Salve o Jeca Tatu!
Por Tatiana Achcar
Frutas frescas, sucos naturais, legumes, verduras e cereais, ingredientes de uma alimentação saudável, certo? Nem sempre. No suco de laranja, na salada de alface e tomate e até no básico arroz com feijão, o brasileiro ingere cinco quilos de veneno por ano.
Pela segunda vez consecutiva, estamos no topo do ranking dos países que mais consomem agrotóxicos no mundo, que é vendido, da fábrica ao campo e do campo ao prato, como a salvação da lavoura, capaz de exterminar pragas, garantir alimentos de qualidade e em grande quantidade para abastecer o mercado e ainda sanar a fome do mundo. Alguém viu algum faminto por aí? O que fica escondido é o preço bem caro que todo mundo paga para manter esse modelo falido de produzir o pão nosso de cada dia.
Em primeiro lugar, tem a alta recorde dos alimentos. Quem compra comida já notou que o bolso ficou mais vazio ou a sacola está mais leve. O custo da produção de alimentos vem acompanhando de perto o preço do petróleo, matéria prima dos defensivos agrícolas e fertilizantes. As revoltas na Tunísia e no Egito foram parcialmente vinculadas à insatisfação com a alta dos preços da comida. Onde não tem prato feito, tem guerra.
Depois, vêm os danos à saúde, causados pelos agrotóxicos e deflagrados constantemente por pesquisas científicas, mas que governo nenhum ousa enfrentar. Depressão, alergias, desenvolvimento sexual precoce, disfunções hormonais, problemas neurológicos, má formação do feto, fraqueza dos rins, enjôo, diarréia. Leite materno contaminado!
Até agora, o sistema de saúde foi incapaz de notificar os problemas de saúde relacionados ao uso de agrotóxicos. O Ministério da Saúde tem se mostrado omisso em identificar intoxicações na saúde do trabalhador e no ambiente e difundir informação sobre os riscos desse veneno. Por que não faz uma campanha de amplo alcance, como fez sobre a Aids? Hoje em dia, o único setor que faz propaganda é o próprio agronegócio. Vai mal!
A bancada ruralista quer alterar a legislação para isentar o agrotóxico de impostos. Quer também mudar o Código Florestal para derrubar mais florestas e avançar sobre as fontes de água limpa. Quem está por trás das duas articulações? O agronegócio. Com o preço do petróleo nas alturas, eles estão pedindo arrego ao governo enquanto a população adoece e sobrecarrega o sistema saúde.
A pressão para alterar o Código Florestal tem efeito rebote. Aumentar a área de desmatamento em margens dos rios e nascentes, hoje protegidas por lei, significa expô-las à contaminação da água pelos próprios agrotóxicos, comprometendo a biodiversidade a qualidade do recuso mais vital e valioso para a vida no planeta. Por falar em água, a agricultura é o maior consumidor de água potável do mundo, pois usa sistemas de produção e irrigação obsoletos e fertilizantes que empobrecem e desertificam o solo, demandando mais água.
Um relatório [http://www2.ohchr.org/english/issues/food/docs/A-HRC-16-49.pdf ] da Comissão de Direitos Humanos da ONU, publicado em dezembro passado, revela que muitos agricultores de países em desenvolvimento podem dobrar sua produção de alimentos no prazo de uma década se deixarem de usar pesticidas e fertilizantes químicos e aderirem à agricultura ecológica. O método também torna o campo mais resistente ao impacto projetado pelas mudanças climáticas – enchentes, secas e alta no nível dos mares, que já deixou a água doce perto de alguns litorais salgada demais para poder ser usada na irrigação.
De acordo com o relatório, até agora, projetos de agricultura ecológica em 57 países trouxeram ganhos médios de 80% nas safras, usando métodos naturais para enriquecer o solo e proteger a plantação contra pragas. Coisas simples, como colocar patos para comer ervas daninhas em arrozais em Bangladesh, descobrir uma planta do Quênia que captura inseto, plantar árvores altas para sombrear cafezais e intensificar o uso de adubos naturais, feitos com sobras de alimentos e podas de jardim.
Enquanto a industrialização centralizou-se, a zona rural empobreceu e as cidades incharam, os Jecas Tatu de todo o globo desenvolveram tecnologias que podem salvar a lavoura. Está na hora de olhar pro campo.
Fonte: http://colunistas.yahoo.net/posts/10179.html
Para discutir "body burden", disruptores hormonais, contaminação química ambiental e outras "cositas más"... Para desabafar, falar da vida, de qualidade de vida, de sobrevivência. Para falar de beleza, de limpeza,de saúde, de futuro com quem realmente se importa.
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sexta-feira, 15 de abril de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Artigo em português
Trago o link para um artigo de revisão em contaminantes ambientais e interferentes hormonais em português (para quem tiver dificuldade de leitura na língua inglesa), bastante interessante, escrito pelo grupo do Serviço de Endocrinologia e Diabetes da Universidade Federal do Ceará, liderados pela Dra.Eveline Gadelha Pereira Fontenele.
Eveline Gadelha Pereira Fontenele, Manoel Ricardo Alves Martins,
Ana Rosa Pinto Quidute, Renan Magalhães Montenegro Júnior
Contaminantes ambientais e os interferentes endócrinos
Arq Bras Endocrinol Metab. 2010;54/1
http://www.scielo.br/pdf/abem/v54n1/v54n1a03.pdf
Eveline Gadelha Pereira Fontenele, Manoel Ricardo Alves Martins,
Ana Rosa Pinto Quidute, Renan Magalhães Montenegro Júnior
Contaminantes ambientais e os interferentes endócrinos
Arq Bras Endocrinol Metab. 2010;54/1
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Bom senso FPS 100!
Como sabemos, vivemos em um país onde a incidência de radiação solar é alta e a exposição também. A Sociedade Brasileira de Dermatologia sugere o uso continuado de filtros solares no intuito de diminuir a incidência de tumores de pele, frequentes em nosso meio.
Portanto a escolha do filtro é de grande importância e assim a relevância destas informações para a melhor escolha do produto ideal.
Estudo do grupo da Divisão de Toxicologia Molecular do Dep. de Ciências Farmacêuticas da Universidade da Basileia (Swiss Center for Applied Human Toxicology) tem o intuito de fornecer uma elemento a mais para a triagem de potenciais agentes com atividade endócrina em etapas cruciais do desenvolvimento.
O grupo suiço observa que tem havido um aumento na prevalência de desordens reprodutivas e cânceres testiculares na população masculina e pelo fato da exposição a interferentes endócrinos estar associada a estes distúrbios, é de grande importância a identificação destes agentes e seus alvos.
Eles elaboraram um banco de dados estrutural em 3D, para facilitar a identificação dos interferentes.
Depois eles usaram farmacóforos da 17beta-hidroxiesteróide desidrogenase tipo 3(17beta-HSD3), que cataliza a última etapa da síntese da testosterona nas células de Leydig no testículo (etapa importantíssima no desenvolvimento sexual masculino) para triagem deste banco de dados.
Entre outras substâncias, os filtros UV do tipo benzofenona, foram antecipados como inibidores potenciais da 17beta-HSD3.
Análises biológicas revelaram que a (2,4 dihidroxifenil)-fenilmetanona, também conhecida como benzofenona 1 ou BP1 demonstrou-se um inibidor da 17 beta-HSD3 humana e também um bloqueador eficaz da androstenediona para testosterona em roedores em ensaios enzimáticos.
Além disto, a BP-1 antagonizou a ativação dos receptores androgênicos dependentes de testosterona, mostrando uma atividade sinérgica aos efeitos anti-androgênicos da BP1 inibindo a produção de testosterona por bloqueio da ativação do receptor.
A análise de diversos filtros comumente utilizados sobre as enzimas metabolizadoras do 17beta-HSD mostraram que a 3-benzilideno cânfora (3-BC) e a $-metilbenzilideno cânfora (4-MBC) são inibidores da 17beta-HSD em doses micromolares.
Os autores concluem que a triagem da estrutura química de substâncias suspeitas de possuir atividade endócrina, pode facilitar sua identificação. Eles sugerem que os achados em relação aos filtros solares relatados e estudados necessitam de estudos complementares e devem ser considerados no que diz respeito à segurança destas substâncias químicas.
Para saber mais:
Nashev LG, Schuster D, Laggner C, Sodha S, Langer T, Wolber G, Odermatt A.
The UV-filter benzophenone-1 inhibits 17beta-hydroxysteroid dehydrogenase type 3: Virtual screening as a strategy to identify potential endocrine disrupting chemicals.
Biochem Pharmacol. 2009 Dec 11
Portanto a escolha do filtro é de grande importância e assim a relevância destas informações para a melhor escolha do produto ideal.
Estudo do grupo da Divisão de Toxicologia Molecular do Dep. de Ciências Farmacêuticas da Universidade da Basileia (Swiss Center for Applied Human Toxicology) tem o intuito de fornecer uma elemento a mais para a triagem de potenciais agentes com atividade endócrina em etapas cruciais do desenvolvimento.
O grupo suiço observa que tem havido um aumento na prevalência de desordens reprodutivas e cânceres testiculares na população masculina e pelo fato da exposição a interferentes endócrinos estar associada a estes distúrbios, é de grande importância a identificação destes agentes e seus alvos.
Eles elaboraram um banco de dados estrutural em 3D, para facilitar a identificação dos interferentes.
Depois eles usaram farmacóforos da 17beta-hidroxiesteróide desidrogenase tipo 3(17beta-HSD3), que cataliza a última etapa da síntese da testosterona nas células de Leydig no testículo (etapa importantíssima no desenvolvimento sexual masculino) para triagem deste banco de dados.
Entre outras substâncias, os filtros UV do tipo benzofenona, foram antecipados como inibidores potenciais da 17beta-HSD3.
Análises biológicas revelaram que a (2,4 dihidroxifenil)-fenilmetanona, também conhecida como benzofenona 1 ou BP1 demonstrou-se um inibidor da 17 beta-HSD3 humana e também um bloqueador eficaz da androstenediona para testosterona em roedores em ensaios enzimáticos.
Além disto, a BP-1 antagonizou a ativação dos receptores androgênicos dependentes de testosterona, mostrando uma atividade sinérgica aos efeitos anti-androgênicos da BP1 inibindo a produção de testosterona por bloqueio da ativação do receptor.
A análise de diversos filtros comumente utilizados sobre as enzimas metabolizadoras do 17beta-HSD mostraram que a 3-benzilideno cânfora (3-BC) e a $-metilbenzilideno cânfora (4-MBC) são inibidores da 17beta-HSD em doses micromolares.
Os autores concluem que a triagem da estrutura química de substâncias suspeitas de possuir atividade endócrina, pode facilitar sua identificação. Eles sugerem que os achados em relação aos filtros solares relatados e estudados necessitam de estudos complementares e devem ser considerados no que diz respeito à segurança destas substâncias químicas.
Para saber mais:
Nashev LG, Schuster D, Laggner C, Sodha S, Langer T, Wolber G, Odermatt A.
The UV-filter benzophenone-1 inhibits 17beta-hydroxysteroid dehydrogenase type 3: Virtual screening as a strategy to identify potential endocrine disrupting chemicals.
Biochem Pharmacol. 2009 Dec 11
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
A qualidade do esperma e a exposição aos poluentes
Um artigo do grupo da Universidade de Nápoles traz um alerta sobre a exposição aos poluentes decorrentes da atividade de trabalho relacionada ao tráfico, em especial ao dióxido de nitrogênio por seus efeitos sobre a motilidade dos espermatozóides, além da forçada postura sentada, reduzindo a fertilidade nestes sujeitos.
O artigo foi publicado no Journal of Endocrinological Investigation e vale uma lida, em especial quando se passa horas do dia parado na marginal ou nos engarrafamentos, respirando ar poluído sentados em nossos carros.
Para saber mais:
Boggia B, Carbone U, Farinaro E, Zarrilli S, Lombardi G, Colao A, De Rosa N, De Rosa M.
Effects of working posture and exposure to traffic pollutants on sperm quality.
J Endocrinol Invest. 2009 May;32(5):430-4.
O artigo foi publicado no Journal of Endocrinological Investigation e vale uma lida, em especial quando se passa horas do dia parado na marginal ou nos engarrafamentos, respirando ar poluído sentados em nossos carros.
Para saber mais:
Boggia B, Carbone U, Farinaro E, Zarrilli S, Lombardi G, Colao A, De Rosa N, De Rosa M.
Effects of working posture and exposure to traffic pollutants on sperm quality.
J Endocrinol Invest. 2009 May;32(5):430-4.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Genisteína, efeitos no desenvolvimento embrionário
A Genisteina (GNT), uma isoflavona natural, composto encontrado em produtos derivados da soja, afeta várias funções celulares, incluindo proliferação, diferenciação e morte celular.
Pesquisadores da Chung Yuan Christian University de Formosa, particularmente do Bioscience Technology and Center for Nanotechnology, emcabeçados por Wen-Hsiung Chan, vem elucidando aspectos não tão brilhantes da exposição a este composto.
Já em um estudo anterior, eles haviam assinalado os efeitos citotóxicos da genisteína nos blastocistos de camundongos e sua associação com defeitos no seu desenvolvimento in vitro. Em um novo artigo, apenas publicado, eles investigaram os efeitos da GNT na maturação do oocito e subsequentemente o desenvolvimento pré e pós implantação, tanto in vitro como in vivo.
Os pesquisadores observaram que a genisteína induziu a uma redução significante na taxa de maturação dos oocitos, de fertilização e de desenvolvimento embrionário in vitro. A exposição de oocitos à genisteína durante a maturação in vitro (IVM) levava a um aumento na reabsorção dos embriões pós-implantados e uma diminuição do peso fetal e placentário.
Em um modelo in vivo (camundongo), os pesquisadores demonstraram que o consumo de água contendo genisteína levou a uma diminuição da maturação e da fertilização in vitro, como também lesões precoces de desenvolvimento. Eles acreditam, em base a seus achados, que tenha acontecido uma inibição seletiva dos receptores do ácido retinóico nos blastocitos tratados com genisteína durante a maturação do oocito.
O artigo foi publicado na Reproductive Toxicology de Julho.
Para ler mais:
Chan WH.
Impact of genistein on maturation of mouse oocytes, fertilization, and fetal development.
Reprod Toxicol. 2009 Jul;28(1):52-8.
Pesquisadores da Chung Yuan Christian University de Formosa, particularmente do Bioscience Technology and Center for Nanotechnology, emcabeçados por Wen-Hsiung Chan, vem elucidando aspectos não tão brilhantes da exposição a este composto.
Já em um estudo anterior, eles haviam assinalado os efeitos citotóxicos da genisteína nos blastocistos de camundongos e sua associação com defeitos no seu desenvolvimento in vitro. Em um novo artigo, apenas publicado, eles investigaram os efeitos da GNT na maturação do oocito e subsequentemente o desenvolvimento pré e pós implantação, tanto in vitro como in vivo.
Os pesquisadores observaram que a genisteína induziu a uma redução significante na taxa de maturação dos oocitos, de fertilização e de desenvolvimento embrionário in vitro. A exposição de oocitos à genisteína durante a maturação in vitro (IVM) levava a um aumento na reabsorção dos embriões pós-implantados e uma diminuição do peso fetal e placentário.
Em um modelo in vivo (camundongo), os pesquisadores demonstraram que o consumo de água contendo genisteína levou a uma diminuição da maturação e da fertilização in vitro, como também lesões precoces de desenvolvimento. Eles acreditam, em base a seus achados, que tenha acontecido uma inibição seletiva dos receptores do ácido retinóico nos blastocitos tratados com genisteína durante a maturação do oocito.
O artigo foi publicado na Reproductive Toxicology de Julho.
Para ler mais:
Chan WH.
Impact of genistein on maturation of mouse oocytes, fertilization, and fetal development.
Reprod Toxicol. 2009 Jul;28(1):52-8.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Tox21, as novas dimensões dos testes toxicológicos
O que há de novo na abordagem toxicológica?
O texto publicado na EHP traz uma panorâmica sobre as novas formas de abordar a toxicidade.
Aos interessados, recomendo a leitura do texto completo.
É gratuita, em inglês, e pode ser descarregada em: http://www.ehponline.org/members/2009/117-8/EHP117pa348PDF.PDF
O texto publicado na EHP traz uma panorâmica sobre as novas formas de abordar a toxicidade.
Aos interessados, recomendo a leitura do texto completo.
É gratuita, em inglês, e pode ser descarregada em: http://www.ehponline.org/members/2009/117-8/EHP117pa348PDF.PDF
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Menos testes desnecessários em animais!
Pela primeira vez após o REACH a European Chemicals Agency está predispondo uma consulta pública sobre uma específica substância de modo a evitar testes desnecessários em animais.
Os fabricantes e importadores de substâncias químicas são obrigados pelo protocolo REACH, atualmente em vigência na UE, a fornecer o relatório (dossier) de toxicidade dos produtos que elas desejem registrar. Este dossier deve ser submetido a ECHA, incluindo o relatório dos efeitos sobre a saúde humana e ambiental.
Se a empresa considera que é necessária uma maior investigação, é necessário que eles enviem o pedido à ECHA sugerindo um protocolo de pesquisa específico e os testes necessários, para que sejam avaliados e aprovados pela agência. Então a agência levanta o máximo de informação sobre a substância em questão, para verificar se DE FATO os testes complementares são NECESSÁRIOS.
Para isto todas as pessoas e organizações que possuam informações relevantes sobre a toxicidade de uma determinada substância colocada em consulta pode enviar seus dados, desde que estes sejam relevantes científicamente.
Atualmente a ECHA está aberta para consulta sobre uma substância presente em lubrificantes.
Todas as pessoas que possuam dados relevantes de toxicidade da substância em questão ( neste caso a substência genérica: “hydrogenated oligomerisation product including dimers
and trimers, of tetradec-1-ene and alkene”, ou seja produtos oligomerizados e hidrogenados, dímeros e trímeros de tetradec-1-eno e alqueno) são convidados a comunicar seus achados, em especial no que concerne a toxicidade reprodutiva e efeitos sobre a saúde.
Como o fabricante propôs testes em vertebrados como parte do protocolo para determinar se a substância é ou não perigosa para o sistema reprodutor, e assim sendo, a ECHA deve avaliar a adequação destes protocolos, emendá-los, rejeitá-los ou aceitá-los.
Este mecanismo vai restringir os testes em animais, fazendo uma análise crítica do que já existe e evitando uma repetição destes testes.
Vai poupar vidas e tempo.
Para maiores informações: http://echa.europa.eu/home_pt.asp
Os fabricantes e importadores de substâncias químicas são obrigados pelo protocolo REACH, atualmente em vigência na UE, a fornecer o relatório (dossier) de toxicidade dos produtos que elas desejem registrar. Este dossier deve ser submetido a ECHA, incluindo o relatório dos efeitos sobre a saúde humana e ambiental.
Se a empresa considera que é necessária uma maior investigação, é necessário que eles enviem o pedido à ECHA sugerindo um protocolo de pesquisa específico e os testes necessários, para que sejam avaliados e aprovados pela agência. Então a agência levanta o máximo de informação sobre a substância em questão, para verificar se DE FATO os testes complementares são NECESSÁRIOS.
Para isto todas as pessoas e organizações que possuam informações relevantes sobre a toxicidade de uma determinada substância colocada em consulta pode enviar seus dados, desde que estes sejam relevantes científicamente.
Atualmente a ECHA está aberta para consulta sobre uma substância presente em lubrificantes.
Todas as pessoas que possuam dados relevantes de toxicidade da substância em questão ( neste caso a substência genérica: “hydrogenated oligomerisation product including dimers
and trimers, of tetradec-1-ene and alkene”, ou seja produtos oligomerizados e hidrogenados, dímeros e trímeros de tetradec-1-eno e alqueno) são convidados a comunicar seus achados, em especial no que concerne a toxicidade reprodutiva e efeitos sobre a saúde.
Como o fabricante propôs testes em vertebrados como parte do protocolo para determinar se a substância é ou não perigosa para o sistema reprodutor, e assim sendo, a ECHA deve avaliar a adequação destes protocolos, emendá-los, rejeitá-los ou aceitá-los.
Este mecanismo vai restringir os testes em animais, fazendo uma análise crítica do que já existe e evitando uma repetição destes testes.
Vai poupar vidas e tempo.
Para maiores informações: http://echa.europa.eu/home_pt.asp
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Efeitos de longo prazo sobre o comportamento e a fisiologia reprodutiva por interferentes hormonais
Este é o título do artigo de duas pesquisadoras do North Carolina State University em Raleigh, as Dr.as Heather B. Patisaul e Heather B. Adewale, publicado no "Frontiers in Behavioral Neurosciences" de Junho.
As autoras abordam a interferência endócrina e seus efeitos sobre o feto, cujas manifestações podem levar décadas para serem evidenciadas além de abordar a influência destas experiências precoces no comportamento e na fisiologia reprodutiva através de mecanismos epigenéticos (tais como acetilação de histonas e metilação do DNA, por exemplo).
Para os fãs da soja na alimentação infantil, vale dar uma olhadinha (ver genisteína).
Para saber mais, o artigo (em inglês) está disponível gratuitamente em: http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=2706654&blobtype=pdf.
As autoras abordam a interferência endócrina e seus efeitos sobre o feto, cujas manifestações podem levar décadas para serem evidenciadas além de abordar a influência destas experiências precoces no comportamento e na fisiologia reprodutiva através de mecanismos epigenéticos (tais como acetilação de histonas e metilação do DNA, por exemplo).
Para os fãs da soja na alimentação infantil, vale dar uma olhadinha (ver genisteína).
Para saber mais, o artigo (em inglês) está disponível gratuitamente em: http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=2706654&blobtype=pdf.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Santo de casa.
Me chamou a atenção o artigo "Components of plastic: experimental studies in
animals and relevance for human health" publicado pela Philosophical Transactions of the Royal Society - B onde dois co-autores são brasileiros. Um deles da Universidade Federal do Paraná e o outro da Fiocruz. O artigo é bem escrito e aborda vários agentes tais como ftalatos, bisfenol, retardantes de chama,...
A referência é:
Talsness CE, Andrade AJ, Kuriyama SN, Taylor JA, vom Saal FS
Components of plastic: experimental studies in animals and relevance for human health.
Philos Trans R Soc Lond B Biol Sci. 2009 Jul 27;364(1526):2079-96
Finalmente alguém por aqui resolve publicar sobre o tema.
animals and relevance for human health" publicado pela Philosophical Transactions of the Royal Society - B onde dois co-autores são brasileiros. Um deles da Universidade Federal do Paraná e o outro da Fiocruz. O artigo é bem escrito e aborda vários agentes tais como ftalatos, bisfenol, retardantes de chama,...
A referência é:
Talsness CE, Andrade AJ, Kuriyama SN, Taylor JA, vom Saal FS
Components of plastic: experimental studies in animals and relevance for human health.
Philos Trans R Soc Lond B Biol Sci. 2009 Jul 27;364(1526):2079-96
Finalmente alguém por aqui resolve publicar sobre o tema.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Mais uma sobre o Bisfenol A
Muitos artigos na literatura indicavam a toxicidade do Bisfenol A (BPA) sobre o aparato reprodutor feminino, mas faltavam evidências de efeitos carcinogênicos do BPA neste caso, uma vez que os estudos disponíveis diziam respeito apenas às mamas e à próstata. No entanto uma nova pesquisa de cientistas do NIEHS (National Institute of Environmental Health Sciences, National Institute of Health) capitaneada pela Dr.a Retha Newbold, indica que a exposição a baixas doses de BPA (em camundongos) pode causar alterações potencialmente carcinogênicas nos tecidos do aparelho reprodutor feminino.
As autoras usaram baixas doses de BPA (0,1, 1, 10, 100 ou 1000 microgramas/kg/dia) consideradas dentro de padrões ambientalmente relevantes na janela entre os dia 9 e 16 da gestação e observaram os filhotes na fase adulta tardia (16-18 meses) avaliando seus orgãos reprodutores.
As autoras observaram a incidência de cistos ovarianos benignos foi de 67% naqueles que receberam doses de 1 micrograma/kg/dia e naqueles expostos a doses maiores apresentaram lesões ovarianas mais severas como cistoadenomas, ausentes no grupo controle. Foram também observadas metaplasia esquamosa do Utero, remanescência proeminente mesonéfrica (Wolff), e adenose vaginal, embora não estatísticamente significativa. Outras patologias presentes no grupo tratado com BPA incluiram hiperplasia atípica e polipos estromais uterinos, sarcona de cérvix, e adenocarcinoma mamário que não foram observadas no grupo controle.
Para ler mais:
Retha R. Newbold, Wendy N. Jefferson, and Elizabeth Padilla-Banks
Prenatal Exposure to Bisphenol A at Environmentally Relevant Doses Adversely Affects the Murine Female Reproductive Tract Later in Life.
Environmental Health Perspectives Volume 117, Number 6, June 2009
O artigo em pdf está disponível gratuitamente em:
http://www.ehponline.org/members/2009/0800045/0800045.pdf
As autoras usaram baixas doses de BPA (0,1, 1, 10, 100 ou 1000 microgramas/kg/dia) consideradas dentro de padrões ambientalmente relevantes na janela entre os dia 9 e 16 da gestação e observaram os filhotes na fase adulta tardia (16-18 meses) avaliando seus orgãos reprodutores.
As autoras observaram a incidência de cistos ovarianos benignos foi de 67% naqueles que receberam doses de 1 micrograma/kg/dia e naqueles expostos a doses maiores apresentaram lesões ovarianas mais severas como cistoadenomas, ausentes no grupo controle. Foram também observadas metaplasia esquamosa do Utero, remanescência proeminente mesonéfrica (Wolff), e adenose vaginal, embora não estatísticamente significativa. Outras patologias presentes no grupo tratado com BPA incluiram hiperplasia atípica e polipos estromais uterinos, sarcona de cérvix, e adenocarcinoma mamário que não foram observadas no grupo controle.
Para ler mais:
Retha R. Newbold, Wendy N. Jefferson, and Elizabeth Padilla-Banks
Prenatal Exposure to Bisphenol A at Environmentally Relevant Doses Adversely Affects the Murine Female Reproductive Tract Later in Life.
Environmental Health Perspectives Volume 117, Number 6, June 2009
O artigo em pdf está disponível gratuitamente em:
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
BPA pela Dr.a Laura Vandenberg
Da Tufts University, a Dr.a Laura Vandenberg fala sobre BPA (Bisfenol A).
O comentário abaixo é gratuito e explica o motivo pelo qual as agências reguladoras deveriam ter parâmetros diferentes das "boas práticas de laboratório" para avaliar níveis de segurança de agentes como o BPA.
Myers JP, vom Saal FS, Akingbemi BT, Arizono K, Belcher S, Colborn T, Chahoud I, Crain DA, Farabollini F, Guillette LJ Jr, Hassold T, Ho SM, Hunt PA, Iguchi T, Jobling S, Kanno J, Laufer H, Marcus M, McLachlan JA, Nadal A, Oehlmann J, Olea N, Palanza P, Parmigiani S, Rubin BS, Schoenfelder G, Sonnenschein C, Soto AM, Talsness CE, Taylor JA, Vandenberg LN, Vandenbergh JG, Vogel S, Watson CS, Welshons WV, Zoeller RT.
Why public health agencies cannot depend on good laboratory practices as a criterion for selecting data: the case of bisphenol A.
Environ Health Perspect. 2009 Mar;117(3):309-15.
http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=2661896&blobtype=pdf
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sexta-feira, 29 de maio de 2009
BPA, uma revisão crítica
Recomendo hoje a leitura do artigo de Patrícia Hunt e colaboradores, da Washington State University, publicado na Biology of Reprodution. O artigo tem livre acesso (grátis) e aborda de modo bastante abrangente e didático aspectos das aparentes "controvérsias" nos resultados de pesquisas reguardantes ao Bisfenol A. Abaixo reproduzo a conclusão:
"...The BPA saga provides a tutorial on how one of the world’s strongest regulatory agencies, the U.S. Food and Drug Administration works or possibly- in the case of endocrine disrupting chemicals – fails to work to protect the public. For example, although chemicals such as BPA are used in food packaging, they are not subject to the same federal regulations as chemicals that are added to our food. Further, while it has long been recognized that current testing paradigms do not work for EDCs, new testing guidelines still are not available.
Scientists, by the nature of our work, are apolitical. Two decades ago most reproductive biologists were skeptical about reports that sperm counts were dropping, infertility was on the rise, and that the incidence of breast, prostate, and other cancers was increasing. Today, far fewer of us dispute these statements, and many have become convinced that environmental exposures – and specifically exposures in utero – contribute to the changes that have occurred in the span of 1-2 human generations. A growing number of us have also become convinced that speaking to the press and the general public about our findings and our concerns should be a clear part of the job description of the next generation of reproductive biologists. The BPA experience has taught us the value of communicating complex scientific findings to the public in terms they can understand, and of sending clear messages about the potential impact of our findings to government decision makers. By refining our communication skills, we can be powerful spokesmen for better test systems and thereby assist government regulators in insuring the preservation of our reproductive health."
Para saber mais:
Hunt PA, Susiarjo M, Rubio C, Hassold TJ.
The Bisphenol A Experience: A Primer for the Analysis of Environmental Effects on Mammalian Reproduction.
Biol Reprod. 2009 May 20.
http://www.biolreprod.org/cgi/rapidpdf/biolreprod.109.077008v1
"...The BPA saga provides a tutorial on how one of the world’s strongest regulatory agencies, the U.S. Food and Drug Administration works or possibly- in the case of endocrine disrupting chemicals – fails to work to protect the public. For example, although chemicals such as BPA are used in food packaging, they are not subject to the same federal regulations as chemicals that are added to our food. Further, while it has long been recognized that current testing paradigms do not work for EDCs, new testing guidelines still are not available.
Scientists, by the nature of our work, are apolitical. Two decades ago most reproductive biologists were skeptical about reports that sperm counts were dropping, infertility was on the rise, and that the incidence of breast, prostate, and other cancers was increasing. Today, far fewer of us dispute these statements, and many have become convinced that environmental exposures – and specifically exposures in utero – contribute to the changes that have occurred in the span of 1-2 human generations. A growing number of us have also become convinced that speaking to the press and the general public about our findings and our concerns should be a clear part of the job description of the next generation of reproductive biologists. The BPA experience has taught us the value of communicating complex scientific findings to the public in terms they can understand, and of sending clear messages about the potential impact of our findings to government decision makers. By refining our communication skills, we can be powerful spokesmen for better test systems and thereby assist government regulators in insuring the preservation of our reproductive health."
Para saber mais:
Hunt PA, Susiarjo M, Rubio C, Hassold TJ.
The Bisphenol A Experience: A Primer for the Analysis of Environmental Effects on Mammalian Reproduction.
Biol Reprod. 2009 May 20.
http://www.biolreprod.org/cgi/rapidpdf/biolreprod.109.077008v1
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terça-feira, 19 de maio de 2009
Kisspeptina, interferentes hormonais e puberdade
Do Departmento de Biologia, da North Carolina State University, em Raleigh um artigo instigante nos fala sobre os efeitos dos interferentes hormonais em neurônios produtores de kisspeptina.
Os autores no estudo afirmam que tem-se observado um aumento nas evidências que neurônios produtores de kisspeptina (KISS) possuem um papel importante na menarca, puberdade e na ovulação e que agentes com atividade hormonal podem causar alterações nesta sinalização e consequentemente influir na maturação e função reprodutiva.
O mesmo grupo, em estudo anterior já demonstrou que a exposição neonatal a fitoestrógenos diminui a densidade de KISS nas fibras no hipotálamo anterior de ratos fêmea, um efeito associado ao estrus persistente precoce e uma alteração na ativação dos neurônios produtores de hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH).
O estudo atual tinha como objetivo determiner se um agonista seletivo do recetor estrogênico alfa (ERalfa), PPT (propil pirazoltriol) ou Bisfenol A (BPA) poderia ter efeitos similares no conteúdo hipotalâmico de KISS em ratas fêmea, e verificar se em ratos machos, a densidade de fibras também era sensível aos efeitos dos interferentes.
Inicialmente foram observados os efeitos da exposição neonatal ao PPT, uma baixa dose de BPA (50mg/kg) na imunoreatividade nos núcleos arqueado (ARC) e periventricular anterior ventral (AVPV) de ratas adultas, usando estradiol benzoato (EB) e óleo de gergelim como controles. A imunoreatividade de KISS do núcleo paraventricular anterior ventral (AVPV KISS-ir)após ovariectomia e priming hormonal foi significativamente menor nos grupos controle (EB) e no grupo usando PPB, mas não no grupo exposto a BPA.
Os níveis de ARC KISS-ir foram significativamente menores no grupo controle e no grupo recebendo alta dose de BPA e observou-se uma tendência não significativa para diminuição do KISS-ir no grupo do PPB.
Em seguida, os autores examinaram os efeitos sobre a população neonatal de baixas doses de BPA (50 microg/kg bw) e de genisteína (GEN), fitoestrógeno presente na soja, e equol (EQ), uma isoflavona derivada da daidzeína sobre o KISS-ir nos AVPV e ARC de ratos machos adultos, usando ratas ovariectomizadas como controle. Nenhum dos compostos afetou a KISS-ir no hipotálamo dos machos.
Os resultados sugerem que a organização das fibras KISS hipotalâmicas pode ser vulnerável a exposição a agents interferentes e que as fêmeas são mais sensíveis que os machos.
Embora ainda muitos estudos devam ser realizados, é plausível supor que agentes ambientais possam interferir com o início da menarca e com a sinalização do LH e FSH.
Para saber mais:
Patisaul HB, Todd KL, Mickens JA, Adewale HB.
Impact of neonatal exposure to the ERalpha agonist PPT, bisphenol-A or phytoestrogens on hypothalamic kisspeptin fiber density in male and female rats.
Neurotoxicology. 2009 May;30(3):350-7.
Os autores no estudo afirmam que tem-se observado um aumento nas evidências que neurônios produtores de kisspeptina (KISS) possuem um papel importante na menarca, puberdade e na ovulação e que agentes com atividade hormonal podem causar alterações nesta sinalização e consequentemente influir na maturação e função reprodutiva.
O mesmo grupo, em estudo anterior já demonstrou que a exposição neonatal a fitoestrógenos diminui a densidade de KISS nas fibras no hipotálamo anterior de ratos fêmea, um efeito associado ao estrus persistente precoce e uma alteração na ativação dos neurônios produtores de hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH).
O estudo atual tinha como objetivo determiner se um agonista seletivo do recetor estrogênico alfa (ERalfa), PPT (propil pirazoltriol) ou Bisfenol A (BPA) poderia ter efeitos similares no conteúdo hipotalâmico de KISS em ratas fêmea, e verificar se em ratos machos, a densidade de fibras também era sensível aos efeitos dos interferentes.
Inicialmente foram observados os efeitos da exposição neonatal ao PPT, uma baixa dose de BPA (50mg/kg) na imunoreatividade nos núcleos arqueado (ARC) e periventricular anterior ventral (AVPV) de ratas adultas, usando estradiol benzoato (EB) e óleo de gergelim como controles. A imunoreatividade de KISS do núcleo paraventricular anterior ventral (AVPV KISS-ir)após ovariectomia e priming hormonal foi significativamente menor nos grupos controle (EB) e no grupo usando PPB, mas não no grupo exposto a BPA.
Os níveis de ARC KISS-ir foram significativamente menores no grupo controle e no grupo recebendo alta dose de BPA e observou-se uma tendência não significativa para diminuição do KISS-ir no grupo do PPB.
Em seguida, os autores examinaram os efeitos sobre a população neonatal de baixas doses de BPA (50 microg/kg bw) e de genisteína (GEN), fitoestrógeno presente na soja, e equol (EQ), uma isoflavona derivada da daidzeína sobre o KISS-ir nos AVPV e ARC de ratos machos adultos, usando ratas ovariectomizadas como controle. Nenhum dos compostos afetou a KISS-ir no hipotálamo dos machos.
Os resultados sugerem que a organização das fibras KISS hipotalâmicas pode ser vulnerável a exposição a agents interferentes e que as fêmeas são mais sensíveis que os machos.
Embora ainda muitos estudos devam ser realizados, é plausível supor que agentes ambientais possam interferir com o início da menarca e com a sinalização do LH e FSH.
Para saber mais:
Patisaul HB, Todd KL, Mickens JA, Adewale HB.
Impact of neonatal exposure to the ERalpha agonist PPT, bisphenol-A or phytoestrogens on hypothalamic kisspeptin fiber density in male and female rats.
Neurotoxicology. 2009 May;30(3):350-7.
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
Triclosan e efeitos no aparelho reprodutor masculino
Triclosan (TCS), um clorofenol, é usado como preservante em uma série de produtos comerciais. É frequente nos dentifrícios e nos desodorantes. Os efeitos do triclosan como interferente hormonal são controversos e um estudo recente tenta esclarecer os modos de ação do TCS como antiandrogênico.
Para o desenho foram usados ratos albinos machos, que foram tratados com 3 doses de triclosan por um período de 60 dias seguido da análise de vários parâmetros bioquímicos.
A reação em cadeia da polimerase transversa (RT-PCR) mostrou uma diminuição significativa nos níveis de RNA mensageiro para a proteína reguladora aguda esteroidogênica testicular (StAR), citocromo P450SCC, citocromo P450C17, 3-betahidroxiesteroide desidrogenase (3β-HSD), 17β-hidroxiesteroide desidrogenase(17β-HSD)e receptor androgênico nos ratos tratados com TCS (p< 0,05). Os autores também encontraram uma translação da StAR e das proteínas do receptor androgênico (Western Blot). Houve ainda uma redução dos níveis daStAR (imunohistoquímica) nas células de Leydig testiculares nos ratos tratados e uma redução significativa (p < 0.05) no nível sérico de hormônio luteinizante (LH), no hormônio folículo estimulante (FSH), no colesterol, na pregnolona e na testosterona.
Ensaios in vitro mostraram uma redução de mais de 30% na aividade enzimática da 3β-HSD e 17β-HSD no grupo tratado.
Os autores também observaram extensas malformações histopatológicas nos testículos e nos tecidos do aparelho reprodutor dos ratos.
O estudo mostrou que o triclosan diminui a síntese de andrógenos seguido de diminuição da produção de esperma no grupo tratado e que este efeito poderia ser mediado por uma redução na síntese de LH e FSH, envolvendo assim o eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal.
Para saber mais:
Vikas Kumar, Ajanta Chakraborty, Mool Raj Kural, Partha Roy
Alteration of testicular steroidogenesis and histopathology of reproductive system in male rats treated with triclosan.
Reproductive Toxicology
Volume 27, Issue 2, April 2009, Pages 177-185
Para o desenho foram usados ratos albinos machos, que foram tratados com 3 doses de triclosan por um período de 60 dias seguido da análise de vários parâmetros bioquímicos.
A reação em cadeia da polimerase transversa (RT-PCR) mostrou uma diminuição significativa nos níveis de RNA mensageiro para a proteína reguladora aguda esteroidogênica testicular (StAR), citocromo P450SCC, citocromo P450C17, 3-betahidroxiesteroide desidrogenase (3β-HSD), 17β-hidroxiesteroide desidrogenase(17β-HSD)e receptor androgênico nos ratos tratados com TCS (p< 0,05). Os autores também encontraram uma translação da StAR e das proteínas do receptor androgênico (Western Blot). Houve ainda uma redução dos níveis daStAR (imunohistoquímica) nas células de Leydig testiculares nos ratos tratados e uma redução significativa (p < 0.05) no nível sérico de hormônio luteinizante (LH), no hormônio folículo estimulante (FSH), no colesterol, na pregnolona e na testosterona.
Ensaios in vitro mostraram uma redução de mais de 30% na aividade enzimática da 3β-HSD e 17β-HSD no grupo tratado.
Os autores também observaram extensas malformações histopatológicas nos testículos e nos tecidos do aparelho reprodutor dos ratos.
O estudo mostrou que o triclosan diminui a síntese de andrógenos seguido de diminuição da produção de esperma no grupo tratado e que este efeito poderia ser mediado por uma redução na síntese de LH e FSH, envolvendo assim o eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal.
Para saber mais:
Vikas Kumar, Ajanta Chakraborty, Mool Raj Kural, Partha Roy
Alteration of testicular steroidogenesis and histopathology of reproductive system in male rats treated with triclosan.
Reproductive Toxicology
Volume 27, Issue 2, April 2009, Pages 177-185
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Bisfenol A ataca de novo!

Publicado antecipadamente on line na Endocrinology por pesquisadores do Physicians Commitee for Responsible Medice e do National Institute of Child Health and Human Development do NIH, é o artigo que trago hoje, mais uma vez sobre o Bisfenol A.
Já dissemos aqui que o Bisfenol A (BPA) é uma substância química presente em muitos plásticos manufaturados e nas resinas epoxi e sabidamente capaz de alterar a diferenciação sexual por interferência endócrina. Recentemente o Bisfenol vem sendo implicado também como agente interferente sobre a atividade tireoidea por antagonização da ativação no receptor (TR) do hormônio tireoideo T3.
Os autores estudaram a relação entre a exposição ao Bisfenol A e seus efeitos sobre o desenvolvimento dos vertebrados, identificando as vias críticas do T3 que possam sofrer a sua interferência através de análise molecular in vivo.
Como a metamorfose nos anfíbios necessita de T3 e engloba o período pós-embrionário nos mamíferos, sendo um período crítico do ponto de vista de sinalização do hormônio tireoideo, foi o modelo e o período escolhido pelos autores para a observação.
Os autores encontraram, após 4 dias de exposição ao BPA, uma inibição do remodelamento intestinal induzido pelo T3. O BPA antagonizou a regulação da maioria genética dos genes modulados pelo T3, explicando o efeito do BPA sobre a metamorfose.
Os autores afirmam que, a partir de suas observações, o Bisfenol A não apenas é um interferente endócrino por sua atividade estrogênica, mas a sua atividade na inibição das vias do T3 na inibição do desenvolvimento dos vertebrados, não apenas dá um mecanismo para os prováveis efeitos deletérios do BPA no desenvolvimento de seres humanos, mas também demonstra a importância de estudar estas substâncias e suas ações in vivo.
Para saber mais:
Heimeier RA, Das B, Buchholz DR, Shi YB.
The xenoestrogen bisphenol A inhibits postembryonic vertebrate development by antagonizing gene regulation by thyroid hormone.
Endocrinology. 2009 Feb 19
http://endo.endojournals.org/
http://www.pcrm.org/
http://www.nichd.nih.gov/
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Diisobutilftalato: efeitos no sistema reprodutor masculino
O Diisobutilftalato (DIBP) é um isômero ramificado do Dibutilftalato (DBP).
As cadeias laterais do DBP possuem um esqueleto de 4 carbonos, enquanto o DIBP tem suas cadeias alquil de 4 carbonos reagrupadas em um esqueleto de 3 carbonos com uma ramificação metil.
O DBP e muitos outros esteres ortoftálicos com cadeias laterais de tamanho C4-C6 são conhecidos interferentes hormonais na diferenciação andrógeno-dependente.
Os pesquisadores, Anne-Marie Saillenfait, Jean-Philippe Sabaté, Frédéric Gallissot do Institut National de Recherche et de Sécurité, Vandoeuvre, França, desenharam um estudo para determinar se a exposição intrauterina ao DIBP poderia induzir a alterações permanentes e dose dependentes do desenvolvimento do sistema reprodutivo masculino nestes animais.
Através de gavagem os ratos foram alimentados com óleo de oliva, DIBP ou DBP durante o perído compreendido entre o 12° e o 21° dias de gestação com doses de 125, 250, 500 e 625mg/kg/dia de DIBP e 500 mg/kg/dia de DBP.
O DIBP não causou toxicidade evidente nas mães, nem reduziu o tamanho fetal, no entanto os filhotes machos apresentaram distância ano-genital diminuída neonatal na dose de 250mg/kg/dia de DIBP e doses maiores levaram a retenção areolar e dos mamilos, separação prepucial atrasada (na puberdade) nas doses de 500 e 625mg/kg/dia. Hipospadias, prepucio fendido e criptorquidia (não descida dos testículos) foram observadas nos ratos machos expostos intra-utero a doses de 500 a 625mg/kg/dia de DIBP. Lesões histopatológicas nos testículos, em especial degeneração dos túbulos seminíferos foram também observadas.
Os autores concluiram que o DIBP pode causar danos ao sistema reprodutivo dos ratos similares aos observados com o DBP, embora o DIBP apresente-se menos potente em induzir malformações.
Para ler o artigo:
Anne-Marie Saillenfait, Jean-Philippe Sabaté, Frédéric Gallissot
Diisobutyl phthalate impairs the androgen-dependent reproductive development of the male rat
Reproductive Toxicology
Volume 26, Issue 2, October 2008, Pages 107-115
As cadeias laterais do DBP possuem um esqueleto de 4 carbonos, enquanto o DIBP tem suas cadeias alquil de 4 carbonos reagrupadas em um esqueleto de 3 carbonos com uma ramificação metil.
O DBP e muitos outros esteres ortoftálicos com cadeias laterais de tamanho C4-C6 são conhecidos interferentes hormonais na diferenciação andrógeno-dependente.
Os pesquisadores, Anne-Marie Saillenfait, Jean-Philippe Sabaté, Frédéric Gallissot do Institut National de Recherche et de Sécurité, Vandoeuvre, França, desenharam um estudo para determinar se a exposição intrauterina ao DIBP poderia induzir a alterações permanentes e dose dependentes do desenvolvimento do sistema reprodutivo masculino nestes animais.
Através de gavagem os ratos foram alimentados com óleo de oliva, DIBP ou DBP durante o perído compreendido entre o 12° e o 21° dias de gestação com doses de 125, 250, 500 e 625mg/kg/dia de DIBP e 500 mg/kg/dia de DBP.
O DIBP não causou toxicidade evidente nas mães, nem reduziu o tamanho fetal, no entanto os filhotes machos apresentaram distância ano-genital diminuída neonatal na dose de 250mg/kg/dia de DIBP e doses maiores levaram a retenção areolar e dos mamilos, separação prepucial atrasada (na puberdade) nas doses de 500 e 625mg/kg/dia. Hipospadias, prepucio fendido e criptorquidia (não descida dos testículos) foram observadas nos ratos machos expostos intra-utero a doses de 500 a 625mg/kg/dia de DIBP. Lesões histopatológicas nos testículos, em especial degeneração dos túbulos seminíferos foram também observadas.
Os autores concluiram que o DIBP pode causar danos ao sistema reprodutivo dos ratos similares aos observados com o DBP, embora o DIBP apresente-se menos potente em induzir malformações.
Para ler o artigo:
Anne-Marie Saillenfait, Jean-Philippe Sabaté, Frédéric Gallissot
Diisobutyl phthalate impairs the androgen-dependent reproductive development of the male rat
Reproductive Toxicology
Volume 26, Issue 2, October 2008, Pages 107-115
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Para Alexandra e quem quiser saber mais sobre ftalatos
Os Ftalatos são uma família de substâncias químicas orgânicas produzidas através da combinação de ácido ortoftálico ou tereftálico com um álcool (que pode ser metanol, ou etanol até isodecanol).
Eles são os plasticizantes mais utilizados no mundo. Seu uso teve início faz cerca 50 anos e inicialmente se usavam para tornar o PVC maleável. Os ftalatos possuem um aspecto de óleo vegetal claro, com pouco ou nenhum cheiro, são um pouco amargos.
Na indústria são utilizados amplamente por seus benefícios: flexibilidade, durabilidade, longevidade, aumento da resistência e da performance e baixo custo. São sempre parte de um composto e praticamente nunca se apresentam sozinhos.
Podemos encontrar ftalatos em vários tipos de cenário:em produtos finais plásticos e de PVC,como amolecedor e lubrificante,como aditivo em adesivos, selantes, tintas, etc...,como fixador de perfumes e anticracking em esmaltes, até como combustível de foguetes!
No mercado há cerca de 20 tipos de ftalatos diferentes com diferentes aplicações.
O mais abundante é o dietilexilftalato, o DEHP (ou também conhecido por dioctilftalato, DOP), que representa cerca de 20% de todos os plasticizantes usados no mundo ocidental.
Na cosmética, o mais comum é o DBP, dibutilftalato, que por suas características físico-químicas é utilizado também na nitrocelulose, no PVC, nas tintas e adesivos, na borracha nitrílica e clorada, nas lacas e resinas fenólicas, alquídicas, estirenadas e outras, na moagem de pigmentos, no couro artificial, nos lubrificantes têxteis e na cobertura de papel.
Em resumo, o uso de ftalatos é tão difuso que a substância é ubíqua, podendo ser encontrada até em regiões desérticas do globo, levadas por correntes de ar ou pela cadeia alimentar.
Mas como estas substâncias entram em nossos corpos?
Existem basicamente quatro vias: a inalatória, a transcutânea, a oral, e a via parenteral.
A contaminação pela via parenteral ocorre quando se utilizam materiais médicos realizados em PVC, como cânulas, bolsas de infusão e etc,...
O fato destas substâncias serem aditivos, faz com que elas deixem o composto ao qual se ligam na embalagem e migrem para o conteúdo das mesmas. Quanto mais gorduroso for o conteúdo, maior a afinidade destas substâncias.
A contaminação por via oral se dá através do contato dos alimentos com filmes plásticos de PVC, com embalagens e contenidores desta substância ou através de objetos contendo ftalatos que sejam levados à boca..
A proximidade com objetos que possuam ftalatos como aditivos pode favorecer a contaminação por via inalatória, como ocorre nos brinquedos infantis e nos linóleos, onde o bebê leva o brinquedo à boca e gatinha próximo à fonte. Perfumes também podem conter (e geralmente contém) ftalatos. Tudo o que é perfumado (industrialmente) pode conter esta substância como parte da fórmula, pois sua adição prolonga a duração da fragrância. Cabe lembrar que na maioria das vezes fórmulas de perfumes são segredos industriais e não são abertas ao público. Você nunca vai encontrar no rótulo o nome ou as siglas dos ftalatos.
A via transcutânea diz respeito à passagem através da pele destas substâncias. A pele não é impermeável e apesar da complexidade do mecanismo transcutâneo e de suas realçoes metabólicas, ela deve ser levada em consideração. Neste caso, fatores como o tempo de exposição e a superfície de absorção são importantes.
Faz exceção o PET (que também é um politereftalato de etileno), mas cuja estabilidade molecular confere maior segurança quanto a esta perda.
Os ftalatos são agentes interferentes hormonais, possuem toxicidade reprodutiva, são carcinógenos (para algumas espécies) e mutagênicos.
O que podemos fazer para reduzirmos a carga de exposição a estes agentes? Algumas medidas são bastante simples:
a) abra as janelas de sua casa e areje bem o ambiente sempre que for possível,
b) não use filme de PVC para envolver alimentos gordurosos. Dê preferência a contenidores de vidro ou de aço inox,
c) evite produtos perfumados (ou pelo menos os que não tragam claramente no rótulo que sua fragrância é isenta de ftalatos), evite esmaltes, evite laquês, evite excessos de produtos de beleza se você estiver grávida. Use o necessário para seu estilo de vida, mas sem exageros.
d) ao usar produtos plásticos, dê preferência aos feitos em polipropileno ou em polietileno, por serem mais simples e não conterem aditivos.
e) procure saber quais são os plásticos utilizados nos brinquedos que você compra. Entre em contato com as empresas. Consulte os sites de proteção ao consumidor.
Lembre-se porém que você não vai conseguir zerar a sua exposição a ftalatos, mas vai poder reduzí-la.
Para saber mais:
consulte ao lado nos links:
Nosso Futuro Roubado, Our Stolen Future, Healthy Toys, IDEC...
http://www.greenpeace.org/raw/content/international/press/reports/phthalates-and-artificial-musk.pdf
e os posts relativos aos ftalatos e aos plásticos neste blog.
Eles são os plasticizantes mais utilizados no mundo. Seu uso teve início faz cerca 50 anos e inicialmente se usavam para tornar o PVC maleável. Os ftalatos possuem um aspecto de óleo vegetal claro, com pouco ou nenhum cheiro, são um pouco amargos.
Na indústria são utilizados amplamente por seus benefícios: flexibilidade, durabilidade, longevidade, aumento da resistência e da performance e baixo custo. São sempre parte de um composto e praticamente nunca se apresentam sozinhos.
Podemos encontrar ftalatos em vários tipos de cenário:em produtos finais plásticos e de PVC,como amolecedor e lubrificante,como aditivo em adesivos, selantes, tintas, etc...,como fixador de perfumes e anticracking em esmaltes, até como combustível de foguetes!
No mercado há cerca de 20 tipos de ftalatos diferentes com diferentes aplicações.
O mais abundante é o dietilexilftalato, o DEHP (ou também conhecido por dioctilftalato, DOP), que representa cerca de 20% de todos os plasticizantes usados no mundo ocidental.
Na cosmética, o mais comum é o DBP, dibutilftalato, que por suas características físico-químicas é utilizado também na nitrocelulose, no PVC, nas tintas e adesivos, na borracha nitrílica e clorada, nas lacas e resinas fenólicas, alquídicas, estirenadas e outras, na moagem de pigmentos, no couro artificial, nos lubrificantes têxteis e na cobertura de papel.
Em resumo, o uso de ftalatos é tão difuso que a substância é ubíqua, podendo ser encontrada até em regiões desérticas do globo, levadas por correntes de ar ou pela cadeia alimentar.
Mas como estas substâncias entram em nossos corpos?
Existem basicamente quatro vias: a inalatória, a transcutânea, a oral, e a via parenteral.
A contaminação pela via parenteral ocorre quando se utilizam materiais médicos realizados em PVC, como cânulas, bolsas de infusão e etc,...
O fato destas substâncias serem aditivos, faz com que elas deixem o composto ao qual se ligam na embalagem e migrem para o conteúdo das mesmas. Quanto mais gorduroso for o conteúdo, maior a afinidade destas substâncias.
A contaminação por via oral se dá através do contato dos alimentos com filmes plásticos de PVC, com embalagens e contenidores desta substância ou através de objetos contendo ftalatos que sejam levados à boca..
A proximidade com objetos que possuam ftalatos como aditivos pode favorecer a contaminação por via inalatória, como ocorre nos brinquedos infantis e nos linóleos, onde o bebê leva o brinquedo à boca e gatinha próximo à fonte. Perfumes também podem conter (e geralmente contém) ftalatos. Tudo o que é perfumado (industrialmente) pode conter esta substância como parte da fórmula, pois sua adição prolonga a duração da fragrância. Cabe lembrar que na maioria das vezes fórmulas de perfumes são segredos industriais e não são abertas ao público. Você nunca vai encontrar no rótulo o nome ou as siglas dos ftalatos.
A via transcutânea diz respeito à passagem através da pele destas substâncias. A pele não é impermeável e apesar da complexidade do mecanismo transcutâneo e de suas realçoes metabólicas, ela deve ser levada em consideração. Neste caso, fatores como o tempo de exposição e a superfície de absorção são importantes.
Faz exceção o PET (que também é um politereftalato de etileno), mas cuja estabilidade molecular confere maior segurança quanto a esta perda.
Os ftalatos são agentes interferentes hormonais, possuem toxicidade reprodutiva, são carcinógenos (para algumas espécies) e mutagênicos.
O que podemos fazer para reduzirmos a carga de exposição a estes agentes? Algumas medidas são bastante simples:
a) abra as janelas de sua casa e areje bem o ambiente sempre que for possível,
b) não use filme de PVC para envolver alimentos gordurosos. Dê preferência a contenidores de vidro ou de aço inox,
c) evite produtos perfumados (ou pelo menos os que não tragam claramente no rótulo que sua fragrância é isenta de ftalatos), evite esmaltes, evite laquês, evite excessos de produtos de beleza se você estiver grávida. Use o necessário para seu estilo de vida, mas sem exageros.
d) ao usar produtos plásticos, dê preferência aos feitos em polipropileno ou em polietileno, por serem mais simples e não conterem aditivos.
e) procure saber quais são os plásticos utilizados nos brinquedos que você compra. Entre em contato com as empresas. Consulte os sites de proteção ao consumidor.
Lembre-se porém que você não vai conseguir zerar a sua exposição a ftalatos, mas vai poder reduzí-la.
Para saber mais:
consulte ao lado nos links:
Nosso Futuro Roubado, Our Stolen Future, Healthy Toys, IDEC...
http://www.greenpeace.org/raw/content/international/press/reports/phthalates-and-artificial-musk.pdf
e os posts relativos aos ftalatos e aos plásticos neste blog.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Triclosan, de novo.
"Alteração da esteroidogênese testicular e histopatologia do sistema reprodutor em ratos machos tratados com triclosan" é o título do artigo coordenado pelo Dr. Parthan Roy e liderado pelo Dr. Kumar do Indian Institute of Technology Roorkee que será publicado na Reproductive Toxicology, mas já está disponível on-line.
Os autores estudaram os efeitos do triclosan e sua toxicidade reprodutiva em ratos (R. norvegicus), tratando-os com 3 doses diárias de triclosan por um período de 2 meses e em seguida avaliaram vários parâmetros bioquímicos.
Através da reação em cadeia da polimerase com trascrição reversa, os autores demonstraram uma diminuição significativa nos níveis de RNAm para a proteína reguladora da esteroidogênese testicular aguda (StAR), citocromo P450 (SCC e C17), 3 beta-hidroxiesteroide desidrogenase (3 betaHSD), 17 beta-hidroxiesteroide desidrogenase (17 beta-HSD) e receptor androgênico (AR) nos ratos tratados com triclosan. Eles também observaram uma perturbação na translação de StAR testicular e nas proteínas do receptor androgênico pelo Western Blot. Por imunohistoquímica, os autores observaram uma diminuição na StAR nas células de Leydig. Além disso houve uma redução significativa nos níveis de LH (hormônio luteinizante), FSH (h. folívulo estimulante), colesterol, pregnenolona e testosterona. Houve uma redução superior a 30% na atividade enzimática do 3beta-HSD e do 17beta-HSD testiculares no grupo tratado.
Observou-se malformações histopatológicas nos testículos e nos tecidos sexuais nos ratos tratados.
Os autores concluiram que o triclosan diminui a síntese de andrógenos com consequente redução na produção de esperma que pode ser mediada redução da produção de LH e FSH, envolvendo o eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal.
O triclosan é um clorofenol usado como preservante e agente anti-bacteriano em vários tipos de formulações cosméticas (desodorantes, dentifrícios, etc...).
Para saber mais:
Kumar V, Chakraborty A, Kural MR, Roy P.
Alteration of testicular steroidogenesis and histopathology of reproductive system in male rats treated with triclosan.
Reprod Toxicol. 2008 Dec 11. (in press)
Os autores estudaram os efeitos do triclosan e sua toxicidade reprodutiva em ratos (R. norvegicus), tratando-os com 3 doses diárias de triclosan por um período de 2 meses e em seguida avaliaram vários parâmetros bioquímicos.
Através da reação em cadeia da polimerase com trascrição reversa, os autores demonstraram uma diminuição significativa nos níveis de RNAm para a proteína reguladora da esteroidogênese testicular aguda (StAR), citocromo P450 (SCC e C17), 3 beta-hidroxiesteroide desidrogenase (3 betaHSD), 17 beta-hidroxiesteroide desidrogenase (17 beta-HSD) e receptor androgênico (AR) nos ratos tratados com triclosan. Eles também observaram uma perturbação na translação de StAR testicular e nas proteínas do receptor androgênico pelo Western Blot. Por imunohistoquímica, os autores observaram uma diminuição na StAR nas células de Leydig. Além disso houve uma redução significativa nos níveis de LH (hormônio luteinizante), FSH (h. folívulo estimulante), colesterol, pregnenolona e testosterona. Houve uma redução superior a 30% na atividade enzimática do 3beta-HSD e do 17beta-HSD testiculares no grupo tratado.
Observou-se malformações histopatológicas nos testículos e nos tecidos sexuais nos ratos tratados.
Os autores concluiram que o triclosan diminui a síntese de andrógenos com consequente redução na produção de esperma que pode ser mediada redução da produção de LH e FSH, envolvendo o eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal.
O triclosan é um clorofenol usado como preservante e agente anti-bacteriano em vários tipos de formulações cosméticas (desodorantes, dentifrícios, etc...).
Para saber mais:
Kumar V, Chakraborty A, Kural MR, Roy P.
Alteration of testicular steroidogenesis and histopathology of reproductive system in male rats treated with triclosan.
Reprod Toxicol. 2008 Dec 11. (in press)
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ingredientes cosméticos,
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tox. reprodutiva,
triclosan
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Parabenos e o CIR: a avaliação "final" mais recente
Saiu o artigo mais recente do CIR (comitê de avaliação da indústria americana de cosméticos) sobre a avaliação de segurança de parabenos.
O artigo está disponível no International Journal of Toxicology em suplemento (Int J Toxicol. 2008;27 Suppl 4:1-82) com o título: "Final amended report on the safety assessment of Methylparaben, Ethylparaben, Propylparaben, Isopropylparaben, Butylparaben, Isobutylparaben, and Benzylparaben as used in cosmetic products."No texto eles admitem que os parabenos penetram o extrato córneo na inversa proporsão do tamanho de sua cadeias, que não há toxicidade aguda e a toxicidade sub-aguda ou crônica é QUASE nenhuma.
Os estudos de genotoxicidade apresentaram PRATICAMENTE nenhuma toxicidade, EMBORA o metilparabeno e o etilparabeno tenham aumentado SIGNIFICATIVAMENTE as aberrações cromossômicas nos estudos conduzidos em células de ovário de hamsters. Eles também admitem que a presença de etil, propil e butilparabeno na dieta produziram proliferação celular no estômago anterior de ratos (efeito ligado ao tamanho da cadeia molecular), mas o isobutil e o butilparabeno não são carcinogênicos quando dados por via oral em ratos.
Há também a admissão, após dizer que não são cancerígenos administrados por via subcutânea, de que em um estudo in vitro houve evidência de toxicidade em baixíssimas doses, tornando o esperma inviável. Logo, no entanto rebatem com a afirmação que em um outro estudo in vivo, 0,1% de metilparabeno e 1,0% de etilparabeno por via oral não causaram toxicidade no esperma de ratos, embora tenham que admitir que o propilparabeno afete a contagem do esperma em todas as concentrações variando de 0,01% até 1,0%´, além do butilparabeno em doses de 1% levar a perda de peso do epidídimo e da vesícula seminal, com perda da motilidade e do número de espermatozóides viáveis em nascituros de ratas expostas a 100mg/dia. Também admitem que em ratas tratadas com injeções subcutâneas de 100 a 200mg/dia houve toxicidade reprodutiva nos filhotes, mas sem deformidades na genitália aparentes.
Segundo os autores o Butilparabeno se liga aos receptores estrogênicos mas com uma obvia afinidade menor que o estradiol. Existe também relativa afinidade dos receptores alfa e beta que aumenta em função do tamanho da cadeia alquil do metil (mais fraca) até o isobutil (mais forte). Nos receptores androgênicos, o propilparabeno demonstrou uma atividade competitiva fraca enquanto o metilparabeno não teve atividade. O ácido parahidroxibenzoico (PHBA), do qual este grupo de substâncias deriva, quando administrado por via subcutânea na dose de 5mg/kg/dia, produziu resposta estrogênica em um estudo uterotrófico com camundongos, mas não em ratos. Quanto ao metilparabeno, os achados foram controversos, porém nos casos positivos sua potência seria 1000 vezes menor que o estradiol e o mesmo valeria para o etil, propil e butilparabeno. Já, para os autores, o isobutilparabeno é uterotrófico por estímulo estrogênico, apesar sua potência ser só 240.000 vezes menor que o estradiol. O benzilparabeno também produziu o mesmo resultado apesar de uma potência ainda menor, de cerca 330.000 vezes menor que o estradiol.
Os autores também admitem a atividade estrogênica dos parabenos e do PHBA em células humanas tumorais de mama in vitro (embora reassegurem que são 4 vezes mais fracas que o estradiol).
Segundo os autores, os parabenos são não irritantes e não sensibilizantes, apesar dos inúmeros casos reportados na literatura e das preocupações dos alergologistas, isto só ocorreria na pele não íntegra. Eles dizem que apesar dos parabenos PENETRAREM o stratum corneum, o próprio metabolismo da pele seria responsável por reduzir a 1/4 esta dose e assim reduzir a quantidade de parabenos absorvidos na forma original.
A conclusão dos "experts" do CIR é que os parabenos são seguros para uso em cosméticos.
Ficou confuso?
Pois é. Muitos estudos citados neste artigo são contraditórios e controversos.
O fato de dizer que uma substância possui ação estrogênica x vezes menor que o estradiol não significa que ela não seja eficaz para provocar uma ação, ou uma interferência, fato observado por exemplo na comparação do estradiol (hormônio natural) com um xenohormônio como o benzilparabeno, que apesar de ser 300.000 vezes mais fraco produz estimulação uterotrófica significativa.
Discordo do fato que parabenos sejam seguros do ponto de vista de sensibilização. A literatura está repleta de artigos e "reports" e os preservantes são uma das categorias mais importantes entre os agentes sensibilizantes em cosmética, juntamente com os perfumes e os corantes e em aumento na população geral.
Além do mais a tal "pele íntegra" é uma falácia. A pele sofre milhões de agressões e microtraumas contínuos onde uma ruptura do efeito barreira não é nada absurdo ou anormal.
Outro detalhe que foi tratado de forma superficial foi a dose diária de parabenos ao qual o indivíduo está exposto, uma vez que o uso de cosméticos não é a única fonte destas susbtâncias. Assim a dose utilizada para comparação com a NOAEL (nível no qual não se observam efeitos adversos - no observed adverse effect level) não é a dose real de parabenos ao qual o sujeito médio está de fato exposto e as margens de segurança não são conservadoras, muito ao contrário.
Menos mal que em outros pontos do globo os grupos de vigilância sejam mais restritivos e bem menos condescendentes, e discordem, ao menos parcialmente, deste ponto de vista, uma vez que não devem defender os interesses das indústrias, mas sim da sociedade.
O artigo está disponível no International Journal of Toxicology em suplemento (Int J Toxicol. 2008;27 Suppl 4:1-82) com o título: "Final amended report on the safety assessment of Methylparaben, Ethylparaben, Propylparaben, Isopropylparaben, Butylparaben, Isobutylparaben, and Benzylparaben as used in cosmetic products."No texto eles admitem que os parabenos penetram o extrato córneo na inversa proporsão do tamanho de sua cadeias, que não há toxicidade aguda e a toxicidade sub-aguda ou crônica é QUASE nenhuma.
Os estudos de genotoxicidade apresentaram PRATICAMENTE nenhuma toxicidade, EMBORA o metilparabeno e o etilparabeno tenham aumentado SIGNIFICATIVAMENTE as aberrações cromossômicas nos estudos conduzidos em células de ovário de hamsters. Eles também admitem que a presença de etil, propil e butilparabeno na dieta produziram proliferação celular no estômago anterior de ratos (efeito ligado ao tamanho da cadeia molecular), mas o isobutil e o butilparabeno não são carcinogênicos quando dados por via oral em ratos.
Há também a admissão, após dizer que não são cancerígenos administrados por via subcutânea, de que em um estudo in vitro houve evidência de toxicidade em baixíssimas doses, tornando o esperma inviável. Logo, no entanto rebatem com a afirmação que em um outro estudo in vivo, 0,1% de metilparabeno e 1,0% de etilparabeno por via oral não causaram toxicidade no esperma de ratos, embora tenham que admitir que o propilparabeno afete a contagem do esperma em todas as concentrações variando de 0,01% até 1,0%´, além do butilparabeno em doses de 1% levar a perda de peso do epidídimo e da vesícula seminal, com perda da motilidade e do número de espermatozóides viáveis em nascituros de ratas expostas a 100mg/dia. Também admitem que em ratas tratadas com injeções subcutâneas de 100 a 200mg/dia houve toxicidade reprodutiva nos filhotes, mas sem deformidades na genitália aparentes.
Segundo os autores o Butilparabeno se liga aos receptores estrogênicos mas com uma obvia afinidade menor que o estradiol. Existe também relativa afinidade dos receptores alfa e beta que aumenta em função do tamanho da cadeia alquil do metil (mais fraca) até o isobutil (mais forte). Nos receptores androgênicos, o propilparabeno demonstrou uma atividade competitiva fraca enquanto o metilparabeno não teve atividade. O ácido parahidroxibenzoico (PHBA), do qual este grupo de substâncias deriva, quando administrado por via subcutânea na dose de 5mg/kg/dia, produziu resposta estrogênica em um estudo uterotrófico com camundongos, mas não em ratos. Quanto ao metilparabeno, os achados foram controversos, porém nos casos positivos sua potência seria 1000 vezes menor que o estradiol e o mesmo valeria para o etil, propil e butilparabeno. Já, para os autores, o isobutilparabeno é uterotrófico por estímulo estrogênico, apesar sua potência ser só 240.000 vezes menor que o estradiol. O benzilparabeno também produziu o mesmo resultado apesar de uma potência ainda menor, de cerca 330.000 vezes menor que o estradiol.
Os autores também admitem a atividade estrogênica dos parabenos e do PHBA em células humanas tumorais de mama in vitro (embora reassegurem que são 4 vezes mais fracas que o estradiol).
Segundo os autores, os parabenos são não irritantes e não sensibilizantes, apesar dos inúmeros casos reportados na literatura e das preocupações dos alergologistas, isto só ocorreria na pele não íntegra. Eles dizem que apesar dos parabenos PENETRAREM o stratum corneum, o próprio metabolismo da pele seria responsável por reduzir a 1/4 esta dose e assim reduzir a quantidade de parabenos absorvidos na forma original.
A conclusão dos "experts" do CIR é que os parabenos são seguros para uso em cosméticos.
Ficou confuso?
Pois é. Muitos estudos citados neste artigo são contraditórios e controversos.
O fato de dizer que uma substância possui ação estrogênica x vezes menor que o estradiol não significa que ela não seja eficaz para provocar uma ação, ou uma interferência, fato observado por exemplo na comparação do estradiol (hormônio natural) com um xenohormônio como o benzilparabeno, que apesar de ser 300.000 vezes mais fraco produz estimulação uterotrófica significativa.
Discordo do fato que parabenos sejam seguros do ponto de vista de sensibilização. A literatura está repleta de artigos e "reports" e os preservantes são uma das categorias mais importantes entre os agentes sensibilizantes em cosmética, juntamente com os perfumes e os corantes e em aumento na população geral.
Além do mais a tal "pele íntegra" é uma falácia. A pele sofre milhões de agressões e microtraumas contínuos onde uma ruptura do efeito barreira não é nada absurdo ou anormal.
Outro detalhe que foi tratado de forma superficial foi a dose diária de parabenos ao qual o indivíduo está exposto, uma vez que o uso de cosméticos não é a única fonte destas susbtâncias. Assim a dose utilizada para comparação com a NOAEL (nível no qual não se observam efeitos adversos - no observed adverse effect level) não é a dose real de parabenos ao qual o sujeito médio está de fato exposto e as margens de segurança não são conservadoras, muito ao contrário.
Menos mal que em outros pontos do globo os grupos de vigilância sejam mais restritivos e bem menos condescendentes, e discordem, ao menos parcialmente, deste ponto de vista, uma vez que não devem defender os interesses das indústrias, mas sim da sociedade.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Shanna Swan e os efeitos dos Ftalatos em humanos: menos plástico, mais festa!
Artigo recém publicado na Environmental Research pela Dr.a Shanna Swan, do Dept. de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade de Rochester, traz uma revisão sobre os efeitos dos Ftalatos em seres humanos.
No artigo ela traz os avanços e os resultados recentes do estudo chamado "Study for Future Families", um estudo multicêntrico sobre a gestação e que foi onde se observaram pela primeira vez os efeitos dos ftalatos em seres humanos.
Para quem não segue este blog, ftalatos são uma família de aditivos plásticos, que são ubíquos (estão em todos os lugares), aos quais estamos expostos por diferentes vias: inalatória, por ingestão e transcutânea através de alimentos contaminados (pelo plástico), cosméticos, perfumadores de ambiente, plásticos em geral.
Do ponto de vista químico, eles são diésteres do ácido 1,2 benzenodicarboxílico, ou ácido ftálico.
Neste estudo, pelo menos uma associação significativa foi descrita para os metabólitos do di-n-butil ftalato (DBP), do butilbenzil ftalato (BzBP), dietil ftalato (DEP) e diisononil Ftalato (DINP), e para três dos metabólitos urinários do di(2-etilhexil) ftalato (DEHP).
Muitos dos achados* em humanos, a maioria em meninos, são consistentes com o efeito anti-androgênico que foi demonstrada para vários ftalatos.
Os achados na literatura relacionados aos ftalatos e crianças nas diversas fases de desenvolvimento são os seguintes: diminuição da idade gestacional, encurtamento da distância anogenital, diminuição do tamnho do pênis, descida incompleta dos testículos, aumento do SHBG (proteína ligante dos andrógenos no plasma), aumento do LH/T livre, diminuição da Testosterona livre, telarca prematura, rinite, eczema e asma (as três últimas relacionadas ao pó doméstico).
Em adultos os achados são os seguintes: aumento do dano no DNA do esperma, diminuição da motilidade dos espermatozóides, diminuição na concentração do esperma, piora na morfologia do esperma, aumento no LH/T livre, diminuição do FSH, diminuição da função pukmonar, aumento da circunferência abdominal, aumento da resistência insulínica, hipotiroidismo (diminuição do T3 e do T4).
Na conclusão, a Dra Swan ressalta as dificuldades metodológicas no desenho de um estudo envolvendo ftalatos, dada a muitiplicidade de fontes e rotas de exposição e da não linearidade das dose-resposta. Assim, estudos que analisam singularmente um só ftalato não expressam as reais situações de exposição a esta família de substâncias nem o risco real delas derivado.
Para saber mais:
Swan SH
Environmental phthalate exposure in relation to reproductive outcomes
and other health endpoints in humans
Environmental Research 108 (2008) 177–184
No artigo ela traz os avanços e os resultados recentes do estudo chamado "Study for Future Families", um estudo multicêntrico sobre a gestação e que foi onde se observaram pela primeira vez os efeitos dos ftalatos em seres humanos.
Para quem não segue este blog, ftalatos são uma família de aditivos plásticos, que são ubíquos (estão em todos os lugares), aos quais estamos expostos por diferentes vias: inalatória, por ingestão e transcutânea através de alimentos contaminados (pelo plástico), cosméticos, perfumadores de ambiente, plásticos em geral.
Do ponto de vista químico, eles são diésteres do ácido 1,2 benzenodicarboxílico, ou ácido ftálico.
Neste estudo, pelo menos uma associação significativa foi descrita para os metabólitos do di-n-butil ftalato (DBP), do butilbenzil ftalato (BzBP), dietil ftalato (DEP) e diisononil Ftalato (DINP), e para três dos metabólitos urinários do di(2-etilhexil) ftalato (DEHP).
Muitos dos achados* em humanos, a maioria em meninos, são consistentes com o efeito anti-androgênico que foi demonstrada para vários ftalatos.
Os achados na literatura relacionados aos ftalatos e crianças nas diversas fases de desenvolvimento são os seguintes: diminuição da idade gestacional, encurtamento da distância anogenital, diminuição do tamnho do pênis, descida incompleta dos testículos, aumento do SHBG (proteína ligante dos andrógenos no plasma), aumento do LH/T livre, diminuição da Testosterona livre, telarca prematura, rinite, eczema e asma (as três últimas relacionadas ao pó doméstico).
Em adultos os achados são os seguintes: aumento do dano no DNA do esperma, diminuição da motilidade dos espermatozóides, diminuição na concentração do esperma, piora na morfologia do esperma, aumento no LH/T livre, diminuição do FSH, diminuição da função pukmonar, aumento da circunferência abdominal, aumento da resistência insulínica, hipotiroidismo (diminuição do T3 e do T4).
Na conclusão, a Dra Swan ressalta as dificuldades metodológicas no desenho de um estudo envolvendo ftalatos, dada a muitiplicidade de fontes e rotas de exposição e da não linearidade das dose-resposta. Assim, estudos que analisam singularmente um só ftalato não expressam as reais situações de exposição a esta família de substâncias nem o risco real delas derivado.
Para saber mais:
Swan SH
Environmental phthalate exposure in relation to reproductive outcomes
and other health endpoints in humans
Environmental Research 108 (2008) 177–184
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