Mostrando postagens com marcador ingredientes cosméticos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ingredientes cosméticos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Falando sério sobre testes em animais

Desde o início da aplicação do protocolo REACH¹ na União Européia, a discussão sobre testes em animais ganhou uma nova força. É evidente que a segurança dos produtos que são colocados no mercado é necessária e uma questão que extrapola o luxo e se torna um problema de saúde pública e ambiental. No entanto, o uso indiscriminado e fútil de testes em animais é absolutamente antiético e desnecessário.
Cada nova molécula que vai para o mercado para uso comercial deve ser testada de forma a garantir não somente a melhor performance como também a sua segurança. Uma nova substância necessita de garantias de uso e perfil de toxicidade bem definidos. Preferivelmente, e sempre que possível, testes espécie específicos.
Apesar do banimento de testes em animais para produtos cosméticos que já deveria ter sido colocado em prática no território europeu, é consenso que ainda não há um método alternativo que garanta estas prerrogativas de forma efetiva na sua totalidade. Iniciativas sérias como o FRAME² (Fund for the Replacement of Animal Testing in Medical Experiments), que incentivam a pesquisa e desenvolvimento de novas metodologias e cujo objetivo final é a substituição de testes em animais são concordes em afirmar que testes são necessários, pois colocar no mercado substâncias cujos efeitos são desconhecidos pode ocasionar em grave dano para pessoas e para o ambiente como um todo.
Enquanto este objetivo não for possível o correto seria reduzir os testes evitando a sua redundância, aplicar desenhos experimentais adequados para cada substância e minimizar o sofrimento dos animais necessários através de um comportamento ético e respeitoso. Isto é conhecido como os três Rs de Russel e Burch: “Reduce, Refine, Replace (reduzir, refinar e substituir)”.
No Brasil, em 2008, foi aprovada a primeira lei (11794/08) que regulamenta o uso de animais de experimentação³, mas ainda com pouca ênfase sobre a redução e a substituição dos testes, embora seja um elemento orientador importante no que diz respeito ao refinamento dos testes e da ética.
No entanto, muitas empresas usam a boa fé do consumidor através do uso do claim “não testado em animais”. Quero deixar bem claro que isto é um conceito míope e irresponsável além de irreal. O produto então estaria sendo testado no próprio consumidor final, que é um animal. Seres humanos são animais. E não fica por aí, pois parte do produto vai para o ralo e acaba no ambiente, colocando outras espécies em contato com o mesmo, cujos efeitos, em teoria, não foram esclarecidos. Em poucas palavras, você estaria expondo toda uma cadeia a uma substância cujos efeitos são desconhecidos.
Muitas moléculas inadequadamente testadas já causaram danos severos e seus efeitos persistentes ainda são um problema não resolvido em muitos ecossistemas.
Para resumir, quem ama de verdade, testa.

Para saber mais:
1. http://ec.europa.eu/environment/chemicals/reach/reach_intro.htm
2.http://www.frame.org.uk/index.php

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Dicas para a escolha de um protetor solar

Esta é parte de uma resposta que dei para a Silvia Chiros sobre proteção solar (filtros). Achei que merecia destaque, pois muita gente não sabe o que procurar nos rótulos.
Existem dois tipos de produtos: os protetores químicos, chamados filtros solares, que podem bloquear os raios UVB, UVA ou ambos (dependendo da substância), com nomes químicos bem complicados, e os bloqueadores solares (físicos), que bloqueiam literalmente os raios e que você pode reconhecer pois são basicamente dois: Óxido de Zinco e Dióxido de Titânio.

Para ajudar vou dar uma listinha de nomes que você vai achar nos rótulos e que deve evitar, se possível:

benzofenona 3 (benzophenone 3),
octilmetoxicinamato (OMC ou octyl-methoxycinnamate),
oxibenzona (oxybenzone),
parabenos (qualquer um deles: metil, butil, etc...),
nanopartículas ( às vezes chamada de micro, ultrafinas, microfinas, etc...) e
cânforas (terminam em canfor).

Dê preferência aos produtos destinados a bebês, pois dos 6 meses aos 2 anos eles só devem usar bloqueadores físicos e não filtros químicos. Mas atenção, quanto mais transparente for o bloqueador, mais provável a presença de nanopartículas.
Já aviso, não vai ser fácil encontrar no mercado, mas considere que o risco de câncer de pele é muito alto em nosso meio por conta da altíssima radiação ao qual nos expomos. Assim, se você tiver que se expor ao sol e não tiver fatores de risco em seu histórico familiar, então use um protetor talvez menos ideal, mas que possa diminuir os riscos da sua exposição.
Use o bom senso, escolha os melhores horários e não fique "fritando" por horas e horas. Procure um bom guarda-sol, de tecido espesso, que possa servir como escudo e curta suas férias.

PS: Não esqueça de proteger os olhos, pois a radiação UV aumenta muito a incidência de catarata, assim, use um bom par de óculos escuros. Lembre-se que a areia, superfícies cimentadas, neve e etc, REFLETEM estes raios.
Bastam 10 minutos diários de exposição à luz solar para obter todos os benefícios para o seu corpo. Não necessariamente nas horas de pico e não necessariamente de uma vez. Então, usufruam do sol com critério.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Direto da Australia (ICONN 2010)

Na Conferência Internacional de Nanociência e Nanotecnologia que termina amanhã em Sidney, na Austrália, o Prof. Dr. Brian Gulson, da Universidade Macquarie (Graduate School of The Environment, Dep.of Environment and Geography), apresentou um estudo que demonstrou que nanopartículas de Zinco permearam a pele, atingiram a corrente sanguínea e foram excretados na urina de indivíduos expostos a cremes solares contendo este agente nanomizado. Foram estudados 20 indivíduos de idades diferentes, analisados sangue e urina, e pode-se observar que crianças e indivíduos que trabalham ao ar livre são os grupos mais sujeitos a uma superexposição ao zinco.
O zinco provoca carência de cobre interferindo nas funções enzimáticas fisiológicas em vários sistemas e aparelhos.
O óxido de zinco convencional é considerado seguro como bloqueador solar físico bloqueando tantos os raios UVA como os UVB (embora possua alguma atividade fotoclástica).
Assim sendo, seria interessante que as empresas que usam moléculas nanomizadas deixassem esta informação CLARAMENTE DISPONÍVEL ao consumidor. Infelizmente nenhuma delas o faz e adquirir um bloqueador solar é ainda uma aventura.
Em tempos onde a radiação chega a 14, talvez fosse o caso de exigirmos mais das agências reguladoras no que diz respeito à rotulagem, fazendo com que importantes informações, como esta, se tornem obrigatórias.

Em um verão de 40°C, nada melhor do que cuidado, a velha sombra e água fresca.

À propósito, o Dr. Gulson fez um apelo às empresas fabricantes que reduzissem os produtos contendo nanopartículas.

N.A.: Ontem no jornal "Hoje" (Rede Globo) uma reportagem sobre shampoos me deixou esperançosa que um dia as pessoas entendendam que shampoos foram feitos para lavar, que não existem shampoos sem sal e que nutrição se faz pela boca, não pelos cabelos. Tomara que a linha editorial continue esclarecendo e deixando claro obviedades que muitos insistem em não ver. Parabéns!
Continuem lendo os rótulos com cuidado e com clareza, sem preconceitos e com a mente aberta. Procurem entender, aprender o que não se entendeu, afinal ninguém nasceu sabendo. Exercitem a crítica, não só nos rótulos, mas na vida. Esta é a melhor defesa contra falsas promessas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

No Journal of Alzheimer’s Disease, um artigo de Ming Tong e colaboradores do Dep. de Neuropatologia da Warren Alpert Medical School-Brown University sobre os efeitos das nitrosaminas sobre a resistência insulínica me chamou bastante a atenção.
Como se sabe, recentemente estamos diante de uma sorte de "epidemia" de doenças relacionadas à resistência insulínica: Diabetes melitus do tipo 2 (DM2), Esteato-hepatite não alcoólica (NASH), e também Doença de Alzheimer (DA). Os autores afirmam que a exposição às nitrosaminas seriam uma causa de resistência insulínica.
A Estreptozotocina, uma molécula relacionada às nitrosaminas, já havia sido investigada pelo grupo que concluiu que causava resistência insulínica inclusive neurodegeneração do tipo Alzheimer. Os autores então hipotizaram que a exposição crônica às nitrosaminas poderia contribuir para a patogênese destas três síndromes e para isto expuseram ratos a um tratamento com N-nitrosodietilamina (NDEA) e após 2-4 semanas estes animais foram avaliados para disfunção cognitiva e motora, resistência insulínica e degeneração neural usando abordagem comportamental, bioquímica e molecular. Os ratos tratados apresentaram deficits na função motora e no aprendizado espacial, peroxidação lipídica, perda celular, níveis aumentados de proteína precursora de amiloide-β, amiloide-β fosfo-tau e imunoreatividade da ubiquitina, alteração da expressão (upregulation) das citocinas pró-inflamatórias e dos genes pró-ceramidas, que juntos levam à resistência insulínica. O tratamento causou diabetes do tipo 2 e esteatose hepática.
Em base a estes resultados, os autores concluiram que a exposição ambiental às fontes dietéticas ou não de nitrosaminas são um fator crítico para a patogênese destas síndromes e que uma maior detecção, e consequentemente prevenção, poderia ser útil no combate a esta epidemia.

*Nitrosaminas são encontradas facilmente em alimentos processados e também em cosméticos. São também produzidas em nossos corpos (suco gástrico).
Fontes comuns de nitrosaminas:
Alimentos: bacon frito, cerveja, leite em pó, salames, salsichas, alimentos curados.
Exposição ocupacional: produtos derivados do tabaco, do látex, indústria da borracha, metalúrgicas, pesticidas, indústrias químicas, cosméticos.

O que procurar e evitar nos rótulos de cosméticos (INCI):
Bronopol (2-bromo-2-nitropropane-1,3-diol)
Brononitrodioxane
Cocamidopropil betaíne
DEA (e condensados)
DEA-sodium lauryl sulfate
Morpholine
Padimate-O (octyl dimethyl PABA)
Quaterniums
TEA


Para ler o artigo:
Tong M, Neusner A, Longato L, Lawton M, Wands JR, de la Monte SM.
Nitrosamine Exposure Causes Insulin Resistance Diseases: Relevance to Type 2 Diabetes Mellitus, Non-Alcoholic Steatohepatitis, and Alzheimer's Disease.
J Alzheimers Dis. 2009 Jun 19.

* "Mamãe passou açúcar em mim", Copyright: S. Goraieb,2006

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tireoide plastificada

Um grupo de pesquisadores do Key Laboratory of Reproductive Medicine, Institute of Toxicology, Nanjing Medical University, na China, nos traz um trabalho publicado na Toxicology Letters sobre os efeitos in vitro dos ftalatos.
Os autores avaliaram a atividade hormonal do dibutil ftalato (DBP), mono-n-butil ftalato (MBP) and di-2-etilhexil ftalato (DEHP) através de ensaios do gene reporter da luciferase.
Os resultados mostraram que DBP, MBP e DEHP, não somente exibiam uma potente atividade antiandrogênica como também possuiam atividade androgênica. Os autores observaram também que todos os três possuiam atividade antagonista do receptor tireoideo (TR) e que nenhum deles possuia atividade agonista, o que sugere que os receptores tireoideos sejam o alvo destas substâncias químicas industriais.
Nos ensaios do gene reporter do receptor estrogênico mediado, o DBP demonstrou-se fracamente estrogênico na concentração de 1.0x10(-4)M.
Segundo os autores os resultados demonstram que os três ftalatos poderiam simultâneamente interferir na função de um ou mais receptores hormonais, e assim estes compostos deveriam ser considerados nos paineis de risco para a saúde humana.

Para saber mais:

Shen O, Du G, Sun H, Wu W, Jiang Y, Song L, Wang X.
Comparison of in vitro hormone activities of selected phthalates using reporter gene assays.
Toxicol Lett. 2009 Jul 28.

e leia também:

Chin Jia Lin, Angela Silva Barbosa
Técnicas de Análise da Regulação da Transcrição Gênica e suas Aplicações na
Endocrinologia Molecular - REVISÃO, disponível no Scielo (grátis):http://www.scielo.br/pdf/abem/v46n4/12788.pdf

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O formol está proibido para a venda!

"...Está proibida em todo o país a venda de formol em drogaria, farmácia, supermercado, armazém e empório, loja de conveniência e drugstore. De acordo com a RDC 36/09 aprovada pela Diretoria Colegida da Anvisa, o formol, ou formaldeído (solução a 37%), não pode estar disponível em nenhum destes estabelecimentos"...
O uso inadequado de formol em procedimentos de estética fez com que a agência tomasse esta decisão.
O formol, substância cancerígena e sujeita a regulamentação em sua utilização, vinha sendo usada indiscriminadamente em procedimentos popularmente conhecidos como “escova progressiva”, com a finalidade de alisar os cabelos acarretando sérios riscos à saúde. A adição de formol como forma de adulteração de produtos cosméticos é considerado crime hediondo pelo Código Penal Brasileiro.
Os estabelecimentos abrangidos pela resolução terão o prazo de 180 (cento e oitenta) dias para promover as adequações necessárias.
Esta notícia é do site da ANVISA que também disponibiliza para consulta uma cartilha sobre os perigos do uso desta substância em produtos alisantes. O link é:http://www.anvisa.gov.br/cosmeticos/alisantes/folder_formol_alisante.pdf
A resolução merece aplausos!

Para ler o Diário Oficial da União: http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=47&data=18/06/2009

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Hoje na Folha on line

"Substância tóxica é usada como alisador
Glutaraldeído está substituindo o formol no alisamento de cabelos; Anvisa permite seu uso apenas como conservante.

Especialistas constatam aumento de problemas devido ao uso inadequado de alisadores; glutaral pode provocar reações graves."

Este é o cabeçalho da reportagem de Gabriela Cupani, na Folha, sobre alisantes ande o formol foi substituído por glutaraldeído e o risco que estes agentes apresentam para a saúde de quem utiliza estes produtos. Infelizmente não posso reproduzir o texto aqui, mas trago um fragmento:

"Em altas dosagens, a substância pode causar queimaduras, dermatite química, inflamações, coceira, descamação e reações alérgicas graves.
A inalação pode provocar crises de bronquite e asma e, em casos extremos, a chamada pneumonia química (que pode levar à morte).
Assim como o formol, o glutaral é um conservante -e não um alisador- e só pode ser empregado em produtos cosméticos na concentração máxima de 0,1%."

Não creio necessário adicionar mais nada a respeito do agente em questão.
Acho sempre oportuno lembrar que produtos clandestinos e sem registro no MS (ANVISA) NUNCA devem ser aplicados em ninguém. Procurem sempre por produtos que tenham pelo menos passado por alguma forma de controle.
E se conselho puder servir, aprendam a gostar de vocês porque vocês têm valor, não porque têm um cabelo esticadinho. Valorizem as suas características, respeitem o seu corpo e sejam críticos.
Palavra de quem tem cabelo muito crespo (e muito fino).

Para ler a reportagem: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd0506200901.htm

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A ciência dos cheiros, por Luca Turin

Eu sempre fui curiosa sobre perfumes, sobre o que são, como são feitos.
Perfumaria é uma arte e uma ciência que esteve sempre presente nas civilizações ao longo da história. Talvez nem sempre segura, mas sem dúvida encantadora.
É difícil encontrar material didático sobre este tema. Principalmente quando você não é químico e nem trabalha para nenhuma das grandes casas perfumísticas, que em nosso meio é a única formação neste sentido.
Trouxe então este vídeo do Dr. Luca Turin, explicando sua teoria "vibracional" dos cheiros. É no mínimo interessante.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Reflexão sobre um incidente

Da agência ANSA italiana vem a notícia do sequestro de um lote de produtos cosméticos contendo metildibromoglutaronitrila (MG). Este ingrediente é um conservante, encontrado em agentes de limpeza, amaciantes de roupas, adesivos, tintas e óleos industriais, além de cosméticos. É um potente alergeno que pode causar dermatites e erupções cutâneas, sendo altamente tóxico e banido da União Européia desde o ano passado.
A coisa traz um certo desconforto quando se observa que os produtos foram fabricados na Alemanha, portanto dentro da EU, e distribuídos também na Itália em uma rede de lojas de baixo custo (Nine-T-Nine Cent Paradise) em 70 pontos de venda dos 171 da cadeia.
A casa produtora se chama Assam Gmbh&Co Betriebs, segundo a agência e produzia shampoos, condicionadores, sabonetes e cremes e foram importados por uma empresa de Bolzano. O que chamou a atenção das autoridades italianas foi a ausência de rotulagem traduzida em italiano. Houve seqüestro dos produtos e os mesmos foram analisados em laboratório por amostragem aleatória e constatou-se então a presença do ingrediente, proibido na UE desde 22junho de 2008, em doses significativas (chegando até a 156mg/kg).
Um alerta geral para a União Europeia foi distribuído.

E aí você pensa: "E o que eu tenho a ver com isso?"
É importante observar alguns pontos desta notícia:

1)Apesar da proibição dentro do território europeu, empresas em má fé insistem em fabricar produtos ilegais e distribuí-los apesar das restrições, demonstrando pouca ou nenhuma responsabilidade perante a saúde de quem vai utilizá-los.

2) A proibição do agente diz respeito somente à União Européia, o ingrediente pode ser utilizado em outros mercados. Não há restrição para este agente no Brasil, segundo a RDC 162 da Anvisa, de 11 de setembro de 2001. Portanto, um produto fabricado dentro da EU destinado a outros mercados, pode ter uma formulação diferente daquele distribuído dentro da EU. Não é garantia que a casa mãe se localize em território europeu para que as normas vigentes lá (REACH e 7° emendamento) se apliquem a todos os produtos. O fabricante deve respeitar a legislação do país para o qual se destina o produto.

3) Foi por uma questão de rotulagem que ocorreu a apreensão do produto. Rótulos não são decorativos, nem um luxo, são uma arma nas mãos do consumidor inteligente e este deve fazer um pequeno esforço para aprender a lê-los.

4) Em nosso país existem farmácias e lojas onde se vendem produtos sem adequada rotulagem, sem registro no Ministério da Saúde (ANVISA), sem testes, sem controle de nenhum tipo. Se vocês encontrarem nas prateleiras produtos onde não apareçam os ingredientes, validade, modo de uso e o número de registro no MS, denunciem à Vigilância Sanitária local imediatamente.
Infelizmente muitos profissionais nos estabelecimentos não conhecem com detalhes as normas que regulamentam a produção e comercialização de cosméticos, desconhecendo os parâmetros mínimos de rotulagem e os riscos implícitos em seu uso sobre a saúde pública.
Nada impede o consumidor de procurar produtos a baixo preço, se for o caso, desde que estes respeitem a legislação.
Eu mesma já encontrei aqui no interior de São Paulo muitos produtos irregulares em prateleiras de diversos pontos de venda. Questionando os responsáveis, recebi sempre as desculpas mais absurdas sobre a legislação regulatória ou percebi mesmo uma completa ignorância do tema.

5)Após a proibição do uso deste agente em território europeu, a incidência de dermatites relacionadas a ele caiu significativamente, o que demonstra a utilidade das medidas reguladoras.



Para saber mais:

Johansen JD, Veien N, Laurberg G, Avnstorp C, Kaaber K, Andersen KE, Paulsen E, Sommerlund M, Thormann J, Nielsen NH, Vissing S, Kristensen O, Kristensen B, Agner T, Menné T.
Decreasing trends in methyldibromo glutaronitrile contact allergy--following regulatory intervention.
Contact Dermatitis. 2008 Jul;59(1):48-51.

Sobre Metildibromoglutaronitrila
Videncenter for allergi
http://www.videncenterforallergi.dk/Methyldibromo%20glutaronitrile-268.aspx

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Triclosan e efeitos no aparelho reprodutor masculino

Triclosan (TCS), um clorofenol, é usado como preservante em uma série de produtos comerciais. É frequente nos dentifrícios e nos desodorantes. Os efeitos do triclosan como interferente hormonal são controversos e um estudo recente tenta esclarecer os modos de ação do TCS como antiandrogênico.
Para o desenho foram usados ratos albinos machos, que foram tratados com 3 doses de triclosan por um período de 60 dias seguido da análise de vários parâmetros bioquímicos.
A reação em cadeia da polimerase transversa (RT-PCR) mostrou uma diminuição significativa nos níveis de RNA mensageiro para a proteína reguladora aguda esteroidogênica testicular (StAR), citocromo P450SCC, citocromo P450C17, 3-betahidroxiesteroide desidrogenase (3β-HSD), 17β-hidroxiesteroide desidrogenase(17β-HSD)e receptor androgênico nos ratos tratados com TCS (p< 0,05). Os autores também encontraram uma translação da StAR e das proteínas do receptor androgênico (Western Blot). Houve ainda uma redução dos níveis daStAR (imunohistoquímica) nas células de Leydig testiculares nos ratos tratados e uma redução significativa (p < 0.05) no nível sérico de hormônio luteinizante (LH), no hormônio folículo estimulante (FSH), no colesterol, na pregnolona e na testosterona.
Ensaios in vitro mostraram uma redução de mais de 30% na aividade enzimática da 3β-HSD e 17β-HSD no grupo tratado.
Os autores também observaram extensas malformações histopatológicas nos testículos e nos tecidos do aparelho reprodutor dos ratos.
O estudo mostrou que o triclosan diminui a síntese de andrógenos seguido de diminuição da produção de esperma no grupo tratado e que este efeito poderia ser mediado por uma redução na síntese de LH e FSH, envolvendo assim o eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal.


Para saber mais:
Vikas Kumar, Ajanta Chakraborty, Mool Raj Kural, Partha Roy
Alteration of testicular steroidogenesis and histopathology of reproductive system in male rats treated with triclosan.
Reproductive Toxicology
Volume 27, Issue 2, April 2009, Pages 177-185

terça-feira, 31 de março de 2009

Peixe com o quê?

Não é pirão, nem é farofa. Nem batata, mandioca ou arroz. Não é disso que falamos hoje.
São dos resíduos de tantos remédios (fármacos) e outras substâncias de produtos de cuidados pessoais que não são removidos nas estações de tratamento de esgotos e que retornam às fontes de captação de água.
Na Environmental Toxicology and Chemistry (on line) deste mês, saiu um artigo detalhando as principais substâncias destes dois grupos em peixes de várias regiões dos EUA.
Leve-se em consideração que o tratamento de esgotos no Brasil é ainda (infelizmente) muito incipiente (e insipiente também), com a maioria dos municípios despejando nos nossos rios esgotos sem nenhum tratamento.
Outra premissa interessante é o despejo de metais pesados de garimpos clandestinos em rios aparentemente insuspeitáveis da Amazônia ampliada. Sem falar nos peixes marinhos de grande porte, como o atum, contaminados por mercúrio.
Assim o leitor poderá ter uma vaga idéia do que ele ingere junto com o belíssimo filé de peixe "alla mugnaia".
Vamos então ao artigo: "Occurrence of pharmaceuticals and personal care products (PPCPs) in fish: Results of a national pilot study in the U.S.".
Os autores introduzem dizendo que muitas substâncias químicas já foram assinaladas em diversas fontes biológicas, inclusive tecidos de peixes, mas que não havia sido nunca realizado um estudo abrangente incluindo várias regiões geográficas. Um estudo piloto incluindo peixes provenientes de cinco diferentes efluentes que recebem descarga direta de tratamentos de esgoto em Chicago, Dallas, Orlando, Phoenix e West Chester (Pensilvânia) foi então iniciado. Os controles vieram do rio Gila, no Novo México, por serem espécimens expostas minimamente ao impacto humano.
As amostras foram tratadas através de Espectrofotometria de massa e Cromatografia líquida de alta performance (HPLC-MS/MS). Observou-se a presença dos seguintes fármacos: norfluoxetina, sertralina (ambos antidepressivos), difenidramina (anti-histamínico H1), diltiazem (benzotiazepina, bloq. canal de cálcio, antihipertensivo), carbamazepina (antiepilético, antipsicótico) em nanogramas/g em filés. A presença adicional de fluoxetina e gemfibrozil foi confirmada em tecidos hepáticos. A Sertralina foi detectada em concentrações de 19 e 545 nos filés e nos fígados, respectivamente.
A presença de ingredientes de produtos de higiene pessoal nas amostras revelou nos filés a presença de galaxolide e tonalide (notas baixas em perfumes, musks sintéticos) em concentrações máximas de 2100 e 290 ng/g respectivamente e traços de triclosan (conservante e antibacteriano).
Em geral, as drogas foram detectadas em maior concentração nos fígados que nos filés e os autores excluem que o maior conteúdo graxo do fígado seja a causa desta discrepância, pois não houve correlações positivas entre as concentrações farmacêuticas acumuladas e o conteúdo lipídico de cada tipo de amostra analisada. No entanto os resíduos de produtos de higiene pessoal, galaxolide e tonalide fopram significativamente relacionadas ao conteúdo lipídico das amostras de tecido analisadas. Os autores concluem que os achados são dependentes do tipo de tratamento empregado nas estações de esgoto.

Ter a noção de que aquilo que usamos não se restringe aos efeitos colaterais em nós mas que abrangem uma cadeia inteira de eventos após, é importantíssimo. O remédio que tomamos para uma patologia qualquer é excretado total ou parcialmente metabolizado, mas seus efeitos podem ainda ser efetivos em outras espécies no ambiente.
O creminho e o shampoo, o sabonete e o perfume que usamos em nossas peles, vem absorvidos e metabolizados e o restante é lavado e carreado para os sistemas de esgoto. E raramente são eliminados pelo tratamento aplicado nas estações.
Cada ação humana implica em uma cadeia de eventos anterior e posterior a ela.
Pensem nisso.

Para saber mais:
Ramirez AJ, Brain RA, Usenko S, Mottaleb MA, O'Donnell JG, Stahl LL, Wathen JB, Snyder BD, Pitt JL, Perez-Hurtado P, Dobbins LL, Brooks BW, Chambliss CK.
Occurrence of pharmaceuticals and personal care products (PPCPs) in fish: Results of a national pilot study in the U.S.
Environ Toxicol Chem. 2009 Mar 25:1.

terça-feira, 10 de março de 2009

Era uma vez no pais das Maravilhas ou histórias para boi dormir...


Vou lhes contar uma história (ou será que é uma estória?) da multiplicação do Linalol a partir do Pau Rosa (Aniba roseodora Ducke).
Era uma vez, no pais das Maravilhas, em uma floresta cerrada, uma planta chamada Pau Rosa. Dela se extraía um precioso óleo, usado em perfumes para reis e rainhas, de Bollywood a Hollywood, de França, Europa e Bahia. Coisa importante, para gente que conta.
Então naquela floresta, a maior e a mais importante do reino, o tal Pau Rosa começou a ser cortado e cortado, até que percebeu-se que ele estava se esgotando. Quase não havia mais Pau Rosa no intorno da cidade e do porto, e então começou-se a cortar mais longe, mais longe, até que quase não havia mais Pau Rosa em lugar nenhum.
O rei do pais das Maravilhas, em um ímpeto de bom senso, resolveu proibir o uso do Pau Rosa, impedindo seu uso e seu corte. E assim baixou-se uma lei e no país das Maravilhas não seria mais permitido cortar Pau Rosa de jeito nenhum desde o ano 91.
Mas os reis dos outros reinos, alguns nobres ali também, não queriam abrir mão da essência preferida. O substituto sintético feito pelos alquimistas da corte não era a mesma coisa e só contentaram a plebe. Bom mesmo era o original, o verdadeiro componente do óleo genuíno, uma coisa chamada Linalol natural.
E foi aí que aconteceu o milagre da multiplicação. Por uma curiosa via paralela, no Ministério de Proteção dos Bosques e Florestas Reais existia uma espécie de autorização para o uso das áreas protegidas, onde havia uma espécie de compromisso entre quem usava o terreno, comprometendo-se a manter uma parte dele intacto.
E assim, de forma autorizada, começou-se a cortar de novo o Pau Rosa, aqueles poucos que existiam.
A multiplicação acontecia pois alguns daqueles que moravam por ali cortavam também Pau Rosa em áreas não autorizadas e faziam passar por produto da área autorizada.
E assim as quantidades de óleo de Pau Rosa continuaram suprindo o mercado. Apesar da proibição do rei. Apesar do bom-senso.
E assim é que acabou-se com o Pau Rosa.
Uma linda árvore da família das Lauráceas.

Mas outros bravos magos descobriram que existem outras fontes renováveis de Linalol, o manjericão por exemplo. Fácil de plantar, fácil de colher, ciclo de 90 a 100 dias, contra os anos de uma árvore de Pau Rosa suficientemente grande para poder ser considerada produtiva. Ou mesmo através da extração do óleo obtido das folhas da árvore ao invés da madeira.
Linalol natural de alta qualidade e pureza.
Mas como Cassandra, estes nem sequer foram ouvidos...mas esta é uma outra história.
Fim.

Para saber mais acesse:
http://www.inova.unicamp.br/inventabrasil/paurosa.htm

sexta-feira, 6 de março de 2009

Preservantes em cosméticos, um mal necessário.

Cosméticos com uma grande percentual de água apresentam riscos de serem contaminados por micro-organismos que podem alterar a composição do produto ou se tornar um risco para a saúde do consumidor.
Os micro-organismos patogênicos mais frequentes envolvidos na contaminação de cosméticos são o Staphylococus aureus e a Pseudomonas aeruginosa.
No sentido de evitar a contaminação de cosméticos, os fabricantes adicionam preservantes (antibacterianos e antifúngicos) aos seus produtos.
Nos diversos mercados do mundo, tanto nos EUA, na União Européia como no Japão e nos diversos países, inclusive o Brasil, existe uma legislação específica que regula o uso destes ingredientes.
Existem alguns preservantes disponíveis no mercado que predominam em termos de frequência: parabenos (toda a família, singularmente ou em associação), formaldeído, liberadores de formaldeído e metilclorotiazolinona/metilisotiazolinona. Nenhum deles isento de restrições ou efeitos indesejados.
As concentrações destes preservantes varia muito, mesmo dentro de uma mesma tipologia de produto o que indica que é possível que em muitos casos as dosagens atualmente empregadas sejam superiores as reais necessidades para obtenção do efeito desejado.
A alergia aos preservantes é uma das principais causas de dermatite de contato causada por cosméticos. Como o desenvolvimento e a manifestação da dermatite de contato é dose dependente, o excesso de preservantes em uma formulação pode potencialmente levar ao aumento da incidência destes episódios.
Poucos estudos foram realizados para efetivar a eficiência antimicrobiana dos preservantes atualmente no mercado, mas os resultados indicam que uma eficiente atividade antimicrobiana poderia ser obtida com doses bem abaixo do máximo consentido ou sugerido para cada um dos preservantes citados.*

De fato, na nossa experiência, reduzimos as doses de preservantes a níveis muito abaixo dos convencionais e obtivemos excelente eficácia e segurança, com uma margem de shelf life de 2 anos garantida para produtos muito sensíveis.
Outros problemas relacionados aos conservantes são sua atividade como interferentes hormonais, sua toxicidade e carcinogenicidade. Tais características são variáveis de acordo com a substância escolhida, mas nenhum preservante é completamente isento de efeitos indesejados.

Para saber mais:
*Lundov MD, Moesby L, Zachariae C, Johansen JD.
Contamination versus preservation of cosmetics: a review on legislation, usage, infections, and contact allergy.
Contact Dermatitis. 2009 Feb;60(2):70-8.
Department of Dermatology, National Allergy Research Centre, Gentofte University Hospital, Gentofte, Denmark.

Moraes R,
Boas práticas de produção e biocidas protegem o consumidor
http://www.quimica.com.br/revista/qd475/cosmeticos/cosmeticos01.html

segunda-feira, 2 de março de 2009

Todas as vias levam ao dano...

Pesquisadores do Laboratoire de Pharmacologie et Toxicologie, do Institut National de la Recherche Agronomique de Toulouse, França, investigaram potenciais mecanismos de ação dos ftalatos nos fígados de camundongos adultos in vivo.
Os camundongos foram expostos a doses variadas de DEHP. Os autores observaram que os genes hepáticos modulados pelo DEHP foram predominantemente os alvos PPAR alfa (receptores da proliferação dos peroxissomas alfa), coisa já sabida. No entanto, a introdução de genes prototípicos do citocromo P450 suporta fortemente a possibilidade da ativação de outras vias NR adicionais, incluindo a do Receptor Constitutivo da Androstana (CAR).
A integração dos perfis transcriptômicos e metabonômicos revelaram uma correlação entre os efeitos do DEHP sobre os genes e metabólitos ligados à síntese do heme e da via do Rev-Erbalfa que sinala os níveis endógenos do heme. Os autores também confirmam o impacto do DEHP na expressão hepática de uma enzima crítica para a síntese do heme, a Alas1 e na expressão dos genes alvo Rev-Erbalfa envolvidos na regulação do relógio celular e no metabolismo energético.
Assim, este artigo mostra que o DEHP interfere com as vias hepáticas do CAR e do Rev-Erbalfa, ambas envolvidas diretamente com o controle metabólico e que estas vias podem contribuir para os distúrbios metabólicos e endócrinos associados aos ftalatos.
Perfis da expressão genética realizados em testículos microdissecados mostraram uma responsividade diferenciada ao DEHP.
Os autores sugerem que em base a estes resultados, sejam realizados maiores estudos.

Esta última frase é uma praxe. Na verdade já se ventilava outras vias paralelas de ação dos ftalatos além do famoso PPAR. Só ele não justificaria os outros achados e as evidências epidemiológicas e experimentais relacionadas à exposição a estes agentes em algumas espécies (inclusive a humana).
Sem dúvida, os efeitos destas substâncias sobre o metabolismo traz algumas hipóteses que merecem realmente investigação aprofundada.
Quanto mais não seja pelo simples fato que a epidemia de síndromes dismetabólicas como Obesidade e a Resistência Insulínica, sérios e bem documentados fatores de risco para síndromes cardiovasculares, doenças degenerativas e cânceres. E pelo fato de não haver lugar no planeta onde estas substâncias (os ftalatos) ainda não tenham chegado...

Para saber mais:
Eveillard A, Lasserre F, de Tayrac M, Polizzi A, Claus S, Canlet C, Mselli-Lakhal L, Gotardi G, Paris A, Guillou H, Martin PG, Pineau T.
Identification of potential mechanisms of toxicity after di-(2-ethylhexyl)-phthalate (DEHP) adult exposure in the liver using a systems biology approach.
Toxicol Appl Pharmacol. 2009 Feb 23.

sobre PPARs: http://ppar.cas.psu.edu/pparrfront.htm

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Parafenilenediamina, a vilã da novela.

Hoje na UOL, artigo sobre o uso de henna para tatuagens temporárias.

http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/2009/02/10/ult4477u1337.jhtm

Já falamos sobre os efeitos da Lawsonia (Henna). Trouxe o link acima que está bem didático.
A foto é do Metro.UK (http://www.metro.co.uk/news/article.html?in_article_id=211260&in_page_id=34), de uma reportagem de 9 de Julho de 2008, de uma menina, C.W. de 10 anos e mostra a reação cutânea (dermatite aguda) decorrente de uma tatuagem temporânea realizada nas férias da garota na Turquia.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Dermatite têxtil e dermatite de contato

Um grupo de pesquisadores suecos da Universidade de Lund e do Hospital Universitário de Malmö publicaram estudo sobre a hipótese da relação entre dermatite de contato e sensibilização por corantes têxteis.
É sabido que os sensibilizantes mais frequentes entre as tintas de tecido são os do grupo disperse. Os autores queriam estabelecer a relevância dos resultados positivos nos patch tests quando avaliados do ponto de vista clínico. Então desenharam um protocolo estudando oito tipos diferentes de corantes do tipo disperse e/ou substâncias correlatas, que poderiam explicar uma alergia de contato observada clinicamente, seja por exposição ocupacional ou por constituição atópica. Eles também consideraram se poderia haver influência da idade e do sexo.
Foram observados 858 pacientes submetidos a patch test após responderem a questionário direcionado a pesquisa de agentes causais têxteis. Os patch tests foram complementados com um mix de corantes.
Do grupo estudado, 18% dos pacientes suspeitavam que sua alergia fosse relacionada aos tecidos.
O sexo feminino e a constituição atópica foram fatores de risco para as reações cutâneas.
Materiais sintéticos também se demonstraram mais alergênicos que fibras naturais.
Uma relação significativa ocorreu entre os que alegavam reações relacionadas a tecidos e fenilenediamina (PPD). Um resultado similar, mas mais impreciso se deu para o chamado Textile dye mix (TDM), um mix de corantes. Alergia de contato relacionada ao mix de borracha negra foram tão raros que não houve significância estatística para ser considerado.
Estes resultados levaram os autores a supor que a alergia a parafenilenediamina seja um indicador mais prevalente para reações alérgicas a têxteis que o mix de corantes.


Algumas coisinhas relevantes:
* a parafenilenediamina é ingrediente frequente em tinturas para cabelos e as reações de sensibilização com esta susbtância estão em aumento
* fibras naturais são menos sensibilizantes que fibras sintéticas, porém algumas fibras naturais (como a lã, por exemplo) podem induzir a reações de sensibilização
* os corantes utilizados na indústria têxtil não são inóquos para a microfauna e microflora aquática e podem causar danos ambientais significativos, por este motivo, empresas que tratam seus efluentes é um importante diferencial qualitativo e deve ser um critério na escolha do produto comercial
* em alguns países, como a Alemanha, por exemplo, alguns corantes têxteis são proibidos, em especial alguns da categoria azo, pois considerados carcinógenos. Infelizmente estas normas não se aplicam universalmente.


Para saber mais:
Ryberg K, Goossens A, Isaksson M, Gruvberger B, Zimerson E, Nilsson F, Björk J, Hindsén M, Bruze M.
Is contact allergy to disperse dyes and related substances associated with textile dermatitis?
Br J Dermatol. 2009 Jan;160(1):107-15

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Beleza Natureba

Para quem quer receitinhas naturais e baratinhas para máscaras de beleza, trago aqui algumas*. São receitinhas do tempo da vovó, que podem ser feitas em casa com produtos orgânicos (verdadeiros) e obter aquilo que industrialmente não é possível: um verdadeiro cosmético orgânico.

Máscara de choque(para depois de uma noitada):
1 colher de mel,
1 colher de leite fresco,
1 colher de farinha branca.
Misture. Aplique sobre o rosto e deixe repousar por 15 minutos.
Enxaguar com água morna.

Máscara contra os pontos negros (cravos) :
1 pedaço de abóbora amarela cozida,
1 colher de creme de leite fresco.
Misture bem. Aplique sobre o rosto por meia hora.
Enxague bem com água morna.

Máscara para a pele oleosa:
1 colher de mel
1 colher de suco tomate fresco.
Deixe no rosto a mistura por 20 minutos.
Enxague com água morna.

Máscara para pele seca:
Manteiga de leite de cabra.
Aplique no rosto por 20 minutos.

Máscara anti-rugas:
1 batata cozida
1 colher de yogurt.
Deixe no rosto por 20 minutos, enxague em seguida com água morna
ou utilizar 1 gema de ovo e
polpa de 1/2 maçã.

Máscara para reduzir olheiras:
1 gema
1 colher de mel (de flores mistas)
1 colher de óleo de oliva
1 colher de leite fresco.
Aplicar por 10 minutos, enxaguar com água morna alternada com água fria.

Loção detergente para o rosto:
1 xícara de leite fresco
algumas folhas de menta (hortelã)
Embeba um algodão e passe várias vezes no rosto, lábios, pescoço.
Enxague.

Bálsamo para cabelos: depois de lavados, passe sobre os cabelos leite fresco ou creme de leite. Deixe agir por 15 minutos. No último enxague, adicione uma colher de vinagre.

E quer também uma dica para limpar objetos de prata? Sabe o leite que estragou, coalhou e você vai jogar fora? Pois é uma solução econômica e ecológica para fazê-los brilhar de novo.


+E na agestado a notícia da interdição de um lote de condicionador da "Turma da Mônica", para saber mais acesse:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/agencia/2009/01/21/ult4469u36338.jhtm

+Hoje é o dia 01 da era Obama. Tomara que ele seja para muitos a promessa que representa. Eu aqui, nel mio piccolo, tenho clara a percepção que ele é presidente dos americanos e não o salvador da humanidade. Anyway, auguri!

*(fonte: Il Messaggero)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Ingredientes cosméticos e eczema crônico

Artigo de meados do ano passado sobre eczema crônico e sua relação com alguns ingredientes cosméticos, foi publicado por um grupo da República Tcheca. Achei interessante pois dá nome aos bois.
O objetivo do artigo foi identificar a frequência de sensibilização por contato aos ingredientes cosméticos estudados e a fonte da sensibilização.
Foram incluídos no estudo 1927 pacientes portadores de eczema crônico e estes foram submetidos ao patch test a agentes selecionados cujos resultados foram os seguintes:

thiomersal 11.3%,
wool alcohols 4.0% (álcoois de lanolina),
phenylmercuric acetate 3.1% (acetato de fenilmercúrio),
formaldehyde 2.5% (formol),
dodecyl gallate 2.0% (dodecil galato),
Bronopol 1.9%,
dibromodicyanobutane/ phenoxyethanol (1:4) 1.7% (dibromocianobutano em associação com fenoxietanol),
chloracetamide 1.6% (cloracetamida),
chlorhexidine digluconate 1.5% (clorexedine),
Kathon CG 1.4% (Metilisotiazolinona e metilcloroisotiazolinona),
parabens 1.1% (parabenos),
diazolidinyl urea 0.9% (diazolidinil uréia),
imidazolidinyl urea 0.7% (imidazolidinil uréia),
benzalkonium chloride 0.7% (cloreto de benzalcônio),
and Quaternium-15 0.7% (quatérnio 15).
Os autores concluem que a taxa de sensibilização aos excipientes inlusos em formulações tópicas para uso dermatológico e cosmético é significativa.
Mais um bom motivo para obter o máximo de informações a respeito dos ingredientes das formulações cosméticas.

Para saber mais:

Dastychová E, Necas M, Vasku V.
Contact hypersensitivity to selected excipients of dermatological topical preparations and cosmetics in patients with chronic eczema.
Acta Dermatovenerol Alp Panonica Adriat. 2008 Jun;17(2):61-8.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Para Alexandra e quem quiser saber mais sobre ftalatos

Os Ftalatos são uma família de substâncias químicas orgânicas produzidas através da combinação de ácido ortoftálico ou tereftálico com um álcool (que pode ser metanol, ou etanol até isodecanol).
Eles são os plasticizantes mais utilizados no mundo. Seu uso teve início faz cerca 50 anos e inicialmente se usavam para tornar o PVC maleável. Os ftalatos possuem um aspecto de óleo vegetal claro, com pouco ou nenhum cheiro, são um pouco amargos.
Na indústria são utilizados amplamente por seus benefícios: flexibilidade, durabilidade, longevidade, aumento da resistência e da performance e baixo custo. São sempre parte de um composto e praticamente nunca se apresentam sozinhos.
Podemos encontrar ftalatos em vários tipos de cenário:em produtos finais plásticos e de PVC,como amolecedor e lubrificante,como aditivo em adesivos, selantes, tintas, etc...,como fixador de perfumes e anticracking em esmaltes, até como combustível de foguetes!
No mercado há cerca de 20 tipos de ftalatos diferentes com diferentes aplicações.
O mais abundante é o dietilexilftalato, o DEHP (ou também conhecido por dioctilftalato, DOP), que representa cerca de 20% de todos os plasticizantes usados no mundo ocidental.
Na cosmética, o mais comum é o DBP, dibutilftalato, que por suas características físico-químicas é utilizado também na nitrocelulose, no PVC, nas tintas e adesivos, na borracha nitrílica e clorada, nas lacas e resinas fenólicas, alquídicas, estirenadas e outras, na moagem de pigmentos, no couro artificial, nos lubrificantes têxteis e na cobertura de papel.
Em resumo, o uso de ftalatos é tão difuso que a substância é ubíqua, podendo ser encontrada até em regiões desérticas do globo, levadas por correntes de ar ou pela cadeia alimentar.
Mas como estas substâncias entram em nossos corpos?
Existem basicamente quatro vias: a inalatória, a transcutânea, a oral, e a via parenteral.
A contaminação pela via parenteral ocorre quando se utilizam materiais médicos realizados em PVC, como cânulas, bolsas de infusão e etc,...
O fato destas substâncias serem aditivos, faz com que elas deixem o composto ao qual se ligam na embalagem e migrem para o conteúdo das mesmas. Quanto mais gorduroso for o conteúdo, maior a afinidade destas substâncias.
A contaminação por via oral se dá através do contato dos alimentos com filmes plásticos de PVC, com embalagens e contenidores desta substância ou através de objetos contendo ftalatos que sejam levados à boca..
A proximidade com objetos que possuam ftalatos como aditivos pode favorecer a contaminação por via inalatória, como ocorre nos brinquedos infantis e nos linóleos, onde o bebê leva o brinquedo à boca e gatinha próximo à fonte. Perfumes também podem conter (e geralmente contém) ftalatos. Tudo o que é perfumado (industrialmente) pode conter esta substância como parte da fórmula, pois sua adição prolonga a duração da fragrância. Cabe lembrar que na maioria das vezes fórmulas de perfumes são segredos industriais e não são abertas ao público. Você nunca vai encontrar no rótulo o nome ou as siglas dos ftalatos.
A via transcutânea diz respeito à passagem através da pele destas substâncias. A pele não é impermeável e apesar da complexidade do mecanismo transcutâneo e de suas realçoes metabólicas, ela deve ser levada em consideração. Neste caso, fatores como o tempo de exposição e a superfície de absorção são importantes.
Faz exceção o PET (que também é um politereftalato de etileno), mas cuja estabilidade molecular confere maior segurança quanto a esta perda.
Os ftalatos são agentes interferentes hormonais, possuem toxicidade reprodutiva, são carcinógenos (para algumas espécies) e mutagênicos.

O que podemos fazer para reduzirmos a carga de exposição a estes agentes? Algumas medidas são bastante simples:
a) abra as janelas de sua casa e areje bem o ambiente sempre que for possível,
b) não use filme de PVC para envolver alimentos gordurosos. Dê preferência a contenidores de vidro ou de aço inox,
c) evite produtos perfumados (ou pelo menos os que não tragam claramente no rótulo que sua fragrância é isenta de ftalatos), evite esmaltes, evite laquês, evite excessos de produtos de beleza se você estiver grávida. Use o necessário para seu estilo de vida, mas sem exageros.
d) ao usar produtos plásticos, dê preferência aos feitos em polipropileno ou em polietileno, por serem mais simples e não conterem aditivos.
e) procure saber quais são os plásticos utilizados nos brinquedos que você compra. Entre em contato com as empresas. Consulte os sites de proteção ao consumidor.

Lembre-se porém que você não vai conseguir zerar a sua exposição a ftalatos, mas vai poder reduzí-la.

Para saber mais:

consulte ao lado nos links:
Nosso Futuro Roubado, Our Stolen Future, Healthy Toys, IDEC...

http://www.greenpeace.org/raw/content/international/press/reports/phthalates-and-artificial-musk.pdf

e os posts relativos aos ftalatos e aos plásticos neste blog.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Triclosan, de novo.

"Alteração da esteroidogênese testicular e histopatologia do sistema reprodutor em ratos machos tratados com triclosan" é o título do artigo coordenado pelo Dr. Parthan Roy e liderado pelo Dr. Kumar do Indian Institute of Technology Roorkee que será publicado na Reproductive Toxicology, mas já está disponível on-line.
Os autores estudaram os efeitos do triclosan e sua toxicidade reprodutiva em ratos (R. norvegicus), tratando-os com 3 doses diárias de triclosan por um período de 2 meses e em seguida avaliaram vários parâmetros bioquímicos.
Através da reação em cadeia da polimerase com trascrição reversa, os autores demonstraram uma diminuição significativa nos níveis de RNAm para a proteína reguladora da esteroidogênese testicular aguda (StAR), citocromo P450 (SCC e C17), 3 beta-hidroxiesteroide desidrogenase (3 betaHSD), 17 beta-hidroxiesteroide desidrogenase (17 beta-HSD) e receptor androgênico (AR) nos ratos tratados com triclosan. Eles também observaram uma perturbação na translação de StAR testicular e nas proteínas do receptor androgênico pelo Western Blot. Por imunohistoquímica, os autores observaram uma diminuição na StAR nas células de Leydig. Além disso houve uma redução significativa nos níveis de LH (hormônio luteinizante), FSH (h. folívulo estimulante), colesterol, pregnenolona e testosterona. Houve uma redução superior a 30% na atividade enzimática do 3beta-HSD e do 17beta-HSD testiculares no grupo tratado.
Observou-se malformações histopatológicas nos testículos e nos tecidos sexuais nos ratos tratados.
Os autores concluiram que o triclosan diminui a síntese de andrógenos com consequente redução na produção de esperma que pode ser mediada redução da produção de LH e FSH, envolvendo o eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal.

O triclosan é um clorofenol usado como preservante e agente anti-bacteriano em vários tipos de formulações cosméticas (desodorantes, dentifrícios, etc...).

Para saber mais:
Kumar V, Chakraborty A, Kural MR, Roy P.
Alteration of testicular steroidogenesis and histopathology of reproductive system in male rats treated with triclosan.
Reprod Toxicol. 2008 Dec 11. (in press)