segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Shanna Swan e os efeitos dos Ftalatos em humanos: menos plástico, mais festa!

Artigo recém publicado na Environmental Research pela Dr.a Shanna Swan, do Dept. de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade de Rochester, traz uma revisão sobre os efeitos dos Ftalatos em seres humanos.
No artigo ela traz os avanços e os resultados recentes do estudo chamado "Study for Future Families", um estudo multicêntrico sobre a gestação e que foi onde se observaram pela primeira vez os efeitos dos ftalatos em seres humanos.
Para quem não segue este blog, ftalatos são uma família de aditivos plásticos, que são ubíquos (estão em todos os lugares), aos quais estamos expostos por diferentes vias: inalatória, por ingestão e transcutânea através de alimentos contaminados (pelo plástico), cosméticos, perfumadores de ambiente, plásticos em geral.
Do ponto de vista químico, eles são diésteres do ácido 1,2 benzenodicarboxílico, ou ácido ftálico.
Neste estudo, pelo menos uma associação significativa foi descrita para os metabólitos do di-n-butil ftalato (DBP), do butilbenzil ftalato (BzBP), dietil ftalato (DEP) e diisononil Ftalato (DINP), e para três dos metabólitos urinários do di(2-etilhexil) ftalato (DEHP).
Muitos dos achados* em humanos, a maioria em meninos, são consistentes com o efeito anti-androgênico que foi demonstrada para vários ftalatos.

Os achados na literatura relacionados aos ftalatos e crianças nas diversas fases de desenvolvimento são os seguintes: diminuição da idade gestacional, encurtamento da distância anogenital, diminuição do tamnho do pênis, descida incompleta dos testículos, aumento do SHBG (proteína ligante dos andrógenos no plasma), aumento do LH/T livre, diminuição da Testosterona livre, telarca prematura, rinite, eczema e asma (as três últimas relacionadas ao pó doméstico).
Em adultos os achados são os seguintes: aumento do dano no DNA do esperma, diminuição da motilidade dos espermatozóides, diminuição na concentração do esperma, piora na morfologia do esperma, aumento no LH/T livre, diminuição do FSH, diminuição da função pukmonar, aumento da circunferência abdominal, aumento da resistência insulínica, hipotiroidismo (diminuição do T3 e do T4).

Na conclusão, a Dra Swan ressalta as dificuldades metodológicas no desenho de um estudo envolvendo ftalatos, dada a muitiplicidade de fontes e rotas de exposição e da não linearidade das dose-resposta. Assim, estudos que analisam singularmente um só ftalato não expressam as reais situações de exposição a esta família de substâncias nem o risco real delas derivado.

Para saber mais:
Swan SH
Environmental phthalate exposure in relation to reproductive outcomes
and other health endpoints in humans
Environmental Research 108 (2008) 177–184

2 comentários:

thais disse...

vou colocar lá no vida verde, tá?
beijo

Alexandra disse...

Olá, estou grávida do meu segundo filho, na verdade da minha primeira filha, segunda gestação, pois tenho um garoto de 3 anos. E me preocupei com a informação que li. Gostaria de saber onde esses ftalatos são encontrados, como evitar o contato com eles e o que fazer para ajudar a diminuir o consumo de produtos que os contenham.
Bjs!
Ah, adorei o blog e faço coleta seletiva em casa, ensinando meu pequeno a preservar o planeta que vivemos.