segunda-feira, 30 de março de 2009

Não é igual.

Todas as vezes que vejo escolas em situação miserável me dou conta de que a verdadeira causa da disparidade social não está em nenhum outro lugar.
Ontem tive a oportunidade de ver na TV uma vergonha nacional que alguns bravos heróis e heroínas insistem em chamar de escola e se esforçam por mandar para frente. É gente simples, perdida no interiorzão deste pais. Alguns analfabetos, outros menos, alguns professores com tanta boa vontade e tantas crianças para os quais escola significa comida.
Tem a ver sim escola e comida. Escola é a comida da alma de quem pergunta. Mas aquelas choupanas sem recursos, são comida mesmo, dessas que a gente engole para encher a pança e sobreviver.
Pensei naquelas crianças, nas suas imensas dificuldades, nas suas imensas diferenças. Pensei nas crianças das mesmas escolas, mesmo as ruins daqui. Pensei na minha filha e no esforço em garantir para ela um ensino de qualidade. Elas são crianças, todas elas. Para a lei, cidadãos em igualdade. Mas elas não são iguais. Elas não terão as mesmas chances. Nunca. Elas já foram marcadas para serem diferentes.
Não que eu acredite que as pessoas sejam iguais. Não são. Cada um é um, com seus talentos e suas limitações. Cada um tem interesses, vontades, capacidades diferentes e isso não é um mal. Eu, por exemplo não seria nunca uma contadora feliz. E por sua vez tenho certeza que muitos contadores detestariam o que eu faço com prazer.
Eu acredito que as pessoas deveriam ter oportunidades. E que se não as quisessem, por um motivo ou por outro, seria uma escolha pessoal, não uma imposição.
No caso daquelas crianças em Goiás, assim como foi no Maranhão da outra vez, não é uma escolha delas. Elas não podem optar.
Aí me ocorre os imensos desperdícios, as imensas improbidades administrativas, as imensas bobagens que nos vendem em nome da política. Tanta demagogia, tantos engodos. E que pagamos egregiamente com uma infinidade de impostos inúteis.
A verdade é que se queremos justiça social neste país devemos acabar com a fraude das pseudoescolas. Temos que fazê-las de verdade, dar educação paritária, boa, séria.
Educação que ensine a pensar, a criticar. Não só escrever seu nome.
Professor tem que ser professor, não super-herói.
Mas talvez não convenha. Talvez dar dignidade de cidadãos verdadeiros não seja proveitoso para os demagogos. Vão acabar os votos que não questionam, de curral.
Não que as bolsas isso ou aquilo não sejam úteis para uma maré de gente miserável. Dar comida, enche a pança do agora. Mas amanhã elas ainda vão estar na mesma fila, esperando pelos mesmos vales.
O que vai mudar a vida desta gente é oportunidade. E oportunidade significa preparo, significa informação, significa educação.
E é certamente a única coisa que vai fazer deste pais, uma nação de verdade.
Confesso que ontem vendo aquelas crianças, eu chorei.

3 comentários:

thais disse...

pois é...
e toda vez que eu penso "eles não tem roupa pra sair", eu me sinto muito, muito mal.......

como foram de mudança?

beijo

Sandra Goraieb disse...

Tha, ainda não acabou. Trouxemos as coisas, dei um jeitinho no depósito, mas o escritório ainda está no fim das reformas. Talvez até no final da semana esteja resolvido para que eu possa arrumar tudo direito. No fim de semana fui atropelada por uma porqueirinha de um vírus que me nocauteou. Sempre fiquei perplexa em como uma coisa tão pequenininha, tão simplória, consegue detonar um ser tão mais complexo, tão elaborado. Oh, resfriadinho sem vergonha, sô!
E depois a gente ainda se acha o ápice da criação...
Como vão indo vocês por aí? As coisas estão melhorando no Japão? Torço muito. beijos gds

Liu disse...

sandra,

não vi a reportagem em questão. mas seu texto bastou pra q eu tomasse a coragem de colocar um antigo projeto em prática. ou pelo menos começar, já que o primeiro passo é o mais importante.

obrigada,

luiza