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quinta-feira, 22 de março de 2012

Obesidade, um problema ambiental? Obesógenos

Nos últimos anos a obesidade vem se tornando um sério problema de saúde pública.
Nos EUA, mais de 35% dos adultos e 17% das crianças entre 2 e 19 anos são obesas, mas este fenômeno não se restringe apenas aos países ricos. Os países em desenvolvimento estão conhecendo uma expansão rápida desta patologia. Mas mesmo os animais, entre eles os ratos que vivem nas cidades, animais de laboratório e de estimação, vem aumentando o peso corporal médio nas últimas décadas, o que faz supor que isto nada tenha a ver com a dieta ou com exercício, mas sim com um fator ambiental desencadeante.
Embora muitos profissionais ainda atribuam a causa da obesidade à dieta errada e a falta de exercício exclusivamente, pesquisadores começam a reunir evidências suficientes de obesógenos químicos, ou seja, compostos dietéticos, farmacêuticos e industriais que podem alterar os processos metabólicos fisiológicos e assim predispor os sujeitos a um aumento de peso.
A exposição pode ocorrer mesmo no período do desenvolvimento fetal, o que leva a uma alteração por toda a vida do metabolismo, ou mesmo já na fase adulta.
O papel dos contaminantes ambientais com propriedades obesógenas, foi reconhecido recentemente pela Presidential Task Force on Childhood Obesity e pelo National Institutes of Health (NIH) Strategic Plan for Obesity Research. Isto devido a um constante aumento de trabalhos e publicações científicas corroborando este efeito tanto em animais como em seres humanos. Em 2011 o NIH iniciou um ciclo de 3 anos de pesquisa no papel da exposição ambiental na obesidade, na diabetes do tipo II e na síndrome metabólica.
Antigamente o papel das células de gordura no corpo era somente o de depósito de energia, mas agora sabe-se que seu papel vai muito além disso, pois o tecido gorduroso funciona como uma unidade endócrina, secretando hormônios relacionados ao apetite e ao metabolismo. Assim, os obesógenos podem ter diferentes mecanismos de ação, seja no número de células de gordura, seja no tamanho destas células, ou ainda como interferentes hormonais na regulação da saciedade, do apetite, das preferências alimentares ou do metabolismo energético.
Existe ainda a possibilidade de que estes efeitos passem de uma geração para a outra, através de mecanismos epigenéticos, através de modificações na expressão do DNA e das histonas (sem que o gene em si tenha sido alterado).
Já há cerca de 20 agentes químicos identificados como causadores de ganho de peso, a maioria relacionada a exposição durante o desenvolvimento fetal, porém em adultos, muitos estudos mostraram que agentes que ativem os receptores PPARy (peroxisome proliferator–activated receptor gamma). Se você ativa o PPARy em um pré-adipócito, ele se torna uma célula adiposa. O PPARy causa uma diferenciação seletiva nas células tronco para ossos ou gordura. assim, alguns obesógenos, como os Obesotins, fariam um desvio a favor da linhagem dos adipócitos em detrimento da linhagem óssea.
Pesticidas na água e nos alimentos, em especial a Atrazina e o DDE(dichlorodiphenyldichloroethylene, um subproduto do DDT) aumentam o índice de massa corpórea (BMI) em crianças e a resistência insulínica em roedores.
Alguns fármacos, como a rosiglitazona (*Avandia, foi retirada do mercado brasileiro), têm sido relacionados com o ganho de peso em humanos e animais. A Genisteína, um fitoestrógeno presente na soja, e o Glutamato monossódico (realçador de sabor), presentes em muitas mesas, também são obesógenos.
Muitos obesógenos conhecidos ou suspeitos são interferentes hormonais e são ubíquos.
Ftalatos, nossos velhos conhecidos plasticizantes e não só estão relacionados a obesidade em humanos e ocorrem em muitos objetos feitos de PVC e em fragrâncias, desodorantes ambientais, sabões, detergentes, amaciantes, produtos de higiene pessoal e cosméticos.
O fumo de cigarros durante o desenvolvimento fetal também exerce papel importante, pois embora os bebês nasçam com baixo peso, acabam compensando isto na infância com um mecanismo de maior ganho. Lembrem-se também dos fumantes de segunda e terceira mão.
O diethylstilbestrol (DES), um estrógeno sintético usado dos anos 30 até os anos 70 para evitar abortos também tem este efeito "compensador". A droga causou diversos efeitos colaterais e sérias complicações nos filhos destas mães que a usaram, tais como anormalidades no aparelho reprodutivo, câncer vaginal na adolescência, câncer de mama na fase adulta. Em baixas doses ele altera a expressão dos gens relacionados à obesidade e causa modificação nos níveis hormonais.
Outro nosso velho conhecido, o Bisfenol A(BPA), presente em latas e plásticos, reduz o número de células adiposas, mas em compensação faz com que elas armazenem mais gordura, aumentando de tamanho, aumentando a gordura abdominal e a intolerância à glicose.
Outro obesógeno muito comum nas casas é o ácido perfluorooctanoico (PFOA), sabido agonista PPARy e suspeito interferente endócrino. O alarmante é que as crianças estão mais contaminadas com este agente que os adultos. PFOA é um surfactante, usado em panelas não aderentes e para reduzir a fricção, em roupas impermeáveis, impermeabilizantes (Scotchgard™ ), carpetes, colchões, utensílios para microondas e mobiliário.
Como hoje é dia da água, vamos lembrar que a Du Pont, em 2005, perdeu uma causa no valor de 107.6 milhões de dólares por ter contaminado com PFOA a água potável próxima a uma sua indústria em Parkesburg, EUA. Em dezembro de 2011 foi encontrado o primeiro vínculo provável entre hipertensão gestacional e PFOA.
PFOA possui uma longa meia vida e pode persistir durante a lactação e ser transmitida aos bebês pelo leite, que, por sua vez, quando se tornarem adultos, terão um maior peso corporal. Há também uma maior secreção de leptina, hormônio produzido pelas células adiposas que reduziria o apetite, mas que nestes casos suspeita-se que o cérebro crie uma "resistência" a seus efeitos, tornando-a ineficaz. Embora os pesquisadores não tenham observado o mesmo efeito em adultos expostos ao PFOA, foram encontradas anormalidades no útero e nas glândulas mamárias dos sujeitos expostos.


Para saber mais:
Holtcamp W 2012. Obesogens: An Environmental Link to Obesity. Environ Health Perspect 120:a62-a68. http://dx.doi.org/10.1289/ehp.120-a62

terça-feira, 23 de março de 2010

Você é o que você come, ou quase...

Um estudo realizado no Departmento de Saúde Ambiental da Escola de Saúde Pública da Universidade Nacional de Seul na Coreia do Sul nos faz pensar na importância da dieta nas concentrações de contaminantes e consequentemente na "carga" corporal destes agentes.
O objetivo do estudo foi entender qual a influência de uma mudança dietética nos níveis de exposição de vários contaminantes ambientais, em particular antibióticos e ftalatos em uma população adulta.
Para isto eles recrutaram 25 participantes para um período de 5 dias de permanência em um templo budista, coletando amostras antes e depois deste período. Durante a estadia os participantes seguiram as rotinas diárias dos monjes e mantiveram uma dieta vegetariana. Estas amostras foram então analisadas para os principais metabólitos inclusive para 4 ftalatos mais importantes e para o malondialdeído (MDA) como um biomarcador de estresse oxidativo.
A frequência e os níveis de detecção de antibióticos e ftalatos diminuiram sensivelmente durante o programa.
O MDA urinário foi significativamente menor que antes da participação ao programa
(0.16 contra 0.27mg/g creatinina).
Este estudo sugere que mesmo mudanças de curta duração na dieta podem alterar significativamente a exposição inadvertida a agentes tóxicos diminuindo o estresse oxidativo.

Sem dúvida é algo para ser levado em consideração.

Para saber mais:
Ji K, Lim Kho Y, Park Y, Choi K.
Influence of a five-day vegetarian diet on urinary levels of antibiotics and phthalate metabolites: A pilot study with "Temple Stay" participants.
Environ Res. 2010 Mar 11.

terça-feira, 9 de março de 2010

O sexto gosto

Os sentidos são a nossa comunicação com o mundo que nos cerca.
Na Australia, cientistas acabam de descobrir o sexto sabor: gordura!
Até então sabíamos de cinco sabores primordiais: amargo, doce, salgado, azedo e umami.
O interessante é que pessoas sensíveis ao sabor da gordura tendem a comer menos o que leva a índices de massa corpórea menor. Esta descoberta pode abrir uma nova fronteira no combate à obesidade.
Os cientistas da Deakin University, liderados pelo Dr Russell Keast descobriram que os humanos podem identificar o sabor da gordura mais por sua composição química que por sua textura.
O grupo estudou diversas amostras de ácidos graxos encontrados em alimentos comuns misturados em leite desnatado. Todos os 33 indivíduos estudados foram capazes de detectar o sabor da gordura de certa forma.
Assim como nos demais sabores, o grau de sensibilidade dos indivíduos pode variar de indivíduo para indivíduo.
As pessoas que são mais sensíveis ao sabor grasso, podem sentir concentrações muito pequenas de gordura e assim acabam ingerindo uma menor quantidade delas. Segundo o Dr. Keast, parece que estes indivíduos possuem um mecanismo que limita a ingesta, fazendo com que a pessoa sensível pare de comer, o inverso acontece com os insensíveis levando ao sobrepeso e à obesidade.
O grupo agora deverá interessar-se do porque algumas pessoas são sensíveis e outras não. Vamos aguardar as pesquisas.

http://www.deakin.edu.au/
http://www.deakin.edu.au/hmnbs/ens/staff/index.php?username=russellk


Stewart JE, Feinle-Bisset C, Golding M, Delahunty C, Clifton PM, Keast RS.
Oral sensitivity to fatty acids, food consumption and BMI in human subjects.
Br J Nutr. 2010 Mar 3:1-8.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Muito além da sua dieta... (sensibilidade insulínica)

Fatores genéticos e ambientais influenciam a sensibilidade à Insulina (SI) durante a nossa vida. Na verdade, o ambiente uterino já pode afetar a SI no nascimento e tardiamente na vida. Em particular a associação entre várias substâncias exógenas tóxicas acopladas a predisposição genética podem influenciar a regulação do eixo hipotálamo-hipofise-adrenal e a produção e atividade da insulina, incretinas cerebrais, citocinas proinflamatórias e hormônios placentários.
A reação a agentes xenobióticos tóxicos pode causar diminuição do desenvolvimento fetal, tanto no seu crescimento como no desenvolvimento e modulação do sistema endócrino, levando a alterações no peso fetal (aumento ou diminuição) ou prematuridade. O crescimento diminuído na fase inicial da vida está relacionado a resistência insulínica e pode permanecer silente por anos e se manifestar na fase adulta dos indivíduos predispostos.
Fatores relacionados ao estilo de vida como dieta inadequada na infância e adolescência e sedentarismo foram associados ao aumento da incidência de diabetes do tipo 2 e obesidade durante a última década. Evidencias recentes sugerem que o polimorfismo da Pro12Ala do gene do Receptor Ativado dos Peroxissomas (PPAR) e do polimorfismo do gene da Enzima Conversora da Angiotensina (ECA) I/D combinado aos fatores ambientais, como Ftalatos interferindo na ação da insulina pós receptor, alteram a sensibilidade ao hormônio nos tecidos alvo.
Assim sendo, a sensibilidade insulínica resultante de uma delicada combinação dos fatores genéticos e dos contaminantes ambientais pode se modificar ao longo da vida e depende de um controle metabólico prévio, algo como uma memória metabólica.

Para saber mais:
Latini G, Loredana Marcovecchio M, Del Vecchio A, Gallo F, Bertino E, Chiarelli F.
Influence of environment on insulin sensitivity.
Environ Int. 2009 Apr 22.

terça-feira, 31 de março de 2009

Peixe com o quê?

Não é pirão, nem é farofa. Nem batata, mandioca ou arroz. Não é disso que falamos hoje.
São dos resíduos de tantos remédios (fármacos) e outras substâncias de produtos de cuidados pessoais que não são removidos nas estações de tratamento de esgotos e que retornam às fontes de captação de água.
Na Environmental Toxicology and Chemistry (on line) deste mês, saiu um artigo detalhando as principais substâncias destes dois grupos em peixes de várias regiões dos EUA.
Leve-se em consideração que o tratamento de esgotos no Brasil é ainda (infelizmente) muito incipiente (e insipiente também), com a maioria dos municípios despejando nos nossos rios esgotos sem nenhum tratamento.
Outra premissa interessante é o despejo de metais pesados de garimpos clandestinos em rios aparentemente insuspeitáveis da Amazônia ampliada. Sem falar nos peixes marinhos de grande porte, como o atum, contaminados por mercúrio.
Assim o leitor poderá ter uma vaga idéia do que ele ingere junto com o belíssimo filé de peixe "alla mugnaia".
Vamos então ao artigo: "Occurrence of pharmaceuticals and personal care products (PPCPs) in fish: Results of a national pilot study in the U.S.".
Os autores introduzem dizendo que muitas substâncias químicas já foram assinaladas em diversas fontes biológicas, inclusive tecidos de peixes, mas que não havia sido nunca realizado um estudo abrangente incluindo várias regiões geográficas. Um estudo piloto incluindo peixes provenientes de cinco diferentes efluentes que recebem descarga direta de tratamentos de esgoto em Chicago, Dallas, Orlando, Phoenix e West Chester (Pensilvânia) foi então iniciado. Os controles vieram do rio Gila, no Novo México, por serem espécimens expostas minimamente ao impacto humano.
As amostras foram tratadas através de Espectrofotometria de massa e Cromatografia líquida de alta performance (HPLC-MS/MS). Observou-se a presença dos seguintes fármacos: norfluoxetina, sertralina (ambos antidepressivos), difenidramina (anti-histamínico H1), diltiazem (benzotiazepina, bloq. canal de cálcio, antihipertensivo), carbamazepina (antiepilético, antipsicótico) em nanogramas/g em filés. A presença adicional de fluoxetina e gemfibrozil foi confirmada em tecidos hepáticos. A Sertralina foi detectada em concentrações de 19 e 545 nos filés e nos fígados, respectivamente.
A presença de ingredientes de produtos de higiene pessoal nas amostras revelou nos filés a presença de galaxolide e tonalide (notas baixas em perfumes, musks sintéticos) em concentrações máximas de 2100 e 290 ng/g respectivamente e traços de triclosan (conservante e antibacteriano).
Em geral, as drogas foram detectadas em maior concentração nos fígados que nos filés e os autores excluem que o maior conteúdo graxo do fígado seja a causa desta discrepância, pois não houve correlações positivas entre as concentrações farmacêuticas acumuladas e o conteúdo lipídico de cada tipo de amostra analisada. No entanto os resíduos de produtos de higiene pessoal, galaxolide e tonalide fopram significativamente relacionadas ao conteúdo lipídico das amostras de tecido analisadas. Os autores concluem que os achados são dependentes do tipo de tratamento empregado nas estações de esgoto.

Ter a noção de que aquilo que usamos não se restringe aos efeitos colaterais em nós mas que abrangem uma cadeia inteira de eventos após, é importantíssimo. O remédio que tomamos para uma patologia qualquer é excretado total ou parcialmente metabolizado, mas seus efeitos podem ainda ser efetivos em outras espécies no ambiente.
O creminho e o shampoo, o sabonete e o perfume que usamos em nossas peles, vem absorvidos e metabolizados e o restante é lavado e carreado para os sistemas de esgoto. E raramente são eliminados pelo tratamento aplicado nas estações.
Cada ação humana implica em uma cadeia de eventos anterior e posterior a ela.
Pensem nisso.

Para saber mais:
Ramirez AJ, Brain RA, Usenko S, Mottaleb MA, O'Donnell JG, Stahl LL, Wathen JB, Snyder BD, Pitt JL, Perez-Hurtado P, Dobbins LL, Brooks BW, Chambliss CK.
Occurrence of pharmaceuticals and personal care products (PPCPs) in fish: Results of a national pilot study in the U.S.
Environ Toxicol Chem. 2009 Mar 25:1.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Termômetros e lâmpadas

Acabo de ler que a partir de 3 de abril os termômetros de mercúrio, aqueles clássicos, serão proibidos na União Europeia. Entrará em vigor um decreto ministerial de 30 de julho de 2008, que visa evitar que estes instrumentos acabem no lixo, contaminando o ambiente e colocando em risco a saúde de todos.
A coisa não diz respeito aos termômetros que as pessoas já possuam. Elas não deverão descartá-los (e quando o fizerem deverão entregá-los nos postos de coleta nas farmácias). É uma medida que diz respeito aos produtos novos, que, por sua vez, já vêm utilizando alternativas como uma liga de Gálio, Índio e Estanho, capaz de medir a temperatura em cerca 3 minutos, mas atóxica para o ambiente.
O Mercúrio é um metal pesado, líquido, contaminante comum em regiões de garimpo e presente em lâmpadas fluorescentes, em moldes industriais e nas células de eletrólise do sal para a produção de cloro e também nos termômetros, barômetros, etc...
Portanto, atenção na hora de jogar suas lâmpadas fora! Isto diz respeito às lâmpadas ditas "econômicas", eco-amigáveis, enfim.
Nos EUA existe a obrigatoriedade de rotular as lâmpadas com o símbolo Hg (mercúrio), mas aqui não. Então atenção redobrada. Todas as lâmpadas fluorescentes no mercado brasileiro contém mercúrio e não deveriam ser jogadas no lixo comum.
Elas deveriam ser cuidadosamente descartadas, evitando que se quebrassem e tratadas como lixo "perigoso" e encaminhadas para empresas especializadas na sua reciclagem. Já existem algumas no Brasil (ver lista ao fim deste post).
Embora as lâmpadas fluorescentes e halogenadas sejam consideradas uma medida ecológica por sua economia energética e emissão de gases (inclusive mercúrio) permanece o risco ambiental do mercúrio que elas contém.

Os seguintes tipos de lâmpadas contém mercúrio:
a)Fluorescentes, fluorescentes compactas, luzes negras.
b)High intensity discharge bulbs (HID). Elas lâmpadas são usadas em iluminação de armazéns, ambientes industriais e comerciais, na iluminação de segurança e outdoors. Elas são as lâmpadas a vapor de mercúrio, de metal-halido e sódio de alta pressão.
Estas lâmpadas também são utilizadas em veículos (luzes azuladas).
c)ultravioletas
d)neon

obs: Lâmpadas halogenadas não contém mercúrio.

No Brasil são consumidas cerca de 100 milhões de lâmpadas fluorescentes por ano. Desse total, 94% são descartadas em aterros sanitários, sem nenhum tipo de tratamento, contaminando o solo e a água com metais pesados. Por este motivo a conscientização da importância da reciclagem deste lixo se torna tão importante.


A intoxicação aguda por Mercúrio apresenta náuseas, vômito, glossite, estomatite, gengivite, perda dos dentes, forte dor abdominal e eventual diarréia com sangue, por seus efeitos corrosivos sobre as mucosas e na pele. O Mercúrio é nefrotóxico, hepatotóxico e neurotóxico e pode levar à morte em poucos dias. O tratamento requer suporte intensivo em UTI.
A intoxicação crônica apresenta vários sintomas neurológicos como tremores, vertigens, irritabilidade e depressão; associados à salivação, estomatite e diarréia; descoordenação motora progressiva, perda de visão e audição, autismo e deterioração mental. Ocorre a chamada Neuroencefalopatia tóxica, interessando cérebro e córtex cerebelar. Pode ocorrer dano genético. A terapia médica se faz com quelantes.

Além de reciclar, é importante prevenir. A inclusão de castanhas na dieta, por ser uma fonte de selênio, pode diminuir a biodisponibilidade do mercúrio por efeito quelante natural (os íons se ligam e o mercúrio vem "desativado" pelo selênio).O consumo de alho (alicina e ácido succínico)também é uma boa opção natural de quelante para o mercúrio. Não vai tratar uma intoxicação patológica, mas pode ajudar na prevenção.

E para quem ainda não conhece, recomendo a leitura do texto do Dr. Moacyr Scliar para a Clínica Literária chamado "Minamata, a cidade onde os gatos dançavam (e as pessoas morriam)" disponível no link http://www.conversanopier.com.br/minamata.htm#scliar ou clicando sobre o título deste post.

Empresas que reciclam lâmpadas fluorescentes:

Apliquim
(11) 3722-5478
www.apliquim.com.br

Rodrigues & Almeida Moagem de Vidros
(19) 9649-6867

Tramppo
(11) 3039-8382
www.tramppo.com.br

Naturalis Brasil
(11) 4496-6323 e 4591-3093
www.naturalisbrasil.com.br

Em Santa Catarina

Brasil Recicle
(47) 3333-5055
www.brasilrecicle.com.br

No Paraná

Bulbox
(41) 3357-0778
www.bulbox.com.br

Mega Reciclagem
(41) 3268-6030 e 3268-6031
www.megareciclagem.com.br

No Rio Grande do Sul

Sílex
(51) 3421-3300 e 3484-5059
www.silex.com.br

Em Minas Gerais

Recitec
(31) 3213-0898 e 3274-5614
www.recitecmg.com.br

HG Descontaminação
(31) 3581-8725
www.hgmg.com.br
25 / 06 / 2008


Para saber mais sobre MERCÚRIO e sua toxicidade: http://www.toxnet.com.br/t-metais_mercurio.php

PS: A Anary contribuiu com um comentário bem legal, uma matéria no site: http://empresas.globo.com/Empresasenegocios/0,19125,ERA1696949-2991,00.html

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Suplementação de Cálcio na gestação: diminuindo a exposição ao chumbo.

O Chumbo, como o Cálcio é depositado nos ossos e não costuma circular pelo corpo exceto quando ocorre uma demanda maior pelo Cálcio, como no caso da gestação e lactação, que promove a liberação de ambos os íons. O problema é que chumbo é tóxico.
Um estudo conduzido por um grupo da Universidade de Harvard em cooperação com a Universidade de Michigan e o Ministério da Saúde do México, observou que o uso de suplementos diários e realtivamente baratos de Cálcio (1200mg/d) diminuem os níveis de chumbo livres no plasma de 15 a 20% e no leite materno de 5 a 10% na lactação e também (e este é o objeto do estudo) durante a gravidez, e que esta ação relativamente simples poderia ajudar a diminuir os efeitos indesejados da exposição prenatal ao chumbo, tais como: baixo peso, baixo coeficiente intelectivo, e deficits na função motora e visual.
O artigo completo pode ser lido no link abaixo e é gratuito.

Effect of Calcium Supplementation on Blood Lead Levels in Pregnancy: A Randomized Placebo-Controlled Trial
Adrienne S. Ettinger, Héctor Lamadrid-Figueroa, Martha M. Téllez-Rojo, Adriana Mercado-García, Karen E. Peterson, Joel Schwartz, Howard Hu and Mauricio Hernández-Avila
http://www.ehponline.org/members/2008/11868/11868.pdf

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Você é o que você come.

Estive vendo umas coisinhas sobre a relação entre a dieta materna e as doenças que o feto pode desenvolver na sua vida adulta, incluindo doença coronária e resistência insulínica. Interessante a hipótese que se possa programar a qualidade de vida de uma pessoa a partir do útero. Em animais observou-se que a subnutrição intra-uterina leva a danos renais, cerebrais e cardíacos, aparentemente devidos ao remodelamento do desenvolvimento associado com a diferenciação e proliferação celular. Mesmo variações menores no status nutricional materno são capazes de causar desvios importantes no ambiente fetal que poderiam levar a alteração na expressão de genes chave, responsáveis pela remodelação tissular e o futuro risco associado às várias doenças.
Os fatores nutricionais poderiam também levar a estes processos por alterar a fisiologia placentária, incluindo as trocas materno-fetais além da regulação epigenética da expressão genética.
Na verdade a gente acabaria sendo reflexo daquilo que a gente come, ou o que nossas mães comeram quando éramos fetos. E nossos "achaques" e "condores" da idade adulta, consequência tardia de um estilo de vida precoce.
Aí, pensei nas imensas quantidades de glutamato monossódico que as pessoas ingerem diariamente, inclusive as gestantes sem uma correta orientação, e nas possibilidades patológicas que estas substâncias poderiam trazer aos fetos a longo prazo.
O Glutamato de sódio causa inflamação nas células hepáticas, esteatose não alcoólica, hepatite, lesões pré-cancerosas, obesidade central e diabetes do tipo 2 em animais de experimentação, não diferentes das observadas em seres humanos.
Coisa para se pensar e levar a sério (e não à boca).


Para saber mais:

Langley-Evans SC.
Nutritional programming of disease: unravelling the mechanism.
J Anat. 2008 Oct 8.

Nakanishi Y, Tsuneyama K, Fujimoto M, Salunga TL, Nomoto K, An JL, Takano Y, Iizuka S, Nagata M, Suzuki W, Shimada T, Aburada M, Nakano M, Selmi C, Gershwin ME.
Monosodium glutamate (MSG): a villain and promoter of liver inflammation and dysplasia.
J Autoimmun. 2008 Feb-Mar;30(1-2):42-50

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Um post excelente em um blog delicioso

Já estava engatilhado desde ontem, direto do blog da Pat Feldman: "Crianças na cozinha", uma pérola imperdível sobre alimentos e produtos alimentícios no texto do Dr. Carlos Braghini:

http://pat.feldman.com.br/?p=4391#more-4391.


Para entender, digerir e viver melhor (e aproveitar para ensinar sabores genuínos pra molecada)! Vão lá e leiam tudinho. Basta clicar no título deste blog.

Ah, o blog dela já está na lista dos blablablogs aí ao lado, para visitar sempre.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Anemia ferropriva e bisfenol A

Um artigo publicado na Toxicology de um grupo de pesquisadores da Hamdard University de Nova Delhi, India, afirma que a deficiência de ferro aumenta o estresse oxidativo em ratos.
O Bisfenol A (BPA), contaminante estrogênico ambiental, é também conhecido por seu efeito indutor do estresse oxidativo com liberação de radicais livres de oxigênio.
Os autores, Dr.s Rachid, Ahmad, Rahman e colaboradores, estudaram os efeitos da deficiência de ferro em ratos cronicamente expostos a baixos níveis de BPA, levando em consideração os radicais livres e o potencial anti-oxidante hepático, renal e das gônadas.
Os autores observaram um aumento significativo da peroxidação dos lipídeos nos ratos expostos ao BPA que concomitantemente apresentavam deficiência de ferro. Da mesma forma os níveis da glutadiona também se apresentaram reduzidos significativamente neste grupo. Além disso a deficiência de ferro também se demonstrou significativa na modulação enzimática em todos os tecidos. As fêmeas mostraram uma maior vulnerabilidade que os machos aos efeitos do BPA nos parâmetros estudados.
Os resultados deste estudo levaram os autores a concluir que a má nutrição pode exercer influência sobre os efeitos interferentes químicos dos contaminantes e sugerem que novos estudos ligando estados nutricionais e interferentes endócrinos (incluso o BPA) são necessários para melhor esclarecer esta ligação.

Resumo prático: comer mal piora a situação. Uma dieta rica e variada pode fazer diferença.

Fontes de ferro: carnes vermelhas, fígado, coração, gema de ovos, vegetais verdes escuros (couve, agrião, cheiro verde, taioba,...), leguminosas (feijão, lentilha, fava, grão de bico,...), grãos integrais, nozes, castanhas, melaço e rapadura, açaí,... O Ferro de origem animal é mais facilmente absorvido que o de origem vegetal.
Evite reposição através de pílulas sem orientação médica, é sempre melhor ajustar a dieta. Associar uma fonte de vitamina C ajuda a absorção do Ferro, assim, um suco de fruta fresca como manga, goiaba, laranja, limão, acerola, pode ser muito bem-vindo.
Porém lembrem-se que o excesso de Ferro também pode ser danoso.

Para saber mais:
Rashid H, Ahmad F, Rahman S, Ansari RA, Bhatia K, Kaur M, Islam F, Raisuddin S.
Iron deficiency augments bisphenol A-induced oxidative stress in rats.
Toxicology. 2008 Nov 11. (e-pub)