segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Novos aspectos nas dermatites de contato alérgicas

O grupo do Dept. de Dermatologia da Universidade de Odense, liderado pelo Dra. Charlotte Gotthard Mortz publicou na Current Opinion in Allergy & Clinical Immunology uma revisão no mês de outubro que tinha como foco a correlação entre os patch tests positivos e a sua interpretação clínica.
Os autores relatam que a alergia pelo níquel é ainda a mais frequente em território europeu, apesar da diretiva de 2001. Cosméticos e drogas tópicas são outra causa comum de dermatite de contato alérgica e os principais agentes interessando são ingredientes de fragrâncias, preservantes e tinturas de cabelo. A diretiva para rotulagem de cosméticos é de grande ajuda para encontrar o possível agente causador da reação, segundo os autores. Eles também acenam que a presença concomitante de muitos ingredientes cosméticos em produtos de limpeza e outros produtos industrializados (geralmente com outros nomes) ampliam a possibilidade de contao e reações cruzadas. Pacientes com alergias de contato múltiplas constituem um grupo cuja qualidade de vida vem bastante reduzida devido a quantidade cada vez maior de produtos no ambiente.
Na revisão os autores ainda não esclarecem o porque destes pacientes se tornarem tão facilmente sensibilizados.
Na mesma edição da revista, outra revisão do Dr. Torsten Schaefer (Luebeck University) analisa as relações entre eczema atópico e sensibilização alérgica. Cerca 50% das crianças e 35% dos adultos portadores de eczema atópico são sensibilizados para alergenos comuns. Segundo o autor, fatores como sexo, localização geográfica e condições sócio-econômicas seriam determinantes para a proporção desta sensibilização. A concorrência de ambas as patologias aumentaria o risco para alergias respiratórias. Sensibilização aos ácaros parece ser relevante e um fator importante para eczema atópico.
Estudos populacionais correlacionando alergias alimentares e eczema são muito limitados, embora 40% das crianças hospitalizadas apresentem agudização de seus eczemas por reação a alimentos, os adultos reagem só ocasionalmente após exposição a alergenos alimentares. Em base aos estudos epidemiológicos o impacto entre alergia alimentar no eczema não é suficientemente claro e necessita de investigação mais detalhada.
O autor conclui dizendo que o eczema não está necessariamente associado a uma sensibilização alérgica, exceto no caso dos ácaros, onde parece haver uma associação relevante.
Para saber mais:

Mortz CG, Andersen KE.
New aspects in allergic contact dermatitis.
Curr Opin Allergy Clin Immunol. 2008 Oct;8(5):428-32.

Schaefer, Torsten
The impact of allergy on atopic eczema from data from epidemiological studies
Curr Opin Allergy Clin Immunol. 2008 Oct;8(5):418-422.

2 comentários:

╰☆╮F®ÅNciєℓyღ εїз* disse...

Muito boa a postagem de hoje Sandra!
Pelo que me parece, a inovação e tecnologia na área corporal humana (drogas e cosméticos) está colhendo frutos maléficos. Portanto somente me resta apelar para esta tecnologia quando não mais me restar outra opção.
Muita coisa vindo a tona, é isso aí!
bjs mil
Fran

Sandra Goraieb disse...

Fran, respeito seu ponto de vista, mas não concordo. Não é a inovação e a tecnologia que provoca danos. Seria dar a culpa por escolhas erradas ao motivo errado. São justamente as tecnologias e a inovação que nos permitem enxergar estes erros e encontrar saídas para eles. Passei boa parte de minha vida lidando com altas tecnologias no ambiente mais invasivo da Medicina. E foi ali que tive as maiores satisfações profissionais. A questão não é se um antibiótico potentíssimo está sendo usado. A questão é em quem e para qual finalidade. Não me sentiria bem se recusasse um tratamento a uma pessoa em septicemia e a deixasse morrer por não querer usar uma tecnologia que é aparentemente "danosa". A questão é o bom senso. Antibiótico para resfriado não tem sentido, e no entanto muita gente nem espera e já se entope de tudo o que encontra pela frente. Não sou a favor de excessos, mas acredito que é inteligente conhecer o máximo e eventualmente usar todas as possibilidades disponíveis, desde que o benefício seja sempre maior que o risco.