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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Dicas para a escolha de um protetor solar

Esta é parte de uma resposta que dei para a Silvia Chiros sobre proteção solar (filtros). Achei que merecia destaque, pois muita gente não sabe o que procurar nos rótulos.
Existem dois tipos de produtos: os protetores químicos, chamados filtros solares, que podem bloquear os raios UVB, UVA ou ambos (dependendo da substância), com nomes químicos bem complicados, e os bloqueadores solares (físicos), que bloqueiam literalmente os raios e que você pode reconhecer pois são basicamente dois: Óxido de Zinco e Dióxido de Titânio.

Para ajudar vou dar uma listinha de nomes que você vai achar nos rótulos e que deve evitar, se possível:

benzofenona 3 (benzophenone 3),
octilmetoxicinamato (OMC ou octyl-methoxycinnamate),
oxibenzona (oxybenzone),
parabenos (qualquer um deles: metil, butil, etc...),
nanopartículas ( às vezes chamada de micro, ultrafinas, microfinas, etc...) e
cânforas (terminam em canfor).

Dê preferência aos produtos destinados a bebês, pois dos 6 meses aos 2 anos eles só devem usar bloqueadores físicos e não filtros químicos. Mas atenção, quanto mais transparente for o bloqueador, mais provável a presença de nanopartículas.
Já aviso, não vai ser fácil encontrar no mercado, mas considere que o risco de câncer de pele é muito alto em nosso meio por conta da altíssima radiação ao qual nos expomos. Assim, se você tiver que se expor ao sol e não tiver fatores de risco em seu histórico familiar, então use um protetor talvez menos ideal, mas que possa diminuir os riscos da sua exposição.
Use o bom senso, escolha os melhores horários e não fique "fritando" por horas e horas. Procure um bom guarda-sol, de tecido espesso, que possa servir como escudo e curta suas férias.

PS: Não esqueça de proteger os olhos, pois a radiação UV aumenta muito a incidência de catarata, assim, use um bom par de óculos escuros. Lembre-se que a areia, superfícies cimentadas, neve e etc, REFLETEM estes raios.
Bastam 10 minutos diários de exposição à luz solar para obter todos os benefícios para o seu corpo. Não necessariamente nas horas de pico e não necessariamente de uma vez. Então, usufruam do sol com critério.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Direto da Australia (ICONN 2010)

Na Conferência Internacional de Nanociência e Nanotecnologia que termina amanhã em Sidney, na Austrália, o Prof. Dr. Brian Gulson, da Universidade Macquarie (Graduate School of The Environment, Dep.of Environment and Geography), apresentou um estudo que demonstrou que nanopartículas de Zinco permearam a pele, atingiram a corrente sanguínea e foram excretados na urina de indivíduos expostos a cremes solares contendo este agente nanomizado. Foram estudados 20 indivíduos de idades diferentes, analisados sangue e urina, e pode-se observar que crianças e indivíduos que trabalham ao ar livre são os grupos mais sujeitos a uma superexposição ao zinco.
O zinco provoca carência de cobre interferindo nas funções enzimáticas fisiológicas em vários sistemas e aparelhos.
O óxido de zinco convencional é considerado seguro como bloqueador solar físico bloqueando tantos os raios UVA como os UVB (embora possua alguma atividade fotoclástica).
Assim sendo, seria interessante que as empresas que usam moléculas nanomizadas deixassem esta informação CLARAMENTE DISPONÍVEL ao consumidor. Infelizmente nenhuma delas o faz e adquirir um bloqueador solar é ainda uma aventura.
Em tempos onde a radiação chega a 14, talvez fosse o caso de exigirmos mais das agências reguladoras no que diz respeito à rotulagem, fazendo com que importantes informações, como esta, se tornem obrigatórias.

Em um verão de 40°C, nada melhor do que cuidado, a velha sombra e água fresca.

À propósito, o Dr. Gulson fez um apelo às empresas fabricantes que reduzissem os produtos contendo nanopartículas.

N.A.: Ontem no jornal "Hoje" (Rede Globo) uma reportagem sobre shampoos me deixou esperançosa que um dia as pessoas entendendam que shampoos foram feitos para lavar, que não existem shampoos sem sal e que nutrição se faz pela boca, não pelos cabelos. Tomara que a linha editorial continue esclarecendo e deixando claro obviedades que muitos insistem em não ver. Parabéns!
Continuem lendo os rótulos com cuidado e com clareza, sem preconceitos e com a mente aberta. Procurem entender, aprender o que não se entendeu, afinal ninguém nasceu sabendo. Exercitem a crítica, não só nos rótulos, mas na vida. Esta é a melhor defesa contra falsas promessas.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

E o El Dorado é aqui e outras notícias estranhas (mas nem tanto).

Depois de vermos tantas cicatrizes nas montanhas e nas famílias dos esfolados, depois de vermos casas e pessoas submersas, submergindo com elas vidas e História, e aproveitando para lamentar com todos estas perdas e dores, resolvi, para aliviar, trazer a vocês uma notícia no mínimo curiosa.
O famoso e tão procurado El Dorado, cidade mítica pela qual tantos exploradores arriscaram a pele, existe de verdade e está aqui, no Brasil, segundo uma notícia que chega de Londres.
Por conta do desboscamento do Amazonas, próximo da divisa com a Bolívia, identificou-se um sito arqueológico onde aparecem muitas construções pré-colombianas, observadas através de imagens satelitares e fotografias.
O sito possui cerca de 200 estruturas poligonais e circulares, dispostos em uma rede que se extende por cerca 250 quilometros. E parece ser somente uma pequena parte do todo.
Não há dúvida que é um achado bem curioso, mas ao mesmo tempo é um sinal que a floresta está encolhendo a olhos vistos, mesmo que sejam satelitares.


Outras notícias curiosas para o vosso (nosso) deleite foram:

*Sempre na California, a experiência de teletransporte de nanoesferas de silício em um feixe laser, estilo Star Treck (sonho de consumo de toda uma geração que sonhava em dissolver-se e transportar-se instantaneamente para um outro lugar - e que, sendo da tal geração, considero de fato fantástico). Aguardaremos os resultados para ver se funciona.

*Por as crianças para dormir mais cedo evita depressão. Só falta convencer as criaturinhas.

* Web suicide Machine, um dispositivo que permitiria que você cancelasse seus registros em todos os sites de relacionamento. Ao invés de passar horas fazendo isto manualmente, você daria um só click e fim de web2.0. De qualquer forma, uma vez suicidado, você está mortinho para a web ad eternum. Mas após uma avalanche de cancelamentos, o Facebook bloqueou o programa.

*O Sol engoliu um cometa, e este foi o primeiro evento celeste de 2010. (Você sabia? Radio relógio informa)

*Ah, a propósito de relógios, foram descobertos novos milipulsares, uma espécie de viuva negra espacial e também os "relógios" mais precisos do Universo. Herança de Enrico Fermi. À propósito, alguém sabe que fim levou Ettore Majorana? Um mistério ainda sem resposta...(quem não sabe quem foi, vale descobrir)

* O Twitter bloqueia algumas passwords, impedindo seu uso por serem muito banais e fáceis de serem descobertas por pessoas com más intensões, logo esqueça de usar "ferrari", "123456" ou coisa similar e seja, no mínimo, mais criativo.

* A memória permanece ativa (ao menos temporariamente) em proveta e foi descrita na edição on line da revista Nature Neuroscience. O estudo é da Case Western Reserve University de Cleveland (Ohio) e foi conduzido em ratos. (Larimer P, Strowbridge BW. Representing information in cell assemblies: persistent activity mediated by semilunar granule cells.)


*Comeu demais nas festas? Mesmo sentindo-se saciado? Culpa da grelina, um hormônio produzido pelo cérebro. Quer saber mais? Leia a Biological Psychiatry ( Perello M et alli. Ghrelin Increases the Rewarding Value of High-Fat Diet in an Orexin-Dependent Manner. Biol Psychiatry. 2009 Dec 23).

Bem, já tem pão aí para os dentinhos de bastante gente. Como primeira blogada do ano, me resta desejar a todos um bom ano de 2010, apesar das notícias que a gente recebe. Nos resta por um sorriso na cara e nos prepararmos para mais um ano de trabalho.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Dióxido de Titânio nanomizado.

De um artigo da Toxicology and Applied Pharmacology realizado por um grupo de pesquisadores do Institute of Biomedical Sciences, National Chung Hsing University de Formosa, um alerta para o possível risco das partículas nanomizadas de Dióxido de Titânio (TiO2 <100 nm de diâmetro).

O Dióxido de Titânio nanomizado está presente em uma série de produtos, inclusive cosméticos e farmacos, por ser considerado de "baixa toxicidade". No entanto estudos recentes tem mostrado que as nanopartículas de TiO2 (nanoTiO2) induzem citotoxicidade e genotoxicidade em várias linhagens de culturas de células, assim como possuem potencial carcinogênico em modelos animais.
O papel biológico das nanopartículas de TiO2 se demonstraram controversas e não foi possível estabelecer um paradigma para investigar seus mecanismos moleculares.
No estudo, os autores demonstram que a exposição a curto prazo ao nanoTiO2 aumenta a proliferação celular, a sobrevida celular, a ativação da sinalização ERK e a produção de radicais livres de Oxigênio em cultura de fibroblastos. A exposição a longo prazo ao nanoTiO2 não apenas aumentou ainda mais a sobrevivência e crescimento das células em cultura, mas também o número de células multinucleadas e os micronúcleos, como visto pelos autores através de análise de microscopia confocal. A análise das fases do ciclo celular mostraram atraso G 2/M e uma maior lentidão na divisão celular na exposição por longo prazo. De relevância para os autores é que a exposição por longo prazo afeta de forma notável a progressão mitótica na anáfase e na telófase, levando a aberrações, como a formação fusos multipolares e alterações no alinhamento e segregação da cromatina. A enzima PLK1 demonstrou-se alvo para as nanopartículas de TiO2 na regulação da progressão mitótica e da saída da mitose. Uma grande fração da população sub-G1 apareceu nas células expostas após a liberação da sincronização de G2/M.
Os autores concluem que os resultados observados na exposição a longo prazo ao nanoTiO2 atrapalha a progressão dos ciclos celulares e duplica a segregação do genoma, levando a instabilidade cromossômica e transformação celular.


Sinceramente, você ainda faz questão de um bloqueador solar transparente?



Para ler mais:

Huang S, Chueh PJ, Lin YW, Shih TS, Chuang SM
Disturbed mitotic progression and genome segregation are involved in cell transformation mediated by nano-TiO2 long-term exposure.
Toxicol Appl Pharmacol. 2009 Aug 18.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Na Scientifc American Brasil

um artigo sobre a ação dos filtros solares físicos nanomizados sobre o ambiente.
O assunto já foi tratado aqui.
Quem quiser dar uma olhadinha o link é:

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/filtro_solar_destroi_microrganismos_beneficos.html

Lembramos que a exposição exagerada à radiação solar está relacionada a incidência de tumores de pele e envelhecimento precoce.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Nanopartículas e os rins

Do grupo da Universidade de Bordeaux, da Santé- Travail- Environnement, realizado pela Dr.a Béatrice L'Azou e colaboradores, saiu um artigo sobre a toxicidade de nanopartículas em células renais (in vitro).
Os autores propuseram o estudo baseados no fato que nanopartículas podem cruzar a barreira alveolo-capilar e que poderiam translocar pela corrente sanguínea até atingir orgãos alvo distantes de seu ponto de entrada e que a toxicidade das nanopartículas sobre os órgãos ainda foram pouco estudadas.
A autora e seu grupo estudaram a nanotoxicidade in vitro de vários "carbon blacks" (CB)(FW2-13 nm, Printex60-21 nm and LB101-95 nm) e de dióxido de titânio de 15 e 50 nm. A observação interessou seus efeitos nas células mesangiais (IP15) e no epitélio tubular proximal (LLC-PK1) e verificaram uma variedade de respostas celulares diferentes.
A maior toxicidade foi observada com as moléculas menores de carbono FW2NP se considerada a clássica dose-resposta. No entanto, com as diferentes metodologias aplicadas no estudo, as células tubulares proximais acabaram se demonstrando as mais sensíveis.
As partículas de carbono FW2NPs aumentaram significativamente a produção de radicais livres de oxigênio nos dois tipos de células indistintamente.
Através de microscopia por microfluorescência observou-se que as células internalizavam as nanopartículas (dependendo do tamanho das mesmas) e as acumulavam no citoplasma. Foram vistas nanopartículas dentro das células em vesículas.
Os autores, em base aos resultados, concluiram que existiram no estudo vários graus de citotoxicidade nas células renais e que estes efeitos seriam
dependentes do tipo de partícula, do seu tamanho e da célula alvo. Ainda afirmam que seria importante desenvolver (in vitro), padronificar e validar (para os efeitos in vivo) sistemas de avaliação das nanopartículas que possam estabelecer sua toxicidade real em seres humanos.

Para saber mais:

L'azou B, Jorly J, On D, Sellier E, Moisan F, Fleury-Feith J, Cambar J, Brochard P, Ohayon-Courtès C.
In vitro effects of nanoparticles on renal cells.
Part Fibre Toxicol. 2008 Dec 19;5:22.

o artigo é disponível no link
http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=2621238&blobtype=pdf

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Bem pequenininho, bem, bem, bem pequenininho...

Vem chegando os dias mais quentes e muitos dos novos bloqueadores solares contém dióxido de titânio na sua forma nano.
Muitos artigos na literatura clamam por cautela quando se fala de nanopartículas, pois de fato não são correspondentes em termos de comportamento às suas similares não nano.
O Dióxido de Titânio é considerado seguro em sua forma convencional, um agente bloqueador físico. Já sua forma nanomizada foi encontrada em pulmões e tecido cerebral de animais de experimentação após aplicação cutânea.
Um artigo recente na Food and Chemical Toxicology traz os seus riscos potenciais sobre os eritrócitos por vários mecanismos tóxicos como a hemoaglutinação, perda do conteúdo celular e estresse oxidativo.
Portanto sugiro cautela. Pode ser mais fácil de espalhar, mais fácil de absorver, mais transparente, mas bem menos seguro.

Para saber mais:
Li S, Zhu R, Zhu H, Xue M, Sun X, Yao S, Wang S. Nanotoxicity of TiO(2) nanoparticles to erythrocyte in vitro.Food Chem Toxicol. 2008 Sep 18 ( disponível na edição on line).

domingo, 28 de outubro de 2007

Mais um artigo para se refletir...

Resolvi não comentar a questão do leite que vem enchendo as páginas da imprensa nos últimos dias. Primeiro porque não necessita de comentários, depois porque o consumidor não tem como controlar a qualidade do produto se estes "aditivos" não são devida e claramente rotulados.
Devo dizer no entanto que uma coisa me incomodou muito e foi o fato do desdém da representante da Vigilância ao dizer que o produto adulterado "não mataria ninguém". Mesmo que seja verdade, uma pessoa que representa um orgão controlador deveria estar um pouco mais atenta na postura com que se dirige a media. Passou a impressão que a adulteração era pouco importante, o que não é verdade.

Mas hoje trouxe um abstract de um artigo a mais para a nossa reflexão. Diz respeito a partículas nano de Óxido de Zinco. Estamos caminhando para o verão e consequentemente ao uso de bloqueadores solares em maior escala. A tendência é de usar nanopartículas de óxido de zinco em formulações de bloqueadores. Dêem uma lida no artigo abaixo. Vale pensar que as partículas que não permeiam a epiderme vão parar na água e a água, caros, volta a circular em vários ecossistemas.
É como diz a nova campanha do WWF: "Cuidado com aquilo que você faz, porque, cedo ou tarde, volta para você".

Lin D, Xing B. Phytotoxicity of nanoparticles: Inhibition of seed germination and root growth.
Environ Pollut. 2007 Mar 17

Department of Environmental Science, Zhejiang University, Hangzhou 310028, China; Department of Plant, Soil and Insect Sciences, University of Massachusetts, Stockbridge Hall, Amherst, MA 01003, USA.

Plants need to be included to develop a comprehensive toxicity profile for nanoparticles. Effects of five types of nanoparticles (multi-walled carbon nanotube, aluminum, alumina, zinc, and zinc oxide) on seed germination and root growth of six higher plant species (radish, rape, ryegrass, lettuce, corn, and cucumber) were investigated. Seed germination was not affected except for the inhibition of nanoscale zinc (nano-Zn) on ryegrass and zinc oxide (nano-ZnO) on corn at 2000mg/L. Inhibition on root growth varied greatly among nanoparticles and plants. Suspensions of 2000mg/L nano-Zn or nano-ZnO practically terminated root elongation of the tested plant species. Fifty percent inhibitory concentrations (IC(50)) of nano-Zn and nano-ZnO were estimated to be near 50mg/L for radish, and about 20mg/L for rape and ryegrass. The inhibition occurred during the seed incubation process rather than seed soaking stage. These results are significant in terms of use and disposal of engineered nanoparticles.

sábado, 8 de setembro de 2007

Nananina, Nano!

Nanotecnologia vem se tornando uma referência frequente em produtos cosméticos. Especialmente em bloqueadores solares e cremes anti-idade. Queria chamar a atenção para um artigo de 2006 do grupo de Engenharia Civil e Ambiental da Rice Univ. de Houston (Adams LK, Lyon DY, McIntosh A, Alvarez PJ.Comparative toxicity of nano-scale TiO2, SiO2 and ZnO water suspensions.Water Sci Technol. 2006;54(11-12):327-34.).
Os autores alertam para a toxicidade ambiental destas nanopartículas, justamente pelas propriedades fotoclásticas que possuem sobre a microflora.
Assim, quando usar um protetor solar com nanopartículas, pense bem, pense duas vezes. Parte delas vai parar no ralo.
Lembre-se que as partículas absorvem radiação e sua nanoescala faz com que penetrem até estratos mais profundos da pele. Quando isto ocorre, elas vão desacelerando e produzindo radicais livres durante este trajeto. Elas são capazes de matar bactérias destruindo o DNA delas. Pense no que pode acontecer com o seu.
Ah, lembre-se que a pele do bebê é 2,5 vezes mais permeável do que a sua.