sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Pondo pingos nos is

Quero esclarecer alguns pontos que não ficaram claros para algumas pessoas que insistem em não querer entender:

1) não sou a favor de vivissecção.
2) No projeto em que trabalho não fazemos testes em animais. Optamos por culturas de células tumorais e análise epidemiológica.
3) Não considero os testes atualmente vigentes suficientes para garantir a segurança individual em relação a novos produtos e aos efeitos cumulativos daquilo que já existe no mercado.
4) Atualmente ainda se realizam testes em animais, principalmente no que diz respeito à novas moléculas e terapias. Isto não significa que eu seja a favor daquilo que existe. Mas existe, é a realidade e é nela que vivemos. O que se pode fazer é trabalhar pelas alternativas.
5) Excessos devem sempre ser coibidos
6) o ser humano é um animal, portanto, mesmo que os testes se limitem à espécie humana (clínicos), são realizados em animais. É absurdo pensar que o homem seja uma categoria separada. O mote "não testado em animais" é uma inverdade. O que não foi testado foi o produto acabado pois para ter o registro na ANVISA é necessário garantir a segurança, ainda que mínima, do produto.
7) A Natureza tende ao equilíbrio. Os seres vivos não são iguais na forma, na função e na atividade, mas merecem respeito em todas as instâncias pois são interdependentes entre si. A Natureza é um todo e não fragmentos (mas é filosófico demais para a maioria, infelizmente).
8) Sou a favor de substâncias mais seguras. SEGURAS para todos, humanos, cães, gatos, ratos, pássaros, microfauna e microflora. Para quem quiser ter uma idéia do que isto significa leia: "Silent Spring" de Rachel Carlson, ou "Our Stolen Future" de Theo Colburn (disponível em português pela L&PM do RS). É um bom começo para introduzir o tema. Ou procurem no site do WWF : http://www.panda.org/about_wwf/where_we_work/europe/what_we_do/epo/initiatives/chemicals/publications/index.cfm?uPage=2
Proteger somente animais de experimentação é olhar para o umbigo e esquecer o resto do planeta. É necessário proteger a todos.
9) Há circunstâncias em que aquilo que temos não corresponde ao que gostaríamos de ter, basta abrir os olhos e olhar em torno. A realidade dos fatos é que eu não estou satisfeita com o que temos e foi exatamente isto o que eu disse.
10) Bom senso não é artigo de luxo e deveria fazer parte do dicionário de todos.
11) Bioética e biossegurança não são incompatíveis.
12) Testes em animais não são tão baratos nem tão simples assim. Quando realizados em instituições sérias, são analizados por um comitê de ética animal. Os critérios são definidos por estes comitês. O lobby da indústria não é por testes, pelo contrário. Se pudesse, a indústria aboliria tudo.
13) Recomendo que protocolos similares ao que foi implantado na Europa como o REACH sejam presos em consideração pelas autoridades locais onde limitação de substâncias perigosas e de procedimentos fúteis sejam a palavra de ordem.

Dito isto, deixo as perguntas:

Alguém que tenha um filho (e que o ame) o exporia a um teste voluntariamente?
Você exporia seu cachorrinho de estimação a um teste?
Eu não. Nem minha filha, nem meus cães e gatos ( eu tenho vários e cuido deles com muito carinho), nem as aves do meu quintal, nem minhas plantinhas na horta (orgânica). Egoismo? Instinto? Chame como quiser, mas é assim, o bicho que eu sou defende aquilo que ama.

Espero com isto ter esclarecido alguns pontos, para evitar que pessoas usem meu nome e minha opinião de forma errônea. Se mesmo assim não for suficiente, eu só posso lamentar.

Ah, eu fiz um juramento de proteger pacientes. Tenho que usar o arsenal terapêutico que possuo (e que certamente foi testado em animais) e para combater a doença tive que matar tantos agentes patológicos: vermes, bactérias, insetos. Não posso declinar de minha profissão , o que prova que nem sempre as coisas são do jeito que a gente gostaria que fossem. O ideal seria que não houvesse doenças, nem doentes, mas a realidade é outra.
Os doentes existem, precisam de tratamento. Então eu uso o bom senso e os trato com que que existe, apesar de tudo e sem remorsos, mas com a convicção de que as coisas podem e devem melhorar.

4 comentários:

Jorge Cordeiro disse...

PAra Proteger e curar pacientes n�o � necessario torturar outros animais. Se exisdtem tecnicas que substituem com sobras as adotadas em laboratorios que testam em animais, porque nao exigir, pressionar, reivindicar que assim seja? Nao consumo transgenicos em casa e exijo do meu pediatra remedios que nao foram testados em animais. Simples assim... (www.escriba.org)

Sandra Goraieb disse...

Ah, que beleza! Eu também não consumo transgênicos. Viu, temos algo em comum. Ah, me faça um favor, peça para o seu pediatra a lista de medicamentos que segundo ele não foram testados em animais? Vai ser útil. Aproveite e pergunte se ele conhece drogas que se usam em UTI e anestesia que não sejam sido testadas também. Você vai me ajudar a ter esta ótima postura. Me avise do que ele te disser, ok? Valeu!

Ana Mosena disse...

Olá, gostaria de saber se você me autoriza a publicar o link para este post na minha página do facebook. Achei super esclarecedor. Eu tinha uma visão bastante limitada sobre testes em animais antes de ler seu blog, pensava que eram todos 'do mal' =P

Sandra Goraieb disse...

Ana, quando comecei a escrever o blog, comecei com o espírito de divulgar coisas que acredito importantes e que devem ser conscientes. Você tem toda a liberdade de divulgar aquilo que acreditar ser válido e de acordo com a sua consciência e crítica indicando a fonte. Obrigada por ter entendido o espírito da coisa sem preconceitos.
E vamos usar os 3 Rs*, ou seja, refinamento, redução e substituição (replace), muito bom senso e postura ética enquanto a utopia não vem. Abraços!