A contaminação do rio Pardo, no interior de SP, por defensivos agrícolas como o diuron e hexazinona, pode inviabilizar sua água para consumo. A construção de uma ETE (estação de tratamento de esgoto) que eliminasse essas substâncias poderia ser uma solução, segundo o artigo, porém é cara. A afirmação é da professora e química Cristina Pereira Rosa Paschoalato, da Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto), que conclui uma pesquisa sobre o rio.
O fato de o rio cortar regiões produtoras de cana-de-açúcar, diz ela, influencia no grau de contaminação. Ela conta que os dois herbicidas não estão na lista de proibidos da portaria 357 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que traz normas para manter a qualidade das águas dos rios.
A pesquisadora espera, no entanto, que na reforma da portaria 518 do Conama, que define os padrões de potabilidade da água, esses dois compostos passem a integrar a lista de substâncias controladas e monitoradas.
Cristina diz que sua pesquisa simulou os produtos numa estação de tratamento e que as substâncias "passaram direto", indicando que isso ocorreria também numa ETE convencional.A pesquisa é realizada pela Funep (Fundação de Apoio a Pesquisa, Ensino e Extensão) e pelo Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto), em parceria com a Unaerp.
Para discutir "body burden", disruptores hormonais, contaminação química ambiental e outras "cositas más"... Para desabafar, falar da vida, de qualidade de vida, de sobrevivência. Para falar de beleza, de limpeza,de saúde, de futuro com quem realmente se importa.
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Uma email que recebi.
Salve o Jeca Tatu!
Por Tatiana Achcar
Frutas frescas, sucos naturais, legumes, verduras e cereais, ingredientes de uma alimentação saudável, certo? Nem sempre. No suco de laranja, na salada de alface e tomate e até no básico arroz com feijão, o brasileiro ingere cinco quilos de veneno por ano.
Pela segunda vez consecutiva, estamos no topo do ranking dos países que mais consomem agrotóxicos no mundo, que é vendido, da fábrica ao campo e do campo ao prato, como a salvação da lavoura, capaz de exterminar pragas, garantir alimentos de qualidade e em grande quantidade para abastecer o mercado e ainda sanar a fome do mundo. Alguém viu algum faminto por aí? O que fica escondido é o preço bem caro que todo mundo paga para manter esse modelo falido de produzir o pão nosso de cada dia.
Em primeiro lugar, tem a alta recorde dos alimentos. Quem compra comida já notou que o bolso ficou mais vazio ou a sacola está mais leve. O custo da produção de alimentos vem acompanhando de perto o preço do petróleo, matéria prima dos defensivos agrícolas e fertilizantes. As revoltas na Tunísia e no Egito foram parcialmente vinculadas à insatisfação com a alta dos preços da comida. Onde não tem prato feito, tem guerra.
Depois, vêm os danos à saúde, causados pelos agrotóxicos e deflagrados constantemente por pesquisas científicas, mas que governo nenhum ousa enfrentar. Depressão, alergias, desenvolvimento sexual precoce, disfunções hormonais, problemas neurológicos, má formação do feto, fraqueza dos rins, enjôo, diarréia. Leite materno contaminado!
Até agora, o sistema de saúde foi incapaz de notificar os problemas de saúde relacionados ao uso de agrotóxicos. O Ministério da Saúde tem se mostrado omisso em identificar intoxicações na saúde do trabalhador e no ambiente e difundir informação sobre os riscos desse veneno. Por que não faz uma campanha de amplo alcance, como fez sobre a Aids? Hoje em dia, o único setor que faz propaganda é o próprio agronegócio. Vai mal!
A bancada ruralista quer alterar a legislação para isentar o agrotóxico de impostos. Quer também mudar o Código Florestal para derrubar mais florestas e avançar sobre as fontes de água limpa. Quem está por trás das duas articulações? O agronegócio. Com o preço do petróleo nas alturas, eles estão pedindo arrego ao governo enquanto a população adoece e sobrecarrega o sistema saúde.
A pressão para alterar o Código Florestal tem efeito rebote. Aumentar a área de desmatamento em margens dos rios e nascentes, hoje protegidas por lei, significa expô-las à contaminação da água pelos próprios agrotóxicos, comprometendo a biodiversidade a qualidade do recuso mais vital e valioso para a vida no planeta. Por falar em água, a agricultura é o maior consumidor de água potável do mundo, pois usa sistemas de produção e irrigação obsoletos e fertilizantes que empobrecem e desertificam o solo, demandando mais água.
Um relatório [http://www2.ohchr.org/english/issues/food/docs/A-HRC-16-49.pdf ] da Comissão de Direitos Humanos da ONU, publicado em dezembro passado, revela que muitos agricultores de países em desenvolvimento podem dobrar sua produção de alimentos no prazo de uma década se deixarem de usar pesticidas e fertilizantes químicos e aderirem à agricultura ecológica. O método também torna o campo mais resistente ao impacto projetado pelas mudanças climáticas – enchentes, secas e alta no nível dos mares, que já deixou a água doce perto de alguns litorais salgada demais para poder ser usada na irrigação.
De acordo com o relatório, até agora, projetos de agricultura ecológica em 57 países trouxeram ganhos médios de 80% nas safras, usando métodos naturais para enriquecer o solo e proteger a plantação contra pragas. Coisas simples, como colocar patos para comer ervas daninhas em arrozais em Bangladesh, descobrir uma planta do Quênia que captura inseto, plantar árvores altas para sombrear cafezais e intensificar o uso de adubos naturais, feitos com sobras de alimentos e podas de jardim.
Enquanto a industrialização centralizou-se, a zona rural empobreceu e as cidades incharam, os Jecas Tatu de todo o globo desenvolveram tecnologias que podem salvar a lavoura. Está na hora de olhar pro campo.
Fonte: http://colunistas.yahoo.net/posts/10179.html
Por Tatiana Achcar
Frutas frescas, sucos naturais, legumes, verduras e cereais, ingredientes de uma alimentação saudável, certo? Nem sempre. No suco de laranja, na salada de alface e tomate e até no básico arroz com feijão, o brasileiro ingere cinco quilos de veneno por ano.
Pela segunda vez consecutiva, estamos no topo do ranking dos países que mais consomem agrotóxicos no mundo, que é vendido, da fábrica ao campo e do campo ao prato, como a salvação da lavoura, capaz de exterminar pragas, garantir alimentos de qualidade e em grande quantidade para abastecer o mercado e ainda sanar a fome do mundo. Alguém viu algum faminto por aí? O que fica escondido é o preço bem caro que todo mundo paga para manter esse modelo falido de produzir o pão nosso de cada dia.
Em primeiro lugar, tem a alta recorde dos alimentos. Quem compra comida já notou que o bolso ficou mais vazio ou a sacola está mais leve. O custo da produção de alimentos vem acompanhando de perto o preço do petróleo, matéria prima dos defensivos agrícolas e fertilizantes. As revoltas na Tunísia e no Egito foram parcialmente vinculadas à insatisfação com a alta dos preços da comida. Onde não tem prato feito, tem guerra.
Depois, vêm os danos à saúde, causados pelos agrotóxicos e deflagrados constantemente por pesquisas científicas, mas que governo nenhum ousa enfrentar. Depressão, alergias, desenvolvimento sexual precoce, disfunções hormonais, problemas neurológicos, má formação do feto, fraqueza dos rins, enjôo, diarréia. Leite materno contaminado!
Até agora, o sistema de saúde foi incapaz de notificar os problemas de saúde relacionados ao uso de agrotóxicos. O Ministério da Saúde tem se mostrado omisso em identificar intoxicações na saúde do trabalhador e no ambiente e difundir informação sobre os riscos desse veneno. Por que não faz uma campanha de amplo alcance, como fez sobre a Aids? Hoje em dia, o único setor que faz propaganda é o próprio agronegócio. Vai mal!
A bancada ruralista quer alterar a legislação para isentar o agrotóxico de impostos. Quer também mudar o Código Florestal para derrubar mais florestas e avançar sobre as fontes de água limpa. Quem está por trás das duas articulações? O agronegócio. Com o preço do petróleo nas alturas, eles estão pedindo arrego ao governo enquanto a população adoece e sobrecarrega o sistema saúde.
A pressão para alterar o Código Florestal tem efeito rebote. Aumentar a área de desmatamento em margens dos rios e nascentes, hoje protegidas por lei, significa expô-las à contaminação da água pelos próprios agrotóxicos, comprometendo a biodiversidade a qualidade do recuso mais vital e valioso para a vida no planeta. Por falar em água, a agricultura é o maior consumidor de água potável do mundo, pois usa sistemas de produção e irrigação obsoletos e fertilizantes que empobrecem e desertificam o solo, demandando mais água.
Um relatório [http://www2.ohchr.org/english/issues/food/docs/A-HRC-16-49.pdf ] da Comissão de Direitos Humanos da ONU, publicado em dezembro passado, revela que muitos agricultores de países em desenvolvimento podem dobrar sua produção de alimentos no prazo de uma década se deixarem de usar pesticidas e fertilizantes químicos e aderirem à agricultura ecológica. O método também torna o campo mais resistente ao impacto projetado pelas mudanças climáticas – enchentes, secas e alta no nível dos mares, que já deixou a água doce perto de alguns litorais salgada demais para poder ser usada na irrigação.
De acordo com o relatório, até agora, projetos de agricultura ecológica em 57 países trouxeram ganhos médios de 80% nas safras, usando métodos naturais para enriquecer o solo e proteger a plantação contra pragas. Coisas simples, como colocar patos para comer ervas daninhas em arrozais em Bangladesh, descobrir uma planta do Quênia que captura inseto, plantar árvores altas para sombrear cafezais e intensificar o uso de adubos naturais, feitos com sobras de alimentos e podas de jardim.
Enquanto a industrialização centralizou-se, a zona rural empobreceu e as cidades incharam, os Jecas Tatu de todo o globo desenvolveram tecnologias que podem salvar a lavoura. Está na hora de olhar pro campo.
Fonte: http://colunistas.yahoo.net/posts/10179.html
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
Quanto vale uma vida contaminada.
Campinas (SP), 05/04/2011 - O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
negou recurso impetrado pelas empresas Shell do Brasil e Basf S/A contra decisão
em primeira instância que condena as multinacionais ao custeio de tratamento de
saúde de ex-funcionários e ao pagamento de uma indenização bilionária por danos
morais.
O acórdão proferido pelo TRT mantém a sentença da Vara do Trabalho de Paulínia,
que também abrange filhos de empregados que nasceram durante ou após a prestação
de serviços, autônomos e terceirizados.
A cobertura médica deve abranger consultas, exames e todo o tipo de tratamento
médico, nutricional, psicológico, fisioterapêutico e terapêutico, além de
internações.
Fica mantido que cada ex-trabalhador e cada filho de ex-trabalhador nascido
durante ou depois da prestação de serviços deverá receber o montante individual
de R$ 64.500, indenização que se refere à protelação do processo pelas empresas,
no período compreendido entre a data da propositura da ação, em 2007, até 30 de
setembro de 2010. Este
valor será acrescido de juros e correção monetária a partir da sentença e de
mais R$ 1.500 por mês caso não seja feito o reembolso mensal das despesas nos
meses seguintes.
Após a publicação da sentença, os trabalhadores terão prazo de 90 dias para
apresentar documentos comprovando a condição de ex-empregados das empresas
Shell, Cyanamid ou Basf (sucessora da Cyanamid), ou de terceirizados ou
autônomos que trabalharam na unidade fabril de Paulínia, independente do
trânsito em julgado. Embora possam ser
cadastrados trabalhadores de todo o país, o atendimento à saúde foi restringido
à Região Metropolitana de Campinas e à cidade de São Paulo.
As empresas devem constituir um comitê gestor do pagamento da assistência
médica, o qual, segundo ex-trabalhadores, está em vias de ser estabelecido. Se
descumprir a obrigação, as empresas devem pagar multa diária no valor de R$ 100
mil.
As empresas também foram condenadas ao pagamento de indenização por danos morais
causados à coletividade no valor de R$ 761 milhões, reversível ao Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT).
De acordo com o juízo, as empresas deverão arcar, no total, com um custo
aproximado de R$ 1 bilhão e 100 milhões de reais.
Mais de 1 mil ex-trabalhadores das empresas foram beneficiados com a sentença,
além de outras centenas de familiares, também suscetíveis à contaminação. De
todos os trabalhadores que tentam provar que foram expostos a substâncias
contaminantes, ao menos 100 possuem ações individuais em trâmite na Justiça.
A exposição de seres humanos aos contaminantes presentes no local da fábrica é
há anos estudada e está vastamente documentada nos autos da ação civil pública
ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em 2007, juntamente com
Associação de Combate aos Poluentes (ACPO), Associação dos Trabalhadores
Expostos a Substâncias Químicas (Atesq) e Instituto Barão de Mauá de Defesa de
Vítimas e Consumidores Contra Entes Poluidores e Maus Fornecedores.
O material foi produzido por instituições como Unicamp, MPT, Centro de Apoio
Operacional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente, Ministério da Saúde,
Cut, Cedec, Dieese, Unitrabalho e pela empresa holandesa Haskoning/IWACO – a
pedido da própria Shell.
Em razão de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado perante o
Ministério Público do Trabalho, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador
(Cerest) de Campinas examinou 69 ex-trabalhadores da Shell/Cyanamid/Basf e
enviou um relatório, que foi juntado aos autos do inquérito, sobre os
atendimentos realizados, cujo resultado apontou
uma média de 6 diagnósticos por indivíduo analisado.
Dos 17 casos diagnosticados, 10, ou seja, 58,8% foram de neoplasia maligna,
chamando atenção os cânceres de próstata e os de tireóide. Houve ainda um caso
de síndrome mielodisplásica. Quanto às doenças endócrinas, o Cerest verificou
que 67,9% dos diagnósticos foram dislipedimias somadas às doenças da glândula
tireóide.
Dos 34 casos de doenças do aparelho circulatório, 21 foram casos de doenças
hipertensivas. Dentre as doenças do aparelho digestivo, destacaram-se as doenças
do fígado, além da ocorrência de casos de doença diverticular do cólon e um caso
de metaplasia intestinal em esôfago. Em 30 casos houve predominância de Lesões
por Esforços Repetitivos (LER), enquanto que 56 ex-trabalhadores apresentaram
problemas sérios no aparelho gênito-urinário, com afecções da próstata,
alterações de fertilidade e impotência sexual. Ainda houve
exames em que o diagnóstico final não foi comprovado, mas apresentaram
alterações.
A Shell e a Basf podem recorrer da decisão no Tribunal Superior do Trabalho
(TST), em Brasília.
CONHEÇA O CASO
No final da década de 70 a Shell instalou uma indústria química nas
adjacências do bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia. Em 1992, ao
vender os seus ativos para a multinacional Cyanamid, começou a ser
discutida a contaminação ambiental produzida pela empresa na
localidade, até que, por exigência da empresa compradora, a Shell
contratou consultoria ambiental internacional que apurou a existência
de contaminação do solo e dos lençóis freáticos de sua planta em
Paulínia.
A Shell foi obrigada a realizar uma auto-denúncia da situação à
Curadoria do Meio Ambiente de Paulínia, da qual resultou um termo de
ajuste de conduta. No documento a empresa reconhece a contaminação do
solo e das águas subterrâneas por produtos denominados aldrin, endrin
e dieldrin, compostos por substâncias altamente cancerígenas – ainda
foram levantadas contaminações por cromo, vanádio, zinco e óleo
mineral em quantidades significativas.
Após os resultados toxicológicos, a agência ambiental entendeu que a
água das proximidades da indústria não poderia mais ser utilizada, o
que levou a Shell a adquirir todas as plantações de legumes e verduras
das chácaras do entorno e a passar a fornecer água potável para as
populações vizinhas, que utilizavam poços artesianos contaminados.
Mesmo nas áreas residenciais no entorno da empresa foram verificadas
concentrações de metais pesados e pesticidas clorados (DDT e drins) no
solo e em amostras de água subterrâneas. Constatou-se que os “drins”
causam hepatotoxicidade e anomalias no sistema nervoso central.
Ademais, a Cyanamid foi adquirida pela Basf, que assumiu integralmente
as atividades no complexo industrial de Paulínia e manteve a exposição
dos trabalhadores aos riscos de contaminação até 2002, ano em que os
auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
interditaram o local, de acordo com decisão tomada em audiência na
sede do MPT. Apesar do recurso impetrado pela Basf, a interdição foi
confirmada em decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª
Região.
Em 2005, o Ministério da Saúde concluiu a avaliação das informações
sobre a exposição aos trabalhadores das empresas Shell, Cyanamid e
Basf a compostos químicos em Paulínia. O relatório final indicou o
risco adicional aos expostos ao desenvolvimento de diversos tipos de
doença. No ano de 2007, o MPT ingressou com ação civil pública para
garantir os direitos dos ex-trabalhadores ao custeio de tratamento de
saúde, juntamente com uma indenização milionária.
Fonte: Ministério Público do Trabalho em Campinas
negou recurso impetrado pelas empresas Shell do Brasil e Basf S/A contra decisão
em primeira instância que condena as multinacionais ao custeio de tratamento de
saúde de ex-funcionários e ao pagamento de uma indenização bilionária por danos
morais.
O acórdão proferido pelo TRT mantém a sentença da Vara do Trabalho de Paulínia,
que também abrange filhos de empregados que nasceram durante ou após a prestação
de serviços, autônomos e terceirizados.
A cobertura médica deve abranger consultas, exames e todo o tipo de tratamento
médico, nutricional, psicológico, fisioterapêutico e terapêutico, além de
internações.
Fica mantido que cada ex-trabalhador e cada filho de ex-trabalhador nascido
durante ou depois da prestação de serviços deverá receber o montante individual
de R$ 64.500, indenização que se refere à protelação do processo pelas empresas,
no período compreendido entre a data da propositura da ação, em 2007, até 30 de
setembro de 2010. Este
valor será acrescido de juros e correção monetária a partir da sentença e de
mais R$ 1.500 por mês caso não seja feito o reembolso mensal das despesas nos
meses seguintes.
Após a publicação da sentença, os trabalhadores terão prazo de 90 dias para
apresentar documentos comprovando a condição de ex-empregados das empresas
Shell, Cyanamid ou Basf (sucessora da Cyanamid), ou de terceirizados ou
autônomos que trabalharam na unidade fabril de Paulínia, independente do
trânsito em julgado. Embora possam ser
cadastrados trabalhadores de todo o país, o atendimento à saúde foi restringido
à Região Metropolitana de Campinas e à cidade de São Paulo.
As empresas devem constituir um comitê gestor do pagamento da assistência
médica, o qual, segundo ex-trabalhadores, está em vias de ser estabelecido. Se
descumprir a obrigação, as empresas devem pagar multa diária no valor de R$ 100
mil.
As empresas também foram condenadas ao pagamento de indenização por danos morais
causados à coletividade no valor de R$ 761 milhões, reversível ao Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT).
De acordo com o juízo, as empresas deverão arcar, no total, com um custo
aproximado de R$ 1 bilhão e 100 milhões de reais.
Mais de 1 mil ex-trabalhadores das empresas foram beneficiados com a sentença,
além de outras centenas de familiares, também suscetíveis à contaminação. De
todos os trabalhadores que tentam provar que foram expostos a substâncias
contaminantes, ao menos 100 possuem ações individuais em trâmite na Justiça.
A exposição de seres humanos aos contaminantes presentes no local da fábrica é
há anos estudada e está vastamente documentada nos autos da ação civil pública
ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em 2007, juntamente com
Associação de Combate aos Poluentes (ACPO), Associação dos Trabalhadores
Expostos a Substâncias Químicas (Atesq) e Instituto Barão de Mauá de Defesa de
Vítimas e Consumidores Contra Entes Poluidores e Maus Fornecedores.
O material foi produzido por instituições como Unicamp, MPT, Centro de Apoio
Operacional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente, Ministério da Saúde,
Cut, Cedec, Dieese, Unitrabalho e pela empresa holandesa Haskoning/IWACO – a
pedido da própria Shell.
Em razão de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado perante o
Ministério Público do Trabalho, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador
(Cerest) de Campinas examinou 69 ex-trabalhadores da Shell/Cyanamid/Basf e
enviou um relatório, que foi juntado aos autos do inquérito, sobre os
atendimentos realizados, cujo resultado apontou
uma média de 6 diagnósticos por indivíduo analisado.
Dos 17 casos diagnosticados, 10, ou seja, 58,8% foram de neoplasia maligna,
chamando atenção os cânceres de próstata e os de tireóide. Houve ainda um caso
de síndrome mielodisplásica. Quanto às doenças endócrinas, o Cerest verificou
que 67,9% dos diagnósticos foram dislipedimias somadas às doenças da glândula
tireóide.
Dos 34 casos de doenças do aparelho circulatório, 21 foram casos de doenças
hipertensivas. Dentre as doenças do aparelho digestivo, destacaram-se as doenças
do fígado, além da ocorrência de casos de doença diverticular do cólon e um caso
de metaplasia intestinal em esôfago. Em 30 casos houve predominância de Lesões
por Esforços Repetitivos (LER), enquanto que 56 ex-trabalhadores apresentaram
problemas sérios no aparelho gênito-urinário, com afecções da próstata,
alterações de fertilidade e impotência sexual. Ainda houve
exames em que o diagnóstico final não foi comprovado, mas apresentaram
alterações.
A Shell e a Basf podem recorrer da decisão no Tribunal Superior do Trabalho
(TST), em Brasília.
CONHEÇA O CASO
No final da década de 70 a Shell instalou uma indústria química nas
adjacências do bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia. Em 1992, ao
vender os seus ativos para a multinacional Cyanamid, começou a ser
discutida a contaminação ambiental produzida pela empresa na
localidade, até que, por exigência da empresa compradora, a Shell
contratou consultoria ambiental internacional que apurou a existência
de contaminação do solo e dos lençóis freáticos de sua planta em
Paulínia.
A Shell foi obrigada a realizar uma auto-denúncia da situação à
Curadoria do Meio Ambiente de Paulínia, da qual resultou um termo de
ajuste de conduta. No documento a empresa reconhece a contaminação do
solo e das águas subterrâneas por produtos denominados aldrin, endrin
e dieldrin, compostos por substâncias altamente cancerígenas – ainda
foram levantadas contaminações por cromo, vanádio, zinco e óleo
mineral em quantidades significativas.
Após os resultados toxicológicos, a agência ambiental entendeu que a
água das proximidades da indústria não poderia mais ser utilizada, o
que levou a Shell a adquirir todas as plantações de legumes e verduras
das chácaras do entorno e a passar a fornecer água potável para as
populações vizinhas, que utilizavam poços artesianos contaminados.
Mesmo nas áreas residenciais no entorno da empresa foram verificadas
concentrações de metais pesados e pesticidas clorados (DDT e drins) no
solo e em amostras de água subterrâneas. Constatou-se que os “drins”
causam hepatotoxicidade e anomalias no sistema nervoso central.
Ademais, a Cyanamid foi adquirida pela Basf, que assumiu integralmente
as atividades no complexo industrial de Paulínia e manteve a exposição
dos trabalhadores aos riscos de contaminação até 2002, ano em que os
auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
interditaram o local, de acordo com decisão tomada em audiência na
sede do MPT. Apesar do recurso impetrado pela Basf, a interdição foi
confirmada em decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª
Região.
Em 2005, o Ministério da Saúde concluiu a avaliação das informações
sobre a exposição aos trabalhadores das empresas Shell, Cyanamid e
Basf a compostos químicos em Paulínia. O relatório final indicou o
risco adicional aos expostos ao desenvolvimento de diversos tipos de
doença. No ano de 2007, o MPT ingressou com ação civil pública para
garantir os direitos dos ex-trabalhadores ao custeio de tratamento de
saúde, juntamente com uma indenização milionária.
Fonte: Ministério Público do Trabalho em Campinas
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quinta-feira, 3 de março de 2011
Artigo em português
Trago o link para um artigo de revisão em contaminantes ambientais e interferentes hormonais em português (para quem tiver dificuldade de leitura na língua inglesa), bastante interessante, escrito pelo grupo do Serviço de Endocrinologia e Diabetes da Universidade Federal do Ceará, liderados pela Dra.Eveline Gadelha Pereira Fontenele.
Eveline Gadelha Pereira Fontenele, Manoel Ricardo Alves Martins,
Ana Rosa Pinto Quidute, Renan Magalhães Montenegro Júnior
Contaminantes ambientais e os interferentes endócrinos
Arq Bras Endocrinol Metab. 2010;54/1
http://www.scielo.br/pdf/abem/v54n1/v54n1a03.pdf
Eveline Gadelha Pereira Fontenele, Manoel Ricardo Alves Martins,
Ana Rosa Pinto Quidute, Renan Magalhães Montenegro Júnior
Contaminantes ambientais e os interferentes endócrinos
Arq Bras Endocrinol Metab. 2010;54/1
http://www.scielo.br/pdf/abem/v54n1/v54n1a03.pdf
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terça-feira, 26 de outubro de 2010
Será que você sabia?
Você sabia que o Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo? Com significativos 16% do mercado mundial de defensivos agrícolas ocupamos mais este primado no cenário mundial. Me maravilha que ninguém no horário político cite este detalhe, só o fantástico crescimento do campo, como se tudo fosse uma maravilha.
Só em 2009 a indústria de defensivos faturou algo como 8 bilhões de dólares pelas 780 mil toneladas de agrotóxicos vendidos no Brasil. Um mercado assim promissor, faz sim que as empresas mais importantes do setor concentrem suas vendas por estas plagas.
De recente, a ANVISA propôs-se a atualizar as avaliações de 13 agentes, boa parte deles já proibidos em lugares mais ou menos civilizados, da UE à Nigéria.
Estes agentes, em nosso meio, são a causa de morte de muitos trabalhadores rurais, sem falar em outras patologias crônicas sub-notificadas e sub-diagnosticadas relacionadas à esta exposição.
Frente à disposição da Anvisa de reavaliar produtos como Gramoxone, Paraquat, Tamaron, Mancozeb, Monocrotfos, Folidol, Malation e Decis, o Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas recorreu ao Judiciário, solicitando que não sejam publicados os resultados das reavaliações. Houveram também tentativas de proibir os estudos da Anvisa que verificavam a segurança destas substâncias e suas formulações comerciais.
O próprio Ministério da Agricultura inclusive, opôs-se ao papel fiscalizador e normativo da Vigilância Sanitária, pretendendo ser o único responsável pelo registro (e avaliação de segurança) destes produtos sem nem sequer levar em consideração o conflito de interesses evidente.
O que ninguém leva em conta é que os resíduos destes agentes contaminantes acabam no prato do consumidor, na água, enfim, acabam em nós.
Já escrevemos várias vezes sobre os efeitos destas substâncias neste blog. Quem tiver curiosidade, por favor, veja no índice na barra ao lado.
Desde o início do Programa de Fiscalização de Resíduos nos Alimentos iniciado no início da década, sempre encontrou-se um percentual bastante elevado de resíduos de agrotóxicos nos alimentos, e em cerca de pouco mais de 17% deles, índices de resíduos acima do permitido, em especial nas culturas de tomate, morango e alface, mas também na batata, brócolis, amendoim, couves, feijão, pimentão, repolho, melão, amendoim, entre outras.
Assim, da próxima vez que você comer a sua saladinha, ou hortaliças, ou cereais, pensando estar fazendo algo de bom para a sua saúde, lembre-se de cobrar uma posição dos orgãos normativos. Algo que se comprometa seriamente com a saúde de todos, em especial, com a de nossos filhos.
E enquanto isto não acontece, arrume um cantinho para fazer sua horta orgânica.
Só em 2009 a indústria de defensivos faturou algo como 8 bilhões de dólares pelas 780 mil toneladas de agrotóxicos vendidos no Brasil. Um mercado assim promissor, faz sim que as empresas mais importantes do setor concentrem suas vendas por estas plagas.
De recente, a ANVISA propôs-se a atualizar as avaliações de 13 agentes, boa parte deles já proibidos em lugares mais ou menos civilizados, da UE à Nigéria.
Estes agentes, em nosso meio, são a causa de morte de muitos trabalhadores rurais, sem falar em outras patologias crônicas sub-notificadas e sub-diagnosticadas relacionadas à esta exposição.
Frente à disposição da Anvisa de reavaliar produtos como Gramoxone, Paraquat, Tamaron, Mancozeb, Monocrotfos, Folidol, Malation e Decis, o Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas recorreu ao Judiciário, solicitando que não sejam publicados os resultados das reavaliações. Houveram também tentativas de proibir os estudos da Anvisa que verificavam a segurança destas substâncias e suas formulações comerciais.
O próprio Ministério da Agricultura inclusive, opôs-se ao papel fiscalizador e normativo da Vigilância Sanitária, pretendendo ser o único responsável pelo registro (e avaliação de segurança) destes produtos sem nem sequer levar em consideração o conflito de interesses evidente.
O que ninguém leva em conta é que os resíduos destes agentes contaminantes acabam no prato do consumidor, na água, enfim, acabam em nós.
Já escrevemos várias vezes sobre os efeitos destas substâncias neste blog. Quem tiver curiosidade, por favor, veja no índice na barra ao lado.
Desde o início do Programa de Fiscalização de Resíduos nos Alimentos iniciado no início da década, sempre encontrou-se um percentual bastante elevado de resíduos de agrotóxicos nos alimentos, e em cerca de pouco mais de 17% deles, índices de resíduos acima do permitido, em especial nas culturas de tomate, morango e alface, mas também na batata, brócolis, amendoim, couves, feijão, pimentão, repolho, melão, amendoim, entre outras.
Assim, da próxima vez que você comer a sua saladinha, ou hortaliças, ou cereais, pensando estar fazendo algo de bom para a sua saúde, lembre-se de cobrar uma posição dos orgãos normativos. Algo que se comprometa seriamente com a saúde de todos, em especial, com a de nossos filhos.
E enquanto isto não acontece, arrume um cantinho para fazer sua horta orgânica.
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terça-feira, 11 de novembro de 2008
Veneno, o mundo é pequeno demais para nós dois!
Como eu lhes disse no início, este livro* começou por acaso. Só com a preocupação de uma mãe em relação aos produtos consumidos por sua filha pequena. Mas com o passar do tempo e com a informação que foi se acumulando ao longo do percurso, os dados foram se entrelaçando em outros, e acho que vale a pena fazer um parêntese sobre outras coisas relevantes.
Todos nós sabemos o quão dependente somos das substâncias químicas sintéticas que permeiam a nossa realidade cotidiana. E isso acontece em todo o mundo, em todos os continentes. Embora nos tragam muitos benefícios e confortos estas toxinas estão entrando na nossa cadeia alimentar, nos mananciais de água doce, nos mares, no ar, nos nossos corpos, no nosso futuro.
No norte do oceano Pacífico e nas regiões polares, focas, albatrozes, e outras espécies animais no topo da cadeia alimentar, apresentaram em seu sangue e tecidos substâncias como PCB, furanos e dioxinas fabricados a milhares de quilômetros de distância. Emblemático e preocupante é o caso descrito nos anos 90 de mulheres que viviam às margens do lago Michigan que, contaminado décadas antes, ingeriam 2 a 3 porções de peixe por mês pescado no lago. Estas mulheres davam à luz crianças com déficits de aprendizado e de memória. Este vínculo entre contaminação ambiental e danos à saúde não foi uma descoberta imediata. Passaram-se anos até que esta correlação fosse feita.
Na África e não só, pesticidas obsoletos são estocados de modo inadequado, e que acabam vazando e contaminando o solo, o ar e a água. Aqui mesmo no Brasil não fomos isentos de vários acidentes deste tipo. Aconteceu em Paulínia (SP), por exemplo, o vazamento de organoclorados (aldrin, endrin e dieldrin) em um terreno pertencente a Shell. Dê uma olhada no mapa de crimes ambientais corporativos disponibilizado pelo Greenpeace. Você vai perceber que o perigo mora ao lado.
Em 1956, em Minamata, Japão, uma série de pessoas apresentou sintomas de até então uma nova doença desconhecida que mais tarde foi reconhecida como contaminação por sais de mercúrio provenientes da descarga de uma fábrica local de produtos químicos. O mercúrio intoxicava os peixes, que intoxicavam as pessoas.
A realidade é que por muitas décadas nossa capacidade de criar novas substâncias foi muito superior à capacidade de entender as suas conseqüências sobre nós e sobre o planeta. Existe já uma grande quantidade de evidências na literatura científica que estas substâncias possam ser danosas a uma série de espécies agindo sobre seus sistemas reprodutivos, seus órgãos, seus sistemas imunitários, sobre o DNA. Existe suficiente evidência para supor que estas substâncias ponham em risco a homeostase no ser humano.
A coisa se torna ainda mais séria quando as substâncias implicadas permanecem no meio ambiente. A esta categoria de agentes químicos se dá o nome de poluentes orgânicos persistentes, os POPs. Eles possuem a característica de serem moléculas muito tóxicas, de difícil degradação e de potencial bioacumulativo, que entrando na cadeia alimentar se depositam nos tecidos das espécies vivas. Algumas destas substâncias podem persistir no ambiente por centenas de anos. Isso motivou a comunidade internacional a propor um documento onde os países assinantes se comprometessem a eliminar os agentes POP mais perigosos e examinar outras moléculas danosas para futuras proibições. Este tratado, também assinado pelo Brasil e mais 150 países se chama “Tratado de Estocolmo” (Stockholm Convention on Persistent Organic Pollutants). Nele, os governos se propõem a eliminar doze substâncias denominadas “dirty dozen”, a dúzia suja, na nomenclatura INCI: aldrin, chlordane, DDT, dieldrin, dioxin, endrin, furans, heptachlor, hexachlorobenzene, mirex, polychlorinated biphenyls (PCBs), toxaphene.
Esta ação deveria ser aplicada de forma conjunta por todos os países do globo, por um motivo simples: estas substâncias não se limitam ao lugar onde são produzidas. Portanto, mesmo que restasse um único país do mundo onde esta produção fosse livre, o esforço de todos os demais seria em vão. O risco persistiria igualmente para todos.
No Brasil, o CONAMA, órgão do Ministério do Meio Ambiente é o responsável pelos estudos e a aplicação do protocolo de Estocolmo.
Mas de onde vêm os POPs? Eles vêm de vários processos industriais que empregam derivados de petróleo e cloro, por exemplo: a fabricação de defensivos agrícolas, a incineração de lixo, a produção de PVC, o branqueamento de papel com cloro e outros processos.
Outras substâncias bastante danosas são as chamadas substâncias tóxicas persistentes, os PTS. Além dos POPs ela inclui os metais pesados e os compostos organo metálicos. Os metais pesados são metais que apresentam alta densidade. Na natureza apresentam-se em baixas concentrações na forma livre. Eles são muito reativos além de ser praticamente indestrutíveis. Então de onde eles vêm? De novo dos resíduos industriais e da incineração de lixo urbano. As indústrias de tintas, de cloro, de plástico, as metalúrgicas, mineradoras, etc, utilizam metais pesados em seus processos industriais. A queima do lixo produz cinzas ricas principalmente em mercúrio, chumbo e cádmio. E da mesma forma que os POPs, eles possuem potencial bioacumulativo uma vez que contaminem água, solo e ar, podendo ser absorvidos pelos tecidos e intoxicá-los. Veja o que ocorreu em Minamata. Lá os gatos dançavam e as pessoas morriam, como diz Dr. Moacyr Scliar em sua curiosa e dramática crônica escrita para a Clinica Literária e publicado no site de Luis Peaze (http://www.clinicaliteraria.com.br/minamata.htm#scliar).
Infelizmente, alguns peixes que consumimos habitualmente já apresentam um potencial tóxico não indiferente e que pode se constituir em risco. O consumo de atum fresco ou congelado é desaconselhado para gestantes e mães que aleitam. O atum em lata pode ser consumido em doses pequenas, no máximo 1 lata por semana. O atum light contém menos tóxico do que o conservado no óleo, mas as quantidades também devem ser limitadas. Isso é uma pena, pois seria uma ótima fonte de proteína de alta qualidade, vitaminas e ácidos graxos omega 3, se não estivesse contaminado por metilmercúrio. Quanto maior for a atividade predatória do peixe, maior é o risco de contaminação. Portanto, se estiver grávida ou estiver amamentando seu bebê, elimine completamente tubarão, peixe espada, merlin, cavala, peixe batata e outros peixes predadores de grande porte. O cozimento não elimina o metal impregnado na musculatura dos peixes. Para saber mais consulte a página do EPA em português sobre o tema (http://www.epa.gov/waterscience/fish/MMBrochurePOR200603.pdf). A placenta, infelizmente, não é suficiente barreira para os metais pesados.
Os rios da região amazônica contêm altos teores de mercúrio. Segundo estimativas do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), só na década de 80 os garimpeiros que atuavam no leito do rio Tapajós despejaram 600 toneladas de mercúrio nas suas águas.
Em Cubatão, baixada Santista, Estado de São Paulo, houve nos anos 80, denúncias de um alto índice de anencefalia (ausência de cérebro) em recém-nascidos e este problema estaria relacionado com a emissão industrial de metais pesados, notadamente o chumbo. Só no ano de 1981 foram 10 casos em 3400 partos, quando a OMS considera aceitável 1 caso em cada mil. Em Guaíra, SP, no ano de 2002, também houve suspeita de contaminação ambiental por chumbo com a ocorrência de 3 casos em 500 partos/ano.
Vamos esclarecer algumas coisas: o nosso organismo necessita em doses muito pequenas de alguns metais como o zinco, o cobalto, o ferro e o magnésio, porém excessos destes mesmos elementos são tóxicos e perigosos.
Outros metais como o mercúrio, cádmio, chumbo, arsênio e cromo, não fazem parte de processos fisiológicos e a sua ocorrência em organismos vivos acarreta somente prejuízos biológicos e nenhuma vantagem em nenhuma concentração.
E o que isso tem a ver com cosméticos? Acontece que alguns cosméticos possuem na formulação alguns metais pesados como o alumínio, o chumbo, o zinco. Acontece que a água pode estar contaminada com metais pesados.
Nos processos industriais se adicionam quelantes de metais pesados, do tipo EDTA (ethylenediaminetetraacetic acid). Estas substâncias podem eventualmente liberar nitrosaminas dependendo dos demais ingredientes da formulação.
E na vida cotidiana? Existem pequenas atitudes que podemos adotar para fazer com que este problema diminua. Coisas simples como não jogar baterias e pilhas no lixo comum. Em alguns supermercados e pontos de venda existem recipientes especiais para este lixo.
Outra decisão que pode melhorar um pouco o potencial de risco é escolher bem a panela com que se cozinha. Panelas de alumínio podem contaminar os alimentos. Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da Universidade de São Paulo (USP), coordenado pela Eng.a Elaine Cristina Bocalon encontraram quantidades excessivas de alumínio tanto na água quanto no alimento cozido em panelas comuns de alumínio. A transferência do metal em água com sal (na concentração de 10 gramas de sal para 4 litros de água) foi de 20 miligramas de alumínio por litro após 3 horas de fervura. De acordo com a literatura internacional, o limite aceitável de consumo diário de alumínio é de no máximo 14 miligramas. Quando a quantidade de sal foi aumentada, os resultados foram ainda piores.
Por muito tempo acreditou-se que as panelas de ferro eram benéficas, que o ferro que liberam no alimento fosse bom para o organismo. Isso é parcialmente verdadeiro. Novamente o problema vem do excesso. Se utilizarmos panelas de ferro no dia-a-dia, poderemos ficar intoxicados. Mas elas podem ser interessantes para o tratamento de anemia em casos especiais.
Panelas de teflon, apesar de sua praticidade podem trazer problemas. Com o tempo, com o uso, a camada de teflon vem danificada e você passa a ingerir o que não deveria: os derivados dos fluoroquímicos. Ao contrário de outros contaminantes persistentes, os compostos fluorados se ligam às proteínas do plasma e se depositam no fígado. Existe evidência de toxicidade sobre vários aparelhos e sistemas em roedores e de malformações fetais quando a rata é exposta durante a gravidez.
Panelas de aço inox são feitas de uma liga contendo ferro, cromo e níquel. Entre estes elementos o níquel seria o mais tóxico, porém eles não são transferidos para a água de cozimento e consequentemente para o alimento.
Portanto, dê preferência a panelas de vidro ou aço inox, salgue os alimentos somente após serem cozidos. Lave as panelas com esponja macia, sem “arear” nem esfregar as panelas com superfícies ou substâncias abrasivas. Elas removem a camada que torna mais difícil a migração dos íons. Panelas não são espelhos. Com isso você vai economizar seu tempo, seu esforço e melhorar a sua saúde.
*Este texto é parte integrante do livro "Mamãe passou açúcar em mim", S. Goraieb, 2006 e é protegido por direitos de copyright. Para reproduções, consulte a autora.
Todos nós sabemos o quão dependente somos das substâncias químicas sintéticas que permeiam a nossa realidade cotidiana. E isso acontece em todo o mundo, em todos os continentes. Embora nos tragam muitos benefícios e confortos estas toxinas estão entrando na nossa cadeia alimentar, nos mananciais de água doce, nos mares, no ar, nos nossos corpos, no nosso futuro.
No norte do oceano Pacífico e nas regiões polares, focas, albatrozes, e outras espécies animais no topo da cadeia alimentar, apresentaram em seu sangue e tecidos substâncias como PCB, furanos e dioxinas fabricados a milhares de quilômetros de distância. Emblemático e preocupante é o caso descrito nos anos 90 de mulheres que viviam às margens do lago Michigan que, contaminado décadas antes, ingeriam 2 a 3 porções de peixe por mês pescado no lago. Estas mulheres davam à luz crianças com déficits de aprendizado e de memória. Este vínculo entre contaminação ambiental e danos à saúde não foi uma descoberta imediata. Passaram-se anos até que esta correlação fosse feita.
Na África e não só, pesticidas obsoletos são estocados de modo inadequado, e que acabam vazando e contaminando o solo, o ar e a água. Aqui mesmo no Brasil não fomos isentos de vários acidentes deste tipo. Aconteceu em Paulínia (SP), por exemplo, o vazamento de organoclorados (aldrin, endrin e dieldrin) em um terreno pertencente a Shell. Dê uma olhada no mapa de crimes ambientais corporativos disponibilizado pelo Greenpeace. Você vai perceber que o perigo mora ao lado.
Em 1956, em Minamata, Japão, uma série de pessoas apresentou sintomas de até então uma nova doença desconhecida que mais tarde foi reconhecida como contaminação por sais de mercúrio provenientes da descarga de uma fábrica local de produtos químicos. O mercúrio intoxicava os peixes, que intoxicavam as pessoas.
A realidade é que por muitas décadas nossa capacidade de criar novas substâncias foi muito superior à capacidade de entender as suas conseqüências sobre nós e sobre o planeta. Existe já uma grande quantidade de evidências na literatura científica que estas substâncias possam ser danosas a uma série de espécies agindo sobre seus sistemas reprodutivos, seus órgãos, seus sistemas imunitários, sobre o DNA. Existe suficiente evidência para supor que estas substâncias ponham em risco a homeostase no ser humano.
A coisa se torna ainda mais séria quando as substâncias implicadas permanecem no meio ambiente. A esta categoria de agentes químicos se dá o nome de poluentes orgânicos persistentes, os POPs. Eles possuem a característica de serem moléculas muito tóxicas, de difícil degradação e de potencial bioacumulativo, que entrando na cadeia alimentar se depositam nos tecidos das espécies vivas. Algumas destas substâncias podem persistir no ambiente por centenas de anos. Isso motivou a comunidade internacional a propor um documento onde os países assinantes se comprometessem a eliminar os agentes POP mais perigosos e examinar outras moléculas danosas para futuras proibições. Este tratado, também assinado pelo Brasil e mais 150 países se chama “Tratado de Estocolmo” (Stockholm Convention on Persistent Organic Pollutants). Nele, os governos se propõem a eliminar doze substâncias denominadas “dirty dozen”, a dúzia suja, na nomenclatura INCI: aldrin, chlordane, DDT, dieldrin, dioxin, endrin, furans, heptachlor, hexachlorobenzene, mirex, polychlorinated biphenyls (PCBs), toxaphene.
Esta ação deveria ser aplicada de forma conjunta por todos os países do globo, por um motivo simples: estas substâncias não se limitam ao lugar onde são produzidas. Portanto, mesmo que restasse um único país do mundo onde esta produção fosse livre, o esforço de todos os demais seria em vão. O risco persistiria igualmente para todos.
No Brasil, o CONAMA, órgão do Ministério do Meio Ambiente é o responsável pelos estudos e a aplicação do protocolo de Estocolmo.
Mas de onde vêm os POPs? Eles vêm de vários processos industriais que empregam derivados de petróleo e cloro, por exemplo: a fabricação de defensivos agrícolas, a incineração de lixo, a produção de PVC, o branqueamento de papel com cloro e outros processos.
Outras substâncias bastante danosas são as chamadas substâncias tóxicas persistentes, os PTS. Além dos POPs ela inclui os metais pesados e os compostos organo metálicos. Os metais pesados são metais que apresentam alta densidade. Na natureza apresentam-se em baixas concentrações na forma livre. Eles são muito reativos além de ser praticamente indestrutíveis. Então de onde eles vêm? De novo dos resíduos industriais e da incineração de lixo urbano. As indústrias de tintas, de cloro, de plástico, as metalúrgicas, mineradoras, etc, utilizam metais pesados em seus processos industriais. A queima do lixo produz cinzas ricas principalmente em mercúrio, chumbo e cádmio. E da mesma forma que os POPs, eles possuem potencial bioacumulativo uma vez que contaminem água, solo e ar, podendo ser absorvidos pelos tecidos e intoxicá-los. Veja o que ocorreu em Minamata. Lá os gatos dançavam e as pessoas morriam, como diz Dr. Moacyr Scliar em sua curiosa e dramática crônica escrita para a Clinica Literária e publicado no site de Luis Peaze (http://www.clinicaliteraria.com.br/minamata.htm#scliar).
Infelizmente, alguns peixes que consumimos habitualmente já apresentam um potencial tóxico não indiferente e que pode se constituir em risco. O consumo de atum fresco ou congelado é desaconselhado para gestantes e mães que aleitam. O atum em lata pode ser consumido em doses pequenas, no máximo 1 lata por semana. O atum light contém menos tóxico do que o conservado no óleo, mas as quantidades também devem ser limitadas. Isso é uma pena, pois seria uma ótima fonte de proteína de alta qualidade, vitaminas e ácidos graxos omega 3, se não estivesse contaminado por metilmercúrio. Quanto maior for a atividade predatória do peixe, maior é o risco de contaminação. Portanto, se estiver grávida ou estiver amamentando seu bebê, elimine completamente tubarão, peixe espada, merlin, cavala, peixe batata e outros peixes predadores de grande porte. O cozimento não elimina o metal impregnado na musculatura dos peixes. Para saber mais consulte a página do EPA em português sobre o tema (http://www.epa.gov/waterscience/fish/MMBrochurePOR200603.pdf). A placenta, infelizmente, não é suficiente barreira para os metais pesados.
Os rios da região amazônica contêm altos teores de mercúrio. Segundo estimativas do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), só na década de 80 os garimpeiros que atuavam no leito do rio Tapajós despejaram 600 toneladas de mercúrio nas suas águas.
Em Cubatão, baixada Santista, Estado de São Paulo, houve nos anos 80, denúncias de um alto índice de anencefalia (ausência de cérebro) em recém-nascidos e este problema estaria relacionado com a emissão industrial de metais pesados, notadamente o chumbo. Só no ano de 1981 foram 10 casos em 3400 partos, quando a OMS considera aceitável 1 caso em cada mil. Em Guaíra, SP, no ano de 2002, também houve suspeita de contaminação ambiental por chumbo com a ocorrência de 3 casos em 500 partos/ano.
Vamos esclarecer algumas coisas: o nosso organismo necessita em doses muito pequenas de alguns metais como o zinco, o cobalto, o ferro e o magnésio, porém excessos destes mesmos elementos são tóxicos e perigosos.
Outros metais como o mercúrio, cádmio, chumbo, arsênio e cromo, não fazem parte de processos fisiológicos e a sua ocorrência em organismos vivos acarreta somente prejuízos biológicos e nenhuma vantagem em nenhuma concentração.
E o que isso tem a ver com cosméticos? Acontece que alguns cosméticos possuem na formulação alguns metais pesados como o alumínio, o chumbo, o zinco. Acontece que a água pode estar contaminada com metais pesados.
Nos processos industriais se adicionam quelantes de metais pesados, do tipo EDTA (ethylenediaminetetraacetic acid). Estas substâncias podem eventualmente liberar nitrosaminas dependendo dos demais ingredientes da formulação.
E na vida cotidiana? Existem pequenas atitudes que podemos adotar para fazer com que este problema diminua. Coisas simples como não jogar baterias e pilhas no lixo comum. Em alguns supermercados e pontos de venda existem recipientes especiais para este lixo.
Outra decisão que pode melhorar um pouco o potencial de risco é escolher bem a panela com que se cozinha. Panelas de alumínio podem contaminar os alimentos. Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da Universidade de São Paulo (USP), coordenado pela Eng.a Elaine Cristina Bocalon encontraram quantidades excessivas de alumínio tanto na água quanto no alimento cozido em panelas comuns de alumínio. A transferência do metal em água com sal (na concentração de 10 gramas de sal para 4 litros de água) foi de 20 miligramas de alumínio por litro após 3 horas de fervura. De acordo com a literatura internacional, o limite aceitável de consumo diário de alumínio é de no máximo 14 miligramas. Quando a quantidade de sal foi aumentada, os resultados foram ainda piores.
Por muito tempo acreditou-se que as panelas de ferro eram benéficas, que o ferro que liberam no alimento fosse bom para o organismo. Isso é parcialmente verdadeiro. Novamente o problema vem do excesso. Se utilizarmos panelas de ferro no dia-a-dia, poderemos ficar intoxicados. Mas elas podem ser interessantes para o tratamento de anemia em casos especiais.
Panelas de teflon, apesar de sua praticidade podem trazer problemas. Com o tempo, com o uso, a camada de teflon vem danificada e você passa a ingerir o que não deveria: os derivados dos fluoroquímicos. Ao contrário de outros contaminantes persistentes, os compostos fluorados se ligam às proteínas do plasma e se depositam no fígado. Existe evidência de toxicidade sobre vários aparelhos e sistemas em roedores e de malformações fetais quando a rata é exposta durante a gravidez.
Panelas de aço inox são feitas de uma liga contendo ferro, cromo e níquel. Entre estes elementos o níquel seria o mais tóxico, porém eles não são transferidos para a água de cozimento e consequentemente para o alimento.
Portanto, dê preferência a panelas de vidro ou aço inox, salgue os alimentos somente após serem cozidos. Lave as panelas com esponja macia, sem “arear” nem esfregar as panelas com superfícies ou substâncias abrasivas. Elas removem a camada que torna mais difícil a migração dos íons. Panelas não são espelhos. Com isso você vai economizar seu tempo, seu esforço e melhorar a sua saúde.
*Este texto é parte integrante do livro "Mamãe passou açúcar em mim", S. Goraieb, 2006 e é protegido por direitos de copyright. Para reproduções, consulte a autora.
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