioria das reações não são IgE mediadas, sendo sim reações de irritação primária.
Na literatura recente tem-se observado aumento de reações por ingredientes como as paraenediaminas, a cocoamidopropilbetaína, conservantes e corantes, e supõe-se que a exposição precoce de crianças a estes agentes tenham relevância neste fenômeno.
Vamos ao texto:
"Como se faz para diagnosticar alergias por perfumes? Existe um teste chamado “fragrance mix patch test”. O fragrance mix é uma mistura de oito substâncias que são as mais comumente implicadas com desenvolvimento de reações de hipersensibilidade e alergias. Este teste e o patch testing ao Bálsamo do Peru são capazes de detectar cerca de 70 a 75% das pessoas sensíveis. Estima-se que cerca de 2% da população geral seja alérgica a perfumes. Abaixo listamos os componentes do Fragrance mix, suas características e principais aplicações segundo a New Zealand Dermatological Society, Authoritative Facts:
Cinnamic alcohol
Odor de jacinto,
Ester em fragrâncias naturais como o Bálsamo do Peru, benjoim, folhas de canela, óleo de jacinto e própolis.
Fragrância em perfumes, cosméticos, desodorantes, papel, detergents para lavanderia, sabões de toalete, produtos de higiene pessoal.
Aromatizante e saborizador em bebidas (cola, bitters, Vermouth), chicletes, pasta de dentes e colutórios.
Cinnamic aldehyde
Odor especiado quente, com gosto de canela, constituinte do óleo de canela.
Eugenol
Forte odor de cravo da Índia, com gosto pungente. Encontrado no óleo de cravo da Índia e nas folhas de canela. Também presente em rosas, cravos, jacintos e violetas.
Fragrância em perfumes, cosméticos, colônias, águas de cheiro, cosméticos para cabelos, aftershave, produtos de higiene pessoal. Saborizador em pastas dentais, colutórios e alimentos. Usado em materiais dentários e cimento dental. É o típico cheiro dos consultórios dos dentistas. Possui propriedades inseticidas e fungicidas. Também usado na conservação de alimentos e em cremes e loções farmacêuticas por sua propriedade anti-séptica.
Isoeugenol
Odor de cravos da Índia mais leve que o Eugenol. Constituinte do óleo de noz moscada e de ylang ylang.
Isomerização do eugenol.
Geraniol
Odor floral doce de rosas. Constitui uma grande parte dos óleos de rosa, de palma-rosa, de gerânio, de lavanda, de jasmim e de citronela. Presente em mais de 250 óleos essenciais.
É a fragrância mais usada em perfumes, colônias, make-ups e produtos para a pele.
Alpha amyl cinnamic alcohol
Intenso odor de jasmim.
Óleo essencial sintético.
Em perfumes, sabonetes, cosméticos e dentifrícios.
Hydroxycitronellal
Odor doce e fresco de lírio do vale.
Fragrância floral sintética.
Em perfumes, sabonetes, cosméticos, cremes para zona dos olhos, aftershaves.
Também usado em inseticidas e anti-sépticos.
Oak moss (Evernia prunastri) absolute
Odor terroso, amadeirado, masculino.
Óleo essencial produzido por extração com solvente dos líquens
Normalmente usado em colônias, aftershaves e produtos perfumados para homens.
O teste, no entanto, falha em cerca 25 a 30% dos casos, em especial quanto aos óleos essenciais e entre eles principalmente no de capim limão, no de ylang ylang e no jasmim absoluto.
Se você desconfia ser alérgico a perfumes, procure um dermatologista ou um alergologista e faça os testes necessários. Se efetivamente for alérgico a perfumes, a melhor coisa a fazer é evitá-los completamente. A alergia a perfumes normalmente dura toda a vida e piora com a exposição.
Atenção, muitos produtos listados como “sem perfume” contêm fragrância nas suas fórmulas, simplesmente o cheiro não é perceptível. Como os ingredientes cosméticos nem sempre possuem um odor agradável, as fragrâncias são usadas para cobrí-los.
Normalmente, nos perfumes não se listam os ingredientes, o que torna mais difícil a identificação do que poderia ser de risco nas formulações. De qualquer modo, segue abaixo uma lista de ingredientes (INCI) que podem ser alergênicos em perfumes e fragrâncias:
Alpha isomethyl ionone - alfaisometilionona
Amyl cinnamal - amilcinamal
Amylcinnamyl alcohol - álcool amilcinamílico
Anise alcohol - álcool de anis
Balsam of Peru - bálsamo do Peru
Benzyl alcohol - benzil álcool
Benzyl benzoate - benzil benzoato
Benzyl cinnamate - benzil cinamato
Benzyl salicylate - benzil salicilato
Butyl phenyl methyl propional - butilfenilmetil propional
Cinnamal - cinamal
Cinnamic aldehyde - aldeído cinâmico
Cinnamyl alcohol - álcool cinamílico
Citral - citral
Citronellol - citronelol
Clove oil - óleo de cravo
Coumarin - cumarina
Eugenol
Evernia furfuracea - extrato de líquem de árvores
Evernia prunastri - extrato de líquem de carvalho
Farnesol - farnesol
Fennel oil - óleo de erva-doce
Geraniol - geraniol
Hexylcinnamal - hexilcinamal
Hydroxycitronellal - hidroxicitronelal
Hydroxyisohexyl 3-ciclohexene carboxaldehyde - hidroxiisohexil 3-ciclohexeno carboxialdeído
Isoeugenol
Isomethyl ionone - isometilionona
Jasmine absolute - absoluto de Jasmim
Lanolin, lanolin alcohols - Lanolina e seus álcoois
Lavender oil - óleo de lavanda
Lemongrass oil - óleo de capim limão
Limonene - limoneno
Linalol
Methyl coumarin - metilcumarina
Methyl-2 octynoate - metil-2 octinoato
Narcissus absolute - absoluto de Narciso
Nitro Musks - nitro almiscares
Phthalates - ftalatos
Resorcinol
Vanillin - baunilha
Ylang Ylang oil - óleo de ylang ylang
Os 26 ingredientes listados em vermelho assinalam as substâncias que, segundo a atual normativa da União Européia devem ser obrigatoriamente listadas nos rótulos sempre que as suas concentrações excedam 0,01% em produtos enxaguáveis e 0,001% em produtos que permaneçam em contato com a pele. Infelizmente esta normativa não se aplica ao Brasil.
Atenção para o fato que pessoas alérgicas a perfumes podem apresentar reações cruzadas com alimentos.
Além dos perfumes, outras substâncias presentes nas formulações podem desencadear reações alérgicas. A lista abaixo, adaptada de "Unreasonable Risk" de Samuel Epstein sob permissão do autor, apresenta com o nome INCI os agentes de outras categorias que podem ser identificados como alergenos:
Bloqueadores solares
Benzophenone 3 (Benzofenona 3)
Benzyl salicylate (benzilsalicilato)
Cinnamic acid (ácido cinâmico)
Coumarin (cumarina)
Oxybenzone (Oxibenzona)
Paraminobenzoic acid (PABA) (Acido Paraminobenzóico (PABA))
Corantes
2,5 toluene diamine (2,5 tolueno diamina)
3,4 toluene diamine (3,4 tolueno diamina)
Acid Blue 9 (CI 42090)
Acid Yellow 6
Acid Yellow 10
Acid Yellow 17
Acid Yellow 23 (CI 19140)
FD&C Red 2 (CI 16185)
FD&C Blue 2 (CI 73015)
FD&C Yellow 6 (CI 15985)
Henna
Para-Phenylenediamine (ppd)(parafenilenediamina)
Red 2G (CI 18050)
Red 22 (CI 12315)
Resorcinol
Miscelânea
Ammonium thioglycolate (Amônio tioglicolato)
Arnica
Benzalkonium Chloride (Cloreto de benzalcônio)
Benzoyl peroxide (Peroxido de Benzoila)
Butylated Hydroxy anisole (Hidroxianisol butilado)
Cetrimonium bromide (Brometo de cetrimônio)
Chloroacetamide (cloroacetamida)
Coumarin (cumarina)
Diazolidinyl urea (Diazolidinil uréia)
DMDM hydantoin (DMDM hidantoína)
Ethylenediamine (etilenediamina)
Ethyl metacrylate (etilmetacrilato)
Formaldehyde (formaldeído)
Formaldehyde resins (Resinas de formaldeído(resinas em esmaltes))
Imidazolidinyl urea (Imidazolidinil uréia)
lanolin (Lanolina)
Metheneamine (Meteneamina)
Methyldibromoglutaronitrile (metildibromoglutaronitrila)
Methyl methacrylate (metilmetacrilato)
Nonoxynol-2 (Nonoxinol-2)
Oak moss (Líquem de madeira (evernia prunastri), fixador em perfumaria)
Phytonadione (Vitamina K1)(Fitonadiona)
Phthalates (ftalatos)
Quaternium 15 (Quatérnio 15)
Thimerosal, Thiomersal (Tiomersal)
Mas em termos práticos, ao usar um produto o que devo suspeitar se tiver algum tipo de reação? Bem, se você estiver usando um produto para cabelos como tintas, solução para permanente, depilatórios ou xampu, procure por estes agentes: p-fenildietilamina (ppd), p-toluenodiamina, tioglicolato de amonio, gliceril tioglicolato, Tioglicolato, formaldeído, lanolina, fragrância, solventes e surfactantes (Lauril, etc...).
Mesmo substâncias aparentemente inóquas como a vitamina K1 (phytonadione) podem apresentar reações adversas a tal ponto de serem banidas na França para uso em cosméticos desde abril de 2006.
Cremes podem conter ácido esteárico, cetil álcool, propileno glicol, parabenos, benzil álcool, lanolina e seus derivados. Clareadores para a pele podem conter hidroquinona e ácido kójico. Produtos para a barba contêm perfumes e propileno glicol. Batons contêm pigmentos (eozina, carmim, compostos corantes do grupo azo), perfume, preservantes, propil galato, óleo de castor, rosina (colophony). O mesmo vale para os lápis de olhos. E assim por diante...
Algumas pessoas podem apresentar a síndrome de intolerância a cosméticos que é caracterizada por uma gama de sintomas que vão além da sensibilidade cutânea, dermatite irritativa, urticária e inclui quadros sensoriais como dores de cabeça, irritabilidade, tontura, etc... Esta é uma entidade clínica recentemente reconhecida.
Mesmo que o rótulo traga os dizeres hipoalergênico não significa que não possa provocar reações alérgicas. Literalmente quer dizer que o produto possui uma menor probabilidade de causar alergias. Ou seja, que não mostrou reações estatisticamente significativas na população em que foi testado, o que inclui 95% das pessoas naquela amostra. A própria escolha das matérias primas pelas indústrias já é diferenciada desde o início, os produtos contém uma menor concentração de perfumes (responsáveis por 60% das reações alérgicas documentadas) e conservantes. No Brasil, a ANVISA para caracterizar este tipo de produto, solicita dois tipos de testes o de sensibilização e fotossensibilização. Porém apesar de todos estes cuidados você pode estar incluído nos restantes 5%. Para isso seria adequado que as empresas instituíssem um sistema de cosmetovigilância juntamente com os dermatologistas e alergologistas."
Este texto é protegido por direitos de Copyright.
Entre em contato com a autora se desejar reproduzí-lo.
Em princípio, qualquer substância protêica é capaz de ter atividade alergênica, mas de forma geral os maiores vilões são efetivamente os perfumes. Em cosmética são também os agentes mais comumente associados com reações de intolerância. Acho importante dizer que reações alérgicas verdadeiras são raras e que a maioria das reações não são IgE mediadas, sendo sim reações de irritação primária.
Na literatura recente tem-se observado aumento de reações por ingredientes como as paraenediaminas, a cocoamidopropilbetaína, conservantes e corantes, e supõe-se que a exposição precoce de crianças a estes agentes tenham relevância neste fenômeno.
Vamos ao texto:
"Como se faz para diagnosticar alergias por perfumes? Existe um teste chamado “fragrance mix patch test”. O fragrance mix é uma mistura de oito substâncias que são as mais comumente implicadas com desenvolvimento de reações de hipersensibilidade e alergias. Este teste e o patch testing ao Bálsamo do Peru são capazes de detectar cerca de 70 a 75% das pessoas sensíveis. Estima-se que cerca de 2% da população geral seja alérgica a perfumes. Abaixo listamos os componentes do Fragrance mix, suas características e principais aplicações segundo a New Zealand Dermatological Society, Authoritative Facts:
Cinnamic alcohol
Odor de jacinto,
Ester em fragrâncias naturais como o Bálsamo do Peru, benjoim, folhas de canela, óleo de jacinto e própolis.
Fragrância em perfumes, cosméticos, desodorantes, papel, detergents para lavanderia, sabões de toalete, produtos de higiene pessoal.
Aromatizante e saborizador em bebidas (cola, bitters, Vermouth), chicletes, pasta de dentes e colutórios.
Cinnamic aldehyde
Odor especiado quente, com gosto de canela, constituinte do óleo de canela.
Eugenol
Forte odor de cravo da Índia, com gosto pungente. Encontrado no óleo de cravo da Índia e nas folhas de canela. Também presente em rosas, cravos, jacintos e violetas.
Fragrância em perfumes, cosméticos, colônias, águas de cheiro, cosméticos para cabelos, aftershave, produtos de higiene pessoal. Saborizador em pastas dentais, colutórios e alimentos. Usado em materiais dentários e cimento dental. É o típico cheiro dos consultórios dos dentistas. Possui propriedades inseticidas e fungicidas. Também usado na conservação de alimentos e em cremes e loções farmacêuticas por sua propriedade anti-séptica.
Isoeugenol
Odor de cravos da Índia mais leve que o Eugenol. Constituinte do óleo de noz moscada e de ylang ylang.
Isomerização do eugenol.
Geraniol
Odor floral doce de rosas. Constitui uma grande parte dos óleos de rosa, de palma-rosa, de gerânio, de lavanda, de jasmim e de citronela. Presente em mais de 250 óleos essenciais.
É a fragrância mais usada em perfumes, colônias, make-ups e produtos para a pele.
Alpha amyl cinnamic alcohol
Intenso odor de jasmim.
Óleo essencial sintético.
Em perfumes, sabonetes, cosméticos e dentifrícios.
Hydroxycitronellal
Odor doce e fresco de lírio do vale.
Fragrância floral sintética.
Em perfumes, sabonetes, cosméticos, cremes para zona dos olhos, aftershaves.
Também usado em inseticidas e anti-sépticos.
Oak moss (Evernia prunastri) absolute
Odor terroso, amadeirado, masculino.
Óleo essencial produzido por extração com solvente dos líquens
Normalmente usado em colônias, aftershaves e produtos perfumados para homens.
O teste, no entanto, falha em cerca 25 a 30% dos casos, em especial quanto aos óleos essenciais e entre eles principalmente no de capim limão, no de ylang ylang e no jasmim absoluto.
Se você desconfia ser alérgico a perfumes, procure um dermatologista ou um alergologista e faça os testes necessários. Se efetivamente for alérgico a perfumes, a melhor coisa a fazer é evitá-los completamente. A alergia a perfumes normalmente dura toda a vida e piora com a exposição.
Atenção, muitos produtos listados como “sem perfume” contêm fragrância nas suas fórmulas, simplesmente o cheiro não é perceptível. Como os ingredientes cosméticos nem sempre possuem um odor agradável, as fragrâncias são usadas para cobrí-los.
Normalmente, nos perfumes não se listam os ingredientes, o que torna mais difícil a identificação do que poderia ser de risco nas formulações. De qualquer modo, segue abaixo uma lista de ingredientes (INCI) que podem ser alergênicos em perfumes e fragrâncias:
Alpha isomethyl ionone - alfaisometilionona
Amyl cinnamal - amilcinamal
Amylcinnamyl alcohol - álcool amilcinamílico
Anise alcohol - álcool de anis
Balsam of Peru - bálsamo do Peru
Benzyl alcohol - benzil álcool
Benzyl benzoate - benzil benzoato
Benzyl cinnamate - benzil cinamato
Benzyl salicylate - benzil salicilato
Butyl phenyl methyl propional - butilfenilmetil propional
Cinnamal - cinamal
Cinnamic aldehyde - aldeído cinâmico
Cinnamyl alcohol - álcool cinamílico
Citral - citral
Citronellol - citronelol
Clove oil - óleo de cravo
Coumarin - cumarina
Eugenol
Evernia furfuracea - extrato de líquem de árvores
Evernia prunastri - extrato de líquem de carvalho
Farnesol - farnesol
Fennel oil - óleo de erva-doce
Geraniol - geraniol
Hexylcinnamal - hexilcinamal
Hydroxycitronellal - hidroxicitronelal
Hydroxyisohexyl 3-ciclohexene carboxaldehyde - hidroxiisohexil 3-ciclohexeno carboxialdeído
Isoeugenol
Isomethyl ionone - isometilionona
Jasmine absolute - absoluto de Jasmim
Lanolin, lanolin alcohols - Lanolina e seus álcoois
Lavender oil - óleo de lavanda
Lemongrass oil - óleo de capim limão
Limonene - limoneno
Linalol
Methyl coumarin - metilcumarina
Methyl-2 octynoate - metil-2 octinoato
Narcissus absolute - absoluto de Narciso
Nitro Musks - nitro almiscares
Phthalates - ftalatos
Resorcinol
Vanillin - baunilha
Ylang Ylang oil - óleo de ylang ylang
Os 26 ingredientes listados em vermelho assinalam as substâncias que, segundo a atual normativa da União Européia devem ser obrigatoriamente listadas nos rótulos sempre que as suas concentrações excedam 0,01% em produtos enxaguáveis e 0,001% em produtos que permaneçam em contato com a pele. Infelizmente esta normativa não se aplica ao Brasil.
Atenção para o fato que pessoas alérgicas a perfumes podem apresentar reações cruzadas com alimentos.
Além dos perfumes, outras substâncias presentes nas formulações podem desencadear reações alérgicas. A lista abaixo, adaptada de "Unreasonable Risk" de Samuel Epstein sob permissão do autor, apresenta com o nome INCI os agentes de outras categorias que podem ser identificados como alergenos:
Bloqueadores solares
Benzophenone 3 (Benzofenona 3)
Benzyl salicylate (benzilsalicilato)
Cinnamic acid (ácido cinâmico)
Coumarin (cumarina)
Oxybenzone (Oxibenzona)
Paraminobenzoic acid (PABA) (Acido Paraminobenzóico (PABA))
Corantes
2,5 toluene diamine (2,5 tolueno diamina)
3,4 toluene diamine (3,4 tolueno diamina)
Acid Blue 9 (CI 42090)
Acid Yellow 6
Acid Yellow 10
Acid Yellow 17
Acid Yellow 23 (CI 19140)
FD&C Red 2 (CI 16185)
FD&C Blue 2 (CI 73015)
FD&C Yellow 6 (CI 15985)
Henna
Para-Phenylenediamine (ppd)(parafenilenediamina)
Red 2G (CI 18050)
Red 22 (CI 12315)
Resorcinol
Miscelânea
Ammonium thioglycolate (Amônio tioglicolato)
Arnica
Benzalkonium Chloride (Cloreto de benzalcônio)
Benzoyl peroxide (Peroxido de Benzoila)
Butylated Hydroxy anisole (Hidroxianisol butilado)
Cetrimonium bromide (Brometo de cetrimônio)
Chloroacetamide (cloroacetamida)
Coumarin (cumarina)
Diazolidinyl urea (Diazolidinil uréia)
DMDM hydantoin (DMDM hidantoína)
Ethylenediamine (etilenediamina)
Ethyl metacrylate (etilmetacrilato)
Formaldehyde (formaldeído)
Formaldehyde resins (Resinas de formaldeído(resinas em esmaltes))
Imidazolidinyl urea (Imidazolidinil uréia)
lanolin (Lanolina)
Metheneamine (Meteneamina)
Methyldibromoglutaronitrile (metildibromoglutaronitrila)
Methyl methacrylate (metilmetacrilato)
Nonoxynol-2 (Nonoxinol-2)
Oak moss (Líquem de madeira (evernia prunastri), fixador em perfumaria)
Phytonadione (Vitamina K1)(Fitonadiona)
Phthalates (ftalatos)
Quaternium 15 (Quatérnio 15)
Thimerosal, Thiomersal (Tiomersal)
Mas em termos práticos, ao usar um produto o que devo suspeitar se tiver algum tipo de reação? Bem, se você estiver usando um produto para cabelos como tintas, solução para permanente, depilatórios ou xampu, procure por estes agentes: p-fenildietilamina (ppd), p-toluenodiamina, tioglicolato de amonio, gliceril tioglicolato, Tioglicolato, formaldeído, lanolina, fragrância, solventes e surfactantes (Lauril, etc...).
Mesmo substâncias aparentemente inóquas como a vitamina K1 (phytonadione) podem apresentar reações adversas a tal ponto de serem banidas na França para uso em cosméticos desde abril de 2006.
Cremes podem conter ácido esteárico, cetil álcool, propileno glicol, parabenos, benzil álcool, lanolina e seus derivados. Clareadores para a pele podem conter hidroquinona e ácido kójico. Produtos para a barba contêm perfumes e propileno glicol. Batons contêm pigmentos (eozina, carmim, compostos corantes do grupo azo), perfume, preservantes, propil galato, óleo de castor, rosina (colophony). O mesmo vale para os lápis de olhos. E assim por diante...
Algumas pessoas podem apresentar a síndrome de intolerância a cosméticos que é caracterizada por uma gama de sintomas que vão além da sensibilidade cutânea, dermatite irritativa, urticária e inclui quadros sensoriais como dores de cabeça, irritabilidade, tontura, etc... Esta é uma entidade clínica recentemente reconhecida.
Mesmo que o rótulo traga os dizeres hipoalergênico não significa que não possa provocar reações alérgicas. Literalmente quer dizer que o produto possui uma menor probabilidade de causar alergias. Ou seja, que não mostrou reações estatisticamente significativas na população em que foi testado, o que inclui 95% das pessoas naquela amostra. A própria escolha das matérias primas pelas indústrias já é diferenciada desde o início, os produtos contém uma menor concentração de perfumes (responsáveis por 60% das reações alérgicas documentadas) e conservantes. No Brasil, a ANVISA para caracterizar este tipo de produto, solicita dois tipos de testes o de sensibilização e fotossensibilização. Porém apesar de todos estes cuidados você pode estar incluído nos restantes 5%. Para isso seria adequado que as empresas instituíssem um sistema de cosmetovigilância juntamente com os dermatologistas e alergologistas."
Este texto é protegido por direitos de Copyright.
Entre em contato com a autora se desejar reproduzí-lo.
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